A esta altura qualquer pessoa que conheça o termo “blog” e tenha uma conta no twitter deve estar ciente (queira ou não) da histórica rixa entre blogueiros remunerados e a turma que simplesmente gosta de escrever na internet.
Eu já me pronunciei sobre a status quo da blogosfera nacional suficientemente pra que todos que me conhecem sabem que não, eu não tenho nada contra ser remunerado por escrever em blogs. Não há nada de errado ou vergonhoso em ganhar seu sustento de forma honesta.
É a inevitável atitude de arrogância que me dá vontade de me pronunciar contra a turminha que se acha completamente realizada na vida porque recebem dinheiro em quantias variáveis por vender espaço pra anúncios em seus blogs.
(Tudo enquanto batem no peito e se auto-declaram o “novo jornalismo”, a suposta crescente tendência que põe terror no coração da mídia tradicional.)
A deliciosa ironia embutida nessa situação é que os auto-denominados “jornalistas alternativos” possuem poder retórico e eloquência que mal rivaliza aquela apresentada por motoristas de caminhão.

Chego a ficar decepcionado com isso.
Não é segredo pra ninguém que eu sou um exímio praticante da discórdia esportiva. A infame Semeadores da Discórdia surgiu justamente da vontade de encontrar outros espíritos de porco como eu, que provocam celeuma simplesmente pra poder dar dois passos pra trás e apreciar o trabalho bem feito.
Por motivos que eu não sei explicar, há algo em mim que me faz me divertir ao ver gente se degladiando na internet, defendendo os brios com furor como se uma discussão em uma comunidade qualquer no orkut às duas da manhã de domingo fosse algo que mereça tal dispêndio de energia.
E quanto mais irrelevante o motivo da briga melhor, porque isso ajuda a ilustrar o ponto de que se irritar por algo que acontece na internet é inerentemente fútil. É apropriado, então, que gente fútil se irrite e se disponha a brigar por motivos não-importantes. Ergo, a própria atitude de beligerância deles ajuda a provar o que eu tento falar – vocês deviam levar a internet (e a si mesmos) menos a sério.
Então, pra alguém que gosta de arrumar confusão na internet como esporte, onde estaria o maior potencial pra uma discussão hilariante? Quem seria o maior oponente? Quem exibiria maior desafio?
Gente que é tão reconhecida por escrever bem na internet que chega a ser remunerada por isso, claro. Comprar briga com aleatórios desconhecidos é fácil e não oferece “risco” algum. Não tem mérito. Os grandões é que ofereceriam resistência desafiante às minhas provocações.
Este mundinho blogueiro vem se tornando um ambiente progressivamente mais político, onde gente com rabo preso e interesses duvidosos não ousaria expressar a opinião real que eles têm dos outros envolvidos na cena, receosos da inevitável represália dos manda-chuvas ou do própria esfera blogueira nacional. É justamente esse cenário de solenidade e seriedade artificial que me parece perfeito pra meter o pé.
A O Fim da Blogosfera, comunidade criada pelo moskito (que originalmente ia ser um podcast, mas pra gente que trabalha é complicado arrumar tempos livres coincidentes), nasceu justamente com esse propósito – expor o elefante branco na sala que ninguém quer debater: afinal, quem exatamente os probloggers pensam que são (além da revolução da profissão jornalística e o pesadelo da mídia convencional)?
E aí surgiu o problema que eu não antecipei. Diante dos bons argumentos expostos na comunidade (como por exemplo, qual exatamente é o valor jornalístico de um veículo cuja opinião pode ser comprada por brindes e amostras grátis?), os probloggers voltam-se a um argumento default – “é inveja”.

É de lascar. Entrei na briga justamente aspirando um combate verbal de respeito, com cada interlocutor esmerilhando seu oponente com destreza retórica invejável. O que recebi foi o tipo de resposta que um aluno de quarta serie da rede pública de educação (ou um caminhoneiro) poderia ter dado.
Além do fato de que a falta de habilidade semântica prova justamente o ponto original (tais sujeios não são realmente comunicadores natos – são outdoors, e como tais não detém a habilidade verbal pra se defender), esse pseudo-argumentozinho nos permite espiar momentaneamente a psiquê do Problogger Comum:
O cara está tão deslumbrado com o próprio sucesso que se torna completamente a prova de críticas – como alguém poderia criticar alguém tão bem sucedido, né? Se a maioria das pessoas analisaria o mérito da crítica e repensaria suas atitudes, o Problogger Comum apenas conclui que ele não poderia estar cometendo algum erro, e que a única mola movedora que incita qualquer posição contrária a sua é a mais pura inveja dos que o cercam.
Mas a questão é, por que eu teria inveja de alguém que se veste com embalagem descartada de Doritos? Por que eu teria inveja de alguém que ganhou, uma vez na vida, um passeio de barco pra promover um celular? Eu teria inveja do dono do barco, sem dúvida. Não do sujeito que um dia pegou carona nele, na base do favor, e passará o resto da vida esfregando isso na cara dos outros. Essa é a perfeita definição de “gozar com o pau dos outros”.
Vocês precisam deixar de achar que qualquer crítica jogada em sua direção é insidiosa e automaticamente inválida. Ninguém é tão bem sucedido que não merece ser criticado. Até porque ganhar alguns trocados, favores e brindes na internet REALMENTE não é um emprego dos sonhos, me desculpem.





eh impressão minha ou o contador de comentáris não passa do 99?
AWE centésimo comentário!!!
hahahahahahahah
Ganhar dinheiro com blog não pode ser considerado coisa séria.
Até porque o meu não me dari adinheiro nem que eu quisesse ahshashahshash!!!
103°!
gostei mesmo.
@glacial seria nesse http://bit.ly/EMaOl
@OneLag @Glacial: http://bit.ly/EMaOl