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Lembra das FEIRAS DE CIÊNCIA?

Postado em 16 March 2012 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

Eu tava fazendo as continhas aqui no outro dia e atentei abismado para o fato de que eu terminei meu ensino médio há mais de uma década. Por estar fora do contexto escolar há TANTO TEMPO, às vezes me pergunto o que deve ter mudado ao longo desse tempo todo em relação à experiência colegial.

Por exemplo: na minha época, se passavam bilhetinhos pra conversar na sala de aula. Aliás, isso me lembra uma cena do filme do target=”-blank”>Riquinho. Ele foi aliás um dos poucos filmes em que o 80% do orçamento deve ter sido usado pra custear participações especiais de pessoas famosas que foram usadas pra piadinha visual “olha, o cara é tão rico que o (insira um serviçal qualquer aqui) dele é o (insira uma celebridade especialista naquele serviço)”.

Pois bem. Durante o primeiro ato de Riquinho, em que estabelece-se que o cara frequenta uma escola particular mega cara e elitista, o moleque faz um desenho zoando um coleguinha e passa por faz pro outro amigo. Na época isso era uma cena impressionante; hoje em dia com um smartphone é possível fazer a mesma coisa, de forma mais discreta e mais dufuturística. Enfim.

O hábito de passar bilhetinhos provavelmente não existe mais, graças a smartphones e WhatsApp e iMessage. Fico me perguntando o que mais deve ter mudado na experiência escolar nos últimos 10 anos.

E nisso parei pra pensar: ainda existem feiras de ciências?!

Minha primeira feira de ciências foi na quinta série, se não me falha a memória. E foi a única que participei que realmente tinha o espírito de feira de ciências, aliás.

Eu e meus amigos (com os quais bizarramente ainda tenho contato, graças ao Facebook) construímos um pequeno modelo de irrigação. Pegamos uma “tábua” de isopor, cavamos um buraco bem no centro, cobrimos tudo com um plástico e colamos papelzim verde em cima de tal plástico pra servir de grama.

O plástico se acomodou ao buraco no isopor; enchemos com água e aquilo virou nosso “lago”. Com canudinhos e um sistema relativamente avançado pra uma cambada de moleque de 11 ou 12 anos, criamos uma bomba dagua usando um motor de carrinho de controle remoto. Com caixinhas de fósforo, bastante cola e cartolina colorida, criamos casinhas ao redor do lago, com plantações sendo irrigadas pelo sistema.

Meus carrinhos da Hot Wheels completaram o modelo, embora roubando um pouco do realismo da miniatura — não acho que famílias carentes do sertão, quem sugeríamos que poderia se beneficiar com nosso sistema, dirigem Ferraris e Lamborghinis. O outro problema é que eu não tinha carrinhos da Hot Wheels suficientes pra todas as casas, então uma delas ganhou um fusquinha de fricção comprado em camelô mesmo. Isso fodeu um pouco a escala do modelo, a menos que haja alguém por aí realmente dirigindo um fusquinha quatro vezes maior que a própria casa.

A comunidade científica teria se orgulhado de nós.

O curioso é que o projeto começou como uma hidrelétrica. Daí veio a idéia de misturar água, miniatura de isopor e motores elétricos removidos de carrinhos de controle remoto. No meio da coisa descobrimos que há um motivo pelo qual é necessário um diploma em engenharia e milhões de reais pra construir uma usina hidrelétrica (ou pelo menos habilidade com aqueles troços que cortam isopor com um fio quente).

Nossa usina era uma mini-Chernobil: toda torta e vazava água por todos os lados, indicando desastre iminente. O plano da hidrelétrica foi pro caralho mas sobrou isopor e os motorezinhos, então a mãe de um dos colegas (acho que a do Eric. Eric, você lê isso aqui…?) sugeriu a idéia de um modelo de irrigação.

Lembro que um jornal (que devia estar com uma falta de pauta impressionante) foi até nossa escola, entrevistou alguns dos alunos e deu destaque especial ao nosso modelo, a salvação do agreste cearense. Apareci na TV inclusive explicando a parada (a molecada me elegeu como o apresentador porque sempre fui muito matraqueador), mas nem vi.

Nos anos posteriores as feiras de ciências dos meus colégios eram mais feiras “culturais”. Tanto que um outro projeto meu era de explicar o significado de letras de músicas em inglês. Eu e outros dois moleque s da sala que éramos conhecidos por manjar razoavelmente de inglês (um deles se chamava Luciano, e inclusive reencontrei-o numa ida ao Brasil em 2009; não lembro o outro) sentados numa mesa com uma cartolina imensa explicando falsos cognatos e expressões idiomáticas usadas comumente em canções internacionais populares da época. Naquele diz expliquei a dúzias de outros moleques e seus pais o que a Celine Dion queria dizer com “my heart will go on”, e porque não era apenas “my heart will go”.

A comunidade científica internacional teria se decepcionado com a decadência deste promissor luminário do saber.

Ainda existe feira de ciências?

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Categorias: Minha infância

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Darox says:

    Eletroimã do manual do professor pardal fez sucesso.

  2. Trollo says:

    Claro que existe, quide. Mas como você mesmo descreveu, se tornou algo muito mais cultural do que científico, como era antigamente…
    (Tenho 15 anos e estou no segundo ano do ensino médio).

  3. Lucas Machado says:

    Existe sim! Eu que tô no último ano do ensino médio ainda participei de uma feira de ciencias ano passado. Eu e minha equipe tínhamos isolado a clorofila e mostramos as características fluorescentes dela. e no outro ano a gente tinha elaborado um estande sobre embolia gasosa. Esse ano provavelmente vamos brincar com acetato de sódio triidratado (procura no youtube por “hot ice”, como ele é popularmente conhecido).

  4. Mido says:

    Existe em algumas escolas, na antiga que eu participava tinha isso todos os anos, e eu sempre odiei fazer isso. Já no colégio que eu participo focado inteiramente no vestibular não temos isso. Apenas estudo, estudo e estudo.