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Top 5 desejos infantis que eu consegui realizar

Postado em 10 dezembro 2009 Escrito por Izzy Nobre 236 Comentários

Eu tenho apenas 25 anos e já abracei completamente as obrigações da Vida Adulta. Pro contexto canadense isso é completamente padrão mas no Brasil com essa idade eu provavelmente ainda estaria vivendo na aba dos pais e pulando de estágio em estágio, tentando arrumar aquele mítico “emprego de verdade”.

Antes de mais nada quero deixar registrado que por aqui também temos muitos losers desempregados de 25-30 anos parasitando papai e mamãe. Ou seja, não se estressem pensando que estou ufanizando o Canadá. Só quero dizer que por aí é mais complicado prum cara jovem ser 100% financeiramente independente; não há tantas oportunidades. Ok?

Então.  Tava pensando nessas de crescer e tomar um rumo na vida, que é uma realidade que todos nós da geração Thundercats/Pense Bem/Passa ou Repassa/álbum de figurinhas do Brasileirão/Super Nintendo/Xou da Xuxa estamos passando simultaneamente, quando fui atingido pelo pensamento de que uma das grandes certezas da vida, além da inevitável morte, é que a grande maioria dos nossos planos e aspirações pro futuro acabam não se concretizando.

É uma realidade inescapável que, por incompetência própria ou por fatores fora do nosso controle – e acho que todos nós podemos culpar ambos igualmente por alguns de nossos fracassos -, a maioria daquilo que a gente espera da vida acaba não dando certo.

Minha vida acadêmica no Brasil, por exemplo, foi uma completa perda de tempo. Eu planejava obter um diploma de Bacharelado de Física e me tornar um pesquisador na área, mas no fim das contas mal cheguei ao quarto semestre.

Eu não esperava que iria perder o interesse pela matéria e ir embora do Brasil antes de completar o curso. Ou seja, um plano que foi completamente por água abaixo, a despeito de todo o esforço e planejamento investido em ser aprovado em uma faculdade federal.

Idem com meu relacionamento com minha ex. Após 3 anos de namoro, ficamos noivos às vésperas da minha vinda ao Canadá, e eu planejava traze-la pra cá. Eu não teria como prever que menos de duas semanas após minha viagem ela já estaria me chifrando. Mais um plano que foi na descarga.

Esses são apenas dois exemplos, mas eu certamente não preciso te convencer da idéia que muito daquilo que a gente planeja acaba dando merda.  Tenho certeza que a essa altura você já está pensando nos seus próprios planos que foram por água abaixo por uma pisada na bola ou por acaso do destino. Guarde-os aí na cachola, porque quero que você os conte pra gente lá nos comentários.

Então. Eu tava nessa de avaliar minha breve existência e rindo de todos os planos – dos mais triviais aos mais importantes – que acabaram nunca saindo do papel ou, na pior das hipóteses, saindo completamente pela culatra. Todos os fracassos, todas as frustrações, todos os ansejos completamente inatingidos.

Aí me deu um estalo súbito. Uma realização que eu jamais havia tido antes na vida, e que me deixou tão feliz que eu abri um sorriso de orelha a orelha que ficou instalado na minha cara o dia inteiro.

Eu me tornei exatamente o adulto que eu queria ser quando era criança/adolescente.

Depois o choque inicial, quanto mais eu pensava nessa descoberta, mais eu me surpreendia por ter demorado tanto pra chegar a ela. Acompanhe abaixo esta listinha dos meus maiores desejos de infância e você entenderá por que passei o dia inteiro rindo.

Quando eu era moleque, o que eu mais queria era…

Ter um computador só pra mim

Meu pai sempre foi fissurado em tecnologia e por isso computadores eram tão comuns em nossa casa quanto televisores. Entretanto, ao contrário de uma televisão, nos anos 90 ninguém podia se dar ao luxo de ter mais de um Pentium 133mhz com 32mb de RAM em casa.

Por causa disso eu amarguei uma longa infância de uso limitado do computador e da internet. Meu pai dividia entre os membros da família os períodos de uso (nunca mais que 2 horas de cada vez pra cada um), e como eu já era viciado na internet desde então, era uma pura agonia.

Quando penso nas teorias relativísticas de dilatação do tempo, me lembro daquelas tardes nos fins de semana de pulso único. Minhas duas horas passavam em 3 minutos; as dos meus irmãos demoravam quatro séculos.

Observar meu irmão desenhando no Paint quanto eu poderia estar usando aquele tempo online (que era limitado a dois dias por semana, lembrem-se) pra invadir incautos com o Netbus e rindo do crime com os amigos no mIRC era de ferver o sangue.

E hoje eu tenho não apenas UM computador só pra mim, mas TRÊS – um desktop que comprei pra servir como Media Center, um netbook pra faculdade e pro trabalho, e mais recentemente um desktop pra uso “principal”.

Ter todos os consoles disponíveis no mercado

Você conhecia alguém que, durante a geração SNES, tinha todos os consoles do mercado? Não me refiro a ter apenas o SNES e o Mega Drive, esses felizardos eram poucos mas existiam. Tou me referindo a ter TODOS – Game Boy, Game Gear, Neo Geo, PC Engine, etc.

Isso era um sonho absolutamente inatingível. Nossos pais já não conseguiam entender a necessidade de comprar um console novo a cada 4 ou 5 anos (uma prática sem sentido quando eles comparavam com outros eletrônicos, como TVs ou videocassetes que duravam eternamente), que dirá então ter múltiplos consoles.

Pros nossos pais, ter um Mega Drive e um SNES plugados na sua televisão fazia tanto sentido quanto ter dois microondas, um do lado do outro.

Foi essa impossibilidade que deu início às clássicas console wars do nosso tempo de criança. Uma vez que você escolhia seu console – ou nos casos mais infelizes, quando seus pais escolhiam por você -, era uma decisão cravada em pedra.

Saber que você jamais seria dono do console concorrente provocava um forte sentimento de defesa do videogame escolhido, e isso perdura até hoje. No caso, eu tive a sorte de que meu pai escolheu comprar o mesmo console que eu já queria – um SNES.

Hoje eu tenho o privilégio de ter posse de todos os consoles disponíveis no mercado. Se eu pudesse viajar no tempo e dissesse pra mim mesmo quando criança que em 15 anos eu teria todos os consoles que quisesse, o eu do passado borraria as calças de emoção.

E pediria pra ser criogenizado pra não ter que esperar os 15 anos.

Ser conhecido por escrever

lulz

Optei pelo termo “conhecido” porque é o mais humilde, usar “famoso” no mesmo contexto ia soar muito iludido e presunçoso.

Quando eu era criança – e isso é algo que explico no prólogo do meu livro (sim, estou escrevendo um livro) -, eu sonhava em ser um autor famoso. Lendo meus autores favoritos (Michael Crichton e Monteiro Lobato), eu imaginava quão FODA seria se um dia, pessoas que eu nem sei que existem conhecessem meu nome por causa do que eu escrevo.

Quando entrei em contato com blogs em 2001 ou 2002 e vi outros caras da minha idade que postavam na internet histórias sobre seu dia a dia com pitadas de humor, e vi que eles arrebanhavam uma verdadeira legião de seguidores por causa isso, meus olhos brilharam.

Entre os grandes nomes da blogagem Velha Guarda estavam os primos Rafael e Thiago Capanema, que recebiam algo em torno de 40 ou 50 comentários por post. Na época a esfera blogueira não era tão bem estruturada como é hoje, número de comentários eram nosso único medidor de importância virtual.

E 50 comentários era coisa pra caralho. Os primos Capanema eram SUPERSTARS aos meus olhos.

Comecei um blog diarinho ridículo naquela época, mais ridiculamente ainda entitulado “Casa dos Bloguistas”. Sim, eu senti vergonha de mim mesmo ao relembrar esse detalhe sórdido da minha “carreira” internética.

Não havia nada ali que alguém devesse ler, mas com o tempo eu passei a contar histórias que interessaram alguém, e essse alguém contou pra outra pessoa, e assim por diante. Dezenas de visitas diárias viraram centenas, que viraram milhares.

Hoje eu escrevo uma bobagem qualquer sobre meu dia a dia e uma centena de vocês deixa feedback aí nos comentários e linka pros amigos. Vez ou outra recebo um email de alguém que provavelmente jamais conhecerei dizendo que achou um texto do meu site legal e me parabenizando por isso.

E ainda mais surpreendemente ainda, hoje há pessoas que me pagam pra escrever.

Claro que é uma escala infinitamente menor que o sucesso do Lobato ou do Crichton, mas é algo que alegra meus dias.

Aliás, cabe mencionar aqui que eu leio CADA comentário postado. Não respondo por falta de disposição, mas pode ter total certeza de que seu feedback não passou batido.

Ter uma conexão constante à internet

Essa molecada de hoje que cresceu sem jamais ouvir o barulhinho de handshake de um modem dial-up é sortuda demais. Naqueles primórdios, usar a internet todo dia era um privilégio permitido apenas a funcionários de provedores de internet. Lembro que quando eu acessava o canal de IRC da minha cidade durante a semana, só encontrava lá aqueles dois ou três amigos que trabalhavam na Elo Internet.

(E aí está uma referência que só os leitores maranhenses entenderão)

Só podíamos acessar a internet na agenda do pulso único – ou seja, quando uma ligação telefônica não era tarifada de acordo com sua duração. E nisso veio aquela cultura de ficar acordado até meia noite pra jogar Quake com os amigos com lag de 50 segundos ou baixar jogos crackeados divididos em setecentos arquivos .ZIP e programando o GetRight pra desligar o PC às seis da manhã, que era a hora em que o pulso único acabava.

Eu tava tão acostumado a limitar meu vício internético aos fins de semana e madrugadas que nem conseguia imaginar como seria usar a internet todo dia, a qualquer momento.

E hoje eu não apenas tenho internet constante (até mesmo no meu celular, algo que na minha infância era uma invenção recente), mas de uma velocidade que eu jamais teria imaginado possível naquela época.

Com a conexão devagar e instável, pegar uma única música era uma tarefa que às vezes era parcelada ao longo de vários fins de semana. Baixar filmes, embora tecnicamente possível, era completamente impraticável. Baixar um único filme, um fim de semana de cada vez, poderia teoriamente demorar anos.

Hoje eu baixo um filme em menos tempo que demora pra achar o DVD na prateleira e colocar no aparelho. Isso é total e completamente DUFUTURO.

Poder trepar em casa sem medo de ser pego pelos meus pais

Lá pelos meus 14 ou 15 anos, arrumei minha primeira namoradinha que não se chocava quando minha mão boba explorava áreas femininas que eu só conhecia através do formato .jpg.

Eu achava que seria o fim do meu cabaço, mas eu havia esquecido de outra constante nessa equação – meus pais.

Venho de uma família extremamente religiosa e não preciso explicar pra vocês que meus pais provavelmente estavam pensando na mesma coisa que eu, porém sem compartilhar minha empolgação.

Meus coroas até estabeleceram a ordem – que eu vivia quebrando – de que era absolutamente inadmissível que eu e minha namoradinha nos encontrássemos na minha casa sem a supervisão deles.

E aí entra o MacGyverismo infantil.

O portão automático da nossa garagem demorava mais ou menos 20 segundos pra abrir completamente e permitir a entrada da Parati do meu pai. Com isso meus progenitores perdiam o elemento surpresa; eu e a minha namorada da época nos tornamos especialistas em nos vestir em tempo recorde.

Aquele rangido das engrenagens do portão era essencialmente um disparo de largada de corrida de 100 metros rasos. Sobrava tempo até pra abrir as janelas do quarto e ligar o ventilador pra secar o suor e expulsar do quarto aquele característico cheiro de sexo misturado com latex.

Hoje, dono do meu nariz e de um contrato que me dá permissão de morar em meu apartamento, posso fornicar com minha mulher em cima do fogão, se eu assim desejar.

Quero que você entenda o seguinte – estes não são objetivos finais pra vida de ninguém, e não estou me gabando por eles nem achando que sou completamente realizado por causa disso. Tudo que eu citei aí acima é algo que praticamente qualquer pessoa da nossa idade e degrau social tem.

Eu queria apenas tentar ilustrar pra você a conclusão a qual eu cheguei quando pensei nisso tudo – que às vezes você já atingiu certos objetivos que podem parecer triviais hoje, mas há alguns anos teriam te enchido de felicidade.

E é curioso pensar que aquilo que você almejava alguns anos atrás poderia um dia se tornar uma parte tão trivial da sua vida que você nem percebe que realizou desejos outrora impossíveis. Mudança de perspectiva é isso aí.

Como falei antes, nenhuma destas “conquistas” é algo realmente relevante e nem motivo de ostentação; tenho certeza que muitos de vocês já os alcançaram também. Não é nada pra se gabar.

É que eu não consigo parar de sorrir ao me imaginar voltando no tempo e contando pro Kid de 15 anos atrás que tudo que ele tanto queria seria não apenas conquistado, mas se tornaria tão lugar-comum que até passaria pra segundo plano e que novos objetivos tomariam seus lugares.

Moral da história? Todos nós temos algo hoje que, não tanto tempo atrás, nos fariam incrivelmente felizes. É uma euforia boba, mas perceber isso causa alegria de qualquer forma.

Tenho vários novos objetivos pro futuro, e sem dúvida uma boa parte deles eu não alcançarei. É uma inevitabilidade da vida.

Mas o raciocínio por trás deste texto é que há uma grande chance de que, daqui a dez anos, muita coisa que eu almejo hoje se torne parte fundamental da minha vida, a ponto de que eu nem perceba que atingi esses objetivos. E isso é o suficiente pra me fazer sorrir hoje.

Dê uma olhada aí em volta. O que você tem hoje que te faria MUITO feliz dez anos atrás?

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Categorias: Minha infância

236 Comentários \o/

  1. Camila disse:

    Depois de ler todo o texto, entendo porque fosses chifrado.hehee

  2. Eduardo Tello disse:

    Melhor texto EVER! Nunca vi algo tão verdadeiro e que me fez pensar em como era nos anos 90, ter a minha idade, 15 anos.
    Eu usei MUITO internet discada apenas nos fins de semana. Até hoje lembro do barulho do dial-up. Ás vezes eu deito na cama e começo a lembrar de como era a divisão de tempo no Pentium 166MHz com 32MB de RAM em casa. Eu lembro que demorava mais de uma hora pra baixar o Windows Media Player 9 no meu Windows 98.
    Kid, melhor texto seu esse. Gostei!

  3. Tonny disse:

    Eu tava quase sorrindo com esse texto, mas daí percebi uma coisa: além de não ter realizado absolutamente NENHUM dos meus “sonhos” de 10 anos atrás, e desses aí que vc falou eu só tenho computador e internet (e o computador na verdade é um netbook =/). Ou seja, mó derrota minha vida até agora, só conquistei coisas que eu não queria, ou que não me deram muito trabalho =(
    [sobe o solo triste de violino]

  4. stripolias disse:

    que bonitinho. mas é verdade, é a máxima do “eu quero sempre mais”. Sempre terão objetivos a serem alcançados, senão, qual a graça de viver? só desfrutar da felicidade sem buscar mais felicidade, aquela a qual não experimentamos ainda?

    quando eu quero piveta coisas que eu queria fazer/ter e já fiz/tive: beijar na boca (tenho 23 anos e já tive dois namorados, fazer isso é absolutamente normal. haha), sair do país (morei um mês na argentina e fiz um mochilão de 40 dias pra europa), dirigir (ok, ainda não 100%, mas sou habilitada e tenho um veículo automotor pra chamar de meu), usar salto alto (coisa de mulher, saca?) e comer sobremesa antes das refeições (afinal, agora minha mãe não briga mais comigo, eu não vou deixar de ingerir vitaminas necessárias mesmo tendo comido um pedaço de bolo antes. COisas pequenas, né? mas ainda quero muito mais. haha!

  5. Thallis disse:

    Lá pelos meus 14 ou 15 anos, arrumei minha primeira namoradinha que não se chocava quando minha mão boba explorava áreas femininas que eu só conhecia através do formato .jpg. TRUE

  6. Thallis disse:

    MEUS OLHOS ENCHERAM DE LAGRIMAS IZzy, EU TENHO 19 ANOS …

  7. Alexandre disse:

    Tenho fé de que um dia eu terei esse mesmo pensamento que vc teve ao escrever esse texto cara ;)

    E só uma coisinha, mas que internet dos diabos heim, sem querer faltar com educação mas tambem sem conseguir segurar a curiosidade, quanto é a mensalidade dessa sua internet cara? ‘-’

  8. @jahminho disse:

    Aqui eu com 22 anos, sempre quiz ter um computador, desde que eu ficava em lan houses, sempre quiz ter um para mim, pois era realmente um saco, aquela algazarra vc usava com um relativo desconforto as maquinas eram ruins, travavam direto, e tinha o problema das horas, já que você tinha que pagar por elas na época era coisa de R$ 2,00 por 1h de uso, mas hj finalmente tenho meu desktop aqui onde eu posso ver o site que eu quiser e na hora que eu quiser sem ninguém para encher o saco, e sem risco da hora acabar, mas ainda tenho outro pequeno sonho que é ter um videogame hj eu me contento jogando um psp mas ainda quero ter um videogame, deve ser porque nos meus 15 anos todos meus amiguinhos tinham um em casa e eu sempre ficava de fora dos assuntos gamers, simplesmente por não ter um, mas ainda eu comprarei o meu.

  9. Doze disse:

    Bom, acho que pro pessoal de 18 anos como eu. Ter um celular era como um: Sou fodão e popular. E hoje passa batido.

    Apesar de ainda morar com meus pais, e receber mesada deles, pode escolher as próprias roupas já é algo inimaginável a uns anos atrás.

    Assim como beber e fumar sem me encherem o saco (mais ou menos).

  10. Daniel disse:

    Clap clap clap!
    Tens mérito pelo item “Ser conhecido por escrever”! A meu ver, pode citar isso sem problemas!

    E realmente, aos meus 23 anos e independente financeiramente, morando em uma cidade longe e ajudando com algumas contas bestas da minha casa-natal, sinto essas “conquistas” que citou…algo que antes era épico, hoje vira óbvio e necessário.

    Enfim, a vida ainda tem mais “Achievements” para conquistar!

  11. Yuri disse:

    tudo que eu queria, demorou taaaanto para realizar, que eu já nem quero mais.

    minha infância foi tipo um estado de estupor, eu simplesmente NEM TINHA DESEJOS e se tinha um desejo inalcançável (como um salgadinho tal) não pedia. Nunca pedi nada. Passava um quinto do ano doente.

    Com uns 12/13 anos meu sonho era comer PASTEL e COMPRAR GIBIS (já tinha que me compravam, talvez a única coisa que eu gostava e me compravam)… quanta inocência. Nunca ganhei nem meio centavo.

    Hoje tô com 21 anos e só agora começo a ter mais desejos, mas não consegui realizar nem um décimo de algum deles. Sou uma criança grande, minha vida é tipo a mesma de quando tinha 14 anos, a única diferença é pegar transporte público.

    Fica uma dica aí pro pessoal mais novo: NADA MUDA. Se tu és um merda agora com 14/15 anos, continuarás a ser um merda, a não ser que mude TODOS os seus valores, se tranforme em outra pessoa. Encarna um personagem e tenha frieza, desapego e retidão. Não se apaixone (a explicação não cabe aqui, mas não faça isso).

    A vida é sem dúvida uma merda sem tamanho.

  12. Jey disse:

    Cara, zanzando pela internet (quando na verdade deveria estar escrevendo minha monografia), não sei como vim parar aqui no seu blog. Li vários dos seus posts. Todos muito bons. Confesso que fiquei com preguiça quando vi o tamanho do primeiro, mas a narrativa era tão envolvente que o scroll foi rolando sem esforço.

    Esse post me fez pensar que (além de te dever parabéns e um feedback pelo seu texto) tem muita coisa hj na minha vida que é tão comum, mas eu não imaginava há dez anos atrás, quando eu era apenas uma menina sem graça de 14 anos, que acabara de perder o pai, iniciando o Ensino Médio e um cursinho de informática, onde DOS e Windows 98 eram os assuntos mais importante.

    Há 10 anos eu desejaria ter meu próprio PC e uma máquina fotográfica, aquelas com filme em rolinhos. Também sonhava em iniciar a faculdade, que deveria ser pública, já que minha mãe não tinha dinheiro pra pagar uma particular.E meu maior sonho (ah.. o maior sonho) era estudar fora. Me imaginava nos corredores daqueles centenários colégios ingleses. E chorava quando o devaneio passava e eu sabia que isso não estava próximo da minha situação.

    Hj, com 24 anos, essa pequena termina a faculdade de Desenho Industrial em uma das melhores escolas de design da América Latina, em uma universidade estadual.Esse mês completou 4 meses que eu estou de volta ao Brasil, depois de um intercâmbio (com tudo pago pela minha faculdade :]) em uma famosa escola alemã. A menina que sonhava apenas em estudar fora, fez mais que isso. Conheceu Paris, Londres, Amsterdã e outras dúzias de cidades europeias. Voou de avião, fez novos amigos, provou novos sabores, teve poucos e grandes amores.

    Computador? 2: um desktop e um laptop. Câmera? Uma profissional. Carro? Tão logo eu pare de enrolar a auto-escola. Posso arcar com muitas das contas da casa pra ajudar minha mãe. E pra quem não tinha nem mesada, ter um salário razoável e 4 cartões de crédito com um limite legal, é MUITO LEGAl!

    Mas os bens materiais não são nada comparados a pessoa que me formei. Ao caráter que minha mãe se empenhou em me ajudar a construir. Os amigos que são verdadeiros irmãos; até mesmo aqueles que deixei lá do outro lado do Atlântico. Ralei muito, suei e fiz valer a pena cada momento que me trouxe até aqui.

    Izzy, obrigada por me fazer refletir sobre tudo isso. Sucesso aí no Canadá (e no restante do mundo, pq não?) Depois posta alguma coisa sobre como foi sua chegada e coisas brasileiras de que vc sentiu falta aí. Se vc já fez, desconsidere. Não ví o blog todo.

    Bj grande

  13. Tablito disse:

    quando tinha lá por 15 anos, sempre quis entrar em uma balada e encher a cara (com uma smirnoff ice é claro)…

  14. T.K. disse:

    Primeira visita aqui no blog e caiu num momento bem pra baixo da minha vida, tão pra baixo que não consigo pensar em nada que tenha sido realizado.
    Um dos meus primeiros sonhos de infância (que me lembro) era fugir de casa; fiz cartas de despedida, planos de roubar dinheiro e comida mas nunca fugi. E ainda estou aqui, com 18 anos, totalmente dependente dos meus pais e sem perspectivas próximas de mudança, não muito diferente de uns 10 anos atrás.
    Gastei quase todo dinheiro do meu tão sonhado primeiro estágio pagando cursinho pré-vestibular e acho que foi em vão. Divido pc, quarto, TV e todo o resto da minha vida…
    Ainda quero muita coisa e espero que daqui há 10 anos eu possa me orgulhar das minhas conquistas mas hoje, exatamente hoje, não consigo me ver de outra perspectiva a não ser a de derrotada por suas próprias fraquezas.

    Gostei bastante do seu texto; volto com certeza. Beijos!

    E, a propósito, morri de inveja da sua internet!

  15. andré disse:

    eu te ouvi hontem no programa horaculo jovem pam
    esse cara tem uma historia legal de vitorias
    eu me identifico com isso pois eu até os 19 anos eu era um nada da vida,sem pc sem namorada tinha uns bens avaliados em 200 reais uma bicicleta velha,e um mega drive, era um pobre otario, hoje com 22, comecei a trabalha com 20, e ganho pouco mais de mil conto por mes, no lugar de uma tv de 20 agora tem uma lcd de 42polegadas com um ps3 e mais 240 jogos (o meu é desbloqueado) ainda falta a moto, e a namorada acho que mais um ano eu consigo essas paradas.