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Baderneiros e críticos sociais

Postado em 29 maio 2010 Escrito por Izzy Nobre 109 Comentários

Antes de começar o post, permitam-me: Ufa! Terminou a caçada por uma nova casa.

Após vagar pela cidade inteira procurando um novo ninho, acabamos escolhendo como novo domicílio uma casa que fica a um quarteirão do trabalho, cinco da faculdade, e uma parada de ônibus de distância da loja de Magic onde os torneios semanais são realizados.

Como se isso já não fosse suficiente pra nos convencer, o aluguel é mais barato.

Mais perfeito, impossível. Agora é esperar pra ver se nossa aplicação será aprovada. Teremos mais uns três dias de tranquilidade.

Quando recebermos a resposta na segunda feira, recomeça a correria assinar papelada, conferir contratos, efetuar pagamento do depósito de segurança (que aquelas manchas de cerveja no carpete do apartemento atual garantirão que não receberemos de volta aquele que pagamos quando pegamos as chaves), e começar a mudança de itens menores.

Mas valerá a pena. A casa é maior, tem a localização mais conveniente possível, e a grana extra abrirá portas pra muitos confortos. Agora só resta cruzar os dedos e aguardar o resultado da nossa aplicação.

Mas sim, o post.

Estava eu naquele twitter (quantos porcento dos meus textos começam assim, cês já contabilizaram?) quando alguma boa alma me mandou o fenomenal vídeo que eu incluirei aí embaixo para a sua conveniência.

O vídeo caiu na web semana passada, o que no contexto internético é o equivalente a dez anos. Mas se até eu que passo 12-13 horas por dia conectado ainda não tinha isto, de repente tem alguém aí que ainda não viu também.

O contexto é o seguinte: no último dia 22, abriu uma nova Atacadão dos Eletros em João Pessoa, na Paraíba. Pra atrair a pobretada que geralmente não tem grana pra comprar coisas como computadores e TVs de LCD, a loja faria uma grande promoção de inauguração.

E como você viu acima, o tiro saiu pela culatra lindamente.

Frustrados com a demora pra abertura das portas da loja, os VAGABUNDOS (não existe verbete mais adequado pra esse tipo de gente) que esperavam do lado de fora ansiosos pra abrir um crediário e parcelar uma TV de trezentos reais em 36 vezes sem entrada e sem juros decidiram então derrubar uma cerca, arrombar as portas e invadir o local sem qualquer consideração pela segurança dos seus comparsas, dos funcionários da loja, ou sequer pela própria.

E o resultado foi o vídeo que você viu acima. Dúzias de pessoas foram pisoteadas e uma velhinha de 68 anos foi parar no hospital em estado grave. Pra que diabos uma anciã destas queria uma TV de LCD, só podemos especular.

A matéria foi reportada no site do Edierson Vieira que, de acordo com o espetacular banner do topo, é o orgulhoso dono de um Pentium II 266mhz com uma cópia pirata do Windows ME e MS Paint.

(Nota: após a publicação do texto achei outro site noticiando a parada, e nesta matéria o marido da velhinha pisoteada reclama da “falta de respeito” da multidão.

AHAHAHAHA, essa é excelente! Imagina a entrevista. “Pois é dotô, tava lá a gente arrombando a porta da loja e invadindo o negócio feito um bando de animais, e minha pobre esposa caiu e foi pisoteada pela galera! Que falta de respeito desse pessoal, né”.)

Se você acha que nada poderia ser uma maior manifestação de ignorância cultural, role a barra da página do youtube e leia o que os espectadores têm a dizer sobre o acontecido.

Um por um, estes brilhantes comentaristas (sem dúvida cada um deles detentor de um PHD em Sociologia ou Ciência Geopolítica) colocam a culpa do acontecido no “brasileiro”, esta criatura mítica que caga tudo em que põe as mãos e é responsável por todas as mazelas da sociedade.

Alguns foram além e lavraram acusação mais direta – o culpado pela baderna é uma espécie mais específica de habitante nacional, o brasileirus nordestinus. Apenas um “cabeça-chata”, dizem estes críticos sociais com formação acadêmica nas mais prestigiosas universidades européias, teria a capacidade pra tal ato animalesco.

A ironia desse diagnóstico é que, ao apontar dogmaticamente a falta de cultura do Brasileiro Comum, o crítico acaba revelando a sua própria ignorância.

NEWSFLASH, babacas: esse tipo de coisa acontece no mundo inteiro. Vocês já ouviram falar dos termos “black Friday” ou “boxing day”? Combine-os com o termo “stampede”, jogue tudo no youtube, misture, sal a gosto:

Black Friday é como se chama a sexta-feira logo após o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Boxing Day é o dia 26 de dezembro, no Canadá. Em ambos os dias, lojas de eletrônicos costumam fazer promoções que atraem fregueses aos milhares.

E volta e meia até morre alguém.

Em outras palavras: calem a boca com esse papinho de “mimimi que nojo desse país”. Vocês simplesmente não sabem do que tão falando.

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Categorias: Retardados

109 Comentários \o/

  1. Kid disse:

    Ciberdek, eu não sei se você tem problema em compreensão de texto, em discutir de forma coerente, ou em ambos.

    É tão difícil assim entender que seu comentário não constava nenhum argumento? Esse é o ponto. Não havia “argumento” no seu comentário. Havia, sim, uma falácia ad hoc conhecida como “strawman”. Não me faça explicar de novo.

    Ok, eu explico: você bate na tecla que o meu texto trazia a segunda mensagem: “essa algazarra aí é bonita/aceitável porque fazem em outros países também!”

    Em vários trechos do post deixei bastante claro que não é o caso. Não estou entrando no mérito de que a ação é defensível porque acontece em outras culturas, e sim, que não se deve dizer apressadamente que “essas coisas só acontecem no Brasil mesmo viu!”, pois tal afirmação é obviamente equivocada.

    Você desviou completamente do ponto do meu texto (“quem diz que isso só acontece no Brasil é ignorante”) e criou uma CARICATURA do meu argumento (“se em outros países isso também acontece, tá tudo bonito ora bolas!”). Montado o espantalho, você então passa a ataca-lo, sendo que ele não é uma representação real do argumento do interlocutor.

    Ou seja – strawman típico.

    Você fala inglês? Se sim, leia:

    “A straw man argument is an informal fallacy based on misrepresentation of an opponent’s position.[1] To “attack a straw man” is to create the illusion of having refuted a proposition by substituting a superficially similar yet weaker proposition (the “straw man”), and refuting it, without ever having actually refuted the original position.

    Example:

    Person A: We should liberalise the laws on beer.
    Person B: No, any society with unrestricted access to intoxicants loses its work ethic and goes only for immediate gratification.

    Notou aí a semelhança com o seu “argumento”? Pessoa A nunca propôs acesso irrestrito, mas Pessoa B sabe que essa postura exagerada e caricata é mais fácil de atacar, e é isso que ela faz (por ignorância ou malícia, não sei qual é o seu caso.)

    E finalmente, essa sua terrível analogia no final do último comentário revela uma terceira área em que você não é muito bom.

    Abraços!

  2. Camilo disse:

    nunca prometa descontos de 70 % com juros de 7,5% ao dia

    brasileiros ficam loucos com “ofertas” assim

  3. Sirius disse:

    Kid, você é um safado do caralho. Já começa o texto aloprando a coitada da coroa. Ela pode muito bem ter ido pra lá e não ter contribuido com o caos desses tarados. No entanto, eu sei que isso é só efeito do seu estilo troll de (querer) ser.

    Quanto alguém morrer pisoteado numa loja, creio eu, que se for baseado na Teoria da Responsabilidade Civil Genérica, a loja pode essa loja ai do além pode se foder lindamente. Uma vez que ela deve prover a segurança dos clientes e bla bla bla.

    Discorrai um texto sobre isso. :P

  4. Sirius disse:

    Porra, o kid só queria xingar todo mundo de ignorante. Mas pra não soar muito arrogante, ele fez um post todo só pra justificar a última linha.

  5. ciberdek disse:

    Putaqueopariu Kid, pra quem escreve bem tu tem muita dificuldade de leitura!

    Será que DE NOVO vou ter de explicar (Sem recorrer a desenhos) que o Fato de tu NOMEAR meu argumento como Falácia não o torna uma falácia só porque você e seus paga paus aqui querem???

    Já disse que tu não necessariamente disse que era aceitável, mas essa leitura também é possivel. E aí? Só existe UMA interpretação possivel pra TUDO que você escreve?
    Quando mostramos que uma ação reprovável ocorre em outros lugares “mais civilizados”, sempre poderá haver a interpretação em que a comparação se presta a atuar como justificativa. Não dá pra evitar. Paciência. Se não quer que seu texto seja interpretado de forma que te desagrade, não escreva.

    Se o seu texto por si só já permite interpretações caricaturais era inevitável que alguém pensasse dessa maneira, e “Montasse o espantalho”. É uma consequencia, do que você escreveu, e não uma falácia o meu ponto de vista.

    Se bem entendi, você não apenas quer que eu concorde com seu argumento inicial, mas também que eu veja o texto apenas por SUA ótica. Interessante…

    Minha “terrivel” analogia pode ser atacada, ao passo que sua péssima analogia (Comparando situações ocorridas em culturas díspares e dizendo que isso não é uma forma de justificação da selvageria na cultura mais atrasada) não pode ser questionada?

    É tem razão. Em aceitar seus argumentos cheios de furos como dogmas universais eu devo ser muito ruim mesmo. E com orgulho. Tu sabe que eu sou seu fã e te admiro, nunca neguei isso, mas isso não é necessariamente um salvo conduto para que eu diga amém a tudo que você escreve.

    Abraços!

  6. Higor disse:

    Ae quide, bota ordem nessa bagaça. u.u

    Caiam na real, otários tupiniquins.

    P.S.:Sou brasileiro tbm viu? xD

  7. jinx klein disse:

    izzy defendendo o nordestão gentyy..braziu-ziu-ziu

  8. jinx klein disse:

    armstrong:

    PARA TUDO!!
    DEIXA EU VER SE ENTENDI DIREITO!

    o kid, aquele individuo que sempre quando havia uma brecha falava mal do “brasileiro” e mimimimi nhenhenhenhe o caralho a quatro, agora tá defendendo, dizendo que as coisas existem em todo lugar?

    HAHAHAHAHAHAAHHAAHAHHA MAS QUE BELA PIADA!

    só por que esse video mostra todo o desespero e a inferioridade do povo nordestino o kid fico putinho! ah vai a merda!

    sim, falei dos nordestinos só pra irritar mais o kid
    [2]

  9. Vanes Furtado disse:

    Tá falado, Izzy. E assino embaixo. O pior de tudo é que muitas vezes os próprios nordestinos tem esse tipo de atitude (a de ficar criticando bestamente o povão). Óbvio que se amontoar feito um bando de animais na porta da loja não é coisa de que se tenha orgulho, mas vá lá, não é só por aqui que vemos isso……