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Por que cresci gostando de portabilidade (e Feliz Natal!)

Postado em 24 December 2012 Escrito por Izzy Nobre 21 Comentários

Eu estava ontem passeando por uma livraria, cumprindo minha tradição da semana antes do Natal (comprando presentes de última hora), quando avistei o que você vê aí acima: uma seleção variada dos tais moleskines, cuja popularidade hoje em dia parece ter diminuído mas há alguns anos era um prerequisito pra ser considerado hipster sujo.

Eu nunca tive nenhuma grande atração por esses caderninhos aí — muito pelo fato que, apesar de gostar de escrever, a idéia de escrever à mão me parece tortura. Nem eu entendo mais minha caligrafia; escrever à mão é um skill perdido definitivamente.

O que é aliás um tapa na cara de professoras de português que insistiam que a gente escrevesse “bonitinho”. “Um dia no futuro sua competência será analisada pela uniformidade e beleza da sua grafia manuscrita”, me disse uma delas. Não, sua desgraçada, você errou.

Então. Nunca fui megafanboy desses tais moleskines. Entretanto, ao pegar num deles rapidamente na loja quando tirei essa foto, lembrei que eu ADORAVA caderninhos quando era criança. E é bizarro ter esquecido disso todos esses anos.

Sempre gostei de escrever (desde moleque, como já comentei aqui várias vezes), e frequentemente as idéias para historinhas vinham quando eu menos esperava. Por não ter muitas experiência de vida aos 9 anos, quando moleque eu escrevia ficção; hoje é que minhas escritas viraram auto-biográficas.

Então, naqueles tempos de moleque eu fantasiava sobre ter um caderninho bacana que eu pudesse sempre levar no bolso pra escrever qualquer coisa.

Até consegui bloquinhos de anotações uma vez ou outra, daqueles com espiral e tudo mais. Tipo assim:

Eu pegava um lápis, quebrava no meio, lixava a extremidade quebrada como podia, enfiava o lápis na espiral do bloquinho e metia no bolso. E sempre que vinha uma idéia na cabeça, eu escrevia no bloquinho.

Aí eu bolei que meus bonequinhos, que evidentemente eram proxies da minha própria personalidade, também tinham que ter seus caderninhos.

E sim, acredito que crianças projetam muito de suas próprias personalidades em seus bonequinhos. Qual outra explicação para as inúmeras brincadeiras infantis onde meus Comandos em Ação invadiam o quarto da minha irmã, talvez um sentimento de vingança por ela ter nascido poucos dias depois do meu aniversário e usurpado o importante significado que novembro tinha em minha casa até então.

Então, meti na cabeça que meus bonequinhos também precisavam de seus caderninhos. Acho que é porque, na minha cabeça ingênua, se EU sentia a necessidade de um caderninho pra anotar idéias, todo mundo precisava, e meus bonequinhos não eram exceção. Sabe o que eu fiz?

Primeiro, eu peguei várias revistas Veja do meu pai. Manja que naquela época (talvez hoje também, sei lá) vinham encartes de cartolina no meio da revista, convidando o leitor a fazer assinatura de outros periódicos da editora?

Esses encartes vinham com thumbnails de capinhas das tais revistas, incluindo a da Playboy (cuja miniaturização no encarte a tornava inútil para fins promíscuos a menos que você tivesse um microscópio ou algo semelhante, e ainda assim seria estranho ir pro banheiro com um microscópio. Os banhos de duas horas já eram suspeitos o bastante.)

Então. Eu arranquei esses encartes e recortei os thumbnails cuidadosamente (com uma tesoura COM ponta — daquelas imensas, de alfaiate mesmo — porque nós geração anos 80 fomos criados sem a bolha de proteção em que a garotada atual vive). Em seguida, roubei folhas A4 daquela impressora matricial enorme que meu pai tinha em seu escritório. Cortei as folhas em vários pedacinhos de dimensões iguais a dos thumbnails das revistas. Finalmente, grampeei vários desses quadradinhos de papel a cada capinha.

O resultado era várias mini-revistinhas, com folhas em branco por dentro. E eu distribuia esses caderninhos pros meus bonequinhos, tudo pra que eles ficassem mais parecidos comigo, que levava o meu caderninho pra todo canto.

Talvez foi nisso que começou o meu fascínio por tecnologia móvel — afinal, o que era esse meu caderninho senão uma ferramenta de produtividade/criatividade portátil?

Alguns anos mais tarde, meu pai recebeu um laptop da empresa. A idéia de um computador que você pode levar pra qualquer lugar me fascinou e cimentou minha afinidade por portabilidade.

Isso se manifestou mais claramente no campo tecnológico (smartphone, tablet, ereader, consoles portáteis…), mas não é exclusivo a ele. Nesta mesma livraria, vi algo que teria me deixado MALUCO quando eu era criança.

LIVROS PORTÁTEIS! Ok livros já são portáteis mas esses são MAIS.

 Isso são mini-livrinhos que as livrarias aqui oferecem como idéia pra presente. Eles existem em tudo quando é tema: comédia, terror, referência, livros baseados em filmes, esse tipo de coisa.

São baratinhos, pequenos, engraçados e até úteis em alguns casos. Aquele The Worst-Case Scenario é essencialmente um misto de Manual dos Escoteiros Mirins com Guia do MacGyver — como se não bastassem essas referências da minha infância, ainda é em um tamanhinho perfeito pro seu bolso.

 

Se tal coisa existisse quando eu era criança, fissurado no MacGyver E por mini-coisas, meus pais não teriam conhecido descanso até que comprassem essa merda pra mim.

Eles têm uma bibliazinha de poker, com o visual eclesiástico e tudo:

 

Não sou muito chegado em poker (não gosto de jogos de azar, prefiro jogos que envolvem perícia), mas achei a idéia de um manualzinho de bolso com as regras do jogo muito foda. Eles também têm pequenas antologias de quadrinhos pulp, olha só que negócio foda:

 

Eu gostei demais desses livrinhos (que eu já tinha visto antes, mas nunca dado a devida atenção) e já planejo inclusive sortear alguns deles no HBDtv e aqui no HBD. Fiquem no aguardo.

Ah, e pra melhorar seu Natal em aproximadamente 800%, clique aí embaixo:

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comments

Categorias: Minha infância

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

21 Comentários \o/

  1. BrunoHe says:

    Mini livrinhos é uma idéia boba mas tão genial q vc se pergunta o pq nunca ninguém pensou nisso antes.

    Feliz natal Izzy e galera.

  2. Leonardo Cezar says:

    Kidê seu VÂNDALO desfiando a fita amarela da bibliazinha de poker! Hahahaha! Feliz Natal MAH!

  3. Cami says:

    Eu também andava sempre com um bloquinho e um lápis quebrado na espiral :O
    Mas eu não lixava, deixava feio mesmo xD

  4. IBG says:

    Quero demais o Worst-case scenario!!

  5. Patrick says:

    Merry Xmas Izzy!

  6. Demo demorô says:

    “Não sou muito chegado em poker (não gosto de jogos de azar, prefiro jogos que envolvem perícia)”

    Trollbait.

  7. Regis Mello says:

    Esses mini livros são legais mesmo… na book depository estão na faixa de $5 e com frete gratis para quase qualquer lugar do mundo.

  8. Rafael V says:

    August Burns Red! Eles lançaram nesse fim de ano um álbum de musicas natalinas no mesmo estilo dessa do post. Da uma olhada na Jingle Bells rel="nofollow">

  9. Lucas Lopes says:

    Poker não é um jogo de azar.

  10. Newton says:

    Tem até de Harry Potter haha

  11. maicol says:

    OLa izzy dessa vez viim só para pedir uma opniao sobre livros de literatura com ficçao cientifica algo do tipo..Nao sei se o senhor gosta desse genero..mais si o senhor gostar pf manda pra mim eu to começando a me fascina pela literatura

  12. Murdock says:

    Cara, você transformou os Comandos em Ação em nerds?!?!

  13. Lucas says:

    “O resultado era várias mini-revistinhas, com folhas em branco por dentro.”

    Não seria: O resultado eram várias mini-revistinhas, com folhas em branco por dentro.

    ??

    E poker não é azar.

    Grande texto!

    Abs

  14. Moreira says:

    Eu quero o Worst Case Scenario :3

  15. Navarro says:

    É estranho, mas como eu vi e ouvi o Izzy antes de ler o blog… sempre q estou lendo os textos dele é como se o Izzy estivesse lendo, ou falando aquilo, acho q é por causa da forma q ele escreve é bem semelhante a q ele fala.

    Ótimo texto, feliz natal atrasado e feliz ano novo!

  16. Felipe says:

    essas coisas hipsters :~

  17. Uendel Couto says:

    Poker não é azar!!!

  18. Pedro says:

    Onde eu encontro esses caderninhos no Brasil? Provavelmente lugar algum, mas não custa tentar.
    Ah, August Burns Red é uma banda cristã, e muito boa.

  19. Ronaldo says:

    “Não sou muito chegado em poker (não gosto de jogos de azar, prefiro jogos que envolvem perícia”
    Quase caí!