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Cloverfield – Resenha

Postado em 28 fevereiro 2008 Escrito por Izzy Nobre 68 Comentários

Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como “utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas” ou até mesmo “assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon”. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.

Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?

Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.

Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?

Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar,  Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney – a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.

Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?

Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada. Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.

Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.

Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso.

Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.

Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o PIOR filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.

Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.

Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica  #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.

Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).

Oops, spoiler.

Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.

Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine’s Day.

E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como “HOLY SHIT DID YOU SEE THAT”, ou “SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE’RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW”.

Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.

O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.

Eu MEIO que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer “haha, se fodeu. Ok, tou indo agora”, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.

Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?

Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.

Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.

Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.

Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar “nossa, imagina eu nessa situação”. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo. 

Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. ”Filme chato”, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final. 

Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.

Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente one-dimensional).

Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.

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Categorias: Cinema

68 Comentários \o/

  1. Murilo disse:

    “que Charmander o q, tem q começar com o Bulbassauro ou Squirtle mesmo, pra ter vantagem contra o Onix”

    tem vantagem no inicio, mas Charizard > All

  2. Felipe disse:

    Bom, eu rachei de rir da resenha. O kid escreve bem. Eu estava na expectativa do filme e quase desisti de assistir, graças a resenha, mas acabei assistindo.
    Bom, pra quem acompanhou as notícias sobre o filme desde o trailer em transformers sabe que o monstro não era enfoque no filme, era mais a história dos jovens. Mas o filme ficou aquém das expectativas, isso sim. Mas dá para se divertir e assustar com o filme.

    E que frescura… vomitar ao assistir o filme? se andar em um carossel é perigoso morrer. :-P

    Mas eu só penso em uma coisa. Será que vai rolar uma guerra se os fans do filme lerem a resenha??? hehehe como disse o k-max, o mais engraçado são essas brigas. ahahaha

  3. K-Max disse:

    EXTRA! Spoiler HBD!: O Kid comprou novamente um iPod Touch.

    Graças a uma conversa interceptada stealthemente via Mensageiro Microsoft (aka MSN), o próximo post muito provavelmente será sobre mais esse feito hipócrita desse bloguero exilado no Canadá.

  4. Kid disse:

    Ahahah k-max safado.

    Vou começar a escrever o post agora. O Cardoso vai tirar muita onda com a minha cara.

  5. estevan disse:

    seis são tdo puta!reclamão tanto do filme,faz melhor então ou vai assistir power rangers!hmm!ja sei q tipo de pessoas são vcs são aqueles viadinhos q não tem nem coragens de arrumar as camas quando acordão seis são tudo criado tdo a leite com pera e esse filme foi a melhor releitura de filmes de monstros seus sem culturas!viados,putas,filhas da puta que não reconhecem uma obra de arte seus fan de teletubs!

  6. lucassimaoo disse:

    eu gostei do filme s:

  7. luiz filipi baraun disse:

    o filme é competente no que se propõe. um blockbuster com mt correria, sustos e ação.
    você não esperava um 21 gramas ou pulp fiction, né?