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[ Resenha de livro ] Esfera, do Michael Crichton

Postado em 30 July 2012 Escrito por Izzy Nobre 20 Comentários

Desde molequinho sou um grande fã do Michael Crichton, que infelizmente morreu na véspera do meu aniversário em 2008 — a notícia saiu justamente no meu aniversário, imagina que merda.

O primeiro livro que li do homem foi Mundo Perdido, que meu pai trouxe de presente após uma viagem. Eu tinha uns 11 ou 12 anos, e acho que nunca havia lido um livro “sério” até então.

Não era um livro curtinho, muito menos pra crianças — tinha 458 páginas, e como scifi costuma ser, era complicado. Eu li o livro sem parar pelos próximos 4 ou 5 dias; quando digo “sem parar”, é porque realmente só parava quando estava tomando banho ou dormindo. Eu lia na escola, lia durante o almoço (pra total desgosto da minha mãe, que acreditava que isso ia estragar minha vista, ou minha digestão, ou ambos), lia enquanto ouvia Chaves no background.

Eu li o livro 3 ou 4 vezes nonstop, ou seja — logo após virar a última página, voltei pro início e comecei a ler de novo imediatamente.

Era assim que eu “desperdiçava” meu tempo antes da internet, lendo sem parar. Eu era um leitor voraz naqueles anos, um hábito que tento retornar agora com o meu ebook reader.

Enfim. Alguns anos mais tarde li uma matéria breve na Revista Superinteressante sobre um outro livro do Michael Crichton que virou filme: “Esfera”. A matéria falava muito pouco sobre o filme; apenas 3 ou 4 anos mais tarde finalmente o assisti. Eu estava em São Luís, no Maranhão; minha família acabara de se mudar pra lá. Lembro-me muito bem daqueles primeiros dias, enclausurado no hotel com meus irmãos, sem NADA pra fazer senão assistir TV a cabo.

Passei naquela época por aquele misto de tristeza por se mudar mais uma vez e deixar tudo para trás, com a empolgação da aventura que é conhecer um lugar novo e se acostumar com uma nova “casa”. Uma sensação que, infelizmente, eu encarei muitas vezes na minha vida. A propósito, era MUITO estranho ir pra escola do hotel, e voltar a ele no fim do período letivo.

Voltando à história. Numa dessas tardes tediosas no hotel com meus irmãos, vi na grade de programação da TV a cabo do hotel que Esfera passaria em breve. É incrível que quando você está muito entediado e/ou meio triste, coisas minúsculas melhoram seu humor de forma completamente imprevisíveis. Ao ver que um filme do meu autor favorito passaria já já (um filme sobre o qual eu tinha muita curiosidade mas nunca a oportunidade de assistir), me aprumei na cama, animadíssimo.

Eu gostei do filme. Apesar de ter sido fracasso de público e crítica, achei que foi uma adaptação decente do livro — algo que eu só fui descobrir uns 4 anos mais tarde, quando finalmente encontrei o livro pra vender.

Olha que coincidência curiosa: quando finalmente encontrei o livro, minha família estava novamente no meio de uma mudança — dessa vez para o Canadá. Mesma situação de não conhecer nada ou ninguém na nova cidade, aquele mesma sensação confusa de animação e depressão. Numa loja de livros usados, encontro todos os livros do Crichton que eu ainda não havia lido (em idioma original, que eu acho mais bacana — não por babaquice hipster, mas porque livro traduzido manda cada cagada às vezes…).

Entre eles, Esfera.

 

Caralho, que introdução imensa! Minhas professoras de redação detestariam este texto. Ao contrário do que você talvez imagine, durante quase toda minha carreira estudantil eu recebi notas baixas em redação. Os motivos variavam entre “fugiu muito do tema” e “não foque tanto em fazer frases engraçadas o tempo todo”.

Mas eu não ligava: a minha diversão era ficar “monitorando” a professora enquanto ela corrigia minha redação pra ver se ela soltava algum riso, a despeito da posição de seriedade que ela supostamente deveria manter no exercício da profissão. Pra mim, isso bastava — no final terceiro ano, quando eu já sabia que havia passado de ano de qualquer forma, minha única missão nas aulas de redação era fazer a professora rir.

Olha eu fugindo do tema de novo. ENTÃO, ESFERA PORRA.

Esfera conta a história de 3 cientistas chamados pela Marinha americana pra investigar a queda de uma espaçonave no meio do oceano Pacífico. O time foi montado pelo próprio protagonista, o psicólogo Norman Johnson, a pedido do gabinete de um ex-presidente americano. Tal ex-presidente era, na época do seu mandato, extremamente preocupado com a possibilidade de contato com extraterrestres. Por isso a administração contratou Norman pra bolar um protocolo pro possível contato com ETs.

Norman obviamente acha isso uma bela galhofa e faz o relatório meio nas coxas, sem levar nada daquilo a sério. O protocolo que ele bolou pedia a presença de um matemático, um astrofísico, e uma bióloga — especialistas necessárias pra compreender e se comunicar com a forma de vida alienígena. Ele indicou em seu relatório gente que ele mesmo conhecia, colegas de profissão e tal. Cientistas capacitados, mas o livro passa a impressão que foram as primeiras pessoas que ele viu em sua agenda de contatos. A coisa toda foi feito meio “na doida”, como se diz, Norman apenas interessado no dinheiro.

Agora imagina a surpresa do pobre coitado quando encontram uma nave espacial que aparentemente caiu no fundo do oceano Pacífico 300 anos atrás. Imediatamente a reação do protagonista, quando o generalzão lá da Marinha diz a ele que estão seguindo o protocolo à risca, é desespero. “Caralho, eu aceitei fazer essa parada só pra poder comprar minha casa…”, pensa o cara num momento do livro.

Quando finalmente conseguem entrar na nave, descobrem que ela é na verdade uma nave especial humana vinda do futuro, e que carrega uma misteriosa esfera metálica de origem aparentemente alienígena. Tal esfera começa a se manifestar de formas cada vez mais bizarras e rapidim a vida dos quatro personagens principal está em sérios apuros.

Esfera é muito diferente da maioria dos livros do Crichton. Quase todos são ficção científica clássica, com um tema recorrente de “alguém desenvolveu uma tecnologia mirabolante mas agora ela se voltou contra seus criadores”. Já Esfera tem base de sci fi, mas é mais voltado pro terror. Tem um quê de HP Lovecraft no meio, que é um tempero literário que eu adoro.

O livro é relativamente curto, tem um enredo interessante, um plot twist bacana (se você já viu o filme, já sabe qual é — embora no livro ele seja desenvolvido de forma melhor, como é de praxe) e o desfecho é exatamente o que tinha que ser. É um dos meus livros favoritos do Crichton, e recomendo com força.

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comments

Categorias: Livros

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

20 Comentários \o/

  1. BrunoHe says:

    Texto legal.

  2. Murdock says:

    Você prefere ver o filme antes ou depois de ler o livro (tendo essa escolha, claro)? Depois de ler “Sobre Meninos e Lobos” e logo depois assistir ao filme, tive a impressão de que esse era só um trailer e passei a preferir ler o livro depois, ainda mais depois que li “O Senhor dos Anéis”. O livro depois do filme acrescenta mais detalhes e não te deixa crítico em relação ao filme.

    Já leu “Resgatem o Titanic!” (Raise the Titanic!) do Clive Cussler? Me lembrou esse lance do resgate no fundo do mar embora o tema desse livro envolva espionagem e guerra fria.

    “Armadilha Aérea” (Airframe), do Crichton, é bem diferente dos outros dele pois não tem nada de sci-fi, já leu também?

  3. Marcus VBP says:

    Izzy, Michael Critchon também foi o meu autor preferido da minha juventude, apesar de ter feito o caminho contrário: primeiro eu assisti o Parque dos Dinossauros, e depois foi que eu descobri que era baseado em um livro do mesmo nome.

    Outro livro de Critchon que recomendo é “Congo”. Também tem um filme baseado no livro, mas ele é bem ruinzinho. Ou o livro é infinitamente melhor, você escolhe.

    Parece que o Livro “O Enigma de Andrômeda” também virou filme, mas não tenho certeza. Esse livro eu não li, de qualquer forma.

    Recentemente eu estava procurando os livros Jurassic Park e O Mundo Perdido para dar de presente para um primo de 12 anos… Sabe como é, estava querendo despertar o interesse do garoto em ficção científica e leitura de qualidade. Infelizmente não encontrei o primeiro em português.

  4. Fileto Filho says:

    Caro Izzy, belíssimo texto.. me identifiquei várias vezes lendo ele: primeiro por morar em São Luís e segundo pelo fato de Mundo Perdido também ter sido o primeiro livro pós “memórias póstumas de nao sem quem lá” da escola! Tive o prazer de encontrar o livro Esfera uns 3 ou 4 anos atras e também o recomendo. Mais uma vez, parabens pela resenha! abração.

  5. Leonardo Neen says:

    Interessatíssimo essa resenha,pretendo um dia comprar!Valeu Kide!

  6. Higor says:

    Outro livro do Michael Crichton que eu vou ler por sua causa. Comprei o “Prey” depois de tu dizer que era bom.

  7. Art says:

    Boa dica!

    To lendo Encontro com Rama, baseado numa dica sua! haha To gostando, vamos ver se continua bom até o final!

  8. Igor says:

    Quando vc twita o link de uma resenha de livro nova, eu venho correndo ler, nao perco uma! Mais uma vez, muito bem escrito o texto.

  9. Pedro Yoshimatu says:

    “general da marinha”

    not sure if trollbait or just stupid

    de qualquer forma, boa resenha Quide 😀 Me interesso bastante por Crichton, mesmo tendo lido só Mundo Perdido mesmo. Verei se eu acho aqui pra comprar.

  10. Igor says:

    Quero muito ler “Esfera”, só é dificil achar.

    Uma dica Izzy, recomendo ler Congo, eh muito bom.

    E sobre Mundo Perdido, já li vários livros de Crichton e achei Mundo perdido o melhor deles. vale a pena lembrar, o segundo filme feito por Spielberg não tem nada a ver com o livro, apesar de ter poucos personagens iguais, são histórias completamente diferentes, só alguns pontos são abordados, Spielberg deveu muito no filme. O livro ficou fodastico e ele não soube aproveitar.

  11. Igor says:

    fuckyeah! rsrs

  12. Rodrigo says:

    Caralho, essas capas americanas de paperback são ridiculas… Pelo menos uma coisa que não dá pra reclamar no Brasil é que as capas são bem bonitas.

  13. William says:

    Izzy, em outro texto você diz que levou uns 4 anos pra ficar fluente em inglês depois que você chegou no Canadá, mas nesse post da a entender que você ao menos já lia fluentemente em inglês antes de ir para aí, é isso mesmo? E pra adquirir o restante, você chegou a se submeter a algum tipo de aprendizado regrado, tipo estudando em casa mesmo algumas horas por dia, ou aprendeu tudo só através da imersão, despreocupadamente?

  14. fernando bezerra says:

    seu texto é aborrecido e cansativo. Após ler trocentas amenidades de sua vida desisti de saber sua opinião quanto a obra em questão.
    Em outras palavras: VERBORRAGIA!

  15. Manoel Cruz says:

    Excelente blog.