Sabe, essa turminha da geração atual (pra contextualizar, ”turminha da geração atual” se refere a qualquer pessoa nascida após o auge dos sentais, aquele gênero de seriado japonês que nos trouxe Jaspion, Jiban, e aquele lá que tinha um ninja com uma máscara de leão) definitivamente tem uma vida muito mais fácil e confortável que a nossa.
Sim, sim, eu sei que esse papo de dizer que a galera mais nova se dá melhor é clichê normalmente exclusivo a membros daquele segmento da sociedade a quem comerciais de adesivo pra dentadura são direcionados. Apesar de ter quarenta anos a menos do que seria necessário pra me incluir nesse grupo, eu compartilho esse sentimento nostálgico e ao mesmo tempo invejoso em relação aos mais novos. Em meus breves 23 anos de existência, eu já presenciei pequenas revoluções que me dão autoridade de levantar o dedo e pretensiosamente afirmar que “NO MEU TEMPO ISSO NÃO EXISTIA”. Isso se deve ao fato que minha área de interesse pessoal (gadgets, videogames, nerdices em geral) é extremamente volátil e está em constante mudança. Alguém nascido no meio dos anos 80 como é o meu caso mal começou a viver propriamente dito, mas já pôde presenciar consideráveis revoluções.
Vejam os videogames, por exemplo. Videogames mudaram bastante nos últimos dez anos, ao ponto de que algo como o Megaman de NES (que tem algo em torno de méseros 15 anos de existência) carregue automaticamente o contexto de extrema velhice, de objeto antiquadamente paleolítico.
A própria internet, e os computadores por tabela, mudaram pra cacete em pouquíssimo tempo. É essa mudança rápida que me permite confabular nostalgicamente sobre os “bons tempos” com outros sujeitos de meros vinte e poucos anos de idade como se fôssemos veteranos da Segunda Guerra Mundial.
E uma das coisas que mudou dramaticamente nos últimos dez anos é a forma como os jovens entram em contato com a pornografia.
No contexto da minha infância, a posse exclusiva de uma revista pornográfica era praticamente um Santo Graal da putaria, a Ferrari da auto-gratificação, o símbolo máximo que simbolizava uma realização incomparável. Os moleques que as tinham eram invejados pelo item e admirados pela sua porra-louquice. Eu, previsivelmente, nunca tive uma. Não sei se isso se devia ao terror da possibilidade da revista ser descoberta pelos meus pais, ou pelo terror da possibilidade que a posse do material incluia uma passagem só de ida pros quintos dos infernos. E eu só fui acessar a internet em 1996, então dos meus 9 aos 12 anos - que é geralmente a época em que o interesse no sexo oposto começa a surgir - eu não consigo lembrar de ter visto o corpo feminino desnudo uma vez sequer. Se eu falar que eu achava que a vagina ficava um pouco abaixo do umbigo (tipo, bem na frente da virilha, ao invés de mais abaixo, entre as pernas), vocês acreditam?
Nem a chegada da internet facilitou tanto assim as coisas, ao menos não no começo. Não por falta de conteúdo online ou de desenvoltura pra acha-lo - em um dos maiores momentos “EUREKA” de toda a minha vida, eu percebi que marcas comerciais famosas já estavam representadas digitalmente na internerd. Bastava digitar o nome da empresa na barra de endereço, adicionar .com.br, e lá estava seu website. Resolvi experimentar a tática com “Playboy” e meus olhos brilharam quando a página carregou lentamente a 56kbps, oferecendo pouquíssimas imagens em baixa resolução que não traziam nudez alguma, organizadas naquele tipo de design que tornou os websites dos anos 90 tão icônicos.
Acontece que no dia seguinte meu pai notou a pecaminosa URL no histórico do navegador, e (por motivos que eu jamais compreenderei ou perdoarei), resolveu contar pra minha mãe. E lá estamos os três, na frente do PC, com a página aberta, os peitos siliconados da Tiazinha em formato jpg ocupando uma generosa porção dos 800 x 600 da tela do computador , e os dois me perguntando SE EU TINHA ACESSADO O SITE.
Até hoje não entendo qual seria o objetivo de um inquérito tão humilhante e desnecessário. Se a memória me serve bem, culpei meu irmão menor. A parte engraçada da história é que ele admitiu o crime, e por dois nanossegundos eu acreditei que ele estava se fazendo de mártir pra me salvar. Só depois é que entendi que não havia altruísmo algum da parte dele; ele também havia acessado o site e resolveu confessar logo na esperança de que a honestidade rendesse uma pena reduzida.
Porra pai, porra mãe. Um moleque de 13 anos usa a internet, e de repente a URL da Playboy aparece no histórico do navegador. Isso é realmente algo tão incrível que requer uma investigação? Os previews gratuitos no site se limitavam a meninas de bikini, nem peito descoberto aparecia. Certamente tamanha confusão não era necessária, né?
Ou seja, por causa do uso compartilhado do computador, a pornografia internética era disponível mas não aconselhável. Isso é, até eu descobrir formas de ocultar o conteúdo acessado previamente. Mas isso demorou algum tempo também. A solução era pedir que amigos mandassem as imagens pelo ICQ, imprimi-las (e esconde-las na carteira, o único lugar insondável em toda a minha casa) e apagar os arquivos logo em seguida. Ou seja meus queridos pais, se vocês nunca entenderam porque a tinta da impressora lá de casa estava sempre em nível inexplicavelmente baixo, aí está a razão.
VOLTANDO AO ASSUNTO:
Nós da geração pré-internet não estávamos totalmente desprovidos de material masturbatório. Graças ao abençoado hábito de venda casada Roliudiana (misturar ação/comédia/terror/desenho animado/ficção científica com alguns peitinhos pra garantir melhor aceitação da película), a TV entregava diariamente na minha casa programação semi-pornográfica com um eficiente disfarce embutido. O efeito colateral é que tal conteúdo televisivo costumava provocar um notável constrangimento quando assistíamos em família, mas isso é um preço pequeno a pagar pelo contato – ainda que superficial – com a anatomia do ser feminino.
E nessa singela listinha, honrarei aqueles momentos cinematográficos que chegaram às nossas telinhas como uma prece respondida pelo deus do onanismo.
Mulher Nota Mil (Weird Science)

O que era: Weird Science (inexplicavelmente nomeado “Mulher Nota Mil” na terra tupiniquim), é uma verdadeira obra de arte do famosíssimo John Hughes, o Steven Spielberg das comédias românticas adolescentes dos anos 80. O cineasta é responsável por três coisas – dar o pontapé inicial que inundaria a cena com os romances juvenis de roteiro previsível, catapultar a insípida Molly Ringwald a um estrelato incompreensível, e apressar minha puberdade em pelo menos três anos.
Hughes, após fazer aproximadamente oitocentos trilhões de dólares aperfeiçoando o clichezíssimo tema das comédias adolescentes que viria a se tornar um padrão mais xerocado que aquele livro de Cálculo Diferencial que ninguém mais lembra quem era o dono original e está lá no D.A. do seu curso há aproximadamente 900 anos, resolveu inalar mais cocaína do que de costume e criou a história de dois nerds que sem mais essa nem aquela criam uma mulher virtual, numa sequência cinematográfica que envolve escanear páginas de uma revista masculina e decidir que tamanho de peitos seria mais aproveitável.
A representação hollywoodiana das artes nerds SEMPRE dá motivo pra humor não intencional. Parece que existe um acordo entre cineastas que computadores e as práticas da informáticas devem permanecer para sempre sendo mal representados na tela dos cinemas. Mesmo que você leve em consideração que na época que o filme foi lançado, 90% da população mundial não sabia o que era um computador, a cena ainda é dolorosamente ridícula e surrealmente cartunesca. Eu sei que o filme é uma comédia, mas porra, há uma diferença entre “comédia adolescente” e “episódio do Pernalonga”, e esse filme passa a 80 quilômetros de distância da linha que separa os dois estilos. Abaixo, pra sua conveniência, a sequência supracitada.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=jcCCguRtbMg&feature=related[/youtube]
Na época que eu assisti o filme, eu não havia me formado ainda na Faculdade Internética de Nerdice Aplicada, então eu estava pouco me lixando se sistemas operacionais como os exibidos no filme não existem, ou que escanear uma fotografia de Einstein não permitiria que você imbuísse alguém com a inteligência do famoso cientista. O que importa é que Kelly LeBrock, “atriz” que está pro papel de Mulher Gostosa Aleatória assim como Xuaznéguer está pro papel de Brutamontes Com Sotaque Engraçado Apesar de Morar Nos EUA a Quarenta Anos, fazia neste filme sua aparição mais célebre na frente de uma câmera.
Efeitos a longo prazo: Eu assisto um filme em que dois moleques usam um computador pra “programar” uma mulher deliciosíssima, e acabo passando o resto da minha vida encurvado diante um monitor, adotando nerdice como uma religião quase. Coincidência? Eu acho que não. Culpo John Hughes como responsável direto pelo meu atual estilo de vida, e sentenço-o a usar seus bilhões de dólares pra me financiar uma noite com a Kelly LeBrock de vinte anos atrás.
Jessica Rabbit

O que era: Uma Cilada Para Roger Rabbit foi um filme revolucionário. Foi um dos primeiros usos convincentes de mesclagem entre filmagem convencional e inserção digital de personagens animados, nele mascotes de empresas de entretenimento rivais (especificamente, Disney e Warner Brothers) dividiram a tela pela primeira vez, e foi o momento crucial na história da humanidade em que um desenho animado provocou uma inesperada ereção.
Jessica Rabbit era basicamente o motivo pelo qual qualquer homem com idade acima do recomendado por uma embalagem de caixa de LEGO assistiu aquele filme. A inclusão dela foi o resultado de um debate entre os produtores do filme, que perceberam que salpicar um trama policial ao redor de um desenho animado estrelando um Pernalonga-wannabe não seria o suficiente pra atrair adultos pro cinema.
Nem lembro qual era a relevância da voluptuosa personagem na trama do filme, além de se comunicar exclusivamente na voz lânguida mais “ME COMA AGORA PLZ” já utilizada por um personagem de desenho animado. Lembro vagamente que ela chifrava o personagem principal do filme com o produtor dela, que foi assassinado com todas as provas apontando pro infeliz marido traído. Ou algo assim, no momento que Jessica Rabbit aparece na tela pela primeira vez, eu estranhamente perdi o interesse na trama e nos outros personagens infantis. Eu estava muito ocupado tentando salvar mentalmente a imagem da Jessica pra seguir o roteiro do filme.
Aí vai uma palhinha da primeira aparição da Jessica, exatamente como eu me lembrava dela (com adição de artefatos de compressão do YouTube).
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw[/youtube]
Efeitos a longo prazo: Historiadores ambos do cinema como da punhetagem concordam que Jessica Rabbit foi o catalizador que levou incontáveis jovens à prática de bater punheta assistindo desenho animado.
Elvira, a Rainha das Trevas

O que era: Uma blasfêmia dupla. Como se não bastasse que o filme fosse apenas um descupla pra espremer os seios mais redondos do mundo em decotes impossíveis sem o auxílio de supercola, ele ainda trazia no nome a combinação de palavras que insinuava relação com a Realeza do Inferno. Ou seja, no caso de Elvira, a Rainha das Trevas, o filme que eles embalaram junto com a putaria era igualmente inaceitável no meu lar cristão.
Não que isso me impedisse que apreciar uma das mais icônicas comédias sexualmente escrachadas dos anos 80, afinal de contas, casa dos primos é justamente pra assistir material duvidoso cuja presença você não arriscaria trazer pra sua própria casa.
Eu não lembro de PORRA nenhuma daquele filme. Bom, eu lembro que havia uma sequência de dança interpretativa parodiando Flashdance. Aliás, Flashdance também mereceria uma menção nessa lista, mas ter que pesquisar vídeos pra esse texto já tá dificultando muito minha concentração e eu preciso terminar logo essa porra. Pesquisar mais imagens de filmes levemente eróticos dos anos 80 vai atrasar ainda mais a produção desse post, porque por motivos puramente científicos eu começo a googlear as imagens dos filmes e nunca me satisfaço com uma só, acabou assistindo o filme inteiro só vendo as screenshots.
Sobre a trama, eu sei que ela se mudava pra um interior americano qualquer e recebia olhares reprovadores da turminha provinciana que aparentemente não considerava esse “vestido” dela apropriado pro uso público. E eu sinceramente acho que não perdi absolutamente nada da história. Pra provar meu ponto, aí vai um vídeo totalmente não-relacionado à história do filme, e aposto que você vai acha-lo bacana mesmo assim.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=jKLb11L6goY[/youtube]
A única coisa que eu me lembro sobre o filme é que a Elvira não era apenas gostosa, mas ela tinha uma personalidade divertida que a tornava aquela vizinha imaginária que você pedia a deus toda noite quando deveria estar rezando pelo seu pai que está com hemorróidas ou por paz mundial ou algo assim.
Efeitos a longo prazo: Mais de vinte anos após a criação da personagem e do lançamento do filme e aqui estamos nós, googleando screenshots e assistindo clipes no YouTube. Se isso não é uma prova da marca permanente que Elvira deixou em nossas psiquês, não sei mais o que é.
Obviamente, o filme deixou várias outras marcas mais tangíveis, mas vocês já devem ter jogado aqueles shorts no lixo há muito tempo.
Lagoa Azul
O que era: Quando o assunto é putaria levemente disfarçada de filme mainstream, uma das maneiras que o filme é apresentado é através da abordagem da “putaria inocente” – a história fala de personagens pueris que passam pelas primeiras experiências e descobertas com o sexo oposto. Espera-se assim que o filme adquira um teor mais artístico e filosófico do que putanesco e onanístico, o que automaticamente o categorizará com “bom gosto”, que é o separador de águas que distanciará o tema do filme dos geralmente abordados em produções de quintal envolvendo sexo com múltiplos parceiros. Apesar disso, o diretor não estará livre de suspeitas de pedofilia latente. Caso você não saiba, Brooke Shields tinha CATORZE, isso mesmo camarada, CATORZE anos quando participou do filme. Em outras palavras, você está invariavelmente destinado as profundezas do reino de Satanás.
Apesar de toda essa papagaiada sobre inocência e sei lá mais o que eles estavam tentando realmente dizer, a única lição duradora aprendida através do filme é “senhor deus, por favor me permita ser vítima de um naufrágio que me confine a uma ilha deserta com a Brooke Shields”.
Nem vou procurar vídeos pra ilustrar esse item da lista, embora eu tenha certeza inabalável que metade dos que estão lendo este post já correram pra aba vizinha no Firefox pra procurar clipes do filme.
SEUS PEDÓFILOS.
Semi-legalidades do filme à parte, A Lagoa Azul se tornou um ícone das sessões de cinema no SBT, a ponto de que o filme passou a ser visto quase como uma espécie de ritual de passagem de virilidade. Todo moleque recém-chegado à puberdade irá em algum momento assistir A Lagoa Azul na esperança que a dublê de corpo da Brooke Shields se descuide com o vestuário ou mostre a bunda pra câmera num momento de distração. E aprendemos a dolorosa lição de que libido vem frequentemente acompanhada de uma insuportável frustração.
Efeitos a longo prazo: A Lagoa Azul tornou impossível que qualquer um de nós visse a Brooke Shield com respeito. A mulé já tava fazendo softcore porn (preguiçosamente disfarçado de sei lá qual era o disfarce proposto por esse filme) aos CATORZE anos, é verdadeiramente uma surpresa que ela não tenha se reduzido a oferecer favores sexuais em troca de chicletes na esquina.





Catorze anos? A Brooke Shield tava fazendo softcore aos DOZE anos, num filme que faz papel de prostituta (com DOZE f***ing anos!) e sem dublê de corpo, amigo. Procura por Pretty Baby. Ta, pronto, esse: http://en.wikipedia.org/wiki/Pretty_Baby_(film) Pretty Baby owna a Lagoa Azul de longe em termos de mandar marmanjo pro inferno por pedofilia disfarçada.
parabens pelo conteudo do seu site ,muito bom mesmo, vista o meu
ttp://manual.do.adolescente.zip.net/
kkkkk hoje em dia é tudo mais fácil. HAHAHAHA
Minha cabeca EXPLODIU agora… Tem um comentario do @cardoso nesse post! Vcs ja foram amigos um dia?! kkkkkk
Rá, o último é um clássico kkkkkkkkk
Lagoa azul ainda passa até hoje na sessão da tarde da globo! Uma vez por ano.