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Uma viagem pela minha infância, cortesia do Google Maps

Postado em 29 July 2014 Escrito por Izzy Nobre 50 Comentários

Eu estou de mudança, como já comentei no meu vlog. Tá uma bagunça absurda aqui no momento, e do jeito que eu e a patroa vivemos ocupados, mesmo no novo apartamento vamos ficar cercados por um stonehenge de caixas de papelão por alguns dias.

Photo 7-26-2014, 7 23 51 PM

Nossos últimos dias se revezam entre entre empacotar nossos pertences, e decidir de quais vamos nos desfazer. Uma mudança é uma boa oportunidade pra abrir mão de muita coisa que você vem guardando a anos sem motivo (“vai que um dia eu preciso” não computa como um bom motivo, vai por mim).

Todos os meus livros e DVDs, por exemplo, eu estou doando para a biblioteca local pois abandonei de vez a mídia física. As vantagens intangíveis (o tal proverbial “cheiro do livro” que alguns tanto valorizam) não chegam nem perto das vantagens objetivas e inegáveis de ter toda sua coleção de livros num aparelho que cabe no bolso. E sobre DVDs/Blurays, eu não consigo lembrar qual foi a última vez que eu assisti um filme em mídia física.

Photo 7-27-2014, 6 22 37 PM

Entre “ficar cheirando papel” e “migrar para o inevitável século XXI”, não me culpe por optar pelo segundo.

 

Ou seja, na prática, estou há anos entulhando minha casa com tralha inútil. Meus livros já estão todos no meu bolso, meus filmes estão divididos entre a nuvem do iTunes e o Netflix. Tá na hora de exercer o desapego.

Então, essa mudança iminente me fez pensar em todas as outras casas em que morei na vida — muitas dessas que foram o cenário das histórias aqui do HBD. Resolvi então dar uma pausa no encaixotamento dos meus pertences pra fazer uma retrospectiva de todos os locais onde morei na vida!

Vamos por partes:

A Casa Fodida

Essa foi difícil de encontrar. Como morei há MUITO tempo, a fauna residencial ao redor mudou muito, e foi difícil triagular exatamente qual era a minha casa. Pra achar a vizinhança foi relativamente fácil, já que ela fica a poucos quarteirões de distância da Casa Dos Meus Avós (já já chegamos lá). Mas enquanto achar a localização geral foi fácil, descobrir em qual dessas casas eu morei não foi.

Só saquei que era essa a casa quando atentei a detalhes quase imperceptíveis à primeira vista, como o tipo de janela usado nessa casa. Não sei como se chama, mas são aquelas que você puxa uma alavanca e tiras de vidro paralelas giram, permitindo a passagem de ar ou de uma criancinha de cinco anos. Já explico.

Por que eu a chamo de “a casa fodida”? Como você pode claramente ver, a casa não é lá essas coisas todas, e isso porque dos anos 80 pra cá ela foi bastante melhorada. A casa não tinha nem forro, e sempre acordava repleta de uma fina camada de poeira oriunda das vigas de madeira no teto — minha mãe suspeitava que eram cupins hiperativos.

1988 ou 1989, no jardim da Casa Fodida. Meu irmão à esquerda, eu na direita.

Só tínhamos um banheiro, e me lembro claramente de ter passado um bom tempo sem tampa no sanitário. Sanitário sem tampa é uma evidência inegável de família financeiramente fodida.

Essa casa, mais do que qualquer coisa na minha infância inteira, representava uma família humilde — uma época em que meus pais eram apenas jovem adultos sem uma carreira muito bem definida e com um futuro ainda incerto. É bizarro pensar que eu, hoje, tenho mais do que meus pais eram naquela época.

Aliás, vale mencionar aqui toda a minha família é de origem bem humilde. Minha mãe é filha de retirantes do interior do Ceará, o Seu Luiz (curiosamente, ele é xará do meu pai) e a Dona Cássia. Meu avô era o típico “faz tudo” que era tão comum no cenário popular de baixa renda daquela época.

Da esquerda pra direita: meu irmão, minha mãe, minha avó, meu avô, eu, minha tia. O objeto na mão do meu irmão era um aviãozinho de metal verde com dizeres “Lula Lá”, distribuídos na em Fortaleza pela campanha do candidato. Ou seja, essa foto foi tirada em 1989, e portanto eu tinha 5 anos; meu irmão, 3.

Seu Luiz fez de tudo pra pôr comida na mesa da família, de erguer muros sob o implacável sol cearense a matar porcos comprados na feira pra vender a carne. Minha avó também trabalhava informalmente como costureira, e completava o orçamento familiar fazendo salgados sob encomenda pra festas.

avos

Seu Luiz e Dona Cássia, em 2010. Felizmente ambos são ainda muito saudáveis, não bebem ou fumam e nem tem problemas graves de saúde.

Já meus avós de parte paterna são meio que uma incógnita pra mim. Se me lembro bem do folclore da família, meu avô (o representante comercial Luiz Felipe Santiago; “Luiz” era um nome popular no Ceará aparentemente), morreu quando meu pai era criança de colo. Minha avó, a dona Elisa Nobre, morreu quando eu tinha 5 ou 6 anos. Só tenho duas lembranças dela: uma, quando ela me presenteou com um saco de animaizinhos de plástico iguais a estes, e a outra de ir no cemitério durante uma noite chuvosa deixar flores na cova dela.

Voltemos à Casa Fodida, que ficava justamente a poucos quarteirões da casa dos meus avós. O motivo pelo qual eu lembro claramente daquela janela é porque inúmeras vezes eu precisei engatinhar através dela pra destrancar a porta da casa. O que rolava é que a porta não se abria por fora, e em algumas ocasiões meus pais esqueceram a chave dentro de casa ao sair comigo.

A única solução (e que se me lembro bem foi empregada múltiplas vezes) era forçar a janela por fora e então me colocar pela estreita abertura dos paineis de vidro. De acordo com o relato da minha mãe, e de minhas próprias memórias embaçadas disso, eu saia correndo pela casa escura, sozinho, e conseguia destrancar a porta por dentro — com míseros cinco aninhos de vida.

Eu cresci ouvindo meus pais contando orgulhosamente essa minha proeza pros amigos (“…e aí ele deu a volta na casa inteira, toda escura, e destrancou a porta! Já pensou?”). Pela familiaridade com a história, eu nunca a achei tão impressionante quanto meus pais claramente achavam. Pensando nela hoje, é realmente impressionante que uma criança de 5 anos conseguisse resolver um problema como esse. A maior lembrança que tenho disso é de pôr meus pezinhos na cômoda do meu quarto, ao ser içado pela janela pelo meu pai, e pisotear todos os meus brinquedinhos — que cairam por toda parte.

No finalzinho dos anos 80, nos mudamos para…

O Prédio Esquecido

Eu tinha literalmente esquecido que morei nesse prédio. Já tinha terminado o artigo e estava dando um passeio virtual entre A Casa Amarela (aguarde, tá lá na frente) e a escola em que eu estudava na época, quando esbarrei com esse prédio e me veio o estalo “caralho, eu morei aí também!

É estranho que eu tenha esquecido desse prédio, porque eu tenho até bastante lembranças dele (ou melhor, de eventos que aconteceram quando eu morava nele).

Uma das mais memoráveis foi quando eu trouxe pra casa o peixinho de estimação da minha turma da escola (ainda se faz isso?), porque todo moleque ficava com ele por alguns dias e aí escrevia uma redação sobre cuidar do bicho ou algo assim. Coloquei o peixe numa bacia metálica — é estranho o quão sólida e firme é a lembrança dessa bacia; lembro até de pequenas imperfeições nela — e fiz um barquinho de papel pra que a cena ficasse mais parecida com Tubarão.

(Eu tinha uma fixação por reproduzir cenas de filmes com meus briquedinhos)

Após alimentar o peixe, fui ao banheiro e de lá ouvi os berros maravilhados do meu irmão (que devia ter 3 ou 4 anos na época): “ele pula, olha ele pulando!

Corro pra área de serviço e lá está o peixinho se debatendo no chão. Meu irmão havia o pescado e queria saber como o peixinho nadaria no piso da cozinha.

Outra lembrança desse prédio é algo que eu espero que algum de vocês também conheça. Foi nessa época em que meu pai comprou pra gente uma casinha de brinquedo, feita com um material que parecia papelão de plástico. Era bem pequena, mas cabia eu e meu irmão com razoável conforto. A gente levava travesseiros, lençois, e biscoitos pra dentro da casinha, e passava o dia inteiro lá. Às vezes, a montávamos na frente da TV, pra assistir nossos VHSs de filmes da Disney.

Alguém mais sabe do que diabos eu estou falando? Eu nunca descobri qual era o nome daquela casinha.

Em 1991, se me lembro bem, foi quando nos mudamos pra Londrina-PR. E a primeira casa lá foi…

O Edifício Coincidência

Este é o Edifício Fortaleza, que fica na aprazível Rua Porto Alegre. Houve uma época em que eu cheguei a cogitar que o nome do prédio, uma alusão à nossa cidade natal, teria sido o fator determinante na decisão paterna de morarmos lá.

Evidentemente meus pais não tinham o cacife financeiro pra tamanho capricho (“só podemos morar em prédios que façam referência à nossa cidade ou pelo menos estado de origem, ora mais!”), então me parece óbvio — sem nem ter que consultar meus pais — que o prédio simplesmente calhou de encaixar no orçamento familiar e como bônus de coincidência podíamos continuar dizendo que morávamos em Fortaleza.

Eu era muito novinho pra brincar na rua ainda (morei lá entre meus 5 e 6 anos), então eu era o absolutamente típico “piá de prédio”. Aprendi a andar de bicicleta naquela rampa ascendente do lado direito da imagem.

É curioso como tudo na nossa infância parecia maior; essa rampa, nas imagens mentais que tenho aqui da época, tinha a largura de uma auto-estrada. Era justamente nessa mesma área que eu brincava de Cybercops com os outros garotinhos do bairro, pulando das muretas simulando chutes nos amiguinhos.

As lembranças mais características desse prédio foi quando flagrei, da janela, os amiguinhos andando na minha bicicleta — “emprestada” sem minha autorização, vejam só que picaretas –; Collor, nosso pastor alemão que acredito ter recebido esse nome do meu pai de sacanagem, e a gravidez da minha mãe. Minha irmã foi a única Nobre que não nasceu em Fortaleza — nem na cidade nem no prédio, porque no ano de seu nascimento estávamos morando n’..

A Casa Que Não Mudou Nada

O motivo da alcunha dessa é óbvio: a casa não mudou LITERALMENTE NADA. Todas as outras passaram por reformas, pinturas e outros processos que tornaram difícil a identificação. Essa aí tá DO MESMO JEITO QUE ERA em 1991, com a exceção notável de uma árvore que na época ficava na frente daquele pé de limão restante, do lado esquerdo da foto.

É uma das poucas casas cujo endereço eu lembro até hoje sem titubear: Rua Marília 140, Jardim Veraliz. Não lembro EXATAMENTE por que esse endereço fixou e os outros não; a minha teoria é que por causa daquele Satanic Panic fodido que rolou no Paraná nos anos 90, meus pais acharam que valia a pena fazer os filhos decorarem o endereço e o telefone de casa caso fossem raptados ou algo assim.

Leitores de longa data do HBD talvez ficarão felizes em descobrir que foi nessa casa aí que o causo do “teste de sobrevivência” aconteceu. Spoiler pra quem não quiser ler o artigo do link: inspirado no Rambo, MacGyver e outros ídolos da auto-suficiência, eu sem cerimônias caguei no jardim da minha casa, em plena luz do dia.

Eu realmente recomendo que você leia aquele artigo. Deixe esse aqui no pause e vai lá ler aquele. Num plot twist raro, meu próprio irmão apareceu nos comentários pra oferecer mais detalhes da história.

Esse bairro marcou por alguns motivos: primeiro, o nascimento da minha irmã, meu primeiro familiar que eu literalmente vi nascer (eu tinha só 2 anos quando meu irmão nasceu). Segundo, essa casa me rendeu três cicatrizes que tenho até hoje.

A primeira foi um ralado no tornozelo esquerdo, oriundo de uma corrida de carrinho de rolimã com um vizinho/amigo de escola com quem mantenho contato até hoje, o Marcel. A segunda foi uma mordida de um cachorro de rua enquanto eu brincava com meus amiguinhos; a marca no pulso direito tá até lá hoje. O desgraçado mordeu e não largou, foi necessário o pai de um amigo surgir com um pedaço de pau e descer a lenha no pulguento desgraçado.

A terceira cicatriz é psicológica — um trauma permanente de cachorros na rua, graças àquele ataque. Até hoje, se estou na rua e um cachorro vem pra cima de mim, sofro efeitos psicossomáticos do trauma: respiração entrecortada, dilatação das pupilas, taquicardia, dor intensa nas costas, etc.

É estranho que algo que aconteceu há mais de vinte anos me cause tais efeitos, mas aí está.

Perto dessa casa morava um garotinho meio estranho, filho de uma mulher cheia de papos de espiritualidade e o caralho. O nome dele era Sacaq, ou Sacaque, que ela havia explicado que não era um “nome estranho” como a pivetada do bairro insistia, mas que tinha um significado cabalístico ou algo assim. Mano, eu tinha míseros 6 ou 7 anos e ela ficava enchendo meu saco falando um monte de abobrinha sobre “alinhamento cósmico” e “espíritos regentes do universo”, calcule a maluquice da mulher. Não culpo o Sacaq(ue) por ser meio estranho.

Ah, e a casa deles era bem zoada, parecia uma casa abandonada que eles haviam ocupado/invadido.

Em 1993 a família voltou de mala e cuia para Fortaleza. E passamos a morar n’…

A Casa Amarela

Essa é a segunda casa cujo endereço eu lembro — Rua Barão de Aracati 3000. E eu não sou daltônico, não — o muro dessa casa era amarelo na época.

Muito ouvi sobre o tal “desmatamento”nas aulas de Estudos Sociais quando criança e vejo que meus professores não exageravam. Como a casa anterior, essa também tinha uma árvore na frente que não existe mais. Levei muitas quedas daquele imponente pé de jambo, de onde eu observava a atividade da pivetada do bairro quando estava proibido de sair de casa por decreto paterno.

Essa casa me marcou por um motivo excepcional — foi quando morava lá que eu me tornei gamer. Eu tinha um amiguinho na escola, o Eric (também ainda mantenho contato com ele até hoje. Oi, Eric!) que trazia revistas de videogame pra escola, onde líamos juntos. Além disso, era só atravessar a rua pra chegar na lendária Locadora do Seu Roberto, um local mítico que já mencionei no 99Vidas infinitas vezes.

Tá vendo aquele estabelecimento ali com as faixas? Era ali que o Seu Roberto operava a R&R Games, a locadora do bairro onde aconteceu minha formação gamer. Tá vendo esse Peugeot ali? Foi exatamente onde ele está estacionado que meu pai desceu a porrada num bully que havia me batido. Foi lá que soltei uma ratazana de esgoto, também.

Essa foto traz à tona mais uma vez o estranho dimorfismo espacial que acontece na nossa infância. Na minha lembrança infantil, esse prédio tinha tipo 30 andares. Hoje constato com incredulidade que são míseros 6 (ou 7, caso você seja essa galera estranha que conta o térreo).

Eu tinha toda uma patotinha nesse bairro, e a gente inventava altas presepadas. Por exemplo, um dia atentamos a esta portinha aí.

Isso é uma portinha que por onde o lixeiros extraiam o lixo do prédio. Descobrimos que era fácil forçar a parada e assim ganhar acesso a esta pequena área:

Decidimos que aquele era agora nosso “clubinho” (nenhum dos moleques sequer morava nesse prédio, diga-se de passagem — era uma invasão totalmente ilegítima). No primeiro dia lá, exerci um senso de liderança inédito — convoquei a pivetada a arrumar dinheiro que usaríamos para adquirir “mantimentos” pro nosso esconderijo; no meio do caminho, armazenar alimentos virou “vamos fazer uma festa pra inaugurar nosso clube”. E assim, eu e outros 4 ou 5 pirralhos acabamos sentados dentro da área de serviço de um prédio aleatório comendo biscoito e um Cheetos genérico qualquer com refrigrante.

Foi enquanto morávamos nessa casa que meu pai se tornou pastor de uma igreja chamada Assembléia de Deus Betesda. Sinta-se à vontade pra fazer a piadinha óbvia de Skyrim que todos já fizeram.

Ao contrário da maioria de pastores, meu pai era pastor “part time”, ou seja, como hobby. Sua profissão e carreira sempre foi Tecnologia da Informação e Eletrônica.

Em 1996 ou 1997, a família se mudou novamente. Dessa vez, para…

O Apartamento Imenso

Eu vivo falando isso pra Jurema também.

O térreo deste prédio de 3 andares era ocupado na época pela Igreja Betesda do Montese, uma outra congregação da mesma denominação da qual éramos membros. Imagino que pela familiaridade com o prédio, meus pais notaram uma vaga que bateu com o timing da mudança, e assim acabamos indo morar lá.

Essa foto não dá uma noção boa de quão grande o apartamento era — e dessa vez não é impressão infantil, porque comentários impressionados sobre o tamanho do apê eram lugar comum sempre que tínhamos visitas. Talvez essa foto lateral ajude a dar uma idéia do espaço:Screen Shot 2014-07-28 at 3.39.52 PM

Cada andar era ocupado por apenas um único apartamento, e a área que você vê aí com as grades (uma espécie de varanda em formato de L) era tão larga que quando entediado eu ficava andando de bicicleta nela. Tá vendo as janelas lá no fundo do prédio? Meu quarto ficava ali — só que, claro, no primeiro andar. Compara a distância de onde era meu quarto, pra varanda. Era um apartamento grande!

Apesar disso, quando nos mudamos pra esse apartamento, foi necessário dar adeus ao Collor. Pelas minhas contas, aquele pastor alemão deve ter morrido por meados do ano 2003; perdemos há muito tempo contato com o sujeito para quem meu pai deu o cachorro, então é impossível confirmar a data exata do falecimento do bicho.

Foi quando eu morava aí neste prédio que meu pai me deu possivelmente o mais significativo presente que ganhei na vida — um Super Nintendo de segunda mão, comprado de um quase mitológico “Barbalha”. Barbalha era um amigo de trabalho que morava em Brasília do qual sempre ouvi falar, mas jamais conheci.

Outro amigo do meu pai se tornou presente nos anos em que morei nesse prédio, e também teve uma conexão gamer — o ilustre “Tio Monte”. Sem conexão sanguínea, o Monte era um velho amigo de trabalho do meu pai na época em que ambos trabalhavam na Cobra (uma empresa de tecnologia made in Brazil) nos anos 80.

O Tio Monte era, além de muito engraçado e desbocado, um PC Gamer fanático; seu gênero favorito era estratégia. Por intermédio dele fui apresentado a todos os clássicos de estratégia e simulação na época: Sim City,  Warcraft, Age of Empires e tudo mais. Ele trazia lá em casa CDs piratas que ninguém seria capaz de adivinhar de onde surgiram, lotados de jogos completos. E ele me subornava com os joguinhos, também — lembro que as condições pra ele me dar o Sim City era não ouvir reclamações relativas ao meu lendário mal comportamento.

Meu histórico mal comportamento, aliás, era na real um sintoma claro de hiperatividade. Nos anos 90 isso não era tão bem diagnosticado. Naquela época, moleques como eu eram apenas os “encrenqueiros que não param de falar na sala e interrompem a aula de 5 em 5 minutos pra fazer gracinhas”.

Os meus anos de jogador de SNES foram curtos — como já contei aqui no HBD, foi nesse apartamento (tentando pregar uma peça no meu irmão) que eu destruí meu Super Nintendo. Morei pouco tempo nesse local (como todos os outros), e por isso calculo que nosso SNES durou pouco mais de um ano. Naquela época, ganhar jogos era limitado a aniversário e Natal; mesmo somando os aniversários e presentes de Natal de dois irmão, não tinha como ter uma coleção muito grande.

Vocês que vivem me zoando no 99Vidas por “não jogar nada” , seus filhos da puta, vocês estão esfregando meu trauma e limitação na minha cara, é quase como tirar onda de um cara que não sabe jogar bola porque teve a perna decepada quando foi atropelado por um trem. Puta que pariu como vocês são desgraçados.

Apesar da morte prematura do meu SNES, eu tive oportunidades de continuar jogando — a casa vizinha da esquerda era uma locadora, assim como a casa da esquina na direção oposta. Só que eu percebi que a patotinha do bairro era o real motivo pelo qual eu orbitava a fauna infantil da locadora do Seu Roberto, e acabava jogando videogame por tabela. Nessa nova rua aí eu não tinha literalmente NENHUM amigo, nenhum mesmo, e sem o círculo social fazendo baderna na locadora, Command and Conquer me atraia mais.

Tive apenas um amigo no bairro — o Farney. Conheci-o na sétima série, no Colégio Adventista de Fortaleza onde eu uma vez fui suspenso por apagar a luz da sala. É curioso pensar que eu e ele nos conhecemos quase vinte anos atrás e continuamos tão amigos como sempre fomos quando criança.

Eu e o Farney, rindo e ajeitando os ternos, momentos antes do meu casamento. O cara no meio é o Trevor, um grande amigo canadense que também já foi personagem coadjuvante de causos aqui no HBD.

A essa altura, como mencionei antes, meu pai era pastor de uma pequena e humilde congregação evangélica num bairro de periferia chamado Conjunto Ceará.

Por causa dessas idas e vidas dos meus pais pra essa igreja (que ficava bem longe), e como a congregação não pagava nada a eles,  o gasto com a gasolina pesava no orçamento familiar. Essa era a igreja, a propósito:

Imagem de um vídeo de família que tenho aqui no HD

Esse Voyage branco era do meu pai, aliás.

De acordo com o Google Street View, a igreja evoluiu bastante de lá pra cá. Esta é a fachada da Igreja Betesda do Conjunto Ceará hoje:

O dízimo pelo jeito é melhor do que na época do meu pai. Vai ver que por não precisar daquela grana, ele não espremia tanto os fiéis na lábia como seus equivalentes contemporâneos, sei lá.

A propósito, se assim como eu você tem dificuldade de imaginar meu pai como pastor (porque nem eu consigo mais visualizar isso, tamanho foi o desligamento do meu pai de religião organizada de qualquer espécie), aqui vai uma foto pra ajudar:

Meu pai (e minha mãe, ao fundo) durante o casamento da irmã de um amiguinho meu da igreja, o Paulinho. Também ainda mantenho contato com ele, pelo Facebook. Oi, Paulinho!

Descendo um pouco a rua da igreja, encontramos outro palco de um relato histórico aqui do HBD:

Este terreno baldio (eu havia desenhado um mapinha bem fiel no Paint pra ilustrar aquele post, mas as imagens se perderam — se um dia isso acontecer com esse post eu ficarei MUITO puto. Alguém me faz o favor de salvar essa porra offline ou algo assim…?) foi o campo de batalha onde eu apanhei miseravelmente de um pequeno marginal armado com uma perna de uma cama.

Como ninguém vai ler esse post inteiro, este é o momento em que eu insiro uma mensagem subliminar no texto: RAPADURA.

Subindo a avenida semi-perpendicular a esse terreno aí, chegamos à nossa primeira casa no Conjunto Ceará.

A Casa da Periferia

Mais uma casa que mudou quase que completamente (o muro tinha outra cor, e havia um acesso lateral aos fundos que aparentemente não existe mais). Para encontra-la, precisei usar outros pontos geográficos da rua como referência — até perceber que mesmo depois de tantos anos e mudanças, a calçada permanece EXATAMENTE como era em 1998.

Morar nessa casa foi um choque de realidade porque como garoto de condição social razoavelmente elevada, eu não estava acostumado a estar no meio do subúrbio fortalezense. Não coincidentemente, foi enquanto eu morei nesse bairro que fui assaltado pela primeira vez na vida enquanto voltava pra casa da escola.

Exatamente na frente dessa sorveteria, que na época não existia.

Foi o seguinte: um garoto me seguiu brevemente, pedindo “algum trocado”. Outro, maior, se materializou na minha frente no meio do caminho, exibindo no bolso o que ele alegava ser o cabo de uma faca.

Eu não tinha nenhum centavo, então levaram meu relógio e minha camisa (???). Depois, me mandaram sair caminhando calmamente na direção oposta, e que se eu desse algum pio eles atirariam em mim. É esse tipo de inconsistência sobre a arma do crime que me faz pensar que o cara me mostrou era a pontinha dum pente com cabo de madeira, e não uma faca. Que tipo de filho da puta assalta uma criança de 13 anos, mano? O que você poderia esperar levar nesse roubo, um punhado de Tazos?

Um ano depois, o dono da casa onde morávamos precisava dela de volta ou algo assim, e nos mudamos para uma casa na mesma rua, quase vizinha. Era…

A Casa da Periferia, round 2

A coisa mais digna de nota sobre essa casa é que foi nela que desenvolvi o hábito/vício de passar as madrugadas acordado acessando a internet no pulso único. O que aconteceu é que meu colégio era bem longe, o que fez meus pais me transferirem pro turno da tarde. Assim, eu podia ficar a madrugada inteira no mIRC, dormir impunemente durante a manhã, e ir pro colégio de tarde.

Essa foi nossa última casa em Fortaleza. No final de 1999, passamos um ano viajando pelos Estados Unidos. Ao voltar ao Brasil, já nem tínhamos mais casa na minha cidade natal — fomos direto pra São Luis, no Maranhão. Foi a época d’…

A Casa Rosa, Que Eu Insistia Que Era Salmão

Ou pintaram de branco, ou o sol maranhense castigante desbotou o muro. Na minha época, a casa era claramente rosa (ou “salmão”, como minha mãe um dia explicou, e virou meu principal argumento pra me defender de galhofagens dos amiguinhos). Era essa casa que tinha um portão elétrico automático que servia como alarme de que meus pais haviam chegado em casa, dando a mim e a minha namoradinha da época mais ou menos 20 segundos pra nos vestirmos.

Nessa época eu fiquei tão pavlovianamente condicionado a ouvir o barulho da ativação do portão como um alerta “PAIS EM CASA, PARE AGORA AS ATIVIDADES ILÍCITAS” que mesmo quando eu tava de boa estudando ou assistindo TV e o portão abria, eu sentia uma profunda inquietação.

Morei nessa casa de 2000 até 2002. Foi nela que vi o Brasil ser campeão pela quinta e até então última vez numa Copa do Mundo. Muitos de vocês eram bebês de colo nessa época. Aliás, olha eu decorando a rua pra Copa e de quebra inventando a selfie!

O cabelo tava curtinho por ter passado no vestibular no final do ano anterior

Aliás, a casa que aparece atrás de mim (onde morava o Márcio, meu vizinho da frente, cujo claim to fame era ser sobrinho do cantor maranhense Zeca Baleiro) não mudou quase nada nesses 12 anos:

Pouco tempo depois, meus pais realizaram o tal “sonho da casa própria” e compraram uma residência num bairro próximo. Essa era…

A Casa Própria

Esta foi a única casa própria em que a Família Nobre morou. E moramos por pouco tempo — a mudança para o Canadá já estava sendo idealizada quando morávamos aí, e no final de 2003 estávamos vindo pra cá. Acabei tendo pouquíssimas lembranças dessa casa, com exceção do fato de que eu costumava me reunir com os amiguinhos pra tocar na garagem.

Eu na guitarra, Fívio no contrabaixo

Tenho poucas lembranças dessa casa, com exceção do fato de que foi AÍ que o HBD nasceu. Mais precisamente, aqui:

Esse era o meu quarto, como menciono no meu Patreon. Foi aí que descobri os blogs, e iria eventualmente abrir o meu próprio.

Eu vivi em muitas casas diferentes, o que complicava o desenvolvimento de amizades duradouras e de maiores lembranças. Todas as memórias dessas casas são curtas, porque afinal de contas meu tempo nelas foi curto. Mas mesmo mudando mais que caixeiro viajante, houve UMA casa na minha infância que foi constante.

A Casa dos Meus Avós.

Terminamos essa jornada bem próximo do ponto de onde começamos — a casa dos meus avós, que como mencionei ficava a poucos quarteirões da Casa Fodida. Tão próximo, aliás, que lembro de ir correndo (sozinho) almoçar na casa da minha avó quando tinha 5 ou 6 anos.

Por motivos que não devem ser difíceis de entender, essa casa foi o único ponto de referência imutável na minha infância. Meu avós a compraram quando imigraram pra Fortaleza, era uma casa minúscula. O vizinho do lado pôs a casa à venda também, meu avô comprou e usando skills rudimentares de engenharia e arquitetura, pôs-se a unificar ambas casas em uma só.

Foi um trabalho excelente pra alguém que fez tudo sozinho sem qualquer educação formal no ramo, mas ainda assim, pequenas imperfeições no “projeto” dele são imediatamente aparentes — janelas que dão pra um corredor estreito, escadas com degraus de dimensões variantes, etc — e dão um charme pitoresco à casa.

Há mais detalhes nessas imagens do Google Street View que me remetem à vida brasileira. Sabe esse Corsa cinza na frente da casa da minha avó? Então, esse carro pertencia à minha mãe. Em 2003, com a mudança iminente pro Canadá, minha mãe o vendeu pra minha tia (que mora no andar de cima), e o carro tá lá até hoje.

Neste outro ângulo, algo que me deixa até com um nó na garganta — a eterna cadeirinha de plástico, onde meu avô costuma passar suas tardes observando o movimento da rua.

Ver pequenos detalhinhos da minha infância no Street View dá uma sensação muito estranha — um registro acidental da minha infância no processo da captura de imagens da cidade. É bizarro pensar que alguém que eu nunca conheci na vida dirigiu por essa rua, fotografou a casa dos meus avós (sem sequer imaginar a significância emocional daquela foto); as imagens foram então uploadeadas e moram lá num servidor do Google, inertes, esperando que me dê na telha de escrever esse texto e então passear virtualmente pela área, e assim encontrar a cadeira do meu avô e o antigo carro da minha mãe.

É como se a minha infância fosse algo tangível, palpável, que está lá como um fóssil esperando para ser redescoberto.

Porra mano, foi aí que eu vi a final da Copa de 1994!

A outra curiosidade sobre a casa da minha avó é meio triste. Quando o Street View surgiu, eu CORRI pra visitar a casa da minha avó, apenas pra perceber decepcionado que o carro do Google não passou pela rua dela.

O carro passou na avenida perpendicular, e isso era o mais próximo que eu conseguia chegar: uma visão quase tangente da casa, da esquina.

Isso me encheu de melancolia. Quão irônico é poder FINALMENTE revisitar a casa onde eu cresci — a única casa onde pode-se dizer que “cresci”, por ser o único ponto de referência fixo numa vida nômade –, sou obrigado a ver de longe; da esquina. Cheguei até aqui… mas não posso chegar mais perto.

Eu não estava planejando visitar Fortaleza este ano. Estou muito focado no futuro e tal, mas ao escrever esse post, acho que mudei de idéia.

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Categorias: Minha infância

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

50 Comentários \o/

  1. Carmo says:

    Cara parabens voce merece,passou 2 ou 3 dias fazendo esse Post incrivel

  2. Camila says:

    Muito bom o texto, Izzy, essa vida nômade deve ser bem complicada mesmo, moro na mesma casa há 17 anos (minha vida inteira) e não me vejo em outro lugar se não aqui. A propósito: Rapadura!

  3. Daniel Ramos says:

    Desde quando rapadura é subliminar Izzy? Oo

    Enfim, excelente texto. É meio louco pensar em infancia vendo fotos. Eu, que morei somente em 2 casas (1 e outra hoje) tem uma SAUDADE IMENSA da antiga casa. Acho que isso é uma caracteristicas dos seres humanos. Serem saudosistas. Não sei. Enfim, conforme disse, excelente texto.

  4. Pedro Bittencourt says:

    Ja fiz isso tambem, e posso te dizer que sei como voce se sente, essa mistura de nostalgia e saudade, parabens pelo posto cara, ficou ótimo.

  5. Joao says:

    RAPADURA

  6. K says:

    RAPADURA !! E pra mim aquilo é salmão sob o sol tbm…

  7. Dan Medeiros says:

    Muito legal ler sobre a parte da sua vida enquanto estava aqui no Brasil. Eu já me mudei 8 vezes também (mas nunca saindo daqui do RJ), e sei como é essa vida de cigano. Já passei por uma casa própria (o que era pra ser fixo por muitos anos), mas com a separação dos meus pais voltei a vida de aluguel.

    Estou pra ir, nesse fim de ano, para a minha (9ª mudança) casa prórpia (herdada por conta do falecimento do meu pai), e espero ficar com minha mulher e filho lá por muitos e muitos anos, talvez só saindo para uma ida para fora do Brasil.

    Foi bem legal ler o post inteiro! Valeu mesmo!

  8. oir4d says:

    Emocionante o txt!

  9. Israel says:

    Incrível esse texto Izzy! Engraçado saber que você morou próximo de mim, uns 6 quarteirões(morava na Fiscal Vieira e você na Barão de Aracati). Passei por algo semelhante, mas foi com colégio. Mudava de colégio a cada 3 anos, em média, o que deixava difícil manter uma amizade longa. E meus pais não me deixavam brincar na rua, então meus únicos amigos eram os do colégio. Poucos mantenho o contato. Parabéns, foi um dos seus melhores textos!

  10. Vinícius Paiva says:

    Esse post é o mais foda de todo o blog! Ainda tem link pros seus textos clássicos! Muito bem escrito, parabéns 😀

  11. Junior says:

    Vim seco fazer a piada do Skyrim mas no último instante resolvi dar um Ctrl F.

    Belo texto, obrigado.

  12. Artur says:

    Excelente texto. E impressionante o número de casas que você morou. Na minha vida inteira, morei em 6 casas -- incluindo uma pensão universitária -- em apenas três cidades diferentes.

    E como saí de São Caetano pra Indaiatuba lá pros meus 12-13 anos, não mantive contato com ninguém de lá. UMA mudança de cidade foi o suficiente pra eu perder contato com VÁRIAS pessoas, você ter mantido contato com algumas há tanto tempo acho realmente notável

  13. Isabella says:

    Nossa Izzy, esse texto ficou ótimo e muito emocionante, parabéns!

  14. Conrado says:

    Cara, me identifico demais com tua infância.. provavelmente por ter a mesma idade e ter nascido no Nordeste.

    “…é estranho o quão sólida e firme é a lembrança dessa bacia; lembro até de pequenas imperfeições nela”

    kkkk, essas bacias eram muito TOP. vai dizer que você nunca lavou um joelho ralado num comprimido de permanganato de potássio dissolvido nela?

    “É curioso como tudo na nossa infância parecia maior; essa rampa, nas imagens mentais que tenho aqui da época, tinha a largura de uma auto-estrada.”

    Aprendi a andar bicicleta na garagem da minha casa em Natal. Na época, era gigante. Anos depois, quando olhava pra ela eu pensava “como diabos aprendi a andar de bicicleta numa garagem desse tamanho?!”

  15. O material da casinha que tu se refere, ou é pvc (hoje tem umas divisórias\forro feitas de algo parecido com sua descrição) ou sao de plastico poli-onda (material que costumavam fazer aquelas pastas de guardar papel e levar pra escola e\ou pastas arquivo grandonas)

  16. -EDIT-

    O material da casinha que tu se refere, ou é pvc (hoje tem umas divisórias\forro feitas de algo parecido com sua descrição) ou sao de plastico poli-onda (material que costumavam fazer aquelas pastas de guardar papel e levar pra escola e\ou pastas arquivo grandonas)

    A Janela se chama Basculante

  17. Igor Freire says:

    Muito bom! Izzy old school :~ no aguardo pelo post das escolas e das casas do canadá 😀 (apenas, hehe)

  18. Gabriel Bento says:

    “Só tenho duas lembranças dela[minha avó]: uma, quando ela me presenteou com um saco de animaizinhos de plástico iguais a estes, e a outra de ir no cemitério durante uma noite chuvosa deixar flores na cova dela.”
    Poxa, cara…

  19. Ste says:

    Rapadura!

  20. Fábio Alves Corrêa says:

    Rapá(dura), esse texto é praticamente o Arquivo Confidencial: Izzy Nobre.
    Me mudei quatro vezes na minha vida, e a casa que considero que “cresci” nela (vivi nela dos 4 aos 10 anos) hoje está irreconhecível, é como se parte da minha infância tivesse se perdido.

  21. Matheus Mocelin says:

    Izzy
    já viu se com a opção de “viagem no tempo” do Street View, você não consegue uma foto de seu avô sentado nesta cadeira?
    se ele tem o mesmo habito do meu é bem possível.

  22. Rodrigo says:

    Esse texto foi patrocinado pelo Jurandir Filho. Devemos levar o Izzo mais a sério quando ele diz que ja se mudou muito, caramba, se mudou pouco.

  23. Rodrigo Amaro says:

    Muito bom. Deu vontade de fazer igual, salvar as fotos e enviar pra família!

    Ah, e rapadura, rs

  24. Que viagem no tempo vc fez! Fiquei com vontade de fazer isso também, ótima idéia Izzy! Olhar todas as casas que morei/dividi.

    Depois que me casei já me mudei 4x, sendo que 3x no MESMO ANO (imagina o que foi isso).A melhor coisa de morar de aluguel é essa possibilidade de mudar bastante, não ficar muito amarrado em um lugar, cada lugar que vc mora é uma nova realidade um novo aprendizado.

    Uma dica que demorei à aprender, chame profissionais para Montar / Desmontar móveis caso vc mantenha algum.

  25. Gabriel says:

    Textos como os de antigamente! Lindo!

    Lembro que mostrou um video antigo em que aparece falando com uns garotos na porta de casa.Qual casa era?

  26. André Henrique says:

    Que texto massa =D
    É um texto que faz lembrar os antigos textos, quando o izzy tinha realmente vontade de escrever. Tristão a parte de uma duas unicas lembranças de uma de suas avós ser ir deixar flores na cova dela, e massa a parada da cadeira do seu avô. Belo texto.

  27. Diego says:

    O importante é que mesmo com todas essas rapaduras ops… mudanças, você não se estressou, aproveitou cada lugar novo. Isso me lembrou do pessoal das escolas que estudei, e muitas pessoas sequer lembram de tantas coisas assim da infância.

  28. André says:

    Kid se mudou umas 200 vezes, pqp.

    Eu mudei umas 4 ou 5 vezes só.

  29. Vinicius Martarello says:

    Texto muito bom, e espero que você venha para o Brasil esse ano, se vier pra SP pode trazer uma rapadura pra comer com os broders.

  30. Eduardo says:

    Texto intimista, apesar dos breves detalhes! O longo tempo sem dormir deve ter me afetado, porque me emocionei ao ler o texto, ao parar para pensar na minha história, nos altos e baixos da minha vida familiar, dos meus entes queridos. Veio uma revelação meio sem sentido de que o que temos hoje materialmente importa, mas não tanto assim, como imaginamos, já que o que realmente dura por mais algum tempo são os bons momentos, as boas memórias e os bons amigos. Vou parar de me preocupar mais com a situação financeira atual minha e da minha família e procurar cuidar do meu corpo, da minha mente, da minha namorada e dos meus entes queridos. Da onde tirei essa lição no texto? Não sei bem, “só sei que foi assim”. Obrigado, Kid. Agora vou dormir tranquilo e quem sabe acordar com os pensamentos normalizados. [ ]

  31. Post muito bom. Acho que um Vlog não conseguiria ser tão “ilustrativo” quanto. Parabéns Izzy!
    Fique até com vontade de comer RAPADURA…

  32. Danilo says:

    Show de bola! Em 2011 escrevi um post parecido (http://desde91.wordpress.com/2011/12/28/nostalgiando-no-google-street-view/) relembrando lugares da minha infância. Essa vida de nômade não é nada fácil…

  33. Diéfersom says:

    Demais esse post!
    Me inspirou a fazer o mesmo!

  34. vinicius garcia says:

    Nossa, é uma super coincidência eu ter procurado ter achado seu canal procurando pelo Canadá e descobrir que você já morou aqui em Londrina-PR, pelo menos eu achei ^^

  35. vinicius garcia says:

    Nossa, é uma super coincidência eu ter achado seu canal procurando pelo Canadá e descobrir que você já morou aqui em Londrina-PR, pelo menos eu achei ^^

  36. Lucas Silva says:

    RAPADURA.
    Ótimo post!

  37. Erisson says:

    Texto muuuuito massa! Pareceu que eu estava lendo os textos antigos na época que descobri o HBD. Ri tanto que quase me engasguei com minha rapadura pós-almoço.

  38. Gabriel says:

    Pelo menos terminei de comer minha rapadura…

  39. Cristiano says:

    Ótimo post.
    Você notou que, no início da sua infância, a narração era que vocês eram mais “humildes” e na sua adolescência se considerava “classe média alta”? Eu acho importante que cada um olhe para trás e veja as suas origens …
    Eu mesmo estava pensando , antes de ver o seu post, em fazer uma coletânea de locais onde passei a infância, mas o google street view ainda não mapeou Miracatu-SP … E não tenho fotos de tudo o que gostaria.
    Enfim, mapple sirup também é doce, só que é líquido. (O povo usa muito o sirup na comida aí em Calgary? Aqui em Québec, o povo é viciado no treco).

  40. Leandro Lima says:

    Pô, muito legal o post, Izzy! Curti pra caramba.

    Também sou cearense, comedor de rapadura, e também estudei no CAF. =)

    Morei no Montese, na Aldeota, Varjota, em São Paulo a agora Philadelphia. Vc também rodou, hein! =D

  41. Raylan says:

    Pow, cara me sinto seu amigo de infancia….

    Devia ter colocado todos os endereços tenho a impressão de que sei onde fica.

  42. Raylan says:

    Pow, cara me sinto seu amigo de infância….

    Showww

    Devia ter colocado todos os endereços tenho a impressão de que sei onde fica.

  43. Flávio Pinto says:

    Olá, Izzy!. Moro no Rio, mas tenho prejeto de ir (no final de 2015, junto c/ a minha esposa, Eliane)estudar inglês aí no Canadá (Toronto) e depois, se for possível, ir para viver. Cara, Fiquei um pouco emocionado lendo a sua história… sabe, eu tinha 5/6 anos quando o meu pai morreu, e minha mãe, que faleceu vai fazer 4 anos, teve que fazer salgados todos os dias para uma lanchonete, para nos manter(c/ ajuda da minha irmã),isso por uns 5 anos. Meu irmão era bancário (trabalhava no Unibanco) e também ajudava nas despesas -- enfim, revivi aqueles momentos e isso me trouxe recordações de coisas que há muito anos eu não lembrava (minha casa, na época, minha família, amigos etc.). Hoje tenho 44 anos, sou Professor, e tenho muita gratidão por ter sido criado com os valores de honestidade e caráter que tive. É isso, parceiro, e meus parabéns à toda a sua família, principalmente aos seus avós e pais, pela ótima criação que lhe deram.
    Ah!… só mais uma coisa: em 1997 conheci uma canadense, Heather, ela era de Calgary -- Westmount. Foi um encontro muito especial -- de almas irmãs. Infelizmente perdemos contato, alguns meses depois (pois ambos mudamos de endereço). Bem, como esse mundo é pequeno, parceiro, caso você se depare um dia com essa “menina” (hoje com uns 40 anos), pois não acredito q/ tenha muitas mulheres de Calgary q/ conheçam o Brasil (RJ -- bairro Flamengo), peça à ela que entre em contato comigo (via e-mail, facebook).
    Um abraço e tudo de bom!!!.

  44. Fernanda says:

    Parabéns Izzy, belíssimo texto old school, como há algum tempo não aparecia por aqui. Espero que você mantenha o ânimo e pelo menos de vez em quando nos brinde com uma jóia como foi este texto. Estou com uma sensação de nostalgia misturada com alguma outra coisa indefinida, talvez vontade de voltar no tempo e reviver o passado…

  45. […] que o famoso Tio Monte, que já mencionei aqui no site, apareceu um dia lá em casa com Sim City 2000 (além de outros jogos) num CD. E o resto é […]

  46. […] E em pensar que quando criança morei numa casa que nem forro no teto tinha… […]