Nem toda a minha infância/adolescência consistiu de vagabundagem na rua com os amigos e madrugadas em claro batendo papo no IRC.
Houve uma época na minha vida em que eu acordava cedinho de manhã, tomava um banho (ok, essa parte nem sempre), caminhava sonolento até a parada de ônibus – inevitavelmente lotado – e batia ponto numa empresa. Trabalhei quase um ano como operador do CPD de uma grande empresa de metalurgia do Maranhão.
O dono da empresa, um cara tão gente boa quanto era rico (o que é raro) era amigo de igreja da minha mãe e praticamente me empurrou pro emprego.
Pra fins práticos, chamarei este de meu primeiro emprego “oficial” — na verdade, a primeira função que eu exerci na vida pra ganhar dinheiro tratava-se de digitar trabalhos pra estudantes universitários. Contarei essa história outro dia.

O lugar onde eu “trabalhava” era parecido com esse aí, porém um pouco mais espaçoso. Digo “trabalhava” porque na verdade eu não trabalhava, eu ESFORÇAVA-ME AO MÁXIMO PARA NÃO FODER MUITO COM A EMPRESA.
Mas esse esforço era em vão. Bom, na verdade eu nem lembro de me esforçar muito – esse era o problema.
Enfim, independente das minhas tentativas contrárias, eu fazia merdas que fariam até mesmo o cara mais atrapalhado e inútil do mundo olhar pra mim revoltado e dizer “Caralho mermão, sai daí, deixa que eu faço!” Se chefe tivesse idéia das merdas que eu fazia quase todo dia, eu teria ido pra rua muito antes.
Existem seis níveis de cagada no emprego, que listei abaixo em ordem crescente de magnitude destrutiva:
1) Aquele vacilo pequeno, que pode ser escondido facilmente;
2) O errinho que é percebido por alguns, mas pode ser consertado antes que o chefe volte;
3) A pisada de bola estrondosa que todos percebem mas que, com sorte e ajuda dos astros, ainda pode ser remediada;
4) A merda astronômica que causa prejuízos irreparáveis e demissões;
5) A catástrofe apocalíptica que destrói a empresa além de provocar queimaduras de terceiro grau, litígio jurídico e mortes;
6) As coisas que eu fazia quando trabalhava – também conhecido como Fator Quide(sgraça).
Meu trabalho não era muito complicado, mas ainda assim eu conseguia foder tudo e todos em minha volta. Parecia que um campo de energia negativa provocada por Vênus rodeava minha aura mística transcendental, provocando um sem-número de contratempos e putarias. Não era culpa minha não.
Uma de minhas funções era operar o sistema de controle de distribuição de material, designando rotas para os caminhões que entregavam ferro e aço aos pontos de construção ao redor da cidade. No programa, os bairros eram representados por números de 001 até 023, se não me falha a memória. Quando eu ia cadastrar uma nova entrega, digitava um desses números. O nome do bairro que seria o destino do material saía impresso numa folha, junto com a relação do inventário.
Pra começo de conversa, como eles atribuem uma tarefa dessas A MIM!? Qualquer pessoa que leia este diário virtual dificilmente me deixaria a cargo de sequer fritar um ovo, e nos os culpo. Se o chefe lesse o HBD (que já existia na época, aliás) nada disso teria acontecido.
Entretanto, vejam que a tarefa em questão era bastante simples, bastava prestar um pouco de atenção. Infelizmente, tal faculdade mental é uma desconhecida para mim.
Então eu de vez em quando (leia-se COM FREQUÊNCIA ASSUSTADORA) errava o número dos bairros e ocasionava a entrega de material em endereços errados ou inexistentes. Uma vez mandei um caminhão cheio de barras de aço pra um bairro que ficava praticamente numa cidade vizinha. Os caras chegam lá só pra descobrir que, onde deveria estar a construção de uma escola, funcionava uma padaria.
Minha outra função era ainda simples: eu deveria pegar as segundas-vias das compras efetuadas pela empresa e grampear nelas os canhotos das terceiras-vias. Aquilo tudo ia pro contador, para que ele controlasse o fluxo de grana dentro da compania.
Um serviço SIMPLES. Ninguém seria capaz de foder algo tão trivial. Quer dizer, ninguém além deste que vos escreve. Um serviço simples não significa que eu não vou descobrir uma forma de faze-lo de maneira errada.
Uma vez, no fim do dia, após ter grampeado mais de DUZENTOS canhotos, percebi que havia anexado-os à PRIMEIRA VIA, ao invés da segunda. Eu teria que tirar todos os grampos, descer ao almoxarifado, procurar as segundas-vias do dia e regrampear tudo. Mas era minha hora de ir embora, porra. Sem consternação, passei uma liga elástica em volta dos papéis e entreguei na mesa do meu supervisor.
- Aê chefia, tudo beleza.
Outra vez, fui pedido para destruir as duplicatas antigas (as que tinham mais de um ano). O supervisor deixou bem claro que eu devia prestar muita atenção na data das duplicatas antes de rasga-las. Eles precisavam arquivar as mais recentes, a perda de uma delas não podia ser cogitada.
Os documentos estavam todos dentro de um grande saco de lixo. Era duplicata pra caralho, eu calculo que havia ali uns 15 quilos de papel. Fui pegando, olhando a data e, dependendo dos números, rasgando ou colocando na caixa ao lado. Aí as influências satânicas se mobilizaram pra foder comigo mais uma vez.
Havia muito mais duplicatas antigas que recentes, então quase todas que eu pegava, rasgava. Era o seguinte: Meter a mão no saco, pegar um papel, olhar a data, coçar o saco, rasgar. Não o saco, o papel.
Acontece que, quando se começa a fazer uma coisa repetidamente, o cérebro liga o piloto automático e desliga a atenção.
Assim, a etapa “olhar a data” acabou sendo eliminada do procedimento.
Quando me dei conta, havia rasgado TODOS os papéis dentro do saco, com exceção de duas que ainda sobraram no fundo. Peguei os papéis consternado: nenhum deles era uma duplicata recente, o que significava que eu havia rasgado TODAS as outras.
Sem exasperação, fui até o armário de material de escritório, apanhei um monte de papel de duplicata e joguei no meio das que ainda não estavam rasgadas. Nunca fiquei sabendo qual foi a surpresa do meu supervisor ao descobrir que, onde deveriam estar as duplicatas recentes, nada havia além de duas antigas e papéis em branco. Aquela era minha última semana no trampo, e eu não vi o cara até meu último dia porque ele tava viajando.
Isso sem mencionar as incontáveis vezes que eu ia lanchar numa padaria próxima e, quando voltava ao prédio, dava DE CARA com o chefe, com as mãos cheias de quitutes e guloseimas.
Isso me irritava demais. TODO MUNDO ia lanchar numa boa e nunca era pego no flagra. Bastava eu pôr o pé na rua e a porra do chefe por algum motivo tinha que sair da sua sala e dar uma volta pelo complexo. As salas ficavam acima do depósito de material, e volta e meia (leia-se SEMPRE QUE EU RESOLVIA SAIR PRA FAZER UMA BOQUINHA), ele ficava dando voltas lá por baixo. E era batata, sempre esbarrava com ele na entrada, trazendo pastéis e refrigerante nas mãos.
Havia muito mais merda, por exemplo, a bagunça que eu fazia com os cobradores. No sistema de cobrança, eu deveria atribuir certas duplicatas a certos cobradores. Eu sempre errava, designando as cobranças erradas para os cobradores errados. O que acontecia era que, como o cara não estava designado para efetuar aquela cobrança que eu registrei com o nome dele na máquina, ele não ia. E o devedor não pagava.
Falando em não pagar, o erro mais aloprante era sem dúvida o que eu fazia na hora de registrar pagantes e devedores. Na lista de devedores, um Enter em cima de um nome significava que o indivíduo já havia pago seus débitos, e seu nome era removido da lista. Como eu fazia sempre com pressa pra acabar logo, acabava dando Enter em nomes errados. Esse vacilo causava prejuízo à empresa (pois o sistema entendia que o fulano já havia pago algo que na verdade não pagou), e deixava puto o cliente que havia pago sua dívida, mas cujo nome não havia sido “Enterizado” por mim. Um formidável erro duplo.
Meu Deus, agora que escrevo essas memórias, percebo que não produzi nada naquele lugar – pelo contrário, só avacalhei. Seria melhor para a empresa se eles me pagassem para NÃO ir trabalhar.
É de se admirar que eu eu tenha passado quase um ano lá, tempo mais do que suficiente para destrui-la. Mais admirável ainda é que isso não aconteceu.
Googleei o nome da empresa e achei o site deles. Pra minha surpresa, boa parte dos vendedores ainda trabalha lá, e o administrador do site é o meu supervisor da época. Que curioso.





“Se a tal empresa não faliu com estes erros, pode relaxar que não vai falir nunca mais.”
E me passa o nome, vou ver se dá pra comprar ações dela. Empresa que faz milagre deve ser uma mina de ouro!
Por essas coisas (e pela família Sarney) que o Maranhão é um lugar esquecido por Deus. meu irmão mora lá e tudo é atrasado, é apavorante!
Cara, tenho 16 anos e to no meu primeiro emprego, e é na CPD de um Supermercado.
Pensei que só eu fazia merdas astronomicas nesse setor, mas agora me sinto melhor por saber que tem alguem pior q eu suhduahdusadas
gostaria muito de trabalhar ,faço imformatica e preciso de um trabalho
gostaria muito de trabalhar ,faço imformatica e preciso de um trabalho.sera meu primeiro emprego ,tenho 16 anos .agradeço pela oportunidade
Nossa muito bom ler esse blog…sinto-me estranhamente melhor e não tão miserável por ter feito algumas besteiras no meu primeiro estágio…O.o
Serio, vc não fica nem com peso na consciência? LOL
Oi ! meu nome é camila eu tenho 14 anos eu to cursando o ensino fundamental ,eu não vejo a hora de eu trabalha ajuda a minha mãe em casa com as coisas e também ter as minhas próorias coisas meu dinheiro…
gostaria muito da oporunidade de vocês …
Obrigadooo
Oi ! meu nome é camila eu tenho 14 anos eu to cursando o ensino fundamental ,eu não vejo a hora de eu trabalha ajuda a minha mãe em casa com as coisas e também ter as minhas próorias coisas meu dinheiro…
gostaria muito da oportunidade de vocês …
Obrigadooo ….
eu quero um emprego nunca trabalhei…
presciso trabalhar para ajudar minha mae
eu queria pode trabalha para da o convorto da minha filha que apelas tem quinze anos mais no meu primeiro emprego eu posso de oportunidade de trabalha para que não possa falta nada para ela