Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Hugh Glass, o homem mais macho que jamais existiu no planeta Terra

Postado em 15 February 2012 Escrito por Izzy Nobre 13 Comentários

Boa tarde. Se o senhor ou senhora (dizem que tem menina lendo isso aqui mas sabemos que não é verdade) for por acaso um leitor(a) frequente deste site, talvez você tenha lido o texto “4 pessoas com uma história muito mais incrível para contar do que qualquer uma sua“.

Neste caso, venho a pedir que você apague tal texto de sua memória. Veio a meu conhecimento o fato de que cometi uma injustiça comparável apenas ao período de escravidão no Brasil ou ao fato de que existem pessoas justificando a carreira do Limp Bizkit comprando seus CDs. Eu omiti da lista um sujeito chamado Hugh Glass.

Estamos no século XIX. Hugh Glass era um peleiro, ou seja — ele arrancava peles de animaizinhos indefesos (só consigo imagina-lo fazendo isso com os dentes e gargalhando como um supervilão) e vendia pra galera que fazia casacos. Só aí Hugh já era mais macho que você e eu juntos.

Em agosto de 1823, nosso companheiro Hugh Glass estava caçando quando esbarrou com uma ursa.

Geralmente usa-se o termo “esbarrou” quando você encontra um conhecido desagradável no shopping ou bate com o cotovelo na quina de um móvel na sua casa. Ou seja, leves inconveniências. A leve inconveniência enfrentada pelo Hugh Glass no momento era estar de cara a cara com uma das mais eficientes máquinas assassinas que milhões de anos de seleção natural conseguiram produzir.

Para o azar do Hugh, a ursa estava acompanhada de seus filhotes. Ursas, que já são o equivalente animal de serial killers, se tornam ainda mais agressivas se estão na presença de seus filhotes. É o mesmo instinto materno de proteção experimentado por muitos animais vertebrados (incluindo os seres humanos), com a diferença que uma ursa pode e vai arrancar seu rosto como consequência do que ela pensa ser uma ameaça a seus ursinhos.

A ursa deu uma patada no Hugh Glass e este saiu voando — suponho que só não atingiu maior distância porque suas bolas de puro aço inoxidável o ancoraram no chão.

Antes que você sequer pense em dizer “ahh peraí, um tapinha não é assim também essas coisas todas”, permita-me familiariza-lo com a pata de um urso.

Você talvez tenha percebido as cinco imensas garras no pezinho acima. Ao contrário do que você talvez imagine, o urso não tenta evitar o contato delas com aquilo que ele está estapeando — belo contrário. Essas garrinhas aí saem dilacerando tudo que encontrem pela frente.

Geralmente esta visão é a última coisa que uma criatura vê.

Agora, se o tabefe ursino foi suficiente pra que o cara saísse voando, tente calcular o dano colateral que essas garras causaram nessa situação. Em outras palavras, ursos são quase como o Wolverine, só que sem consciência ou humanidade e agem de acordo com seus instintos.

Ou seja, são exatamente como o Wolverine.

Pois bem. Substitua Hugh Glass com qualquer outro ser humano (eis minha sugestão: você mesmo) e a história teria terminado aí. Acontece que Hugh Glass, ao contrário de você, era o Hugh Glass. O homem puxou uma faca e partiu pra cima da ursa. E mesmo levando bordoadas violentas do bicho, o homem esfaqueou a ursa até a morte.

Mas a essa altura o cara estava completamente fodido e caiu desacordado. Seus companheiros de caçada o encontraram, decidiram que ele não poderia sobreviver à jornada de volta pra casa, e o abandonaram lá pra morrer. Não apenas isso, mas eles roubaram também o rifle e a faca do Hugh Glass. Os “amigos” do cara disseram pro resto do grupo que o cara morreu e pronto, a negada foi-se embora.

Quando Hugh Glass finalmente acordou ele estava sozinho, sem nenhum equipamento ou comida, com a perna quebrada e com cortes tão profundos nas costas que suas costelas eram visíveis, e com as feridas já dando sinal de infecção. Ah, e ele estava há mais de 300 quilômetros do vilarejo mais próximo. E ninguém estava procurando por ele, pois acreditavam que o maluco já havia perecido.

Fosse eu ou você nesta situação, tal situação seria conhecida como “os últimos momentos da nossa vida”. Entretanto, reitero: eu ou você não somos Hugh Glass. Já o Hugh Glass, no entanto, é o Hugh Glass.

O cara ajeitou a própria perna, se enrolou na pele de urso que os “amigos” deixaram para trás, e começou a se arrastar. Pra evitar infecção e gangrena, ele se esfregou num pedaço podre de madeira pra que as larvas comessem a pele morta dos ferimentos.

Como o caminho mais curto de volta para a civilização era habitado por índios hostis, o cara teve que dar volta no território indígena. Mencionei que ele fez isso se arrastando na lama porque sua perna estava quebrada, né? Ah, sim. Sabia que tinha mencionado.

O Hugh sobreviveu comendo frutas que achava pelo chão, e em uma ocasião brigou com LOBOS pela carcaça de um bisão. Se você me desse uma arma de fogo, um veículo blindado dentro do qual eu podia me defender, e matasse o lobo pra mim com antecedência, TALVEZ eu podia enfrentar o bicho. Já Hugh Glass brigou com dois lobos estando numa condição que o obrigava a ficar com a barriga colada no chão o tempo todo.

Demorou 6 longas semanas (ao longo das quais nada além de puro ódio corria nas veias do cara, eu imagino) mas o maluco conseguiu voltar para o vilarejo. E ele teria matado os filhos das putas que o deixaram para trás pra morrer, mas na última hora ele teve pena de um que era muito novinho, e o outro havia se tornado soldado e a pena para assassinato de soldado era morte. Por isso ele resolveu deixar pra lá.

Mano, que história incrível. Imagina você passar um dia inteiro perdido no meio do mato, deve ser uma experiência aterrorizadora. Agora multiplique isso por 42, que foi o número de dias que a viagem do cara demorou, e adicione uma perna quebrada, ferimentos em necessidade de atenção médica, e a falta de qualquer instrumento que auxilie na situação.

O cara não apenas sobreviveu a isso como ainda teve a presença de espírito pra falar “ah, deixa pra lá, não vou mais matar os caras que me deixaram lá pra morrer”.

Enquanto isso na sua repartição se alguém esquece de limpar o microondas após esquentar a marmita você já tá colocando o nome do infeliz na macumba.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

13 Comentários \o/

  1. legal, boa história, bem escrita, engraçada.

  2. Bruno Henrique says:

    Caralho moleque.Engraçado é que se eu visse isso num filme,eu não acreditaria,e o diabo da história é verdadeira.Impressionante.

  3. Maria says:

    Sim, tem meninas lendo isso aqui.
    A prova é o twitter -> @mariacamargo_

    Li o texto todo de boca aberta, o cara é foda.

  4. Famscrow says:

    Legal a história mas… pô! O cara precisava mesmo sair pra caçar nessa distância? 300 quilômetros ???

    • vinicius says:

      adorei o texto, uma pessoa que caminhe a 5 km/h (velocidade media do ser humano)demoraria 60 dias para percorrer os 300 km contando que ela ande durante 24h/dia, ele se rastejava a 7,5 km/h com uma perna fodida e matando bichos ao msm tempo e sem dormir por nem um segundo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk o cara foi o chuck norris de seu tempo, valeu pelo texo cara, me diverti muito.

      • Everson says:

        A história é demais, o fato mais ainda, mas sua continha está errada. 🙂

        • Marcell says:

          Bem, é que não foi mencionado aí no texto acima mas se procurarem tem até no youtube vídeos do history channel, a história é real mas boa parte do trecho foi dentro de uma canoa improvisada que o Hugh fez para descer pelo rio, por isso foi tão rápido!

  5. caio itallo do ceará says:

    Belo texto, o cara é muito macho mesmo!

  6. Marcell says:

    Bem, é que não foi mencionado aí no texto acima mas se procurarem tem até no youtube vídeos do history channel, a história é real mas boa parte do trecho foi dentro de uma canoa improvisada que o Hugh fez para descer pelo rio, por isso foi tão rápido!

  7. Felipe says:

    Aí Izzy, melhor pesquisar melhor as suas histórias. O Hugh Glass não matou sozinho a ursa que o atacou, como vc afirma aí em cima. Ele só conseguiu matar a Ursa com a ajuda de seus amigos John Fitzgerald e Jim Bridger. Os mesmos que começaram a enterrá-lo, e quando sofreram um ataque indígena no meio do enterro, abandonaram o Hugh Glass sozinho no meio da mata…

  8. Elvis masson says:

    Estou atrasado rsrs… aqui no longínquo ano de 2016 o fodão aí é o léo di caprio, sério eu vi ele metendo a facada no urso e tudo mais, não sei como mas o Hugh aí copiou o nosso querido léo!!! kkkkk