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Um exemplo de como a infância deixa marcas psicológicas na sua vida adulta

Postado em 11 August 2012 Escrito por Izzy Nobre 44 Comentários

Aqui na América do Norte estamos chegando na reta final da chamada “summer season”. Além do calor característico da estação climática, a temporada marca também o lançamento dos blockbusters do ano.

Hollywood escolhe essa data porque além dos estudantes estarem de férias e terem mais tempo livre (e de serem o demográfico que mais vai ao cinema), as pessoas em geral se sentem com mais vontade de sair de casa graças ao clima ameno. Ou seja, variáveis benéficas pra garantir a maior arrecadação possível dos filmes que custam mais pra fazer.

E sempre que aparece um filme que eu quero assistir  — e teve vários esse ano: Avengers, Prometheus, The Dark Knight Rises, Total Recall, Katy Perry: Part of Me 3D –, eu sinto uma leve agonia, um sentimento de urgência irresistível.

Só que não é (só) por empolgação de ver o filme. O motivo dessa ansiedade, eu percebi recentemente, é um pequeno trauma de infância.

Eu, em 1990

É o seguinte. Desde molequinho, eu era muito fã de cinema. Meu pai — que já tinha o hábito de nos levar pro cinema, embora não fosse algo tããão frequente assim — foi um dos primeiros da turma que adotou o videocassete. Com isso, eu era um dos únicos moleques que eu conhecia (talvez o único) que tinha uma coleção imensa de filmes em VHS em casa. Quase todas as minhas brincadeiras de criança se resumiam em simular cenas de filmes de ação com meus Comandos em Ação. Nossa, que repetição de termos escrota.

Enfim. Lá pelos meus 11 ou 12 anos, quando comecei a ter idade pra sair com a patotinha, o que eu mais queria fazer é ir ao cinema. Só que ir ao cinema naquela época era meio complicado, porque dependia de inúmeros fatores (e cada um deles fora do meu alcance):

Primeiro, tinha que ter o dinheiro pra ir ao cinema. Não lembro se eu já pagava meia-entrada na época; ainda que sim, essa era uma época de pobreza pessoal — no sentido de que eu não tinha renda alguma. Pegava um ou dois reais aqui e ali pra comprar lanche na escola e . Então, ir ao cinema requeria planejamento; eram dias sem comer na escola pra angariar o suficiente para a entrada e a pipoquinha.

E se sobrasse dinheiro, uma caixa desta belezinha aqui

Então, não eram todos os filmes que eu podia ir assistir. Tinha que escolher sabiamente, e vários filmes que eu queria tanto ver entravam e saíam de cartaz sem que eu os visse.

Em segundo lugar, tinha que organizar a logística da saída com a turminha. Éramos todos crianças e, como tais, a autonomia de nossos planos era muito reduzida. Tudo dependia do resto da turminha arrumar o dinheiro, e poder sair de casa naquele dia/hora, e ter carona pra ir e voltar do cinema (nessa época ainda éramos muito novos pra pegar ônibus sozinhos). Ir pro cinema sozinho é meio deprimente, e todas as estrelas tinham que se alinhar pra que a turminha pudesse sair junta.

E em terceiro lugar, além da simples logística do encontro com a galera no cinema, tinha também a questão dos gostos conflitantes. Curiosamente, eu tinha o que podia se chamar de gosto “refinado” na época. Não gostava de comédias babacas, por exemplo — eu senti um desgosto incrível em 1994 quando Debi & Lóide foi eleito pela turma da classe como o melhor filme do ano, e no ano seguinte quando Ace Ventura 2 recebeu a honra. E quando a turma insistia em ver esse tipo de filme, eu ficava em casa mesmo.

(A ironia é que hoje eu adoro comédias imbecis; elas servem bem pra escapar da agonia diária que é a vida adulta contemporânea e a condição humana.)

Como você pode ver, as estrelas tinham que se alinhar perfeitamente pra que eu pudesse ir pro cinema quando eu mesmo queria (ir com os pais era bacana, mas não é o mesmo efeito de ir com o pessoal, e não era tão frequente assim também).

Isso acabou me imbuindo em mim a noção de que ir ao cinema pra ver o filme que EU quero ir é algo difícil de fazer acontecer. Ou falta dinheiro, ou não há carona, ou os amigos estão sem grana, ou indisponíveis naquele dia, ou querem ver algo que eu não quero. Era meio raro finalmente reunir todo mundo pra ir ver alguma coisa.

Por isso, quando um filme que eu quero muito ver aparece em cartaz, eu sinto um desespero primordial em ir ve-lo o mais cedo possível. Em alguma área escondida do meu cérebro habita ainda aquela noção de autonomia infantil limitada, o que se manifesta num desejo incontrolável de assistir TUDO que aparece em cartaz.

E mais: tento fazer a melhor experiência possível: chego cedo pra pegar os melhores assentos e ver todos os trailer, compro toda aquela comida absurdamente cara, compro os docinhos que patroa tanto gosta, geralmente ainda a levo pra jantar depois, esse tipo de coisa.

Ir pro cinema aqui é consideravelmente caro: cada ingresso custa entre 12 e 15 dólares, os lanches (um sanduíche, refrigerante e batatas fritas) ficam por volta dos 15 dólares também, e por um pacote de M&M que custa CAD$1,50 em qualquer outro lugar os cinemas costumam cobrar o dobro. Como eu costumo pagar tudo pra patroa, uma ida ao cinema me custa facilmente uns 60-70 dólares (isso quando não vamos jantar algumas horas após o filme).

Mas eu não tou nem aí. Ir ao cinema é uma daquelas coisas que eu não pude fazer o quanto queria, por causa da falta de independência dos tempos de criança, e hoje vou à desforra.

Aliás, nos tempos de vacas gordas (quando meu irmão morava com a gente, quando ainda não havíamos nos casado e não tinhamos um carro — fatores que nos faziam economizar MUITO dinheiro) eu cheguei a ir ao cinema 3 vezes na mesma semana.

Me contem aí as coisas que vocês não podiam fazer quando criança, e hoje fazem ao extremo.

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comments

Categorias: Minha infância

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

44 Comentários \o/

  1. Tales Rodrigues says:

    Sempre quis ser first em algum post.Acabo de conseguir mas vejo q é algo muito bbk

  2. Rafael Nicodemos says:

    Atualmente, tenho um amigo que é muito complicado de ir ao cinema com ele. A mãe dele é cheia de frescura e tal. Pra ter uma ideia, já aconteceu de termos que adiar o horário do filme mesmo todos estando no Shopping para comprar o ingresso. A solução que encontrei foi não convidá-lo mais. Realmente, sair com os amigos pra assistir um filme é meio complicado. Ainda tem a possibilidade de uma pessoa já ter assistido o filme antes, entre várias outras possíveis complicações.

  3. Marcelo Divê says:

    “(…) coisas que vocês não podiam fazer quando criança, e hoje fazem ao extremo (…)”

    Resumindo: comprar jogos de videogame.

    Quando eu era pequeno, comprar um jogo era uma situação improvável, algo que eu só conseguiria em datas muito especiais, como o natal e talvez, TALVEZ, no meu aniversário. O que me fez, durante a vida, ter sido dono de apenas 3 cartuchos de Super Nintendo. Outros jogos eram conseguidos na locadora.

    Hoje em dia, com a facilidade da internet e um cartão de crédito, compro qualquer jogo que eu queira, sem muita dificuldade.

    Ganhei mais jogos, mas perdi a emoção de ir na locadora e a ansiedade e explosão de felicidade ao conseguir um novo jogo.

    Mas… não nego que é muito gostoso poder comprar um jogo que você está muito afim sem ter que se preocupar com trocentos fatores que estão fora do seu alcance.

    • Daniel says:

      Digo a mesma coisa.

      Eu nem sequer me lembro de como consegui alguns jogos da época do PS1. Só me recordo que fazia até trocas com os amigos para conseguir algum que queria muito (claro, todos jogos piratas, mas tinha essa valorização com alguns títulos). A falta de informação sobre que jogo era bom ou ruim prejudicava muito, as compras eram feitas a esmo ou pela beleza da capa.

      Já hoje, como você disse, posso procurar reviews e vídeos na internet e comprar o jogo que quiser usando cartão de crédito. Isso sem contar com a importação -- eu jamais imaginaria que compraria jogos dos Estados Unidos ou mesmo da China.

    • Lucas Grabauskas says:

      Indeed. Tenho mais jogos no Steam do que eu e meus irmãos juntamos no N64.

      O custo atualmente é menor, o acesso é mais fácil e tem também o fato que eu ganho meu próprio dinheiro e não dependo de natal e aniversário pra ganhar jogos.

  4. z. Werneck says:

    Uma coisa que eu não podia fazer muito quando criança, e hoje faço ao extremo é andar de ônibus (não por opção própria, é claro…)

  5. Gabriel Silva says:

    “Katy Perry: Part of Me 3D”… Ah não, Izzy.

  6. Brian says:

    Não podia tocar instrumentos, hoje em dia toco bastante e tento criar música.

  7. Fábio Alves Corrêa says:

    Comer um pacote de chips SOZINHO. E não esses isoporitos fuleragem, mas sim Elma Chips e Pringles. Minha mãe a minha infância toda me deixava comer chips bem de vez em quando (o que manteve minha massa adiposa sempre baixa), e TINHA que dividir com os irmãos, senão era taxado de egoísta. Era um pacotinho de Fandangos para três irmãos. E ai se você reclamasse que era o Fandangos amarelo e não o vermelho.
    Hoje sempre que passo em frente a padaria depois do trabalho eu compro um pacote do sabor que eu quero, e como inteirinho, só eu, sozinho. Que beleza. Ah, e se cair um salgadinho no chão a brincadeira perde a graça.

  8. Vinicius Affonso says:

    “me imbuindo em mim”, olha a redundância Izzy!
    (Grammar Nazi)

    Aqui no Brasil é pior ainda o preço das comidas de cinema, a pipoca, que tem um custo muito baixo, é vendida a preços absurdamente altos, de R$10 a U$12 o pacote menor aqui na minha cidade.

  9. Vinicius Affonso says:

    O que eu mais aprecio poder fazer agora que moro sozinho é sair de casa na hora que quiser e independente do motivo, mesmo que seja pra andar de bicicleta às 3 da madrugada (sim eu faço isso às vezes).
    Gosto tb de poder comer qualquer bobeira na rua e não levar bronca quando chego em casa sem fome, minha mãe não gosta que eu fique comento muita porcaria e fica pior ainda se eu poderia ter comido outra coisa quando chegasse em casa.

  10. Helio says:

    fui uma vez ao cinema sozinho.
    uma experiencia pretendo evitar.

  11. Vinimzo says:

    Hoje o que mais faço pois não podia fazer quando era criança colocar apenas mistura no prato. As vezes vou ao self service e só coloco batata frita, filé de frango, Mini coxinha e coisas do tipo no prato. Nada de arroz feijão e salada.
    Pior que até gosto de arroz e feijão mas também gosto de ir a forra.

  12. André says:

    Nem sabia que ia ter um remake do Total Recall. Parece mais um Total Frescurall. O negocio tá 100% fresco agora. Engraçado como nos anos 90 e 80 o padrão filmes com personagens e atores fodões nivel Schwarzenegger, Van Damme, Jackie Chan ou até Keanu Reeves.

    Hoje o padrão são uns caras meio baitolas e com draminhas superficiais e retardados nivel Crepusculo. Agora tão até pegando filme badass do passado e refurmulando pra se enquadrar nessa onda de filmes emos com personagens chorões e covardes de hoje em dia. LOL.

  13. MH says:

    Hmm.. Bom texto.
    O que eu mais me excedo hoje em relação à minha infância (lê-se: 4 ou 5 anos atrás, já que ainda sou bem novo, mas pelo menos moro sozinho agora e caminho para independência cada dia mais xD) é a questão dos jogos… Era TÃO difícil conseguir comprar um jogo, porque meu pai sempre fechava a mão, afinal jogos sempre foram bem carinhos, e eu aprendi cedo que jogo pirata tinha sempre alguma merda, algum corte pra caber, ou alguma coisa que fosse foder o PC. Hoje acabo gastando toda a parcela que dedico do meu dinheiro pra lazer, em jogos ou hardware. Não muita coisa, mas sempre que tem um lançamentozinho maneiro e eu tenho dinheiro, eu posso comprar. Pra um guri que passou a vida toda como rato de locadora de videogame por causa da dificuldade em conseguir joguinhos ou um videogame/PC melhor, o meu eu hoje é praticamente um herói! haha

  14. Thais says:

    Uma coisa que não podia fazer quando criança era passar a noite inteira acordada/na internet, hoje faço isso direto. Tb meus pais não me deixavam ir em nenhum show qdo era Adolescente e agora eu vou sempre que o $ deixa.

  15. Gisele Melo says:

    Kate Perry -- Part of Me 3D??? huahauhauahua!

  16. Cassio Takagi says:

    Olá Izzy.Sempre leio os seus posts mas nem sempre comento.
    Porém devo dizer que é realmente delicioso,ler os seus posts ainda mais que vários deles batem com coisa que eu também sentia quando era criança.

    Sobre o texto de hoje,devo dizer que essa era uma das minhas frustrações quando eu era criança também.
    Hoje em dia assisto tudo que dá,como uma forma de aliviar esse trauma de infancia talvez?

    Uma coisa que eu faço hoje que não podia antes é colecionar Transformers.
    Só após o lançamento do primeiro filme eu comecei a colecionar.Ainda bem que a patroa não encana muito comigo.

    Continue com os bons posts.

  17. Sair quando eu quero e ter opinião própria, provavelmente é isso. Obviamente tem outras coisas, mas saber que posso ir pra onde eu quero quando eu quero e dizer “sim” ou “não” para o que eu bem entendo é uma das poucas vantagens de não ser mais uma criança.

  18. Adolf says:

    INTERNET! Antes tinha que dividir computador com o irmão, só podia usar durante o FDS e era controlado por causa do preço da ligação.

    Hoje acesso pelo celular a 50km de distância da cidade de 30.000 habitantes onde vim trabalhar.

  19. Newton says:

    Ir em lanchinhos com os amigos ver jogos ou as vezes só jogar conversa fora mesmo. Antigamente o que impedia era grana, mas todos da nossa turma chegaram na fase de trabalhar

    Também, ter autonomia pra comprar o videogame que eu quiser mesmo que tenha que fazer um esforcinho pra deixar uma grana.

    Ainda moro com meus pais, mas a grana do meu trampo é toda minha, então, enquanto não começo uma faculdade, vou gastando só com lazer mesmo e não me arrependo.

  20. Enrico says:

    Acho mais plausível você querer ir rápido ao cinema para não ser bombardiado por spoilers!

  21. Muito toddy no leite!

    Minha mãe só deixava colocar uma colher de chá rasa e minhas primar tomavam toddy preto que nem a foto do rótulo.

    Hoje tomo pouco toddy, mas quando tomo, é com toneladas de toddy.

  22. Gabriel says:

    Ei, Izzy, pra quem disse que não iria mais revelar tanto sobre coisas pessoais, esse post tá no caminho inverso, hein.

    Por exemplo, acho que é a primeira vez que tu conta que morou com a namorada e o seu irmão ao mesmo tempo por algum tempo.

    Sem contar que esse post revela um monte de coisas sobre hábitos cotidianos teus em diversas fases da vida.

    Mas eu já tô ligado que tu é um fuleiro mesmo nas promessas que faz no HBD, 🙂 . Eu lembro de um post em que tu promete que vai parar de andar de ônibus e passar a caminhar, parar de comer tanta fast food e se alimentar melhor, tudo isso pra emagrecer e voltar a dar tesão à patroa. Eu realmente botei fé na época, até me inspirou a fazer um regime, mas pelo que a gente vê nos vídeos, acho que tu tais uns 10 ou 15 quilos MAIS GORDO que na época daquele post! E olha que a gente só vê o rosto e já repara, mas quando rolou aquele vídeo do parque de diversões no mês passado, numa cena no brinquedo do elevador, dá pra ver tu de costas e tá uma pêra gigante du caraio!

    Cara, esse comentário não pra te zoar, é pra dar um toque, e como esses toques funcionam comigo, eu tento passar adiante a proposta. Sério mesmo, emagrece uns 20 quilos e tu vai ver como tua auto-confiança aumenta absurdamente. Muito, mas muito mais do que quando você passa a se vestir melhor, como tu falou em outro post, que na verdade, boa parte do aumento da auto estima pelas roupas é pelo fato de parecer mais magro nelas, pra tu ver como o impacto é absurdo.

    E o principal, a pessoa passa a dar tesão aos outros novamente, isso sim levanta a auto-confiança do cara. Seja em voltar a secado por aleatórias na rua, ou por conhecidas que nunca tinha te olhado “assim”, como pelo fato do sexo com a namorada/esposa melhorar absurdamente. Aí alguém, mas “já é bom e frequente”, e eu digo “eu sei”, mas melhora uns 170%, só o fato do cara reparar que a mulher tá louca só de te olhar, que quer te comer inteiro quando você tá trocando de roupa, e que vem absurdamente mais instigada pro sexo.

    Depois disso, veio, até os projetos pessoais andam muito melhor, é impressionante, acho que sair da obesidade e entrar na magreza é único fator na vida de alguém que é capaz de melhorar automaticamente todos os outros (sexo, relacionamento em geral com a namorada/esposa, relacionamento com as outras pessoas, trabalho, projetos pessoais…). Enfim, não tô falando de gente que se deprimia com o bucho e voltou a se animar depois que emagreceu, mas de gente que sempre foi de bem com a vida e lidava com isso numa boa, mas que depois que emagreceu deu um salto de qualidade de vida em tantos aspectos, que nem se tocava o quanto isso era realmente uma merda.

    Putz, esse comentário era pra ser só sobre a história de tu não revelar mais tantas coisas pessoais, mas acabou que enquanto eu tava escrevendo tomou outro caminho totalmente diverso. Só espero que acabe sendo útil de alguma forma. =)

    • Izzy Nobre says:

      Agradeço o toque. No mais, contar que vou ao cinema com frequência ou que há 3 anos eu morava com meu irmão não são coisas que geram preocupação nem detalhes muito importantes.

  23. Ancelio says:

    Acho que o que eu não podia fazer quando criança, mas hoje faço ao extremo é ter os consoles e jogos que quero.
    Como você e o pessoal do 99vidas já comentaram várias vezes, naquela época não tinhamos escolha, pois os consoles acabavam sendo comporados por nossos pais e sendo o único que tínhamos acabávamos vestindo aquela camisa e defendendo com unhas e dentes, quando no fundo queríamos ter também todos os outros que estavam no mercado. Agora, depois de adulto, eu tenho a liberdade de comprar o console que eu quero. Seja um Atari ou um PS3 e os jogos que eu quiser, inclusive no lançamento.

    • Expedito Paz says:

      Na época que os consoles de 8 e 16 bits estouraram, eu pude escolher os que queria (preferi a Sega, tanto no Master System quanto no Mega Drive)… mas claro que não dava pra ter todos os jogos que queria, normalmente meus pais só nos davam algum nas datas especiais (aniversários, natal, dia das crianças) ou quando meu pai viajava a trabalho e trazia alguma lembrança pra nós.

      Hoje, podemos ter os jogos que quisermos, mas não temos o mesmo tempo pra jogar:/

  24. Marcus says:

    Tecnicamente ainda sou criança pela falta de independência (principalmente financeira), mas acredito que o que mais farei é ir à shows.

  25. gustav says:

    Ver pornografia(sério)
    Pode sair e ficar até tarde na rua

  26. Vinicius Brenny says:

    FAST FOOD NO ALMOÇO.

    Hoje, morando sozinho, posso comer sanduíches de Bolacha recheada com nutella por cima e refrigerante no café da manhã. Hamburger no almoço. Pizza no jantar.

    Enquanto minhas artérias não reclamarem e a mulher não me deixar por eu estar gordo demais, a única coisa que me regula é a grana.

  27. David says:

    Izzy, sempre fui fã de action figures e uma grande frustração minha de infância era o fato de não termos acesso a 1/10 das coleções de action figures dos desenhos que eu gostava e, muito menos, dinheiro para tal.

    Depois que passei a trabalhar e tive acesso ao eBay, sempre que posso, compro uma action figure que me agrade. Obviamente, por questões de espaço físico, passei a focar em dois tipos de coleção: os Transformers (os dos anos 80, não essas coleções de agora) e carros em miniatura de filmes. Além disso, ainda recebo apoio total da minha namorada nesse sentido, pois, assim que formos morar juntos, ela quer fazer uma estante na sala de visitas para eu colocar estes ítens em exposição.

    Um abraço e parabéns pelo casório!

  28. Po, pergunta dificil, heim Eazy?!
    É uma pergunta dificil pq eu fui um cara MUITO pobre. E ainda por cima com um pai foderoserrimo, mas meio afastado dessas coisas de tecnologia. Por exemplo, ralei tanto pra ganhar um videogame, queria tanto um atari, e o cara me deu um odyssey. Ate ele se arrependeu, tadinho do meu pai :oP

    Mas assim…quando eu era pirralho, nao podia NADA. Comecei a trabalhar com 12 anos, a consertar joystick de atari, traduzir pra portugues jogo de TK90X (ééé, os da logic software era eu que traduzia!), fazer pequenos reparos na area de eletronica…Ai fui “subindo de nivel” e passei a consertar computadores, com uns 16 anos eu tinha dinheiro pra ter 4 PCs dentro de casa, ligados em rede, com novell netware lite (lembram desse LIXO?) original…comprado na Ksoftware se nao me engano. Ninguem entendeu quando foi um pirralho de 16 anos na loja e falou “me dá 4 licenças do Netware lite”. E pagou em dinheiro.

    Entao, com 16 anos eu ganhava MUITO dinheiro. Pra um cara que veio do nada, eu tirava 2 a 3 mil dolares/mes. Eu podia fazer o que quiser, motel caro com a namorada, andar de taxi, comprar paradas caras, comer pizza toda terça e quinta que saia da Cultura Inglesa de madureira…Tipo, eu “cresci” podendo fazer o que eu quisesse.

    Ai eu sai de casa, fui morar no Espirito Santo. Minha casa era conhecida como “o parque de diversoes do Xandinho”. Tinha 11 (!) pinballs, tinha maquina de video, tinha daqueles caça-niqueis americanos, de alavanca (tao zoando? Tem fotos!), um monte de videogame na sala, e por ai vai.

    Hoje por exemplo, eu trabalho sozinho e moro em SP, me dei ao luxo de comprar uma passagem so de ida la pro ES, vou ver um amigo meu que nao ta bem de saude, “semana que vem eu volto”, sem prazo. Comprei uma maquina fotografica foderosissima ontem, um scanner HP com ADF hoje, e por ai vai

    A vida as vezes é meio vazia…É muito mais facil ter problemas tendo dinheiro (nao que eu tenha muito, mas o aluguel ta em dia), mas nao quer dizer que voce NAO TENHA problemas. As vezes eu sinto um vazio da porra…Isso acontece com todo mundo. Por outro lado aquele lance da “conquista” que é a mola que te move, broxa um pouco. Vou contar uma piada engraçada: Eu gosto de comprar sucata de informatica pra recuperar. Principalmente impressora laser. Ai semana retrasada eu comprei uma HP4100 em estado lastimavel…ta novinha agora, com duplexador, o maximo de memoria que ela pode ter (256 megas), placa de rede, HD…So nao tem alimentador de envelope pq eu nunca vou usar essa melda. Ai eu fui ver…”po, nao tem mais nada que eu possa comprar pra incrementar minha impressora” e deu aquele sentimento de vazio, de “achivement unlocked” e a brincadeira perdeu a graça. Saca “a jornada é a recompensa”?

    Entao esse negocio de “o que eu faço hoje que eu nao podia fazer antes”…Sei la, nao me lembro de algo que eu NAO podia fazer quando era pirralho, e agora posso. Eu sempre pude tudo…

  29. Thiago says:

    Izzy o cinema aqui tá na faixa dos R$25, some a isso a pipoquinha com refri +- R$20, depois uma pizza +- R$ 40 ou um jantar para 2 +- R$ 70.

  30. Flayshon says:

    O legal desse tipo de texto é que os comentários se tornam um post a parte 😀
    Ao contrário dos blogs de imagens com 43896549 comentários idênticos: “kkkkkkkkkkkkkkkkk”

    ====================

    Ainda não tenho independência total. Ainda moro com meus pais, mas já tenho uma grana do estágio na faculdade que me dá alguma autonomia para gastar com bobagens. Fora que eu já posso deixar o cabelo crescer, coisa que antes eles implicavam muito.

    O que ainda não tenho autonomia pra fazer e que vou me acabar quando puder: sair sem ter que dá satisfação e tocar instrumentos (comprei um baixo sem avisar essa semana e deu a maior confusão…tanto que ele tá guardado aqui e eu nem pude tocar ainda :/ ).

    Por falar em instrumentos…vê se volta a praticar! Dá uma aflição ver aquelas Epiphones só juntando poeira na parede do seu escritório :p

  31. tooruivan says:

    nos meus agora longe 11 anos ia muito ao cinema eu pagava a meia da meia oque era R$1,50 para ir ao cinema chegava a ir 2 vezes no mesmo dia. mais a complexidade de aranjar esses
    R$ 1,50 era enorme pois n recebia mesada e minha mãe trabalhava na escola então ela comprava o lanche fiado oque fazia o dinheiro não passar por mim então eu tinha que descolar sosinho: ja alugei fitas virgens (eu tinha gravava oque a pessoa queria ver pois tinha tv a cabo e cobrava menos que a locação na locadora), alugava HQs va que desda minha menor infancia sempre fui um aficsionado por superherois, entre outros servisos que consegia inventar.

    hoje vou muito ao sinema pois como pago meia aki em blumenau na quarta feira os filmes 2d são R$3,90 e os 3d são R$5,50. mais desde que sai da escola com meus 17 anos até ano pasado quando criei vergonha na cara e comecei uma graduação passei 7 anos quase sem ir cinema pois não avia concorencia e o unico cinema que tina cobrava R$18,00 por seção.

    Ps: viva a concorencia.

  32. Cap. Herculano says:

    andar pelado pela própria casa

  33. Bruno Melo says:

    Uma coisa que eu não podia fazer muito quando era criança e hoje faço ao extremo é sexo.

  34. maicol says:

    Booom..eu aos meus 8 anos era preso em casa e adorava quaze todo o tipo de flme e quando compre meu primeiro dvd..fikei facinado e feliz,,queria varios filmes..hoje em dia naao tenho tanto twempo e quanoc chego em casa..meu impulso é ir pra um computador..mais vou coomeçar a alugar filme ou comprar..parabenz izzy vc esta de Parabens belo video

  35. @alittlepoint says:

    Quando eu era pequena, eu ADORAVA ir ao shopping. Mas era bem complicado, na minha cidade não existem shoppings, e a gente tinha que ir à capital. Não é longe, mas eu e meus primos/amigos não podíamos ir sem a companhia de um adulto. Era bem difícil algum adulto estar disponível pra levar a gente, então essas idas eram realmente raras. Depois que cresci e pude ir pra capital sozinha, fui tanto aos shoppings de lá, que me cansei HEUAHEAUHE. Hoje eu não suporto shoppings, só entro quando necessário mesmo.