Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

[ Resenha de livro ] 11/22/63, livro de viagem no tempo do Stephen King

Postado em 22 June 2012 Escrito por Izzy Nobre 21 Comentários

RELAXE QUE AQUI NÃO TEM SPOILER.

Olha só: eu não gosto muito do Stephen King. O primeiro livro que li do cara, Dreamcatcher (acredito ter sido traduzido como “O Apanhador de Sonhos”, até virou filme homônimo), é uma verdadeira merda de cachorro com pneumonia. O filme então nem se fala. Por causa desta má experiência com o autor, desisti do cara.

Até que ouvi falar que ele havia escrito um livro de viagem no tempo — que é um dos meus temas favoritos de ficção. E o enredo de 11/22/63 é aliás uma idéia fixa que eu tenho há anos: e se você pudesse voltar no tempo e fosse obrigado a viver no passado, com todo o conhecimento do futuro que você tem?

Essa idéia me fisgou de cara.

O protagonista de 11/22/63 — já já explico esse nome — é Jacob “Jake” Epping, um professor de inglês divorciado. Ele mora numa cidadezinha americana irrelevante e dá aulas de supletivo pra adultos que nunca obtiveram seus diplomas de colegial.

Um dia, Jake é contatado pelo Al, que é um velho que tem um restaurantezim na cidade. Tal restaurante é famoso (ou talvez infame) por vender hamburgers num preço muito inferior ao que a carne deveria custar, o que gera a brincadeira ao redor na cidade que os icônicos Fatburgers seriam na realidade CATBURGERS.

Al pede que Jake venha à sua casa urgentemente. Ao chegar lá, Jake é surpreendido por um Al que aparenta ser muito mais velho que o Al que ele havia visto apenas dias antes, e todo fodido — 40 quilos mais magro, tossindo sangue e tal. E aí que a trama é exposta pro protagonista.

O velho descobriu há anos que existe um portal mágico/buraco de minhoca nos fundos da despensa do seu restaurante. Este portal o leva diretamente para a manhã de 9 de setembro de 1958, no local exato onde seu restaurante fica em 2011.

Inicialmente o velho explora a cidade um pouco, fala com seus habitantes, faz compras se aproveitando da baixíssima inflação e pegando souvenirs de 1958. Sempre que ele retorna ao presente, não importa quanto tempo ele tenha passado no passado (derp), apenas 2 minutos se passaram no presente.

Al passa a usar esse portal pra comprar carne baratíssima do açougueiro da cidade em 1958 — gerando aí a infâmia dos seus supostos hamburgers de gato de rua –, e ocasionalmente tira férias de meses dentro do portal. Como sempre que ele volta ao presente apenas dois minutos se passaram fora do portal, as possibilidades são muitas. E sempre que ele entra no portal de novo, é exatamente o mesmo dia: 9 de setembro de 1958, às 11:58 da manhã.

E sempre que ele entra no portal novamente, acontece um “reset” na linha do tempo. Por exemplo: se ele volta a 1958 e mata alguém lá, ao retornar a 2011 ele poderá fazer uma rápida pesquisa no google e ver os resultados de sua ação. Entretanto, se ele entrar no portal novamente, a morte do indivíduo é desfeita. “Cada viagem é um reset” é uma regra que o livro repete consistentemente.

Após brincar bastante com o portal (fazendo uma pequena fortuna comprando carne barata, tirando férias de vários meses mas retornando pro restaurante 2 minutos depois) Al então decide que ele deveria usar esta habilidade para impactar o mundo. E ele resolve impedir o assassinado de John F. Kennedy, que aconteceu em — adivinha! — 22 de novembro de 1963. Daí o nome do livro.

O problema da missão é que o portal leva o indivíduo pra 1958, o que significa que o viajante no tempo teria que viver alguns anos no passado esperando o momento certo de agir. E o outro problema é que, no meio da sua missão, Al foi diagnosticado com câncer — o que obrigou-o a voltar ao presente às pressas e contar toda a história pra alguém que pudesse começar a missão inteira de novo.

E aí entra o protagonista. O Jake adquire uma identidade falsa e se torna George Amberson, e vive na América do finalzinho dos anos 50 até chegar o momento fatídico do assassinato do JFK.

O livro é legal pra caralho. Primeiro, eu adoro o tema de viagem no tempo — e adoro mais ainda a idéia de alguém estar preso no passado, obrigado a viver anos lá, e ocasionalmente se aproveitando do conhecimento do “futuro”. Outra coisa legal é a exposição da vida norte-americana daquele período; é notável que o Stephen King pesquisou Americana (não, não a cidade no interior de SP. Clique aí) pra CARALHO pra descrever um enredo fidedigno.

E, como não podia faltar num livro do Stephen King, existem alguns mistérios intrigantes (alguns que só se revelam no final) e um senso de tensão e suspense absurdo.

Um dos mistérios por exemplo é o Yellow Card Man — um mendigo maltrapilho com um cartão amerelo no chapéu e que está sempre perto da saída do portal do tempo, e que sempre pede ao viajante a mesma coisa — um dólar pra comprar birita, se me lembro bem. Toda ia ao passado é um reset, ou seja, tudo acontecerá da mesma forma que sempre se o viajante não começar a fazer merda. Sempre que alguém volta ao passado, o Yellow Card Man se aproxima e pede uma grana.

Acontece que na primeira vez que o Jake volta no tempo — pra entender como a coisa funciona –, o Yellow Card Man agora é Orange Card Man. E ele se comporta diferente da maneira que se comportava quando Al passava pelo portal.

E na segunda vez que o Jake retorna ao passado, dessa vez pra cumprir a missão de fato, o cartão do cara está preto e ele se mata. Quem seria o sujeito? Por que ele se comportou diferente? Qual o sentido do que ele falou pro Jake?

Bom, tu vai ter que ler pra descobrir.

O livro é beeeem longo, talvez um pouco mais do que devia ser — mas a história vale a pena. A reviravolta no final e a explicação sobre o Yellow Card Man valeram a pena pra mim. O suspense do livro é na medida certa. O King conseguiu ilustrar bem os perigos que envolvem voltar no tempo — tanto no contexto ficcional, ou seja, os resultados inesperados para o espaço-tempo, quanto na questão de que você está se aventurando numa cultura e contextos completamente diferentes dos que você está acostumado.

Imagine-se voltando aos anos 60 no Brasil. Você estaria perdidaço, sem saber ao certo como agir em certas ocasiões e não compreendendo as gírias que as pessoas usam, né? Poisé. Essa sensação de peixe-fora-dágua do Jake foi bem argumentada.

O tema do livro me lembrou bastante a série Cavalo de Tróia do JJ Benitez, que começa com um major da Força Aérea Americana voltando aos tempos de Jesus para presenciar a crucificação. Mas isso é assunto pra outra resenha.

Dou 4 estrelas de 5 ao 11/22/63.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Livros

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

21 Comentários \o/

  1. Pedro Ivo says:

    Quero esse livro logo no Brasil!! =/

  2. Rafael says:

    Parabéns Izzy, gostei muito da resenha! Já estou na procura do livro para comprar!

  3. victor says:

    Curto muito scifi e viagens no tempo também mas não me interessei muito por esse enredo.
    Bela resenha, btw 🙂

    O livro tá concorrendo ao Locus Award! 😮

  4. Trovalds says:

    Se tiver vontade (, paciência e saco) leia “The Stand”(chegou no BR como “A Dança da Morte”). Do Stephen King. História de um apocalipse que envolve o bem e o mal (aka “Deus e o Diabo”) mas desencadeada pela própria humanidade através de uma arma biológica que acidentalmente (ou não) devasta o planeta e os poucos sobreviventes que inexplicavelmente não contraem a doença são agraciados com sonhos direcionando para que eles se reúnam com “o bem” ou “o mal”.

    • Reforço a recomendação! O livro é GIGANTE, mas vale muito a pena, li duas vezes em um período de, sei lá, dois anos e meio. É um intervalo curto, considerando o tamanho do livro 😛

      E acho que vou comprar esse aí do Kennedy na Amazon mesmo… difícil esperar traduzirem, hein? Parece MUITO interessante.

      E, se quiser uma boa recomendação de livro do Stephen King, o primeiro que eu li foi “O Cemitério”. Vale muito a pena. Stephen King é o único cara capaz de spoilear a própria história e ainda te deixar curioso e ansioso pelo andamento da coisa 😀

    • Raid says:

      Sim, um dos melhores do King. Outros muito bons são A Torre Negra (que tem em quadrinhos também) O Iluminado, It, As Quatro Estações (tem o conto do Shawshank Redemption e também o do Stand By Me), Cemitério Maldito…

      • Gabriel Almeida says:

        Cemitério maldito é um dos melhores dele, já perdi a conta de quantas vezes eu li. Um que eu gosto muito também, é o Celular.

  5. Fabiuh says:

    Alguem ae sabe qnd saira aki no Brasil? Li em algum site q so em 2013, confere?

  6. Rodrigo says:

    Parece massa! Lerei no Kindle nessas férias.

  7. Raid says:

    Kid, lendo essa resenha me lembrei de um filme feito pra TV, sobre um professor que volta no tempo pra evitar o assassinato do Kennedy para não ocorrer a guerra do Vietnã, já assistiu esse? Aqui ele: http://www.imdb.com/title/tt0100529/

    Aliás, quando falou sobre viagem no tempo também me lembrei de um seriado dos anos 90 chamado Contratempos (Quantum Leap) que tinha um cientista que voltava no tempo, mas no corpo de outras pessoas, e em cada episódio ele tinha que arrumar a vida da pessoa que ele incorporou. Então ele podia voltar no tempo como criança, mulher, velho, era bem legal.

  8. Caio Sabino says:

    Valeu Izzy, fiquei curioso. Sou meio bipolar em relacao ao Stephen King, tem livros muito fodas e outros muito merdas.

  9. Skooter says:

    Nunca li um livro do Stephen King. Apenas assisti os filmes gerados dos mesmos que são grandes porcarias na maioria dos casos, mas não sei se a culpa é do autor do livro ou da adaptação. Destacam-se Cujo, Christine e Trucks; que são o cão, o carro e o comboio assassino, respectivamente. E sem dúvida O Apanhador de Sonhos é um dos piores que já vi em toda minha vida. Me estranha que o Morgan Freeman tenha se prestado a fazer tamanha porqueira. As únicas exceções notáveis são The Green Mile (À Espera de um Milagre) e The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade), que são ótimos filmes.

    Mas gostei deste enredo do 11/22/63. Quem sabe este eu resolvo ler o livro primeiro. Aí se sair o filme eu descubro se a culpa é das adaptações ou do Stephen King mesmo.

  10. Show de bola a resenha Kid, me deixou curioso mas não estragou nada.

    Para mim que gosto do Stephen King foi um prato cheio.

    []s

  11. Nuno says:

    Achei que devia escrever aqui, para agradecer. Li o livro (as mais de 1640 páginas) e não tenho nada a acrescentar à sua resenha. A leitura é quase toda fácil e viciante, e recomendável.

    Resolvi escrever aqui para que você saiba que suas opiniões influenciam.

    Valeu.

  12. mario world says:

    O King já escreveu sobre viagem no tempo em ‘Fenda no Tempo’. Só que nesse, eles voltam 10min no tempo e não conseguem mais voltar ao tempo presente..Já virou até filme de 4h, dirigido pelo Tom Holland , de A Hora do Espanto e Brinquedo Assassino. Simplesmente hipnotizante! Tanto que já vi 2 vezes, o que é muito para alguém que não aguenta mais parar algo pra ver filme nem de 2h atualmente!!

  13. […] livro é lindo, mas eu não tava prestando muita atenção quando o Izzy Nobre falou que ele era “beeeem longo”, então tive um susto quando, já lá nos 45% do total, decobri que o livro, em sua versão […]

  14. Nighto says:

    Olá Kid,

    só tou passando por aqui para agradecer a indicação do livro. PUTAQUEPARIUQUEFINALFODA! Acabei de ler.

    Minha experiência com Stephen King tinha sido com A Torre Negra, que não passei das primeiras 30 páginas porque achei *muito* maçante. Achei esse livro incrível.

    Bom, peço que continue postando esse tipo de resenha sobre os livros que você lê, para que eu possa ter mais sugestões. Vou dar uma olhada nos livros sugeridos pela galera nos comentários também.

    []s!

  15. Mauricio Scaglione says:

    Fala izzy,
    Esse livro é recente? Eu estou no 5º livro da “Torre Negra” e coincidentemente em uma passagem um dos personagens, esses que podem “viajar no tempo” de uma forma BEM diferente, pensa exatamente a mesma coisa do evento principal deste livro, impedir a morte do kennedy. Vai que é um desejo Do King hahaha
    Abraços

  16. DoAssogue says:

    Esse livro já está em pré-venda no Brasil! Aí Kid, quem sabe você não consegue um jabá com a Livraria Cultura de novo, essa sua resenha me deixou à muito tempo com vontade de ler o livro e comprarei ele agora por causa disso!

  17. Celso Pinto says:

    Saiu recentemente a edição nacional e acabei de comprar na Amazon por 28 Dilmas, quando terminar escrevo o que eu achei 😛