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><channel><title>Hoje é um Bom Dia &#187; Cinema</title> <atom:link href="http://hbdia.com/resenha-de-filme/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://hbdia.com</link> <description></description> <lastBuildDate>Wed, 23 May 2012 14:19:12 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator> <item><title>[ Resenha de filme ] The Avengers</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-de-filme-the-avengers/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-de-filme-the-avengers/#comments</comments> <pubDate>Tue, 08 May 2012 01:30:34 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/?p=7247</guid> <description><![CDATA[CONTÉM SPOILERS. Há alguns anos, quando discutia-se em fóruns de internet sobre um possível filme dos Vingadores, o tom do debate era meio &#8220;sonho maluco de fanboy sem intimidade com o mundo real&#8221;. Os Vingadores são (ou melhor, eram) uma equipe um pouco mais underground; seria difícil colocar os heróis todos juntos num filme e...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>CONTÉM SPOILERS.</strong></p><p>Há alguns anos, quando discutia-se em fóruns de internet sobre um possível filme dos Vingadores, o tom do debate era meio &#8220;sonho maluco de fanboy sem intimidade com o mundo real&#8221;. Os Vingadores são (ou melhor, <em>eram</em>) uma equipe um pouco mais underground; seria difícil colocar os heróis todos juntos num filme e apenas esperar que o telespectador soubesse quem são os caras. Um filme da Liga da Justiça, um time de superheróis que gozaram durante décadas de um reconhecimento maior do público leigo de quadrinhos, talvez funcionasse melhor desse jeito.</p><p
style="text-align: center;"> <a
href="http://img.hbdia.com/2012/05/avengers.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-7248" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="Os The Vingaders" src="http://img.hbdia.com/2012/05/avengers.jpg" alt="" width="412" height="416" /></a></p><p>Mas Vingadores? Não dá, cara. Como colocar 4 histórias-origem (ou mais, dependendo de qual formação do grupo você está considerando) num filme só?</p><p>Lembro quando X-Men saiu, o primeiro debate foi &#8220;<em>tá vendo? Dá pra fazer um filme de time de equipe de super-herói! É possível fazer um filme dos Vingadores!</em>&#8220;. Eu prontamente discordei: os heróis dos X-Men são, historicamente, uma cambada de figurantes. Basta você explicar rapidamente o poder de cada um e tá bom demais. Além disso, o público jovem já havia tido alguma exposição aos X-Men, graças aos videogames e ao excelente desenho dos anos 90.</p><p>Aquela intro era sensacional, aliás.</p><p
style="text-align: center;"><p><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=sAkL2-vh2Sk">http://www.youtube.com/watch?v=sAkL2-vh2Sk</a></p></p><p>Aliás, note que o desenho apresentava todos os personagens <em>em cada abertura</em>. Uma apresentação rápida, mas suficiente pra que o cara que não manjasse absolutamente nada daquele universo tivesse alguma idéia básica do que estava vendo. O Ciclops solta laser dozóio, o Wolverine tem garras e aparece no meio do mato (dando um highlight no fato de que ele é meio animalístico e tal, uma característica que ironicamente o desenho não mostrava tanto assim), a Tempestade controla o clima, o Fera é um monstrão mas é inteligente, e por aí vai.</p><div
id="attachment_7249" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a
href="http://img.hbdia.com/2012/05/xavier.jpg"><img
class="size-full wp-image-7249" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="SSID: ehnois" src="http://img.hbdia.com/2012/05/xavier.jpg" alt="" width="460" height="316" /></a><p
class="wp-caption-text">O Professor Xavier tem o poder de ser um router wifi</p></div><p
style="text-align: left;">Isso serve pra demonstrar a dificuldade de enfiar um monte de superherói numa obra sem que você saiba quem eles são e o que eles fazem.</p><p>Pois bem. Até 2008 a idéia de um filme dos Vingadores era completamente fantasiosa. Até que vimos isso aqui:</p><p
style="text-align: center;"><p><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=UYGI6ygsUSE">http://www.youtube.com/watch?v=UYGI6ygsUSE</a></p></p><p>Assim que o Nick Fury apareceu na tela, eu vibrei alucinadamente. Antes que ele falasse a frase fatídica, a simples aparência dele já deixou claro qual era o propósito dele naquela curta cena.</p><p
style="text-align: center;"> <a
href="http://img.hbdia.com/2012/05/nick.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-7250" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="Olha o homem aí!" src="http://img.hbdia.com/2012/05/nick.jpg" alt="" width="419" height="407" /></a></p><p>Este é o Nick Fury de acordo com o universo Ultimate, que foi um reboot/universo paralelo que atualizou as origens dos heróis clássicos dos quadrinhos da Marvel. A atualização dos Vingadores, em particular, teve um tratamento bastante realístico e há muito tempo discutia-se que as páginas de The Ultimates poderiam ser usadas como referência pra uma hipotética adaptação cinematográfica do time.</p><p>Pois bem, assim que apareceu o Samuel L Jackson de tapa olho, a insinuação era óbvia. O Jackson emprestou sua imagem para a Marvel usar em The Ultimates, aliás, (o quadrinho é de 2002) na condição de que ele fosse considerado para atuar o papel do super-agente secreto num futuro filme. Mantiveram a promessa.</p><p>O <em>approach</em> usado em Avengers foi inédito. Os caras usaram filmes solo para estabelecer a origem de todos os protagonistas (colocando cenas pós-créditos que teciam a rede que conecta todos os filmes), liberando assim o filme cross-over pra porradaria <em>nonstop</em> sem explicação chata de como a armadura de um ou o martelo mágico do outro funcionam. Isso é legal pra caralho, até porque dá realmente a sensação de que o filme faz parte de um universo maior e mais profundo.</p><p>Então, THE AVENGERS. O que achei?</p><p>O filme é sensacional. A atuação dos personagens está exatamente como deveria (com exceção da Maria Hill, que em particular no começo do filme parecia estar lendo suas falas), a história é conduzida da forma que deveria &#8212; tem o <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/MacGuffin" target="_blank">MacGuffin</a> clássico mas isso é tão comum nos quadrinhos que você tem que aceitar a coisa como ela é. Os efeitos são sensacionais mas porra, estamos em 2012 né. Isso não é mais diferencial!</p><p>Os comentários em relação ao humor do filme foram tantos que imaginei que o filme era uma sequência de piadinhas pontuadas por um soco aqui e um raio mágico ali. Não é o caso, o filme não é uma comédia boboca e os momentos de alívio cômico funcionam e não tiram totalmente a tensão do filme.</p><p>Existe uma diferença imensa entre humor como o de Avengers e o de alguns filmes que lidam com o método de forma desastrada. Vou exemplificar.</p><p>Em um momento de Avengers, Tony Stark chega na ponte de controle do helicarrier da SHIELD e, entre outras coisas, acusa: &#8220;aquele homem está jogando Galaga!&#8221; enquanto aponta pra um dos agentes da organização. Você ri da <strong>FANFARRONICE</strong> do cara, até o momento que a câmera revela que o cara estava de fato jogando Galaga (e aí tu ri de novo).</p><p>Compare com Star Wars Episode I, em que a idéia de alívio cômico é um coelho marrom antropomórfico levemente racista que mete a língua no capacitor de fluxo ou sei lá o que de uma navinha lá e fica com a língua murcha. Ou de Transformers, em que um robô <strong>MIJA EM CIMA DE UM PERSONAGEM</strong>. Ou na continuação, em que este mesmo personagem identifica sua posição como &#8220;estou aqui embaixo dos ovos do robô&#8221;.</p><div
id="attachment_7251" class="wp-caption aligncenter" style="width: 633px"><a
href="http://img.hbdia.com/2012/05/ovos.jpg"><img
class="size-full wp-image-7251" style="border-width: 1px; border-color: black; border-style: solid;" title="Puta que pariu. " src="http://img.hbdia.com/2012/05/ovos.jpg" alt="" width="623" height="250" /></a><p
class="wp-caption-text">Eu praticamente consigo ouvir o &quot;foda-se mano&quot; que o Michael Bay falou</p></div><p>Isso não é engraçado. É uma piadinha visual boba às custas da suposta genitália de um robô.</p><p>Felizmente, esse não é o tipo de humor que você encontra em Avengers. As piadinhas (sim, houveram bastante delas) fazem sentido e não são tão gratuitas assim.</p><p>O desfecho do filme foi meio deus ex machina (destrua o chefão = todos os lacaios morrem convenientemente), mas estou disposto a perdoar considerando que o resto do filme foi sólido. A morte do Coulson, que sempre foi um personagem de participação bem pequena, foi um momento realmente dramático do filme &#8212; o que mostra que o Joss Whedon tem a manha de conduzir o tom do filme da maneira certa. Lembra que esse maluco era só um agente governamental chato no primeiro Iron Man?</p><p>O filme termina com vários ganchos. O primeiro e mais óbvio é <a
href="http://hbdia.com/geral/quadrinhos-e-voce/" target="_blank">Civil War</a>, uma saga da Marvel em que superheroísmo &#8220;freelance&#8221; se tornou ilegal e isso colocou os heróis uns contra os outros. Um político no final do filme aparece condenando os esforços dos heróis, o que é um gancho importante pro setup dessa saga caso eles queiram seguir essa direção. O segundo &#8212; e mais definitivo &#8212; foi a aparição do Thanos, um super vilão da safra &#8220;cósmica&#8221; da Marvel (aka, os em que eu menos me interesso). Thanos é revelado como orquestrador da pataquada toda e obviamente será o antagonista do próximo filme.</p><p>E gostei muito do closeup do &#8220;A&#8221; restante do letreiro da St<strong>A</strong>rk Tower &#8212; acompanhado do Stark e da Potts criando um novo design para a torre. Evidentemente, estão acenando pra Avengers Tower dos quadrinhos.</p><p>O mais legal de Avengers é que ele realmente aniquilou as supostas expectativas do que pode e não pode colocar num filme do gênero. Veja só:</p><p>Achava-se os Vingadores impossíveis de transferir pra telona, e Joss Whedon mostrou que não era. Supunha-se que pareceria ridículo colocar uma espiã e um arqueiro lutando de igual pra igual do lado de malucos como o Thor ou o Hulk, e no entanto as participações deles fizeram sentido e foram legal de ver. Discutia-se em fóruns por aí que seria uma quebra da suspensão de descrença colocar o Iron Man (um superherói baseado em ciência e tecnologia) junto com o Thor, um deus mitológico, e no entanto não apenas ficou legal como ainda conseguiram meter um conquistador alienígena no meio sem zoar o tom do filme.</p><p>Resumindo: o filme <em>funcionou</em>. Ele é colorido como um quadrinho, tem ação como um quadrinho, tem <strong>HUMOR</strong> como um quadrinho (não, não é só o Homem Aranha que manda piadinhas nas HQs), e tem um clímax de quadrinho. Supervilões DEMOLINDO New York é a coisa mais história-em-quadrinho que existe.</p><p>Outra coisa que achei fenomenal: o downgrade sutil que o Joss Whedon deu no Loki e no Thor. Obviamente, sendo deuses (uma criatura por definição onipotente), não havia um senso de perigo em relação aos irmãos asgardianos; no entanto, o roteiro tratou disso de forma elegante. Logo antes de tentar matar o Thor jogando-o pra fora do helicarrier, Loki comenta com o irmão que &#8220;<em>os terrenos pensam que somos imortais, né? Vamo ver se somos mesmo</em>&#8220;.</p><p>Aquela frase serviu um propósito importante: &#8220;não boceje aí, o Thor <strong>PODE</strong> morrer sim. Tá, você sabe que sendo um dos heróis da coisa ele não vai. Mas há uma importância no que o Loki acaba de fazer. Ele tá realmente tentando matar o outro!&#8221;</p><p>Cenas que achei memoráveis:</p><p>A decolagem do helicarrier. Puta que pariu;</p><p>A <strong>SOVA</strong> que o Hulk dá no Loki, interrompendo seu discurso prepotente de que não seria &#8220;bullyado&#8221; por um monstro imbecil como o Gigante Esmeralda (eu GARGALHEI no cinema, e não fui o único);</p><p>O Iron Man chamando o Hawkeye de &#8220;Legolas&#8221; (e o Thor de &#8220;Point Break&#8221;. Não entendeu? <a
href="http://www.dvdlink.ca/images/Movies%20Covers/6511/31/1219791033_1220296896.jpg" target="_blank">Clica aí</a>.);</p><p>A porrada entre o Thor e o Iron Man, que é um aperitivo para o que uma Civil War cinematográfica poderia ser;</p><p>A tal cena do maluco jogando Galaga.</p><p>E é isso aí. O filme não arrecadou 200 milhões de dólares no primeiro fim de semana de exibição (quebrando o recorde anterior do último filme do Harry Potter) por acaso. Vá lá ver esta merda.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-de-filme-the-avengers/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>43</slash:comments> </item> <item><title>Sobre filmes dublados</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/sobre-filmes-dublados/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/sobre-filmes-dublados/#comments</comments> <pubDate>Fri, 02 Mar 2012 00:00:00 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://tambotech.com.br/hbdia/?p=5140</guid> <description><![CDATA[Eu estava lá em Edmonton na semana passada, deitado preguiçosamente na cama do hotel, quando alguém berrou histericamente no tuíter: CARALHO MOLEQUE TÁ PASSANDO DE VOLTA PRUFUTURO NA RECORD! Mais que depressa, saquei o celular. A quem interessar possa, este é o app do Justin.TV, onde sempre tem algum maluco com placa de captura de<a
href="http://hbdia.com/wordpress/resenha-de-filme/sobre-filmes-dublados/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava lá em Edmonton na semana passada, deitado preguiçosamente na cama do hotel, quando alguém berrou histericamente no tuíter:</p><p><strong>CARALHO MOLEQUE TÁ PASSANDO DE VOLTA PRUFUTURO NA RECORD!</strong></p><p>Mais que depressa, saquei o celular.</p><p
style="text-align: center;"><img
class="aligncenter size-large wp-image-5141" style="border: 1px solid black;" title="EITA PORRA" src="http://img.hbdia.com/2012/02/Photo-2012-02-21-10-14-43-AM-500x333.png" alt="" width="500" height="333" /></p><p>A quem interessar possa, este é o app do Justin.TV, onde sempre tem algum maluco com placa de captura de TV fazendo broadcast de canais brasileiros para a alegria de nós emigrantes.</p><p>Justin.TV significa, aliás, &#8220;Just In&#8221;, ou seja, aquela expressão usada por repórteres televisivos quando uma notícia urgente acaba de chegar em sua mesa. Não é referência a nenhum &#8220;Justin&#8221; não, seja Timberlake ou Bieber ou Kubitschek. Aliás, pera, era JUSCELINO o nome daquele presidente, não Justino né? Esquece.</p><div
id="attachment-5142" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img
class="size-large wp-image-5142 " style="border: 1px solid black;" title="Eu só lembrava que era JK" src="http://img.hbdia.com/2012/02/JK-500x234.jpg" alt="" width="500" height="234" /><p
class="wp-caption-text">Tive que ir na wikipédia conferir</p></div><p>Nunca havia assistido De Volta para o Futuro dublado antes (e se assisti, esqueci), porque meu pai tinha os filmes em VHS. Meu pai aliás sempre foi um grande proponente dos filmes legendados, uma preferência lugar-comum neste nosso mundo atual de hipsters que tiram foto de copo da Starbucks, mas que era bem mais incomum nos anos 80 e 90.</p><p>Após anos morando fora do Brasil, meu relacionamento com dublagens é um pouco diferente. Primeiro, ver filmes dublados me dá uma nostalgia incrível; ouvir as vozes brasileiras do Eddie Murphy ou do Schwarzenegger me remete de volta às tardes assistindo TV na casa da minha avó, sentado no chão tomando vitamina de banana e comendo coxinhas duvidosas fornecidas por um vendedor ambulante do bairro.</p><p>Aliás, é interessante ressaltar que, ao contrário de outros artistas estrangeiros de nome desconfortável pros norteamericanos, o Xuáza nunca adotou uma alcunha americanizada. Vide <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charlie-Sheen" target="-blank" class="broken_link">Charlie Sheen</a>, por exemplo, que nasceu como Carlos Estevez, ou <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/Martin-Sheen" target="-blank" class="broken_link">seu pai</a>, que se chama na verdade Ramón Antonio Gerardo Estévez.</p><p>Por isso, assistir filme dublado me traz lembranças agradáveis dos tempos de vida brasileira. Sei que tem muito xiita hipster por aí (e porra, pra alguém que afirma detestar o que é popular não deveria nem usar a internet pra começo de conversa) que diz preferir beber mijo de um mendigo a se submeter a esse ópio das massas sujas que é um filme dublado, mas eu não penso assim. Eu gosto.</p><p>Mas isso é no caso de filmes clássicos, porque a dublagem brasileira faz parte da minha memória da experiência do filme. No caso de seriados que eu conheci em inglês &#8212; ou passei a acompanhar com frequência após me mudar para o Canadá, como South Park, Simpsons, Family Guy, e, bem, praticamente TUDO quanto é seriado já que eu não assistia lá muita coisa quando morava no Brasil &#8211;, ver a versão dublada dá uma dissonância cognitiva incrível, uma sensação desconfortabilíssima de ver o familiar mesclado com algo totalmente estranho pra mim.</p><p>É mais ou menos o efeito inverso de quando vemos os dubladores, pessoas de carne e osso, falando com a voz de seus personagens clássicos. Por exemplo:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5140-youtube-1"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=deG31ZitVek"><img
src="http://img.youtube.com/vi/deG31ZitVek/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>O cérebro rejeita isso, né? Ele está tão acostumado a ouvir essas vozes saindo de outras bocas que ele acha que tá havendo algo de errado.</p><p>É exatamente assim que me sinto quando vejo isso aqui:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5140-youtube-2"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=h-gGHYfonOI" class="broken_link"><img
src="http://img.youtube.com/vi/h-gGHYfonOI/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>É como chegar em casa e ter uma mulher desconhecida fingindo ser a sua esposa. Meu cérebro rejeita completamente o que estou vendo, e fica buscando incessantemente motivos pra desgostar e criticar a dublagem (por mais que os atores tentem simular a voz do personagem principal, um hábito típico da dublagem que o dublador brasileiro do Peter preferiu abandonar).</p><p>Eu imagino que é a mesma sensação que vocês experimentarão ao ver este vídeo:</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5140-youtube-3"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=mItVioBwa3k"><img
src="http://img.youtube.com/vi/mItVioBwa3k/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p
style="text-align: left;">Pra mim, <strong>essa </strong>é a voz do Homer. Os quase dez anos assistindo Simpsons aqui com muito mais frequência do que eu fazia no Brasil (aliás, quando a Globo parou de passar Simpsons nas manhãs de domingo, eu essencialmente parei de assistir o desenho) fizeram com que eu me acostumasse completamente às vozes originais.</p><p
style="text-align: left;">Vale lembrar, inclusive, que no caso dos Simpsons as vozes brasileiras mudaram diversas vezes, enquando as vozes gringas são as mesmas desde a origem do programa. Ou seja, as vozes brasileiras às quais me apeguei quando via Simpsons nos anos 90 não existem mais, o que solidifica mais ainda a imagem do Homer falando inglês como o &#8220;Homer de verdade&#8221;.</p><p
style="text-align: left;">No caso de desenhos que foram mais presentes na minha infância (por passar todo dia, por exemplo) e que eu não assisto mais &#8212; Picapau, digamos &#8211;, a dublagem em português é a única que aceito. A voz do Picapau em inglês é esquisita demais. A voz em portugês, pro meu cérebro, é a voz &#8220;de verdade&#8221; do picapau.</p><p
style="text-align: left;">E tem os casos em que ambos a dublagem e o som original são sensacionais e igualmente icônicos. A dublagem de Um Tira da Pesada, por exemplo, é <strong>AI AI AI FORMIDÁVEL</strong> como dizia o Axel Foley. E anos mais tarde, quando fui a conhecer os especiais de standup do Eddie Murphie (em áudio original; acredito que nem existe dublagem oficial deles), passei a me acostumar com a voz original do Eddie Murphy, que também é humoristicamente excelente pro papel do policial maluco lá.</p><p
style="text-align: left;">É possível que eu só tenha esse apego por dublagem após morar tanto tempo fora. O meu isolamento da mídia dublada acabou tornando-a tão distante e pertencente apenas à minha memória quanto as lembranças das tardes nas locadoras e das revistas de games&#8230;</p><div
class="linkwithin-hook" id="http://hbdia.com/wordpress/resenha-de-filme/sobre-filmes-dublados/"></div><p><script type="text/javascript">
	swfobject.embedSWF("http://www.youtube.com/v/deG31ZitVek&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=0", "vvq-5140-youtube-1", "425", "344", "10", vvqexpressinstall, vvqflashvars, vvqparams, vvqattributes);
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</script></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/sobre-filmes-dublados/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Novo trailer dos Avengers (e considerações sobre ele)</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/novo-trailer-dos-avengers-e-consideracoes-sobre-ele/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/novo-trailer-dos-avengers-e-consideracoes-sobre-ele/#comments</comments> <pubDate>Wed, 29 Feb 2012 00:00:00 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://tambotech.com.br/hbdia/?p=5148</guid> <description><![CDATA[CARALHO MALUCO, olha isso. OK, algumas considerações: 1) Já já a Disney enfia uma trojeba legal (ou a ameaça de tal) no cu de quem fez upload disso e/ou do youtube. Como é inevitável nesses casos, já já o youtube tira o vídeo do ar. Se isso acontecer, clica aqui. Ah, é: é importante lembrar<a
href="http://hbdia.com/wordpress/resenha-de-filme/novo-trailer-dos-avengers-e-consideracoes-sobre-ele/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><strong>CARALHO MALUCO</strong>, olha isso.</p><p
style="text-align: center;"><span
class="vvqbox vvqyoutube" style="width:425px;height:344px;"><span
id="vvq-5148-youtube-1"><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=NPoHPNeU9fc"><img
src="http://img.youtube.com/vi/NPoHPNeU9fc/0.jpg" alt="YouTube Preview Image" /></a></span></span></p><p>OK, algumas considerações:</p><p><del>1) Já já a Disney enfia uma trojeba legal (ou a ameaça de tal) no cu de quem fez upload disso e/ou do youtube. Como é inevitável nesses casos, já já o youtube tira o vídeo do ar. Se isso acontecer, <a
href="http://trailers.apple.com/trailers/" target="-blank">clica aqui</a>. Ah, é: é importante lembrar que o Avengers é, tecnicamente, um filme da Disney, hahaha.</del></p><p>Esquece, o trailer tá na conta oficial da Marvel inglesa. Nem tinha notado isso. É de boa!</p><p>2) A substituição do Edward Norton pelo Mark Rufallo é uma situação meio chata, mas fazer o que? O cara é mó <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/Prima-donna" target="-blank" class="broken_link">primadonna</a>, fazia exigências absurdas em relação ao controle criativo, não dá né? Fazer o que.</p><p>3) Este é o melhor trailer do filme até então (e, considerando a proximidade do lançamento, provavelmente o último). Os trechos mostrando como cada herói foi chamado à luta são essenciais num filme cuja premissa é um <em>team-up</em> de super-heróis.</p><p>4) Os vilões ainda não foram revelados. Talvez sejam os skrulls, talvez sejam uma raça alienígena qualquer.</p><p>5) Viram a briguinha inicial clichê de filme em que um grupo precisa se unir contra uma ameaça maior, né? Duas palavras: GUERRA CIVIL. Impossível ver aquilo e não imaginar uma continuação que aborde o Ato do Registro. O problema é que&#8230;</p><p>6) Isso exigiria que um bilhão de outros heróis pintassem no mesmo universo cinematográfico e isso viraria farofeirice.</p><p>7) A frase que o Tony Stark falou no final (vi muitos debatendo no tuíter que não haviam entendido) é &#8220;<em>I&#8217;m bringing the party to you</em>&#8220;, ou seja, &#8220;estou trazendo a festa pra vocês&#8221; numa tradução literal, ou &#8220;segura aí que o bicho vai pegar já já&#8221; numa tradução mais malandrística.</p><p> <img
src='http://hbdia.com/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon-cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Preciso permanecer vivo nem que apenas o tempo suficiente pra poder assistir este filme 4 vezes no cinema. Puta que pariu, desde Mortal Kombat eu não ficava tão empolgado pra ver um filme estrelando diversos heróis da minha infância.</p><p>9) Olha a Maria Hill ali! Tá gostosinha (também pudera, é a <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cobie-Smulders" target="-blank" class="broken_link">Colbie Smulders</a> &#8212; cujo nome do meio é justamente Maria, veja você), mas naquela cena ela fez uma carinha de coitada que não encaixa bem com a personagem. Quero ver algo mais parecido com a Maria Hill conforme ela aparece na Guerra Civil. Afinal, ela é uma militar de alto calibre né, aquela cara de quem acaba de perder o ônibus não combina.</p><div
class="linkwithin-hook" id="http://hbdia.com/wordpress/resenha-de-filme/novo-trailer-dos-avengers-e-consideracoes-sobre-ele/"></div><p><script type="text/javascript">
	swfobject.embedSWF("http://www.youtube.com/v/NPoHPNeU9fc&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=0", "vvq-5148-youtube-1", "425", "344", "10", vvqexpressinstall, vvqflashvars, vvqparams, vvqattributes);
</script></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/novo-trailer-dos-avengers-e-consideracoes-sobre-ele/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>O problema com o Total Recall</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/o-problema-com-o-total-recall/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/o-problema-com-o-total-recall/#comments</comments> <pubDate>Tue, 07 Sep 2010 12:54:12 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=2020</guid> <description><![CDATA[Deixa eu começar esse texto justificando o uso (aparentemente presunçoso) do título original em inglês, ao invés da escolha das distribuidoras brasileiras. &#8220;Vingador do Futuro&#8221; é um nome incrivelmente tosco. Além da breguice deixar explícito pro espectador que o filme se passa no futuro (qual a necessidade disso, sinceramente?), o simples fato de que a...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Deixa eu começar esse texto justificando o uso (aparentemente presunçoso) do título original em inglês, ao invés da escolha das distribuidoras brasileiras.</p><p>&#8220;Vingador do Futuro&#8221; é um nome incrivelmente tosco. Além da breguice deixar explícito pro espectador que o filme se passa no futuro (qual a necessidade disso, sinceramente?), o simples fato de que a adição de &#8220;do futuro&#8221; torna o título muito parecido aos outros filmes do Xuáza deveria ter servido pros tradutores reconsiderarem a nomenclatura.</p><p><span
id="more-2020"></span></p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/09/total.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-2021" style="border: 1px solid black;" title="total" src="http://img.hbdia.com/2010/09/total.jpg" alt="total" width="280" height="426" /></a></p><p>Apesar do chilique, Total Recall é memorável porque faz parte de um panteão de clássicos característicos dos anos 80/90. Meu pai sempre foi muito fissurado em cinema, e por influência dele eu acabei me tornando muito fã dos filmes da época. Aliens, Predador, Exterminador do Futuro, Um Tira da Pesada, Guerra nas Estrelas, De Volta para o Futuro, Duro de Matar&#8230;</p><p>(Aliás, a tradução de &#8220;Die Hard&#8221; &#8211; que significa &#8220;obstinado/aquele que vai contra as circunstâncias ou as dificuldades&#8221; &#8211; pro simplório &#8220;Duro de Matar&#8221; dava outro chilique, mas chega por hoje.)</p><p>Meu pai tinha todos esses clássicos &#8211; e muitos outros &#8211; em várias fitas VHS, sempre embaixo da TV com aqueles adesivinhos da TDK e os nomes escritos em letra de forma com caneta esfereográfica azul.</p><p>Essas memórias me remetem a um tempo de descoberta, quando os clássicos não eram franquias conhecidas universalmente e você ainda estava tentando entender as tramas como as histórias completamente novas que elas eram pra você. Lembra quando você não entendia direito o que a Força era? Ou por que o Bishop sangrava &#8220;leite&#8221;?</p><p>Enfim.</p><p>Total Recall conta a história de Douglas Quaid (originalmente Douglas <em>Quail</em>, mas alterado pra não soar como Quayle, o vice-presidente americano na época em que o filme foi lançado), um peão de construção sem grana ou disposição &#8211; leia-se &#8220;permissão da esposa&#8221; &#8211; pra tornar realidade seu sonho de visitar Marte.</p><p>Por isso ele contrata os serviços da Rekall Inc (&#8220;recall&#8221; não significa &#8220;ligar de novo&#8221; seu animal, mas sim &#8220;relembrar&#8221;), uma empresa especializada em implantar memórias falsas. Através dela, o cliente experimentaria uma viagem de férias por um preço mais acessivo, e sem os riscos ou inconvenientes relacionados a viagens.</p><p>O problema é que a linha que separa a realidade das memórias falsas (será que eram falsas mesmo? Ih caralho&#8230;) começa a borrar, e o Quaid se vê envolvido numa trama de espionagem e pá e tal. E pior, às vezes parece que ele não é sequer ele mesmo &#8211; a identidade que ele PENSA que tem pode ter sido um outro implante, feito por inimigos pra esculhambar a missão dele. Imagina você descobrir de repente que você não é você mesmo, e que suas memórias são falsas.</p><p>Ou algo assim. O filme é confuso pra caralho, não lembro dos detalhes com clareza, e até HOJE se discute o final do filme, que termina com ambiguidade.</p><p>O filme foi pelo Paul Verhoeven, o mesmo cara que assinou RoboCop e Starship Troopers. Ou seja, dá pra notar que o cara curte uma ficção científica mais galhofada e ultra-violenta &#8211; e com um tom mais subversivo até, eu diria.</p><p>O que é uma pena, porque a história foi escrita pelo Philip K. Dick, um autor de ficção que curtia muito a temática do real versus ilusório. Não acho que o Paul Verhoeven foi a melhor escolha prum filme desse tipo.</p><p>Acordei de madrugada e, sem nada pra fazer, fui reassistir Total Recall. Durante toda a primeira metade do filme, um aspecto da trama me perturbou tanto que eu tive que ligar o netbook na calada da noite pra escrever esse texto.</p><p>A questão é &#8211; quem diabos iria querer implantar memórias falsas em si mesmo?</p><p>Pensa bem. Lembre aí de tudo que você fez ontem. Você acordou, tomou café, foi pro trabalho, tomou uma mijada do chefe porque fez alguma merda no dia anterior, ficou puto e começou a pesquisar empregos no Catho, voltou pra casa e jogou GTA4 online, foi jantar, e finalmente caiu no sono na sala enquanto se masturbava assistindo um filme pornográfico.</p><p>Agora, imagine que tudo isso não aconteceu de verdade, era apenas uma memória falsa. Suponha que na memória falsa você interagiu com um amigo, mas quando conversa com ele sobre o fato, ele faz cara de dúvida e afirma que vocês nem se viram ontem.</p><p>Ou que você pegou aquela menina que sempre sonhou em comer, mas que tudo se tratava de uma ilusão e ela não entende o motivo desse seu comportamento afetivo na próxima vez que vocês se encontram.</p><p>Ou que seu chefe nunca te deu aquela bronca e acha completamente estranho o fato de que você se demitiu abruptamente, alegando não aguentar mais trabalhar pro cara.</p><p>Uma memória falsa não ia apenas te deixar <em>completamente</em> louco, sem nunca mais conseguir distinguir fantasia da realidade. O que é realmente assustador é que as lembranças implantadas alterariam suas próximas decisões REAIS, tendo potencial pra esculhambar sua vida de forma irreversível.</p><p>Qualquer ato que você executasse que usasse como referência uma memória implantada teria potencial pra ser catastrófico. Imagina se todo dia você acordasse e baseasse suas ações no sonho que teve na noite passada, sem saber que a coisa se tratava de uma simulação virtual na tua cabeça?</p><p>E isso porque estamos considerando uma memória falsa de apenas um dia. No filme, os pacotes oferecidos são de duas semanas. Imagina quantas coisas acontecem ao longo de duas semanas, e quantas ações suas se baseam no que vocês fez nas últimas duas semanas.</p><p>Pior ainda, no filme é estabelecido que a empresa produz artefatos (cartas, fotografias, etc) que corroboram suas memórias. Ou seja, por mais que seus amigos tentassem te convencer que você não realmente passou as últimas duas semanas surfando no Havaí, o seu álbum de fotografias te diz o contrário. Em quem confiar?</p><p>E aliás, num mundo em que memórias falsas são lugar comum, como os amigos de alguém que experimentou essas &#8220;viagens&#8221; se comportariam quando você chegasse contando algo pra eles que obviamente não aconteceu? Todo mundo apenas acenaria e concordaria com tudo que tu diz? Seria como viver com um bando de malucos!</p><p>Quando comentei no twitter que memórias falsas teriam o potencial de estragar sua vida pra sempre, o <a
href="https://twitter.com/ThiagoSiQueiraF" target="_blank">@ThiagoSiqueiraF</a> comentou &#8220;o Wolverine que o diga!&#8221;. É verdade, boa parte da história do pobre canadense lida com o fato de que ele nunca sabia que memórias dele eram reais, e quais haviam sido implantadas.</p><p>Não saber distinguir fantasia da realidade é um dos meus temas favoritos, tanto que Matrix e Inception figuram posição alta na minha lista de filmes favoritos de todos os tempos.</p><p>Aliás, o recente (e excelente) Inception solidificou a posição do Christopher Nolan como um diretor habilidoso com o tema. Só posso imaginar que sensacional seria um remake de Total Recall dirigido pelo Nolan.</p><p>Infelizmente, o tal remake <a
href="http://www.cinemablend.com/new/Len-Wiseman-Will-Direct-Sony-s-Total-Recall-Remake-19891.html" target="_blank">já tá acontecendo</a>, e será dirigido pelo Len Wiseman. Tudo que o cara tem no currículo é a série Underworld e o último Die Hard, ou seja, não tou muito confiante de que sairá algo muito bom ou fiel à temática da história original.</p><p>Bom, contanto que eles dêem um nome diferente de O VINGADOR DO FUTURO quando chegar ao Brasil, já foi uma melhoria.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/o-problema-com-o-total-recall/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>56</slash:comments> </item> <item><title>Alluda Majaka: O melhor filme indiano que eu já vi</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/alluda-majaka-o-melhor-filme-indiano-que-eu-ja-vi/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/alluda-majaka-o-melhor-filme-indiano-que-eu-ja-vi/#comments</comments> <pubDate>Fri, 05 Mar 2010 10:29:38 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category> <category><![CDATA[ação]]></category> <category><![CDATA[alluda]]></category> <category><![CDATA[bizarro]]></category> <category><![CDATA[bollywood]]></category> <category><![CDATA[comédia]]></category> <category><![CDATA[filme]]></category> <category><![CDATA[indiano]]></category> <category><![CDATA[louco]]></category> <category><![CDATA[majaka]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=1594</guid> <description><![CDATA[Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema. Acredito que isso aí é o equivalente indiano de &#8220;Senhor e Senhora Smith&#8221;. London deve ser &#8220;Smith&#8221; em indiano. E a máquina do cinema...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema.</p><p
style="text-align: center;"><img
class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Lol" src="http://img147.imageshack.us/img147/9840/namastey4ak7.jpg" alt="" width="244" height="353" /></p><p
style="text-align: center;">Acredito que isso aí é o equivalente indiano de &#8220;Senhor e Senhora Smith&#8221;. London deve ser &#8220;Smith&#8221; em indiano.</p><p
style="text-align: center;"><span
id="more-1594"></span></p><p>E a máquina do cinema indiano &#8211; referida carinhosamente como &#8220;Bollywood&#8221; &#8211; não se limita a comédias românticas não recomendadas pra diabéticos nem drama mela-cueca, não! De vez em quando um estúdio qualquer libera alguns quatrilhões de rúpias (a Índia, como qualquer país fodido que se preze, deve ter uma inflação FODIDA) , e algum Steven Spielberg de bigode põe a mão na massa e tentam emular a ação cinematográfica americana.</p><p>Olha só. Se você alguma vez se lamentou pelo fato de que o cinema brasileiro não faz tentativas similares, rapidinho você vai entender que isso é na verdade uma benção. Xeu explicar por que.</p><p>O cinema indiano é que nem a menina de 7 anos que, após observar a mãe se arrumando pro trabalho, pega o estojo de maquiagem e pinta a cara com oito cores diferentes, passa baton na orelha, come um pouco do ruge e vomita em cima da cama: através da observação eles pegaram a idéia principal, mas a execução &#8211; além de falhar catastroficamente &#8211; é uma das coisas mais engraçadas que você já viu na vida.</p><p>Estava eu noutro dia passeando por um desses fóruns em que os usuários, unidos pelo amor pela pornografia, trocam largas quantidades de links pra todo tipo imaginável putaria. Um dos foristas devia ter dado Ctrl C no link errado, porque o que ele postou no tópico foi isto aqui.</p><p
style="text-align: center;"><p><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=7-2yDNz9peU">http://www.youtube.com/watch?v=7-2yDNz9peU</a></p></p><p>O épico acima se chama &#8220;Alluda Majaka&#8221;, e a única coisa que sei sobre ele é que é um filme de ação indiano lançado em 1995.</p><p>O forista misterioso, que nunca mais retornou ao tópico aliás, não nos deu nenhum contexto em relação ao filme ao qual a incrível cena pertence. Fomos obrigados a teorizar que é um trecho de Puta Que Pariu! &#8211; O Filme.</p><p>O filme (vou tratar a cena como se fosse O FILME, tá? Mais fácil que ficar falando &#8220;naquela cena do filme&#8230;&#8221; o tempo todo) abre com o nosso Herói algemado e sendo levado de camburão à delegacia &#8211; provavelmente.</p><p>Que crime o sujeito teria cometido? Podemos ver que ele adere pelo menos a uma das leis indianas mais importantes, que é manter um bigode de pelo menos 8 centímetros de comprimento. Então, não deve ser um completo fora-da-lei.</p><p>Como o Herói tinha coisas mais importantes a fazer naquele dia (&#8220;não ser espancado por policiais corruptos de terceiro mundo&#8221;, logo após &#8220;levar o menino pro dentista&#8221;), ele nem pensa duas vezes &#8211; com potentes chutes bem no meio do peito de seus captores, ele os projeta pra fora do camburão, derrubando as portas laterais que estavam presas por um clipe de papel aparentemente.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/garantia.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1601" style="border: 1px solid black;" title="Eu duvido que a garantia cubra isso." src="http://img.hbdia.com/2010/03/garantia.jpg" alt="" width="301" height="202" /></a></p><p>O Herói salta pra fora do veículo, desce o cacete em mais um policial armado. Enquanto ambos dançam um balé coreografado, o policial dispara vários projéteis.</p><p>Considerando que a Índia é um dos países mais populosos do mundo, cada uma daquelas balas deve ter matado ao menos cinco transeuntes. E se os tiros forem à queima-roupa, estamos falando de vários metros de bigodes chamuscados.</p><p>O policial então é arremessado contra o primeiro de muitos parabrisas que explodirão ao longo do filme. Um outro tira apanha o rádio e chama reforços, e então começa a perseguição mais alucinante (e surreal) jamais capturada em celulóide.</p><p>O Herói sai correndo no meio de um engarrafamento, e um dos policiais acredita que é uma boa idéia persegui-lo DE MOTO, EM ALTA VELOCIDADE. Previsivelmente o motociclista se enfia no primeiro veículo  que bloqueia sua trajetória, e o impacto projeta o pobre policial a órbita geosíncrona.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/blastoff.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1603" style="border: 1px solid black;" title="Blast off! Ou aquela frase lá que o Buzz Lightyear falava." src="http://img.hbdia.com/2010/03/blastoff.jpg" alt="blastoff" width="260" height="184" /></a></p><p>O Herói jamais pára, nem mesmo após ter praticamente iniciado o programa espacial indiano. Dois jipes tentam bloquear sua correria, mas o habilidoso indiano pula por cima dos dois como se fosse um ginasta olímpico. Se o Herói fosse um personagem de 3D&amp;T, ele e seu bigode juntos teriam oito pontos de Habilidade.</p><p>O cara então decide que esse negócio de andar no chão é meio perigoso e decide sair correndo por CIMA dos carros. Quando menos se espera, o espaço aéreo da região é invadido por uma moto voadora inexplicável (que diabo de técnica de perseguição policial é essa? &#8220;Jogue uma moto contra o suspeito!&#8221;?), mas o Herói desvia com habilidade e escapa.</p><p>E aparentemente ele gastou toda a habilidade dele, porque na queda ele engancha o pé entre dois carros. De longe vemos outro jipe da polícia, em alta velocidade ao seu encalço. Nosso Herói se tornará pizza de asfalto em poucos segundos, e os créditos rolarão.</p><p>O nosso MacGyver asiático então remove um pedaço do carro sob o qual ele se encontra preso, e o arremessa contra o jipe que se aproxima. O troço se prende à grade do jipe e por motivos que desafiam tudo que conhecemos sobre as leis naturais que regem o universo, isso faz o jipe sair voando.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/flaps.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1604" style="border: 1px solid black;" title="Futuramente disponível no Flight Simulator - Indian Edition" src="http://img.hbdia.com/2010/03/flaps.jpg" alt="Futuramente disponível no Flight Simulator - Indian Edition" width="392" height="281" /></a></p><p>A única maneira dessa sequência fazer sentido é se as viaturas policiais indianas têm um &#8220;modo avião&#8221;, assim como o meu celular, mas de forma mais literal. O susto provocado pelo cano arremessado contra o jipe fez o policial apertar um botão sem querer, que causou o jipe a decolar com destino à altitude comercial de trinta mil pés.</p><p>Infelizmente como a decolagem súbita não foi antecipada pelo motorista/piloto,  ele falhou em checar todos os sistemas pré-vôo. Por isso, o reversor da turbina invisível (outra tecnologia indiana que um dia dominará o ocidente) não foi desativado, resultado num desastre aéreo que vitimou os tripulantes do carro/aeronave.</p><p>Agora, a próxima cena é importante. Eu imagino que eles mataram uns sete ou oito cavalos filmando essa sequência.</p><p>Uma inexplicável cavalaria aparece em perseguição do Herói. Por que afinal de contas, se motos e carros não conseguiram alcançar o cara, talvez um downgrade nos modos de transport&#8230; wait, isso não faz o menor sentido, porra! Eu imagino que o diretor do filme ganhou esses cavalos numa rifa ou algo assim, e decidiu que ia coloca-los na fita não importa o que.</p><p>(Aliás, deixa eu mencionar aqui que a trilha que toca na cena é familiar porque uma musiquinha muito semelhante foi usada no filme A Rocha)</p><p>Na tentativa de apreender o fugitivo, um dos policiais montandos enfia as patas do cavalo por mais um parabrisas. O Herói, mais safo que um sabonete besuntado com KY, escapa por um fio mais uma vez.</p><p>É nessas que dois dos tiras chegam mais perto e, usando laços que soam como QUALQUER COISA menos laços, conseguem capturar o Herói. E eles saem arrastando-o pela rua, levantando ainda mais questões sobre os procedimentos policiais indianos.</p><p>Eis que um poste se aproxima. Os policiais que seguram as cordas vão um pra cada lado do post, o que implica que eles planejavam realmente matar o protagonista, ou não entendem como o corpo humano funciona.</p><p>O Herói, agindo rapidamente pra salvar a própria vida salta do chão e&#8230; acerta o poste com a virilha. Isso mesmo. ESSE ERA O PLANO DELE: bloquear o impacto com os testículos.</p><p>Essa acrobacia &#8211; que se tivesse acontecido no planeta Terra teria partido o personagem em duas fatias simétricas &#8211; não apenas salva a vida do cara, como também faz os cavalos que o arrastavam dêem uma cambalhota em câmera lenta e caiam num mangue que brotou ali nas rendondezas.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/esgoto.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1605" style="border: 1px solid black;" title="Alguém escreveu essa cena, leu-a, e pensou &quot;yep, é assim que o mundo real funciona&quot;" src="http://img.hbdia.com/2010/03/esgoto.jpg" alt="Alguém escreveu essa cena, leu-a, e pensou &quot;yep, é assim que o mundo real funciona&quot;" width="351" height="285" /></a></p><p>E pra tornar a coisa maleficamente hilária, você pode ver claramente os fios que usaram pra fazer os cavalos tropeçarem de cabeça na água rasa. E seus jóqueis saem voando, como praticamente tudo no filme.</p><p>Mas ainda há outros policiais montados atrás do protagonista. Usando a corda que o prendia (e que não está atada a nada, lembre-se), ele derruba o resto da cavalaria inteira.</p><p>Novamente, atente pros fiozinhos atados nas pernas dos pobres animais. Dá pra ver elas por um segundo, logo antes do momento em que os bichos enfiam a cara no chão enquanto desenvolviam velocidade máxima.</p><p>O Herói, que até então tava se dando muito bem a pé, decide pegar emprestado um dos cavalos que não sofreu traumatismo craniano na queda. E surgem do éter indiano mais policiais montados correndo atrás do cara.</p><p>E chega um momento icônico do filme, imortalizado na internet no formato .GIF. Quando um caminhão bloqueia a trajetória do Herói e seu cavalo, o cara faz a coisa mais fisicamente impossível jamais concebida por um escritor de filme de ação. Nem quando brincava com meus bonequinhos eu desrespeitava tanto as leis universais que descrevem movimento e fricção.</p><p>O cara poderia ter pulado o caminhão com facilidade, já que  a cena inteira parece acontecer num cenário montado na Lua. Ao invés disso, ele DESLIZA COM O CAVALO POR BAIXO DO CAMINHÃO, como se este estivesse deitado em cima de vários skates.</p><p>Já o jipe que perseguia o cara passa voando sobre o caminhão, de acordo com o esperado.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/cena.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1606" style="border: 1px solid black;" title="&quot;Yep, não há nada de implausível nessa cena. Pode mandar o roteiro pro diretor.&quot;" src="http://img.hbdia.com/2010/03/cena.jpg" alt="cena" width="419" height="249" /></a></p><p>Tou sem palavras pra descrever o resto do filme. Há mais sequências-clichê de gente (e objetos inanimados) voando, parabrisas sendo estilhaçados, nego caindo por cima de balcão de feira de fruta, tá tudo lá.</p><p>Tal qual o exemplo da criança tentando se maquiar, todos os elementos da perseguição hollywoodiana estão lá, mas misturados exageradamente um por cima dos outros, de uma forma que o resultado final é praticamente uma paródia do objetivo desejado.</p><p>E pra não dizerem que faltou explosões, a seqência termina com a ignição espontânea de uma frota inteira de carros, e o uso mais evidentemente óbvio de chroma key que eu já vi na vida.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://img.hbdia.com/2010/03/HAHA.jpg"><img
class="aligncenter size-full wp-image-1607" style="border: 1px solid black;" title="Industrial Light and Magic, filial de Nova Déli" src="http://img.hbdia.com/2010/03/HAHA.jpg" alt="Industrial Light and Magic, filial de Nova Déli" width="443" height="268" /></a></p><p>Se você achava que o uso da técnica em Chaves era hilariamente forçado, think again.</p><p>A cômica incorência do filme se estende até ao artigo da Wikipédia que o descreve. Segundo ela,</p><blockquote><p>The movie was directed by <a
style="text-decoration: none; color: #002bb8; background-image: none; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;" title="E.V.V. Satyanarayana" href="http://en.wikipedia.org/wiki/E.V.V._Satyanarayana">E.V.V. Satyanarayana</a> and was released in 1995, at a time when Chiranjeevi was slightly less obese than usual.</p></blockquote><p>Ou seja, o filme foi lançado em 95, quando o ator principal &#8220;era menos obeso do que de costume&#8221;. Não &#8220;menos gordo&#8221;, veja bem.</p><p>Menos OBESO. O ator principal da película é alguém que, quando em seu melhor condicionamento físico, é referido como &#8220;MENOS OBESO&#8221;.</p><p>O humor não-intencional de Alluda Majaka é tão denso que passa por osmose até mesmo pras mídias relacionadas, como esse artigo da Wikipédia. O descompromisso com a realidade é tamanho que, perto desse filme, Comando Para Matar e Stallone Cobra parecem documentários.</p><p>Temo que o imperialismo norteamericano que oprime a indústria de locadoras aqui  do bairro me impedirá de assistir Alluda Majaka em toda a sua glória e esplendor, mas eu sinto que esses cinco minutos aí do youtube me mostraram tudo que eu precisava saber sobre o filme.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/alluda-majaka-o-melhor-filme-indiano-que-eu-ja-vi/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>118</slash:comments> </item> <item><title>Filmes de &quot;paródia&quot;</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/filmes-de-parodia/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/filmes-de-parodia/#comments</comments> <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:06:14 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=885</guid> <description><![CDATA[Quando Scary Movie (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor &#8220;barato&#8221;, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo. Porém,...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Quando <em>Scary Movie</em> (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor &#8220;barato&#8221;, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo.</p><p>Porém, era interessante ver o resurgimento desse estilo de filme. <em>Airplane!</em> (Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu) foi o maior expoente dessa categoria de filmes, e desde então não havia nada que se comparasse. Com a exceção talvez de Spaceballs, mas por ser fã de Star Wars eu considero aquilo uma blasfêmia.<br
/> <span
id="more-885"></span><br
/> Scary Movie tinha como alvo específico os filmes de terror e os estereotipos a respeito deles; seria ao menos interessante ver como eles iriam parodiar os temas constantes dos filmes do tipo.</p><p>Isso foi a oito anos atrás. Nos anos mais recentes, a turma responsável pelo filme parodiando filmes de terror achou que a idéia poderia se extender com sucesso aos outros temas cinematográficos. Deve ter parecido uma idéia <strong>GENIAL</strong> pra eles, tenho certeza.</p><p><center><img
src="http://img503.imageshack.us/img503/1657/meetthespartansposterbf9.jpg" border=1> <img
src="http://img503.imageshack.us/img503/4269/200pxdatemovielx1.jpg" border=1> <img
src="http://img503.imageshack.us/img503/5907/200pxepicmoviepostergd3.jpg" border=1></center></p><p>Not Another Teen Movie. Date Movie. Epic Movie. Meet The Spartans. Superhero Movie. Isso pra não mencionar os outros três Scary Movies, cada um exponencialmente mais burro que o outro, e as inevitáveis sequências dos outros [Gênero] Movies.</p><p>E, agora, os mesmos culpados trazem ao mundo Disaster Movie, cujo trailer você poderá &#8220;apreciar&#8221; abaixo.</p><p><center><object
width="425" height="344"><param
name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Xbw0J0UhyH4&#038;hl=en"></param><embed
src="http://www.youtube.com/v/Xbw0J0UhyH4&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"></embed></object></center></p><p>Não sei você, mas eu me sinto 70% mais burro só por ter assistido o trailer até o fim (não quero nem imaginar as consequências de assistir o filme inteiro, ou pior ainda, pagar pra vê-lo no cinema).</p><p>O mais recente desses filmes que eu assisti foi Epic Movie, justamente porque eu queria escrever uma resenha sobre ele. Lá pela metade do filme eu percebi que gastar mais de uma linha pra descrever o quanto o filme é retardado seria um desperdício de tempo e energia, porque a idéia parte do princípio que alguém precisaria ser informado que o filme é ruim.</p><p>O filme vai além de ser simplesmente &#8220;retardado&#8221;. Ele é um filme retardado e com crise de identidade. A premissa do filme é parodiar filmes &#8220;épicos&#8221;, supostamente os <em>summer blockbusters</em>. Por isso eu entendo que o pano de fundo principal pra &#8220;paródia&#8221; é Crônicas de Nárnia.</p><p>O que eu não entendo é por que, em um determinado momento do filme, um sujeito vestido de Borat aparece do nada no meio do filme.</p><p><center><img
src="http://www.mtv.com/shared/promoimages/movies/e/epic_movie/borat/281x211.jpg" border=1></center></p><p>Não há uma piada. Não há uma paródia (até porque, qual o sentido de parodiar <b>UMA COMÉDIA</b>?). Há apenas alguém fantasiado de uma outra figura facilmente reconhecível.</p><p>Aí eu notei que esse é o principal mote por trás dos [Gênero] Movies. Não há realmente uma paródia; é simplesmente piadinhas referenciais. Os caras enfiam uma sósia de um personagem qualquer (esteja este personagem relacionado ao tema sendo parodiado ou não) no filme, e pronto. &#8220;Ei espectadores, lembram disso que você viu em outro filme? Engraçado pra caralho, né não?&#8221;</p><p>Essa é a piada.</p><p>E nesse Disaster Movie eles resolveram remover todos os escrúpulos e apelar firmemente nessa técnica humorística. Veja a aparição do Iron Man, cujo único propósito pra estar no filme é&#8230; ser esmagado por uma vaca? Hilário. Iron Man não é um filme-desastre, e pelo jeito nenhuma faceta da história do personagem é parodiada. A única coisa que acontece nesse trailer é a) um personagem reconhecível aparece na tela, e b) uma vaca cai em cima dele, numa provável referência a Twister.</p><p>Idem pra aparição de Hancock, protagonista do filme homônimo do Will Smith. Ele tenta voar, tal qual no trailer, e bate com a cabeça num poste e cai.</p><p>O pequeno problema é que <strong>HANCOCK AINDA NEM FOI LANÇADO.</strong> Não sabemos nada da história do filme além do que pode ser visto no trailer, e de fato Disaster Movie está simplesmente parodiando o trailer de Hancock. A fórmula se repete &#8211; o personagem reconhecível aparece, e se machuca em seguida. O mesmo acontece em novamente com a &#8220;paródia&#8221; de Ella Enchanted. Ela aparece, é atropelada, pronto, aí está a piada.</p><p>Quando as &#8220;paródias&#8221; desse tipo de filme nem mesmo requerem conhecimento do material parodiado, você sabe que as piadas são realmente sem nenhum tipo de esforço ou inteligência. O humor desse tipo de filme, que aparentemente foi maximizado em Disaster Movie, se limita a &#8220;ei, lembra desse personagem daquele outro filme? Aqui está ele se machucando de alguma forma!&#8221;</p><p>Você tá entendendo o que eu tou tentando falar? Não há uma piada de verdade nesse tipo de filme. Não há sátira alguma, não há uma reinterpretação sarcástica de material relacionado ao tema de filmes-desastre. Não é preciso nem que você tenha assistido um filme de desastre pra entender o negócio. O que há é um personagem reconhecível &#8211; de filmes que nem haviam sido lançados ainda quando este começou a ser produzido &#8211; levando socos nos ovos ou sendo empurrados pra dentro de buracos. A premissa desses filmes é &#8220;aqui estão referências a vários outros filmes que você assistiu antes, sem necessariamente uma trama que conecte essas aparições de uma forma coerente&#8221;.</p><p>Chega a me dar tristeza o fato de que pessoas que eu conheço não apenas assistirão o filme, mas também PAGARÃO pra isso, e pra piorar, vão falar que foi engraçado pra caralho.</p><p>Ao menos o nome é apropriado. Esse filme será um desastre.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/filmes-de-parodia/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>102</slash:comments> </item> <item><title>Resenha &#8211; Cube Zero</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-cube-zero/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-cube-zero/#comments</comments> <pubDate>Wed, 21 May 2008 19:33:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=869</guid> <description><![CDATA[Como se fala wood chipper em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Como se fala <em>wood chipper</em> em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu domínio.</p><p>Então. Wood chipper é isso aqui:</p><p><center><img
src="http://img132.imageshack.us/img132/6219/14d6chipper400se8.jpg" border=1 alt="" /></center><br
/> O troço é essencialmente uma máquina trituradora usada pra se livrar da madeira indesejada resultante da derrubada de árvores que o Capitão Planeta nos alertou tanto a respeito. Como o funcionamento do aparelho não consegue distinguir madeira de outros materiais, a máquina é na verdade bastante versátil e serve pra se livrar de várias outras coisas indesejadas, ou que você prefira ter em pedacinhos.</p><p>Até a chegada do futuro conforme predito por <em>Star Trek</em>, isso é o mais próximo de desmaterialização que nossa tecnologia permite. Um objeto que tenha o azar de ser colocado dentro de um wood chipper terá suas partículas violentamente separadas umas das outras por intermédio de uma miríade de lâminas afiadíssimas.</p><p><strong>[Update]</strong> O <a
href="http://www.ueba.com.br">Knuttz</a> me falou aqui no MSN que o nome disso é &#8220;picadora de madeira&#8221;. Ao menos agora sei o nome da parada, mas por motivos de consistência vou continuar usando o termo gringo.<strong>[/Update]</strong></p><p>Agora, imagine-se enfiando seu braço lentamente num wood chipper, enquanto a saída do equipamento do outro lado expele o confete sanguinolento que costumava ser sua mão, e a onda de dor subitamente toma conta do seu corpo de forma tão poderosa que você vomita, escorrega no vômito e cai dentro da máquina.</p><p>Essa é, de forma concisa, o resumo da experiência de assistir <strong>Cube Zero</strong>.<br
/> <span
id="more-869"></span></p><p><center><img
src="http://www.carballada.com/wordpress/wp-content/uploads/cube-zero.jpg" border=1></center><br
/> <strong>Cube Zero</strong> é um filme canadense de 2004 que é um prequel de <strong>Cubo</strong>, de 1997. Os leitores de longa data já sabem qual é a <a
href="http://hbdia.com/wordpress/2006/08/26/641/">minha opinião sobre o primeiro filme</a> e, apesar de eu não ter me dado ao trabalho de resenhado o filme intermediário na trilogia (<strong>Cube 2: Hypercube</strong>), acho que vocês são espertos o bastante pra dar um palpite sobre minha opinião a respeito dele.</p><p>Afinal, como poderia ser melhor que o (ou pelo menos DIFERENTE do) primeiro filme? A premissa é exatamente a mesma, o cenário é idêntico, os atores dividem entre si a mesma quantia de talento (zero). É essencialmente o mesmo filme, porém com mais pitadas de ficção científica por cima.</p><p>Eu tinha conhecimento do tal Cube Zero, e sabia até de alguns detalhes de sua premissa &#8211; que é um prequel, e que parte da história se passa do lado de fora do Cubo. Isso me deixou levemente interessado, já que boa parte da frustração com o primeiro filme se deu graças a total falta de explicações sobre o negócio. Pondo parte foco do lado de fora do Cubo era promissor, porque quem sabe os roteiristas veriam isso como um bom motivo pra nos dar algum tipo de explicação.</p><p>Comigo é o seguinte. Eu não me importo em ver situações absurdas num filme, mas quero ver como é que o roteirista bolou uma forma interessante de justifica-las. Quando alguém coloca acontecimentos inexplicáveis num filme e não me aparece com uma elucidação bem bolada, eu me sinto como se tivesse feito papel de otário pelas últimas duas horas que gastei assistindo o filme.</p><p>É muito fácil pra um fã babaca vomitar o discursinho pronto falando que &#8220;tem gente só gosta de filme mastigadinho mimimi&#8221;. Filme mastigadinho o caralho. Quando assisto um filme eu quero ser contado uma história. Se você me diz &#8220;tem um monte de gente num cubo e eles morrem. Pronto&#8221;, isso não é uma história.</p><p>E se você acha que a única forma que um filme pode evitar ser demasiadamente &#8220;mastigadinho&#8221; é mostrar pouco em termos de história além de gente sendo decepada, você é um idiota e eu desejo que você seja atropelado amanhã no caminho da faculdade, e arrastado por cinco quilômetros da direção oposta. Assim, não apenas você estará com múltiplas fraturas expostas e um possível traumatismo craniano, você estará também atrasado pra aula de Cálculo Diferencial.</p><p>É daí que veio a maior parte da irritação quando escrevi a resenha do primeiro filme &#8211; o completo desinteresse do roteirista de bolar uma história interessante pra explicar a premissa do filme. Agora que assisti o terceiro filme e vi que algumas parcas explicações foram dadas pra justificar a existência do Cubo, me sinto ainda <strong>MAIS</strong> idiota por ter mantido a esperança que havia alguma coisa aproveitável na história do filme, caso tivessem deixado menos mistérios. Ao invés de pensar &#8220;hmm, um cubo gigante cheio de armadilhas, quem sabe com uma história criativa o conceito se torne interessante&#8221;, eu deveria ter pensado &#8220;hmm, um cubo gigante cheio de armadilhas, que idéia retumbantemente implausível e retardada&#8221;.</p><p>Pra quem nunca assistiu nenhum dos filmes e não tá com saco pra ler a minha primeira resenha, vou me auto-plagiar e colar aqui um pedacinho dela. Pra você ver como os filmes desviam pouquíssimo da premissa original, esse trecho da resenha descreve com precisão os três filmes.</p><blockquote><p>(&#8230;)pessoas acordam dentro de uma espécie de prédio composto de diversas salas cúbicas. Os personagens se encontram, trocam informações que você sabe imediatamente que são decisivas pro desfecho da “trama”, e então começam a morrer, porque as salas cúbicas são cheias de armadilhas.</p><p>Ou seja, o Cubo está lá, as pessoas estão lá, e umas armadilhas também estão lá. Isso é tudo que você merece saber. Como assim, você quer entender o que é o tal Cubo? Não há o que entender, o Cubo é um cubo e pronto.</p></blockquote><p>É isso. A diferença notável do terceiro filme é que eles nos revelam um pouco sobre o exterior do Cubo (uma salinha de monitoração em que moram dois indivíduos encarregados com a tarefa de observar os prisioneiros. Ao longo do filme você entende que os próprios vigias são, de certa forma, prisioneiros também) e seu propósito.</p><p>E aí começam os vários absurdos buracos na trama. Em um determinado momento no filme, os vigias recebem uma ligação de seus superiores, que os informam de alguma coisa que aconteceu dentro do Cubo, e que eles devem lidar com ela. Aí fica a inevitável pergunta &#8211; qual o propósito de ter uma estação de monitoração se os organizadores da parada vão monitorar o Cubo por conta própria, e além disso, fazer um trabalho melhor já que eles detectam eventos que passam despercebidos pelos seus contratados?</p><p>Os fãs do filme dirão que isso ressalta a idéia de que os tais vigias eram simplesmente outra faceta da experiência do Cubo, e que eles não realmente monitoram a parada, apenas pensam que fazem isso. No entanto, isso seria supor que os autores da história davam a mínima pro que estavam escrevendo, ou que a história segue algum tipo de propósito lógico. Infelizmente, o histórico da série não me permite dar esse voto de confiança ao roteiro.</p><p>Como falei antes, a trama dos três filmes é essencialmente a mesma, de forma que uma resenha completa seria um exercício de futilidade. Ao invés disso, vou listar as coisas que mais me incomodaram durante as intermináveis oito horas que o filme aparentemente durou.</p><p><strong>1) A personagem principal</strong></p><p><center><img
src="http://thumbnail.search.aolcdn.com/truveo/images/thumbnails/B4/3F/B43FF2A990BA04.jpg" alt="" /></center><br
/> Procurei imagens maiores, mas pela compreensivel falta de fansites do filme essa foi a melhorzinha que achei. Ok, minto. Tem essa aqui também:</p><p><center><img
src="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/cubo/cubo14.jpg" alt="" /></center><br
/> Segundo os créditos do filme, essa é <strong>Stephanie N. Moore</strong>, uma atriz canadense cujo único outro papel digno de nota foi Enfermeira #3 em <em>John Q</em>, um drama estrelado pelo Denzel Washington. Entretanto, segundo a minha afiada memória esta pessoa se chama <strong>Michael J Fox</strong>, que é mais conhecido como o protagonista da série <em>Back To The future.</em></p><p>Passei o filme <strong>INTEIRO</strong> violentamente incomodado com esse fato. Toda vez que essa mulher aparecia na tela, eu falava &#8220;mas puta que o pariu, isso aí é o Michael J Fox com uma peruca loira!&#8221;. <strong>TODA VEZ</strong>. A única pessoa mais irritada com isso foi a minha mulher, que teve que ouvir meus berros de completa indignação o filme inteirinho.</p><p>Isso me incomodou de maneira inacreditável, porque a mulé é um personagem pivotal na &#8220;trama&#8221; do filme, e por isso foi impossível passar mais de três minutos sem vê-la na tela e consequentemente concluir que não há justiça nesse mundo. Afinal de contas, apesar do fato de que alguém se deu ao trabalho de produzir <strong>TRÊS</strong> filmes sobre o Cubo, nunca haverá um Back To The Future 4 que torne a clássica série dos anos 80 numericamente superior à trilogia do Cubo.</p><p>Rambo, Die Hard e Indiana Jones ganharam o quarto episódio e deixaram de participar do grupinho das trilogias, que se tornará permanentemente manchado com a presença de Cube Zero. BTTF não teve a mesma sorte.</p><p><strong>2) Buracos na trama</strong></p><p>A trama dos três filmes é tão estável e bem construída como uma castelo de cartas. E pro terceiro filme, é como se o baralho tivesse acabado e o sujeito se visse obrigado a usar cartas do fundo da casa pra completar o topo. Como não podia deixar de ser, essa manobra provoca o total colapso no mythos estabelecido pela série. Se você achava que não dava pra piorar uma idéia idiota, assista Cube Zero.</p><p>Lembra que eu falei que eu teria me dado por satisfeito se dessem explicações interessantes pra existência do Cubo? Então. Acontece que a premissa era tão absurda, que os roteiristas se viram com um problema na mão &#8211; &#8220;como vamos dar um sentido pra isso tudo sem fazer parecer que cada um de nós fumou três metros cúbicos de maconha da pior qualidade?&#8221;</p><p>É o seguinte. Nos dois primeiros filmes, há sugestões que o Cubo é algum tipo de experiência. Como não se sabe se o palpite está correto ou equivocado, não podemos gastar tempo elaborando as ramificações idiotas da idéia de que o Cubo é algum tipo de experimento. Afinal, algum fã idiota poderá responder dizendo que &#8220;&#8230;mas você não sabe se é uma experiência, então&#8230;&#8221;</p><p>Entretanto, agora sabemos que é, de fato, um experimento militar/super complexo penitenciário. Assim que isso ficou estabelecido, a minha raiva foi tamanha que nem mesmo jogar coelhos vivos dentro de um liquidificador ligado poderia apaziguar meus ânimos.</p><p>Pra começo de conversa, analisemos a logística de uma estrutura como o Cubo. Estamos falando de um prédio gigantesco, auto-suficiente, subterrâneo, com 17576 salas MÓVEIS (não tou chutando ou fazendo um exagero cômico, esse é o número EXATO dado pelo filme), cheio de armadilhas. Eu tenho a mais completa certeza que não existe dinheiro no<strong> MUNDO </strong>capaz de custear uma construção como essa, e ainda que houvesse tamanho esforço de engenharia seria com certeza empregado pra algo mais interessante que uma experiência científica ou uma prisão pra um grupo tão pequeno de pessoas.</p><p>E já que estamos nesse assunto, experiência do <strong>QUÊ</strong>? De descobrir o que acontece com o corpo humano após receber um jato de napalm bem no meio da cara? De analisar os resultados da exposição a ácido sulfúrico&#8230;? Você quer realmente que eu aceite a explicação de que o propósito do negócio era testar as maquininhas que faziam o sujeito explodir ao emitir uma frequência sonora altíssima?</p><p>Consigo até ouvir os viadinhos correndo pros comentários pra falar algo como &#8220;KID SEU VIADO O PROPÓSITO DA EXPERIÊNCIA ERA ANALISAR O COMPORTAMENTO HUMANO QUANDO O SUJEITO SE VÊ NUMA PRISÃO INESCAPÁVEL, E DA MESMA FORMA OBSERVAR A MANEIRA COMO SEUS CAPTORES OS TRATAM&#8221;. Ahn, é?</p><p>Ainda que eu resolva dar ao sujeito o benefício da dúvida e ignorar o óbvio problema ético e logístico inerente ao ato de enfiar um monte de gente num prédio onde eles serão mal tratados só pra analisar as dinâmicas sociais resultantes disso, sou obrigado a lembrar que tal experimento já foi feito, nos anos 70, <a
href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stanford_prison_experiment">e já sabemos o que acontece</a>.</p><p>Propôr que a idéia inteira por trás dos três filmes era refazer a Stanford Prison Experiment atinge um nível além de idiotice. Que tal, ao invés de montar uma empresa imensa pra gerenciar o projeto, convencer várias pessoas a participar, silenciar os que não concordaram em fazer parte do negócio, construir um imenso complexo subterrâneo e tudo mais que precisaria ser feito, <strong>fazer uma rápida pesquisinha e descobrir que a tal experiência já foi feita antes?</strong></p><p>E qualquer que eja o propósito da experiência, <strong>pra que repeti-la infinitamente</strong>? Em todos os filmes há alusões ao fato de que vários outros grupos perambularam pelo Cubo. O que tá pegando? Os carinhas lá no comando central da parada tão analisando os resultados e dizendo &#8220;<em>Ok, o fulaninho foi incinerado quando pisou na sala XYZ, e um dos participantes do grupo ficou doido e passou a brigar com os outros. Vamos começar tudo de novo e ver se dessa vez será diferente</em>&#8220;?</p><p>Os problemas com a falta de consistência dos filmes é imensa. Nos filmes anteriores, as pessoas que se encontram no Cubo lembram exatamente quem são e a última coisa que fizeram antes de acordar na prisão. O diretor de Cube Zero talvez não assistiu os filmes anteriores, porque ele esqueceu completamente desse detalhe e deu amnésia a todos os prisioneiros do Cubo no terceiro filme. E o que é pior &#8211; sem nenhum motivo aparente, o que dá justamente a idéia de que o cara nem conhecia a trama dos filmes anteriores.</p><p>E se o troço era uma prisão (como é sugerido em todos os filmes, e parcialmente confirmado no terceiro), porra, acho que nem preciso elaborar esse ponto. Quer dizer então que a melhor forma de lidar com dez ou doze criminosos é construir uma super-estrutura inteligente e&#8230; dar a eles dicas de como escapar, como por exemplo pôr códigos nas conexões entre as sala pra que os caras consigam se localizar?</p><p>O que, a propósito, é EXATAMENTE o mesmo mecanismo usado no PRIMEIRO filme? Até a forma como os personagens descobrem os códigos (que se tratavam de coordenadas) é idêntica ao primeiro filme.</p><p>E os erros de continuidade não acabam por aí. Lá pelo finzinho do filme, um dos vigias do Cubo (que passou o filme inteiro com uma previsível crise de consciência) entra no troço pra salvar o Michael J Fox de peruca. Os superiores dele, pra impedir que ele possa ajudar a mulé, ativam um comando que faz os códigos de identificação das salas derreterem.</p><p>Qual não foi a minha surpresa quando, mais adiante no filme, o cara chega numa das salas e diz &#8220;Ah, essa aqui é a A, Z, Z!&#8221; ao ler a mesma plaquinha metálica que, de acordo com o que foi apresentado minutos atrás, não deveria existir. Praticamente pulei no sofá de tanta inconformação.</p><p>Esse é o tipo de errinho que seria notado na primeira revisão do roteiro e/ou durante a edição do rolo, mas isso se aplica apenas a filmes que se prezam em manter algum tipo de coerência ou qualidade.</p><p>Há tantos erros no roteiro que aponta-los se torna um passatempo por si mesmo. No filme é explicado que quando cada experiência/sentença (no filme, eles dão a entender que são AMBAS) está terminada, eles fazem um &#8220;clean sweep&#8221; no cubo inteiro, pulverizando os restos mortais que povoam o negócio. Acontece que em todos os filmes, os participantes encontram corpos em avançado estado de decomposição.</p><p>Obviamente aqueles esqueletos deveriam estar dentro do cubo há alguns meses; acontece que ninguém vive mais de uma semana sem água, e portanto todos os participantes pertencentes ao grupo do esqueleto já deveriam ter morrido e sido pulverizados. Ou seja, não poderiam haver esqueletos no Cubo.</p><p>Analise isso aqui também &#8211; todos os filmes mostram os prisioneiros acordando em seu PRIMEIRO dia no Cubo, sendo inseridos lá APÓS o tal clean sweep. Logo teremos que supor que o corpo é um dos participantes do grupo atual, que morreu primeiro. Entretanto, como aquele corpo se decompôs tão rapidamente&#8230;?</p><p>As inconsistências não terminam por aí. Como expliquei antes, em um momento do filme um dos vigias (chamado Wynn) entra no Cubo pra ajudar uma cocota, e o outro vigia (que se chama Dodd) fica pra trás e é obrigado a lidar com a chefia do projeto, que resolve dar um pulinho na estação de monitoramento pra ver como anda o negócio.</p><p>Aqui está o problema &#8211; durante o filme INTEIRO, o tal do Dodd contrariava o Wynn se negando a responder as dúvidas daquele, sob medo de acabar se tornando mais um habitante do Cubo se desafiarem demais as decisões e a autoridade de seus superiores. Boa parte do filme parece ser voltado ao conflito entre os dois &#8211; de um lado, o conformista Dodd, que prefere apenas fazer seu trabalho e não fazer muitas perguntas. Do outro lado, o desafiante Wynn, que se vê cheio de dúvidas a respeito de seu trabalho e não parece ter medo de ir contra a convenção pra achar respostas.</p><p>Dois arquetipos clichês e previsíveis. Então, quando o Dodd se vê às voltas com a chefia e percebe que seu parceiro será assassinado por eles caso ele não se manifeste, o mesmo personagem que passou o filme <strong>INTEIRO</strong> sendo construído como um conformista que prefere não se envolver pessoalmente com os participantes do Cubo por medo de represálias resolve sabotar o projeto ali bem na frente do chefe dele.</p><p>Ou seja, eles pegaram toda a caracterização do personagem e <strong>SEM MAIS NEM ESSA</strong> passam por cima dela.</p><p>Não foi um caso de &#8220;cara malvado que vê a luz e toma uma última atitude que o redimirá&#8221;. O cara simplesmente passa de capacho dos seus superiores pra herói-altruísta-contra-o-sistema, <em>literalmente de uma cena pra outra.</em></p><p>Não houve elaboração nenhuma do negócio. Numa cena ele é um medroso que evita até mesmo fazer perguntas com medo de ser visto com maus olhos pela chefia, e no outro tá (tentando) salvar o dia, desafiando seu superior.</p><p><strong>3) Não tenho uma boa idéia pra entitular este item</strong></p><p>Sabe o tal chefe que eu citei antes? Ele se chama Jax. Então, em um momento do filme ele aparece na salinha de monitoração, que é pra lidar com o sumiço do Wynn. O momento que o cara entra no filme deixou claro, acima de qualquer coisa, que eu estava assistindo um péssimo filme.</p><p>Até aqui o filme estava tentando se manter um terror/suspense psicológico. Falhando miseravelmente, sim, mas ao menos <strong>TENTANDO.</strong> No momento que Jax entra em cena e uma musiquinha bem ridícula começa a tocar, tentando te indicar que esse sujeito é malvado, eu joguei as mãos pro alto e gritei &#8220;ahhh mas pelo amor de deus!&#8221;.</p><p>O tal Jax foi a merda que faltava pro filme descambar completamente. O cara é totalmente canastrão em sua tentativa de emular um vilão vaudeviliano, aqueles do cinema mudo que amarram a mocinha no trilho do trem enquanto afinam o próprio bigode. Como se não bastasse ele ser bem estereotípico (carrancudo, andando com ajuda de uma bengala, e caolho), o cara se recusa a se comunicar de uma forma que não seja aqueles diálogos bem teatrais que são tão exagerados como são ridículos.</p><p>A impressão que passou é que eles desistiram totalmente de <strong>TENTAR</strong> fazer com que esse filme não ficasse uma merda.</p><p>Ahhh, chega. Cansei de falar sobre a porcaria desse filme. Basta mencionar que, em períodos breves, o filme aborda cyborgs, reencarnação, zumbis (sério), viagem no tempo e até mesmo super heróis.</p><p>Agora posso dizer com autoridade que toda a trilogia é uma merda sem nenhuma qualidade redentora. As únicas pessoas que gostam desse filme são os NEMC, ou seja, os Neguim Escroto Metido a Cult. Veja só por exemplo essa pérola de conhecimento que um fã de Cubo Zero deu no IMDB. Esta mensagem foi postada no fórum do IMDB com o título &#8220;<em>Did Cube Zero predict the new Pope, the Beast and the Return of Satan?</em>&#8220;:</p><blockquote><p>Cube Zero was the third movie on the Cube theme. A Cube has six faces like a die. Three dice are therefore 666. Cube Zero predated the election and naming of a Pope who called himself &#8220;Benedict&#8221; by one year. Benedict is an anagram of &#8220;bent dice&#8221;. (Bent dice are dice that are designed to favour a particular face by being intentionally slightly misshaped &#8211; similarly to weighted or &#8220;loaded&#8221; dice.) People in Cube Zero who manage to extricate themselves from the Cube alive are asked &#8220;Do you believe in God?&#8221;. If the answer is &#8220;No!&#8221; then they are burned alive. This is a reference to the Catholic Church and the Inquisition. Cardinal Ratzinger, before he became the new Pope, was the head of the Papal Inquisition, though it no longer bears that name and in present times is called the &#8220;Congregation of the Doctrine of the Faith&#8221;, and as such he held the second-highest rank in the Roman Catholic Church.</p></blockquote><p>E não termina aí, <a
href="http://www.imdb.com/title/tt0377713/board/nest/55750394">ele vai mais longe</a>.</p><p>Olhe nos meus olhos e diga que você não teve a súbita vontade de enfiar uma furadeira no olho do sujeito. Esse povim que tem orgasmos tentando decifrar filmes (ou pior, que se convencem que a interpretação deles é dogma, e que todos nós devemos não apenas assistir o filme o quanto antes mas também se afiliar à mesma corrente de pensamento deles) me dão raiva. É o mesmo tipo de sujeito que adora 2001, ou Donnie Darko. Ou seja, o tipo de pessoa que não faria muita falta no universo caso de repente pisasse numa mina anti-tanques.</p><p>O paradoxo do filme é que, dado a escolha entre assistir a trilogia inteira e entrar no Cubo, eu escolheria entrar no Cubo sem pensar duas vezes. Ao menos dentro do Cubo, sua agonia pode acabar bem mais rapidamente.</p><p>Tão rápido quanto empurrar alguém dentro de um wood chipper, que é o que farei da próxima vez que alguém me recomendar esse filme.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/resenha-cube-zero/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>146</slash:comments> </item> <item><title>Carta aberta a Hollywood</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/carta-aberta-a-hollywood/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/carta-aberta-a-hollywood/#comments</comments> <pubDate>Wed, 26 Mar 2008 13:48:13 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=831</guid> <description><![CDATA[Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas a Sprite e pipoca absurdamente cara.</p><p>Assistir filmes é um dos meus maiores hobbies, vício herdado do meu pai (assim como tantas outras de minhas características. Eu sou a prova viva de que nossos filhos acabam sendo versões 2.0 de nós mesmos) que era do tipo que colecionava trezentos VHSs com três filmes em cada um, devidamente catalogados com ajuda de adesivinhos amarelos da Verbatim na frente da fita.</p><p>Cinematografia é um de meus maiores interesses, ao ponto de que eu cheguei a entreter por algum tempo a fantasia de trabalhar na indústria de produção cinematográfica (edição/direção/essas merdas). Tal sonho foi abandonado em prol de uma ocupação mais edificante (assistir câmeras de vigilância enquanto treino Pokemons no meu Nintendo DS).</p><p>O motivo pelo qual escrevo essa carta é porque algumas coisas que você vem empurrando em cima da gente filme após filme começaram a irritar não apenas a mim, mas a muitos outros cinéfilos como eu. Tire um tempinho em sua ocupada agenda de lançar versões cinematográficas de seriados dos anos 70 estrelando Johnny Knoxville (pra que a turminha de 14 anos consiga se identificar com o filme) e leia essa pequena listinha que eu organizei pra você.</p><p><strong>Que tal parar com essa onda de filmes de vampiros que tentam ser Matrix?</strong></p><p>Sim, estou olhando pra vocês, Blade e Underworld. E pros inevitáveis copycats que aparecerão nos próximos anos por influência de vocês.</p><p>No finzinho dos anos 90, um filme escrito por irmãos de nome estranho com efeitos especiais mirabolantes e trama com diversas referências filosóficas revolucionou o cenário pros filmes de ação que o seguiriam. Estou falando de um dos meus filmes favorito, talvez <strong>O</strong> meu filme favorito &#8211; Matrix. A iconografia do filme (casacos pretos, trocas de tiros em câmera lenta, óculos escuros) foi &#8220;emprestada&#8221; por praticamente todo outro filme de ação lançado em seguida.</p><p>Pouco tempo depois, em alguma mansão na Califórnia, um executivo inescrupuloso decidiu que de todos os gêneros que poderiam se beneficiar dessa visão estilística, os filmes de vampiros seriam os mais indicados pra emular Matrix. O sujeito apanhou um guardanapo e passou imediatamente a escrever sequências de ação com um bonequinho-palito com uma inscrição dizendo &#8220;esse aqui é o caçador de vampiros&#8221;, e várias linhas saindo deste, indicando balas voando em direção a vários outros bonequinhos-palitos, entitulados &#8220;esses aqui são os vampiros&#8221;.</p><p>O problema óbvio com essa trama (&#8220;caçador de vampiros usando sobretudo e óculos escuros metralha oitocentos vampiros em 5 segundos&#8221;) é que vampiros, como você deve saber, não são pessoas como eu, você ou o seu primo Chiquim. Vampiros são, e estou citando diretamente do meu livro de Vampiro a Máscara, &#8220;cadáveres reanimados por rituais mágicos&#8221;. A parte &#8220;cadáver&#8221; garante que objetos como balas não os causam muito dano, já que eles já estão mortos. E a parte &#8220;rituais mágicos&#8221; garante que eu ou você ou o seu primo Chiquim estaríamos todos inevitavelmente fodidos se nos encontrassemos com um vampiro na vida real, queiram tenhamos uma metralhadora ou não.</p><p>Em outras palavras, vampiros são essencialmente imunes a danos físicos, e ainda que não fossem, eles têm milhares de truques escondidos na manga justamente praquela situação em que alguém quer encher suas bundas de bala.</p><p>Pra tornar possível o cenário de um caçador de vampiros metralhando os bichos, introduziu-se o conceito da &#8220;bala de prata&#8221;, e/ou misturada com essência de alho. É a única forma mais ou menos verossímil pra mostrar um vampiro sofrendo danos ao ser atacado pelo portador de uma arma de fogo. Afinal, vampiros têm aversão a tanto prata como alho, tornando-os efetivamente <strong>alérgicos a bala</strong>.</p><p>Aí que reside o problema. Ao contrário de um ser humano, ao ser atingido por uma bala de prata e/ou alho um vampiro literalmente <strong>explode</strong>. Não importa se você acertou o cara no meio do olho esquerdo ou se a bala passou raspando no dedinho do pé, o resultado é o mesmo. Se você assistiu algum desses filmes, deve ter chegado à mesma conclusão que eu &#8211; os vampiros nesses filmes são <strong>MAIS</strong> frágeis que os humanos que eles supostamente dominam. Um humano qualquer pelo menos tem a chance de sobreviver a um tiro.</p><p>Talvez seja por isso que os vampiros dos filmes sempre insistem em manter o mistério ao respeito da própria existência, o que parece um contrasenso já que eles se dizem ser tão mais poderosos que seres humanos. Tão com medo de um zé mané qualquer derreter os garfos da mãe e em seguida colocar a raça vampírica em extinção.</p><p><strong>Eu já vi a explosão, não preciso-lo reve-la em cinquenta ângulos diferentes</strong></p><p>Como você deve saber, fazer filmes custa caro. E algumas cenas costumam custar mais caro que outras. Grandes cenas de explosão, por exemplo. Se as imagens resultantes não foram conforme esperado, os produtores terão que desembolsar mais alguns milhares de dólares pra explodir outro barco/carro/Casa Branca em miniatura.</p><p>A solução pro problema é filmar a cena da explosão usando cinquenta câmeras e ângulos diferentes. A precaução garante que ao menos <strong>UMA</strong> sequência ficará boa e poderá ser usada no filme.</p><p>Acontece que por algum motivo que eu simplesmente não consigo compreender, na fase de edição do filme os caras falam pra si mesmos &#8220;sabe duma coisa? acabou acontecendo que todos os <em>shots </em>da explosão ficaram perfeitos. Vamos usar todos então!&#8221;. E por causa disso você é obrigado a assistir cenas de explosão três ou quatro vezes, de todos os ângulos diferentes. Talvez porque eles não tenham certeza que você entendeu a cena da primeira vez.</p><p>Então, vamos parar com isso? Se é realmente preciso enxertar uma cena desnecessária que só dura alguns segundos, por que não substituir as explosões por nudez gratuita? Tentem aí, garanto que ninguém vai reclamar, tenta aí. Visualizem: o mafioso entra em seu carro, bota a chave na ignição, o carro explode. Corta pra uma cena da <a
href="http://www.telegraph.co.uk/arts/graphics/slideshows/goldenglobes06/gg11.jpg" class="broken_link">Scarlett Johanson</a> em nu frontal por 10 segundos. Volta pro filme.</p><p>Eu pagaria pra ver esse filme. Duas vezes, até.</p><p><strong>Pessoas caminhando em slow motion em direção à câmera &#8211; já deu, né?</strong></p><p>Não sei se a culpa é do John Woo ou do Jerry Bruckheimer, e é difícil estabelecer o pioneiro dessa &#8220;técnica&#8221; porque praticamente qualquer filme de ação, naquele momento que precisa estabelecer que os heróis são SUPERCOOL, apela pra tradicional &#8220;vamos todos andar lado a lado em câmera lenta em direção à câmera&#8221;.</p><p>É clichê. Não é sequer legal. Alguém por aí decidiu que isso é legal, mas alguém por acaso consultou a gente? Certamente não me incluiram nessa pesquisa.</p><p><strong>Bruce Willis como um personagem que não seja um assassino, militar, ou policial? BLASFÊMIA!</strong></p><p>Você esteve assistindo filmes ultimamente? Sim? Ah, então você vai me ajudar. Dá pra tu me indicar aí um filme em que o Bruce Willis <strong>não</strong> tenha interpretado um dos três papéis típicos aí em cima?</p><p>Sim, eu sei que ele fez filmes interpretando personagens diferentes. Mas se você somar todos, o número não chegaria nem na metade da quantia de filmes com os personagens clichês. Caso você não se lembre, vou aqui fazer as continhas pra não acharem que estou exagerando. Confiram aí embaixo.</p><p><strong>Die Hard</strong> (a série inteira) &#8211; Policial<strong></strong></p><p><strong>The Last Boyscout</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>Moonlighting</strong> &#8211; Detetive, que em interpretação é quase a mesma coisa que um policial se você parar pra pensar</p><p><strong>Last Man Standing</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p><p><strong>In Country</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>The Jackal</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p><p><strong>Mercury Rising</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>The Siege</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>16 Blocks</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>Hart&#8217;s War</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>The Whole Nine Yards</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p><p><strong>Striking Distance</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>The Whole Ten Yards</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p><p><strong>Planet Terror</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>Lucky Number Slevin</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p><p><strong>Hostage</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>Tears of the Sun</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>Sin City</strong> &#8211; Policial</p><p><strong>Astronaut Farmer</strong> &#8211; Militar</p><p><strong>Perfect Stranger &#8211; </strong>Assassino, não necessariamente alugável</p><p>E isso são só os filmes que já saíram. Uma passada rápida no IMDB revela os próximos projetos dele, que incluem&#8230;</p><p><strong>The Surrogates</strong></p><p><em>Plot Outline:<br
/> Set in a futuristic world where humans live in isolation and interact through surrogate robots, a cop (Willis) is forced to leave his home for the first time in years in order to investigate the murders of others’ surrogates.</em></p><p>O cara praticamente nasceu pra interpretar homens intimidantes que andam armados. Ou pelo menos é isso que cineastas estão tentando convencer a gente há uns vinte anos. Algumas pessoas dizem que existem vários atores que só conseguem interpretar o mesmo personagem (Will Ferrel ou Samuel L Jackson, por exemplo). Mas na verdade esses caras interpretam vários personagens diferentes, <strong>DA MESMA FORMA. </strong>O Bruce Willis, coitado, sempre recai nos mesmos três personagens clássicos &#8211; militar, policial, assassino.</p><p>Vamos lá Hollywood, você consegue largar esses vícios. Fé em Deus, rapaz.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/carta-aberta-a-hollywood/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>56</slash:comments> </item> <item><title>Cloverfield &#8211; Resenha</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/cloverfield-resenha/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/cloverfield-resenha/#comments</comments> <pubDate>Fri, 29 Feb 2008 00:33:07 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=827</guid> <description><![CDATA[Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como &#8220;utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas&#8221; ou até mesmo &#8220;assistir a namorada arrumar a casa...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p
align="center"><img
border="1" width="300" src="http://img177.imageshack.us/img177/9676/11808postertm1.jpg" height="407" /></p><p>Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como &#8220;utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas&#8221; ou até mesmo &#8220;assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon&#8221;. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.</p><p>Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?</p><p>Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.</p><p>Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?</p><p>Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar,  Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney &#8211; a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.</p><p>Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?</p><p>Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, <a
href="http://www.cnn.com/2008/HEALTH/01/24/movie.sickness/index.html">a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada.</a> Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.</p><p>Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.</p><p>Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que <em>a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso. </em></p><p>Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.</p><p>Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o <strong>PIOR</strong> filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.</p><p>Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.</p><p>Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica  #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.</p><p>Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).</p><p>Oops, spoiler.</p><p>Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.</p><p>Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine&#8217;s Day.</p><p>E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como &#8220;HOLY SHIT DID YOU SEE THAT&#8221;, ou &#8220;SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE&#8217;RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW&#8221;.</p><p>Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.</p><p>O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.</p><p>Eu <strong>MEIO</strong> que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer &#8220;haha, se fodeu. Ok, tou indo agora&#8221;, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.</p><p>Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?</p><p>Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.</p><p>Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.</p><p>Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.</p><p>Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar &#8220;nossa, imagina eu nessa situação&#8221;. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo. </p><p>Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. &#8221;Filme chato&#8221;, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final. </p><p>Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.</p><p>Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente <em>one-dimensional).</em></p><p>Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/cloverfield-resenha/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>68</slash:comments> </item> <item><title>Indy&#039;s Back, Bitches!</title><link>http://hbdia.com/resenha-de-filme/indys-back-bitches/</link> <comments>http://hbdia.com/resenha-de-filme/indys-back-bitches/#comments</comments> <pubDate>Thu, 14 Feb 2008 19:33:43 +0000</pubDate> <dc:creator>Izzy Nobre</dc:creator> <category><![CDATA[Cinema]]></category><guid
isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=820</guid> <description><![CDATA[Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo&#8230; foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de &#8220;alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito...]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo&#8230; foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de &#8220;alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito de cheirar pó&#8221;, as estrelas sexagenárias que protagonizaram aquelas séries começaram a sair de seus asilos pra filmar a quarte parte de suas sagas. Nem vou entrar nessa discussão filosófica a respeito dos critérios artísticos (ou falta dos mesmos) empregados nesse tipo de sequência que alguns gostam de tachar de caça níqueis.</p><p>Sinceramente, eu não poderia me importar menos com isso. Ainda que os motivos por trás da produção dessas sequências de filmes clássicos envolvessem rituais demoníacos em que filhotes de cachorrinhos fossem injetados com vírus HIV,  triturados em liquidificadores e em seguida transformados em carne moída pra uma escola de órfãos, eu não poderia culpa-los. E sabe por quê? Porque todos esses cachorrinhos morreram por uma boa causa. Indiana Jones estará de volta às telonas.</p><p
style="text-align: center"><img
border="1" width="337" src="http://www.thehollywoodnews.com/artman2/uploads/1/crystalskullposter.jpg" height="500" /></p><p>O filme sai dia 22 de maio, e <a
href="http://movies.yahoo.com/feature/indianajones.html?showVideo=1" class="broken_link">aí está o trailer</a>. E aquela história do Harrison Ford <a
href="http://www.inentertainment.co.uk/ford-wants-whip-or-no-indiana-jones/" class="broken_link">se recusar a filmar a película a menos que ele pudesse empunhar o icônico chicote que tinha sido vetado por questões de segurança</a>? Eu não faço a mínima idéia de que fim levou essa história. Eu não esperava que o estúdio cedesse aos desejos do ator. Afinal de contas, o filme é dirigido pelo Steven Spielberg e tem produção executiva do George Lucas, dois cineastas que, se tivessem a oportunidade, substituiriam qualquer coisa num filme (atores, sets, copos dágua, roteiro) por dublês digitais dos mesmos, sem economizar no antialiasing nem lense flares.</p><p>Me surpreendo muito que não fizeram um boneco digital com a imagem do Ford de trinta anos atrás pra estrelar na parada. Afinal de contas, Harrison Ford é atualmente mais velho do que Sean Connery era quando o último interpretou o pai do primeiro em <em>The Last Cruzade. </em>Tente imaginar o Sean Connery sendo o protagonista naquele filme, fazendo acrobacias com um chicote e esmurrando nazistas. Mais complicado, né?</p><p>Agora me dêem licença pra ligar pro meu pai e dar as boas novas pro véio. Ele não é tão antenado nesses lançamentos como nós, nerds que recebem internetemente os anúncios sobre o início dessas produções meses antes delas começarem. Ele não deve fazer a menor idéia que esse filme estava sendo produzido, essa notícia será como um Natal adiantado pra ele &#8211; assim como Die Hard 4 e Rambo 4 foram há pouco tempo.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://hbdia.com/resenha-de-filme/indys-back-bitches/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>22</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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