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Telefone "de casa" ainda existe? Se sim, por quanto tempo?

Postado em 4 January 2012 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

Eu saí da casa do meu pai em 2007. Era minha primeira vez tendo que gerenciar um domicílio; a tarefa de equipar a casa com as amenidades necessárias (eletricidade, gás, telefones e, mais importante, internet) era intimidante. Eu nunca havia lidado com os grandes provedores de serviços antes.

A despeito de minha noobice, desempenhei a tarefa perfeitamente. Tirando aqueles dois (enlouquecedores) primeiros dias sem internet, minha casa foi plenamente equipada em pouco tempo após a mudança.

Aliás, um parêntese aqui — acho que não existirá mais para mim um período sem internet. Meu uso da internet começou muito limitado aos fins de semana e feriados nacionais; era o reinado do pulso único. Com o advento do ADSL, me vi subitamente capaz de acessar a internet em QUALQUER MOMENTO,que foi uma mudança foda. Você moleque jovem não sabe o que era limitar o uso da internet ao sábado e domingo.

Mas mesmo na abundância internética que foi a chegada da banda larga, ainda existia um período de desconexão: sair de casa. Aí veio a internet móvel nos celulares e de repente, sair da frente do computador deixou de significar período de desconexão. Aliás, eu acho que acesso mais a internet no celular do que no computador.

Nem mesmo viagens para o exterior significam cortar a conexão com a internet. Fui aos Estados Unidos no mês passado e toquei o foda-se pro bom senso comprando um relativamente caro pacote de dados roaming.

Um preço pequeno a pagar pela habilidade de dizer "acabei de coçar meus ovos" para 26 mil seguidores no tuíter

Então, voltando ao assunto. Quando me mudei instalei todos os serviços necessários da casa e tal. Só que aconteceu um fenômeno curioso.

Só minha mãe ligava pro celular da minha casa. Todo mundo — de amigos à minha chefe ao meu banco, literalmente todo mundo — ligava no meu celular. Eventualmente até minha mãe passou a ligar apenas pro meu celular, e o telefone “de casa” ficou relegado às odiosas ligações de vendedores telefônicos.

Em pouco tempo estabeleceu-se um condicionamento pavloviano em relação ao som do toque do telefone de casa. Sempre que soava, significava chateação. “Alô? Sim, sou o dono da casa. Não, obrigado. Não. Não, é que não quero. Por favor me tire da sua lista. Obrig… obrigado. Ok. Tchau.”

Quando notei isso, percebi que estava gastando dinheiro à toa pra manter aquela linha telefônica. E aí cancelei minha conta de telefone de casa.

E me parece que muita gente ainda não percebe isso. Quando comento com meus amigos aqui sobre o fato de que não tenho telefone em casa, eles acham estranho. Minha primeira pergunta é “quando foi que você teve uma conversa por telefone usando seu telefone de casa? Ou melhor — quando foi a última vez que você ligou pra alguém usando o telefone de casa?”

Invariavelmente os caras admitem que só mesmo o banco ou telemarketeiros ligam pro telefone landline deles.

Isso tá mudando bastante a forma como falamos no telefone, aliás. Eis um troço que você talvez não tenha percebido ainda — já notou o quão desconcertante é ligar pro celular de alguém e ser atendido por uma pessoa diferente daquela que você tentava alcançar? Quase sempre o seu interlocutor vai logo se desculpando e explicando que o dono do celular está ocupado (dirigindo, comendo, batendo punheta, sei lá); ele compreende que atender o celular de alguém é meio confuso pra quem fez a ligação

A geração celular fez isso com a gente. Na época em que telefone celular não existia, era comum conversar pelo menos uma vez com cada membro da família da pessoa para quem você estava ligando. “Fulaninho, é o Israel!” berrava a mãe do Fulaninho quando eu perguntava pelo moleque no telefone. Hoje, se eu ligo pra alguém e sua mãe atende o telefone, a primeira coisa que pensarei é que disquei o número errado.

Aliás, eis uma frase que acho que a gente nem fala mais tanto no telefone — “o Fulano tá aí?”. A era dos celulares tornou a pergunta nula por dois motivos: primeiro, porque você não geralmente fala com alguém diferente da pessoa para quem você ligou. E segundo, porque sendo o telefone móvel, a pessoa sempre está “lá”, seja lá onde for. A propósito, não é mais a pessoa que está “lá”; é o telefone.

Você ainda tem telefone landline em casa? Se sim, com que frequência você o usa?

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Categorias: Geral

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Renan says:

    Engraçado não ter nenhum comentário aqui, afinal de contas é uma coisa no mínimo curiosa. Aqui a gente não pode cancelar o telefone pois ele está “atrelado” à internet. E o preço da internet avulsa sai mais caro do que o preço do pacote telefone+internet. No fim das contas, temos o telefone em casa pra ligarem enchendo o saco. Raramente algum conhecido liga.

  2. JB says:

    Eu acho bem útil uma linha fixa, mas só porque é bem mais barato ligar pra outro fixo a partir dele. Pra receber ligação, realmente é um saco. Nem vem com bina, pô!
    Apesar disso, não tenho e não pretendo ter, mas só pq uso internet predial. Quem depende de banda larga sofre com os pacotinhos from hell. Acho que as telefonicas deveriam “let it go” os fixos e investir no barateamento do custo da ligação móvel.

  3. Caio Gama says:

    Eu uso o telefone de casa só por causa do pacote da internet e pra usar a conta como comprovante de residencia.