Quando a pobre Tina morreu (resumão pros que não conheceram a mulher – ela era uma internauta completamente louca), a galera que interagiu com ela – e não eram poucos, a mulher vivia em função da blogosfera e comentava em todos os diarinhos virtuais brasileiros de algum renome – escreveu mensagens de adeus à mulher, prestando suas últimas homenagens à pobre alma perturbada que causou tanta infâmia na internet.
Dois minutos depois, um outro pensamento tomou conta da consciência coletiva internética: quando teremos outra maluca de proporções tinescas pra nos divertir na internet, nos fazendo valorizar essas pequenas coisas como sanidade mental e bom senso? Pra quem interagiu com a Tina e a conheceu como eu a conheci, julgava-se impossível que surgisse alguém que fizesse jus ao legado da pobre mulher.
Saca quando o Heath Ledger morreu e todo mundo se entristeceu porque nunca mais poderíamos ver aquele Joker no cinema? Então, foi por aí o sentimento da galera que acompanhava as presepadas da Tina por gostar de ver o circo pegar fogo. Achava-se que a Tina era once in a life time na web, e que nunca mais veríamos aquele tipo de loucura por aqui.
Felizmente, a internet é um lugar muito grande.
Todos vocês já devem ter visto este vídeo da mulher, em que ela faz um chilique sem tamanho por causa de umas tais moedas verdes de um jogo chamado Colheita Feliz ou algo assim. A parada teve quase 400 mil views, foi assunto de tudo quando é blog por aí. O vídeo ganhou status “viral”.
É como se diz por aí, né? “Viral”. Que idéia incrível associar o sucesso e popularização de um vídeo com o veículo transmissor de AIDS, herpes e Ebola.
Pelo que entendi – sei pouco ou nada sobre o tal jogo, uma vez que tal conhecimento requer 1) uso frequente do orkut 2) ter absolutamente nada de útil ou proveitoso pra se fazer da vida, como trabalhar, estudar, ter amigos, etc -, o tal Colheita Feliz é um daqueles jogos freemium em que tu pode jogar de grátis, mas pode gastar dinheiro de verdade pra acelerar os processos do jogo.
Eu nunca entendi bem esse modelo de jogo, aliás. Pra mim é como se você estivesse esperando numa fila e alguém te oferecesse a opção de pagar um real pra passar pela pessoa na sua frente, exceto que a fila nesse caso (uma coisa chata que ninguém gosta) é uma analogia pro jogo inteiro. Você nunca chega em lugar nenhum nesses jogos imbecis, é uma fila interminável que tu pode pagar pra dar alguns passos, mas continua essencialmente no mesmo lugar já que não há uma linha de chegada do outro lado.
Enfim: jogo pra maluco desocupado.
Pois então, a Tulla Luana (que também habita a favela internética conhecida como twitter, visitem-na no endereço @tullaluana) postou esse vídeo aí, fazendo escândalo por causa do jogo-fila. Até aí já suspeitávamos que os processos mentais da mulher trabalham em outro ritmo, digamos assim, mas nada de extraordinário até então. A internet, afinal de contas, está repleta de gente fazendo escândalo por pouca coisa.
Por exemplo, saiu essa semana o trailer de Green Lantern. Veja nos comentários deste post a galera chilicando por praticamente tudo que você possa imaginar sobre o trailer. Ninguém na internet jamais está satisfeito com nada.
A melhor prova disso é que pra achar esse exemplo de chilique internético, eu nem precisei procurar muito: bastou lembrar que o trailer tinha saído e pensei “APOSTO que tem nego fazendo escândalo por causa dele”. Dito e feito. Chiliques não são apenas normais, são esperados.
Então, aí veio o coup de grâce (tou inteligente pra caralho hoje, curta aí esses termos cult): A Tulla postou então um vídeo em que, além de admitir que realmente não tem o que fazer da vida, se defende dos críticos alegando que tem esquizofrenia. Ela inclusive admoesta o hipotético espectador com palavras do tipo “tome cuidado pra não pegar esquizofrenia também, ein!”, como se fosse uma gripe ou algo assim.
Não que alguém realmente duvidasse que a mulher fosse louca…

…mas esse papo de esquizofrenia tava com cara de auto-diagnóstico estilo “vi a doença no House semana passada e isso me qualifica pra identifica-la em mim mesmo”. Por isso, quando a Rosana Hermann escreveu um texto sobre o caso, ela pôs em questão a suposta condição mental da mulé. Não lembro exatamente o que ela falou (a Rosana deletou o post), mas imagino que foi algo relativamente inócuo, tipo “a mulher falou que é esquizofrênica. Sei não, ein“.
Talvez tenha sido ainda mais inocente que isso, já que a Rosana não é o tipo de gente que solta alfinetadas (diretas ou não) for the lulz.
Foi aí que a Tulla, canalizando os melhores momentos da Tina, teve uma reação completamente desproporcional à magnitude da “provocação”.
Saca esse vídeo aí. A mulé mostra um papel que ela alega ser o laudo psiquiatra (mas como garantir que é mesmo, já que a mulher é esquizofrênica? De repente é uma lista de compras ou uma receita de bolo), e uma quantidade de medicamentos que se equivale à ajuda internacional que a ONU presta a países flagelados da África.
Outra coisa que ficou patente nesse vídeo é também uma marca registrada da saudosa Tina (ou era, que deus a tenha): assim como a suposta esquizofrênica, a Tina também meio que se gabava de ser toda sequelada. Ela enumerava pra quem quisesse ouvir todas as moléstias que supostamente a afligiam, e também tomava medicamento pra cachola.
Se a Tulla e a Tina não fossem contemporâneas eu começaria seriamente a considerar a hipótese de reencarnação. A mulher fez vários outros vídeos, igualmente chiliquentos e lutando por causas igualmente insignificantes. Neste aqui, por exemplo, ela faz escândalo sobre um jogo chamado “Segredos do Mar” – e novamente ressaltando de forma tinesca que “tem problemas de saúde”. Quem trocava emails com a Tina deve lembrar dessa mania dela de mencionar, aleatoriamente, as muitas doenças que tinha.
Tenho algumas ressalvas sobre essa mulé aí. Em primeiro lugar, eu começo a pensar que o maior louco da história é o marido da pobre coitada.
O sujeito não apenas legitimiza a fúria dela relacionada a bobagens irrelevantes, mas filma e compartilha com o mundo. Eu sei que louco a gente não deve contrariar, mas porra. Se minha mulher tivesse problemas mentais que a tornassem completamente dependente de um joguinho desse, acho que a primeira coisa que eu faria é me livrar do computador.
Sei que alguns falarão que os joguinhos é a única coisa que traz alguma felicidade à mente confusa e perturbada da coitada, mas essas pessoas não viram os mesmos vídeos que eu vi. Tá muito claro que os joguinhos tão apenas agravando a situação da coitada.
A outra coisa curiosa é que enquanto a mulher abre berreiro pra reinvindicar seus direitos de consumidora e protestar a injustiça a qual está sendo submetida e sei lá o que mais, dizem as más línguas que ela tem nome sujo na praça. Não vou linkar aqui porque aparentemente é crime, mas parece que os dados da mulé tão rodando a internet e ela deve a deus e ao mundo – algo que ela já confirmou em um vídeo recente, aliás.
É tão cômico que chega a ser cartunesco. Me vem à mente a imagem do brasileiro comum, que prega repúdio à corrupção de Brasília mas não devolveria ao dono uma carteira cheia de dólares que ele encontrou na rua.
O chilique da mulher é tão histriônico que é fácil abstrair o contexto da situação e esquecer que é por causa disso que ela está berrando na internet:
Quando você leva isso em consideração, o chilique por causa do trailer do Green Lantern quase parece um debate acadêmico.






cara, tu vai ficar recebendo coments eternamentes no rabo ou não desse post eqto a Tulla existir…mwauhauhauhaa
Agora todos os sites e blogs falam da Tulla Luana só pra ter acesso.
Cinseramente, mais desocupado que ela são vcs que escrevem textos enormes para critica-la.
Se vc gosta assiste os videos, se não gosta não assiste, é simples.Não tentem roubar um pouco da polêmica dela, seus sangue -suga!!!!!!.
Rapaz, interessante seu comentarios, mas considerei-o demasiadamente afiado.
Talvez vc devesse ler um livro chamado “a luta pelo direito” de Rudolf Von Hiereng, e agradecer pelo fato de existir loucas na internet como a Tulla.
Não é uma atitude um tanto quanto ética menosprezar os valores alheios, considerando os jogos do orkut que a Tulla joga como sendo insignificantes e inúteis, aposto que o sr. possui diversos outros hobbys tao insignificantes e inúteis quantos(afinal, com o perdao da palavra, merda todo mundo faz todo dia).
Por mais louca que a Tulla seja, não devemos ter uma mente pequena e fechada a ponto de observar apenas o tamanho do bem material existente na relaçao juridica que ela reclama, mas sim, o valor do direito a qual ela defende
Foram por causa de pessoas como a Tulla que hoje temos a constituição de 88 e a solidificação dos direitos fundamentais que nos garante um convívio parcialmente livre de arbitrariedades e abusos, ou que pelo menos nos fornece meios de nos defender de molestas.
[...] E esta necessidade de expressar-se vai se aflorando conforme nós crescemos, dai, já que estamos grandinhos pra chorar por ai, e o preço da cerveja só sobe, o que fazemos pra resolver isto? Criamos blogs, contas no twitter, ou podemos até fazer um vídeo expressando toda nossa revolta com algum assunto aleatório. [...]
E o melhor, a CID que ela cita é: S20- Traumatismo superficial do tórax……?