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Anjos e Demônios

Postado em 20 October 2007 Escrito por Izzy Nobre 6 Comentários

Tenho um desafio pra vocês. Essa aqui só vale pros vagabundos dentre vocês que realmente lêem alguma coisa além de blogs e suas listas de discussão sobre câmeras digitais.

Estou pensando num determinado livro, e quero saber se vocês conseguem descobrir de que livro estou falando através de uma descrição da trama.

Este livro tem como personagem principal um simbologista americano, que se vê subitamente envolvido na investigação do assassinato de um proeminente intelectual. A morte não foi convencional, uma vez que o pobre defunto teve seu corpo coberto por sinais de mutilação. Os símbolos no corpo do cadáver ajudam o tal simbologista a desvendar a trama (não sem a ajuda de uma familiar do morto, que por sinal teve seu interesse despertado na área de estudo de sua figura paterna graças à influência desta): uma antiga irmandade secreta que muitos acreditavam ser fruto de teorias conspiratórias está movendo-se contra a religião organizada ocidental, e cabe ao tal simbologista desvendar códigos secretos e pistas escondidas pra localizar a chave do problema. Um dos antagonistas é um assassino contratado por um homem desconhecido com intenções duvidosas. A propósito a trama do livro foi recentemente adaptada em um roteiro cinematográfico estrelando Tom Hanks.

Pensou que eu estava descrevendo Código da Vinci, né? Não. A sinopse acima é do Angels and Demons, a prequel (existe palavra em português pra “prequel”?) do Código da Vinci. A única diferença é que a versão cinematográfica do Angels and Demons ainda não está em cartaz.

Eu finalmente tomei coragem pra ler Angels and Demons, que esteve sentado na minha prateleiras há meses desde que a namorada roubou de algum amigo lá de Ontario. Minha ADD dificulta bastante me concentrar por mais de quinze segundos na mesma tarefa, um dos pré-requisitos pra ler um livro (ou atualizar um blog com frequência, perceba que minhas desculpas se tornam mais elaboradas a cada atualização do blog), mas tendo 8 horas livres por dia e sendo pago pra isso, me distrair lendo alguma coisa se torna não apenas um passatempo mas um exercício em manter minha sanidade.

E olha só, eu bem que gosto dos temas abordados pelo Dan Brown. Sério mesmo, essas tramas montados ao redor de uma pitadinha de lições de história com doses cavalares de interpretações livres do autor é como cocaína pra mim, eu leio tudo avidamente. O problema é que alguém poderia explicar pra esse filho da puta que escrever dois livros IDÊNTICOS, um sendo continuação do outro, não dá pra passar despercebido. Até mesmo o seu adolescente retardadinho padrão (que apesar de jamais se dar ao luxo de ler livros mas sim esperar a inevitável adaptação holywoodiana, insiste que “o livro era melhor”), após assistir os primeiros cinco minutos de Angels and Demons, perguntará a si mesmo “mas ei, não era assim que Código da Vinci começava?” Se você nunca leu o A&D, o livro começa com um cientista do CERN fugindo de seu assassino, que insiste que ele lhe entrege alguma coisa, e em seguida o mata. Aí alguém liga pro Langdon e o chama pro local do crime, tornando-o parte da confusão. Só faltava acusarem o cara de ser o culpado pela morte do outro, igual no Código da Vinci.

Eu cocei a cabeça e pensei “porra, o cara só sabe começar livro desse jeito…?” Continuei lendo pra ver se as semelhanças morreriam aí.

Não foi o caso. Assim como em Código da vinci, o assassino também não conhece o cara que o contratou (o que começa a me cheirar a um plot twist igualzinho ao do Código da vinci, o que não será exatamente uma surpresa a esta altura do campeonato). Langdon se move de um ponto histórico pra outro seguindo pistas na forma de obras de arte e poemas relacionados à religião católica, sempre levando junto a menina que é parente do defunto. Há até a figura do policial filho da puta que só atrapalha tudo. Sério, um livro é IDÊNTICO ao outro, e eu tou curiosíssimo pra saber como vão adaptar o roteiro pra fugir da previsível crítica de que um filme será essencialmente uma cópia do outro.

Brown não pode nem escapar com a desculpa de que é “a temática dele”. Michael Crichton, que é outro autor que se repete bastante em alguns detalhes (particularmente bem mais irritantes, como a constante presença de crianças de 11 anos que são gênios da computação, a forma com que quase todos os capítulos dos livros terminam com alguém desmaiando, e o fato de que 95% dos personagens principais dos livros dele são médicos, refletindo a área profissional do próprio autor), não comete esse mesmo erro de repetir a trama inteirinha. O tema presente nos livros do Crichton é “ciência fora do controle” – Homem Terminal, Jurassic Park, Linha do Tempo, etc -, mas ele sempre os aborda de formas diferentes. E no caso do excelente Esfera por exemplo, ele abandona o tema totalmente e faz um thriller sci fi bastante intrigante. Com Tom Clancy é a mesma história, o cara só fala sobre o mundo militar de operações especiais e espionagem, mas um livro trata de assuntos bastante distintos, com execução bastante diferente.

Já o tema do Dan Brown – conspirações relacionadas a religião e simbologia religiosa – se desenrolam da mesma forma. Alguém é morto por um personagem envolvido na conspiração, e várias pistas são deixadas pra trás na forma de edifícios religiosos e peças artísticas, permitindo Robert Langdon chegar até o final e desativar a situação.

Não é nem que o livro seja ruim. Eu até gosto do tema que o Dan Brown aborda, já que me interesso particularmente por religião e história, e quem não gosta de uma boa teoria conspiratória? O problema é que um livro é essencialmente a mesmíssima coisa que outro. O começo é praticamente a mesma coisa – nego morre, aparecem símbolos no cara, Langdon é chamado à cena, aparece a filha/neta do sujeito, o assassino enquanto isso sai matando mais neguim por aí, e daí os dois personagens principais passeiam pela Europa achando mais símbolos, poemas, pistas, etc e parará.

E, como eu falei, o andar da carruagem sugere a uma reviravolta de trama IDÊNTICA ao do outro livro, também.

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

6 Comentários \o/

  1. pedrop.rio says:

    Já li Ponto de Impacto e Fortaleza Digital também, todos são a mesma coisa. O Dan Brown não foge a esse estilo de AMD reviravolta dupla, onde a cada página do livro o suspeito é outro.

    Mas sei lá, é lekau mesmo assim…

  2. izzynobre says:

    @jaimealves comentei sobre isso num post no HBD uma vez: http://hbdia.com/wordpress/2007/10/20/753/

  3. izzynobre says:

    Livros do Dan Brown são tudo a mesma coisa: http://hbdia.com/wordpress/2007/10/20/753/ (escrevi em 2007, atentem pra esse detalhe)

  4. izzynobre says:

    @bobagento pior que eu já escrevi http://hbdia.com/wordpress/2007/10/20/753/ farei um adendo. TERCEIRO livro idêntico é foda.

  5. […] faleceu. O Vaticano iniciou o processo de eleição do novo Papa, muito bem ilustrado no péssimo Anjos e Demônios. Incontáveis fiéis aglomeravam-se na Praça de São Pedro, esperando que a conclave dos cardeais […]