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Arcades – Por que eles ainda existem?

Postado em 10 novembro 2008 Escrito por Izzy Nobre 102 Comentários

Caso estejam curiosos, meu aniversário foi uma merda. Você sabe que realmente virou adulto quando aquela que era a data mais esperada do ano, antecipada por meses, vem e vai sem você mal prestar atenção.

Mas vamos ao assunto de hoje.

Perdoe a imundice da imagem acima; como mencionei na minha resenha do iPhone, a menos que você esteja diretamente em cima da superfície solar a câmera desse celular é imprestável.

Então. Estava no cinema com a mulé no meu aniversário (Zack and Miri Make a Porno. Legalzinho, daria um sete e meio. Tem uma cena escatológica hilária, e olha que eu não costumo rir dessas coisas) e, tendo chegado no estabelecimento meia hora antes do começo da película, perambulamos pelo saguão do multiplex pra matar o tempo.

E os arcades no canto do lugar chamaram minha atenção, pela primeira vez em uns 6 ou 7 anos. Faz bastante tempo que passei a ver tais “videogames públicos” um objeto decorativo e nada mais. Acho que a última vez que paguei pra jogar num troço desses foi em 1999.

Cheguei perto do arcade visto na foto, fiz uma mariola no volante, apertei botões aleatoriamente e passei a mão no banco, tentando re-absorver memórias longínquas do tempo em que meus amigos e eu fazíamos fila pra jogar 4 minutos de Daytona USA.

Naquela época, arcades representavam o estado mais avançado da videogamice. Sim, os personagem de Virtua Fighter tinham mais polígonos que movimentos, mas lembre-se que nós vivíamos no contexto 16-bits. De Mario pra Pai Chan, havia um visível salto tecnológico.

Gráficos 3D eram um dos maiores atrativos dos arcades, mas nem era só isso. Gabinetes costumavam ser equipados com telas imensas pros padrões dos anos 90. Pra colocar a coisa em retrospecto pros newfags que circulam por este blog, permita-me dividir mais um pouco da minha infância com vocês – na Copa de 94, meu pai se imbuiu da responsabilidade de hospedar a família inteira pra assistir os jogos, porque ele tinha acabado de comprar o que se chamava carinhosamente de “telão” naquela época. O tamanho da televisão?

29 polegadas. E isso era considerado TELÃO pra época; a maioria dos meus coleguinhas menos abastados passaram a infância se familiarizando com personagens de 3 milímetros de altura nas suas microscópicas CCEs de 14 polegadas. Eu jamais imaginaria que um dia eu estaria insatisfeito com uma tv de colossais 42 polegadas, mas cá estou eu acariciando o cartão de crédito com uma mão e clicando aqui e ali no site da Best Buy com a outra, a despeito da TV de cristal líquido na minha sala que mal completou um ano de idade.

Isso constrata também com o fato de que aquele “telão” de 29 polegadas foi utilizado até a nossa vinda pro Canadá, em 2003. Ou seja, quase dez anos de uso sem sequer SONHAR em gastar dinheiro pra substitui-la. Enquanto a TV ainda pudesse exibir as três cores primárias que combinadas produziriam todo o espectro visível, meus pais nem sequer cogitariam comprar uma nova. Aliás, suspeito que mesmo que a TV começasse a dar uma distinta coloração verde à pele dos atores globais, continuaríamos usando aquele televisor por outros dois anos.

Então, quando você chegava no shopping e via Cruisin’ USA num monitor de 32 polegadas, era uma experiência completamente diferente. Havia tela até onde os olhos alcançavam (contanto que você limitasse o movimento do seu pescoço a dois graus em qualquer direção, mas enfim).

Além dos gráficos e da tela maior, arcades também traziam algo completamente inviável na nossa época – periféricos. Se a tela “imensa” e os gráficos “realistas” não eram suficientes pra te fazer sentir em Daytona, o gabinete modelado pra parecer um cockpit e o volante com force feedback resolveriam. O mesmo serve pras arminhas de Virtua Cop, que tornaram matar meliantes incrivelmente mais satisfatório que apenas apertar um botão em True Lies no seu SNES.

Sim, o NES tinha a Zapper e o SNES tinha o ridiculamente grande Super Scope, mas isso era fichinha perto do realismo oferecido pelos arcades. O slider de algumas pistolas de arcade até dava o característico coice após cada disparo, tornando o negócio ainda mais realista.

Acontece que isso tudo só era relevante em 1999. Hoje nós temos consoles que renderizam polígonos na casa dos milhões, em telas de pelo menos 32 polegadas (estou me referindo aos não-pobres que lêem o HBD), com periféricos que simulam até mesmo instrumentos musicais. Há pouco ou nenhum motivo pra gastar dinheiro com jogos que cinco atrás já seriam considerados velhos, em telas de metade do tamanho das nossas TVs. Se eu quisesse realmente me sentir como um piloto de corrida, eu montaria meu volante na mesinha de centro pra jogar Project Gotham Racing. Gastar dinheiro com Daytona USA em pleno século XXI está por último na minha lista de prioridades, logo abaixo de “cortar minha própria piroca com um alicate industrial” e “mergulhar num barril cheio de soda cáustica pra ver o que acontece com a minha carteira”.

Por que esses troços ainda existem, afinal? A idéia de se desprender de uma quantia irrisória pra jogar três minutos de entretenimento eletrônicos é pré-Atari, aliás. Afinal, o propósito daquele console era justamente levar os arcades pra casa, o que era logicamente o próximo passo pros videogames. A essa altura do campeonato era de se esperar que o hábito de gastar dinheiro em arcade tivesse sido extinto há bastante tempo.

A hipótese óbvia é que tais equipamentos custaram dezenas de milhares de dólares na época, e como já se pagaram há muitos anos, qualquer três dólares por dia que eles produzem é lucro de qualquer forma. Jogar tudo fora custaria tempo e dinheiro, e abriria espaço inútil no shopping/cinema.

Mas sei lá. A idéia de que em 2008 os caras esperam que eu gaste um dólar pra jogar Cruisin USA por três ou quatro minutos é quase ofensiva.

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Categorias: Minha infância

102 Comentários \o/

  1. Expedito Paz disse:

    Eu moro num bairro de subúrbio, então ainda tem muita lojinha com umas máquinas, especialmente de luta, perto aqui de casa. É sempre bacana quando junta uma galera pra jogar KoF ou Street Fighter. E nos shoppings daqui (Recife) ainda tem muito Cruisin’, Daytona USA e similares nos Gamestations da vida. Enquanto as crianças brincam nas coisas pra elas, a gente mata saudade dos arcades clássicos:)

  2. SonGohan disse:

    Eu ainda jogo Cruisin USA no cinema, e Dance Dance Evolution clássico =D