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Quando personagens virtuais morrem

Postado em 10 julho 2008 Escrito por Izzy Nobre 122 Comentários

Durante as aulas de redação do colegial, minha professora costumava dizer que a introdução do texto é geralmente a etapa mais desafiadora do processo editorial. Nela, você precisa apresentar a idéia e propôr algum tipo de conclusão de maneira concisa; os parágrafos seguinte é que terão o trabalho de elaborar a idéia.

Eu particularmente nunca tive muitos problemas em apresentar uma idéia em algumas curtas linhas.

Isso é, até hoje. A dificuldade de escrever este post me remeteu àquelas aulas de redação há mais de uma década atrás, quando a dificuldade de escrever introduções era apenas uma profecia não-concretizada. E por isso essa é a única introdução que esse texto terá.

Hoje a notícia da morte da Tina atingiu a blogosfera.

No blog dela, há um texto autorado pelo marido explicando o acontecido. A mulher andava doente, e entre o círculo de envolvidos nos grandes dramalhões internéticos provocados por ela, era praticamente um consenso de que ela provavelmente não viveria muito tempo.

A notícia se espalhou pelos twitters brasileiros imediatamente. A Tina já havia se tornado relativamente notória no mundo internético brasileiro – tanto pelas intermináveis confusões com blogueiros, tanto pela sua prolífica atividade como comentadora nos mesmos blogs.

Alguns encararam a notícia com perceptível alegria, outros se mostraram movidos com o que não deixa de ser uma tragédia familiar, e houve ainda o grupo de céticos. Segundo o terceiro grupo, não seria de todo improvável que a Tina forjasse a própria morte – seja pra escapar do assédio dos muitos inimigos que ela acumulou nos anos de blogagem, ou talvez apenas pra aliciar reações comovidas da comunidade blogueira. A Tina, segundo ela mesma costumava dizer, não estava acostumada com demonstrações de empatia.

Quando a notícia estourou, não demorou muito pra que todos os olhos se voltassem a mim. Deu pra imaginar a turma inteira com as mãos no nível da cintura, palmas pra cima, na posição universal de “e agora?”, me perguntando se eu me pronunciaria sobre a morte dela.

É entendível. Como disse o Marcus (e com o perdão da aparente arrogância de mencionar citações sobre mim mesmo), “A Tina é o Anti-Kid”.

Não deixa de ser verdade. A confusão entre a Tina e eu ocupou um bom espaço nos holofotes da internet, e por causa disso o nome dela parece irremediavelmente conectado ao meu. Daí a curiosidade geral de descobrir o que EU falaria sobre a morte da mulher, suponho.

Draminhas virtuais não são novidade nenhuma; a umbigosfera já viu tantas briguinhas de ego que já praticamente “ossos do ofício”. A Tina no entanto se distinguiu da maioria por procurar confusão com virtualmente qualquer pessoa disposta a responder as mensagens dela. A quantidade de histórias de inimizade dela com blogueiros por aí afora é impressionante. E eu achando que era muito odiado na época da Semeadores da Discórdia…

Mantenho a opinião de outrora – a Tina era uma mulher solitária e com problemas sérios de socialização. Como já mencionei antes, essa idéia se solidificou na minha primeira troca de mensagens com ela, em que ela respondeu uma crítica minha ao Nirvana com a non sense “…meu computador é melhor que o seu”.

Não vou dar uma de piegas e subitamente mudar todas as minhas impressões sobre a mulher. O que ela fez não será desfeito, ou esquecido. Pra quem não sabe, até mesmo arrumar uma deportação minha ela tentou. E pelo que…? Simplesmente porque eu não bania usuários do meu fórum que faziam piadas a respeito dela. A mulher levava interações virtuais às últimas consequências, o que provavelmente não colaborou em nada com a situação de saúde frágil dela.

Mas ao mesmo tempo, não posso me referir a ela com o mesmo tom desrespeitoso que muitas vezes usei pra falar sobre a mulher. Apesar de todos os problemas que a mulher me causou – problemas de verdade, no âmbito tangível do mundo real -, no fim das contas, ela era apenas uma mulher velha, desequilibrada e doente. Qualquer pessoa que se ocupasse por poucos minutos conversando com ela chegaria ao mesmo diagnóstico. A Tina era muito mais digna de misericórdia do que de ódio. E talvez teria sido muito mais digno e maturo da minha parte ignorar a gritaria incoerente dela, do que atiçar a coitada.

Talvez é daí que emanava essa forte necessidade dela de se socializar através da internet. O Ian falou brincando aqui no MSN que ela “comentava em todos os blogs do Brasil”. O sarcasmo não passa muito longe da realidade; nos últimos meses a Tina parecia ocupar boa parte do seu tempo tentando estabelecer uma social network com blogueiros.

E a despeito de tudo que ela fez e falou contra mim (e até mesmo minha família), a verdade é que ela acabou levando a pior. Assim como o marido e o filho dela, que apesar de provavelmente não se surpreenderem com o falecimento dela, devem estar em bastante desalento.

Os incrédulos forçam o coro de que talvez tudo não passe de um elaborado hoax da mulher; eu não acho que ela se daria ao trabalho de tal coisa. E, se há alguém que conheceu bem a Tina nos últimos três anos, acredito que seja eu. Vi o melhor e o pior dela. Como acabou sendo, vi muito mais o “pior”. É uma pena, porque nos raros momentos de lucidez, a Tina dava impressão de ser uma mulher vivida, uma intelectual até. Pena que levava tudo na internet tão a sério, algo que muitos começam a suspeitar que foi o responsável pela saúde debilitada dela.

Apesar das desconfianças, a manifestação a respeito da notícia foi imensa no twitter; é provavel que o mesmo aconteça nos blogs de amigos dela. Apesar de toda a atenção que ela arrumou com a fama de treteira, ela jamais havia sido notada antes como hoje.

E a ironia do negócio é a verdadeira tragédia da história. A Tina não viveu o bastante pra se ver atingindo aquilo que ela tanto almejava – relevância no mundo blogueiro ao qual ela dedicava tanto tempo.

Rest In Peace, Tina. Pra melhor ou pra pior, a internet não será mais a mesma.

E pra galera que tá deitando e rolando de tanto rir com o fim da mulher – não sejam tão desalmados assim. A despeito de qualquer outra coisa, a mulher deixou pra trás um marido e um filho. Ou seja, enquanto a encheção de saco promovida por ela (na maioria das vezes) se limitava à internet, hoje na Califórnia uma família ficou um pouco menor; é uma tragédia real.

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Categorias: Internautas Infames

122 Comentários \o/

  1. bill disse:

    Kid, decifra essa frase se for capaz:
    “você e tanto burro como o português que manda o doutor de cortar os testículos dele.”

  2. Eduardo7777 disse:

    Olá eu kero fazer inimigos.
    Eu tenho graves problemas psicologicos, acabei de assaltar um banco e estou n8um cafe net.
    O meu nome é siruis black e matei uma ratazana voadora.
    Sou estupido.