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Minha primeira "suspensão"

Postado em 14 maio 2011 Escrito por Izzy Nobre 68 Comentários

…E lá estava eu, sentado perante a diretora, sendo interrogado pela mulher enquanto meus amigos sofriam numa aula de matemática.

Visitar a sala da mulher não era exatamente novidade pra mim; geralmente me mandavam à coordenação, mas minhas reincidências ultimamente me rendiam viagem sem escalas pra sala da diretora. Especialmente num caso de traquinagem séria, como era o caso dessa vez.

Eu encarava minhas bagunças escolares com muito descaso; pra total revolta dos meus professores e meus pais, eu nunca parecia compreender a seriedade das galhofas que eu aprontava na escola quase diariamente. “Esse moleque só vai aprender quando acabar sendo expulso do colégio“, ouvi meu pai dizer mais de uma vez quando se via obrigado a comparecer à escola por minha causa, ou assinar notas enviadas pela coordenação. “E se você for expulso“, ele continuava, “vou te colocar numa escola pública! Não vou gastar meu dinheiro com vagabundo!

Eu sempre considerava tal diagnóstico alarmista demais. Expulsão da escola era uma solução final drástica pra contravenção séria (tipo, sei lá, nego fumando no banheiro ou se masturbando durante aula de Geografia). Ninguém é expulso da escola porque conversa demais na sala ou porque vive zoando os amiguinhos, que era o meu modus operandi costumeiro.

Eu como orador da turma na formatura da alfabetização -- O início de uma longa carreira de perturbador de sala

Acontece que isso não era o que eu havia feito dessa vez. Dessa vez, a brincadeira (e mais relevante, seus resultados) havia sido “um pouco” mais grave. Quando digo “um pouco mais grave”, compreenda-se “causou danos sérios a propriedade escolar, alunos E a uma professora, que agora considerava se demitir da escola”.

Sob investigação impiedosa da diretora, me bateu aquela horrível sensação de “dessa vez eu me fodi”. Minhas mentiras estavam apenas atrasando o inevitável.

A expressão facial da diretora era de profunda intensidade; ela sondava meu rosto, meus pequenos movimentos involuntários, tentando detectar qualquer sinal que indicasse que eu estava nervoso ou pior, mentindo. Senti o suor frio brotar na testa.

Aos meus tenros 12 ou 13 anos, eu não havia vivido o suficiente pra adquirir características de mau-caratismo que me permitiam mentir com total cinismo. E eu sabia que a minha versão da história estava soando cada vez menos verossímil. Mas não importava — enquanto a diretora não tivesse provas, ela não poderia me condenar. Fingi que ia aprumar o óculos no rosto e aproveitei o movimento pra enxugar a testa.

Talvez eu devesse começar esta história pelo começo.

***

Era uma tarde de terça feira em Fortaleza, meu querido Ceará, no longínquo ano de 1997. Eu cursava a sétima série no Colégio Adventista de Fortaleza, que ficava ali no centro.

Ó a escola aí.

Naquele ano eu estudava de tarde, e às seis horas — o horário de saída da escola –, o céu já estava bastante escuro. Há alguns dias eu matutava comigo mesmo: “quão escura essa sala ficaria se alguém apagasse a luz na hora da saída?”.

Nosso colégio, como você pode ver na foto acima, ficava bem do lado de um prédio. Isso bloqueava boa parte da luz que vinha da rua. De fato, na hora da saída, o colégio inteiro estava bastante escuro.

(A proximidade do prédio rendeu boas confusões quando um aluno — não direi quem fui — incitou os coleguinhas a arremessar pedras nas varandas acima, “só pra ver quem consegue acertar o apartamento mais alto”)

Passei uns dias bolando meu plano de ação. O mapa de sala (tou ligado que o termo é diferente em alguns estados; me refiro à tabela que rege a posição em que os alunos sentam na sala. O objetivo é separar os focos de baderna) me colocava numa posição privilegiada bem próximo da frente da sala — e do interruptor.

Meus professores conspiraram contra mim me separando do meu grupo e me colocando numa posição completamente indefesa, sentado na frente da turma. Ironicamente, naquele dia eu usaria isso contra eles.

Ou melhor, contra UM deles — Cibele, a professora de biologia. Naquele dia fatídico, a aula dela era a última. Senti uma certa pena da mulher — a Cibele era mais nova, devia ter uns 20 e tantos anos. E era a que encarava minhas palhaçadas com mais espírito esportivo; de fato, não lembro de ter sido mandado pra fora de sala por ela nenhuma vez sequer.

E era gostosa. A Cibele (e mais especificamente, as saias curtas e blusas decotadas que ela frequentemente usava, pro delírio dos estudantes) tornava minha posição na frente da sala menos indesejável.

Imagine que essa era a professora

Mas foda-se. A decisão estava tomada; eu iria recolher minhas tralhas 5 minutos antes do final da aula e, ao soar o toque do final do dia, passaria sem cerimônia do lado do interruptor, e apagaria as luzes da sala.

Durante o planejamento da brincadeira, eu jamais havia parado pra pensar que o resultado tinha potencial pra ser tão catastrófico.

Mas agora já era. O sinal tocou, a turma começou a se levantar pra sair da sala. Levantei-me da cadeira como que impulsionao por uma mola e me joguei em direção ao interruptor.

Nada poderia ter me preparado para o que aconteceu em seguida.

(Continua amanhã)

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Categorias: Minha infância

68 Comentários \o/

  1. @LipeML disse:

    (Continua amanhã)
    *Obvious Troll is obvious

    Maaaass, apagar a luz era foda. à noite na escola que estudei, a turma jogava as cadeiras em desafetos quando faltava energia.

  2. Epitácio Pessoa disse:

    Manolo, hoje é domingo. Dá uma colaborada aí, amanhã de manhã já tenho q despachar lá no Catete. Abs.

  3. Ty Qwer disse:

    HAAAAA!!!

    Posta logo… Apesar de só ter lido a primeira parte agora, não suporto esperar mais! =OOO

  4. @PedroStryker disse:

    Sei, amanhã. Kid. ¬¬’

  5. ramone disse:

    minha turma era a mais retardada de todas. uma de nossas diversões era esperar do lado de fora do banheiro masculino para cuspir na cara de alunos mais novos e fracos. isso me rendeu uma semana de suspensão.

    tenho medo do que aconteceria comigo hoje…

    • grama disse:

      Cara isso não é brincadeira, já é sadismo…
      Sem querer entrar na onda de “você sabe o que?”, mas porra sacanagem non-sense essa…
      No meu colégio com certeza você ia levar surra do resto da turma…

  6. Antonia disse:

    Kid enrolão ¬¬

  7. Tiago disse:

    …tô curioso…

  8. Thomas disse:

    CADÊ A CONTINUACÃO!!!!!!!!!!!!1 MENTIROSO!!!!!!!!!!!!!!1

  9. Pedro disse:

    Câde a “continuação”? – Que mancada, brother. Queremos a segunda parte do texto, pois creio que todos nós (leitores) estamos curiosos. :)

  10. Samuel disse:

    Cadê a segunda parte seu filho da puta?

  11. O teu amanhã seria “semana que vem”?

  12. Murilo R. disse:

    Caralho Kid! Já li muito livro que não tinha metade da qualidade desse seu texto, já pensou em seguir o ramo de escritor (de pornô, claro)?

  13. Tiago disse:

    A segunda ta demorando mais que a transformação do Goku em super sayajin