Fazia TANTO tempo que eu não recebia um comentário vergonhosamente imbecil que, quando li a área de comentários do post anterior e achei esta pérola, até me animei. Aliás, me animei tanto que criei uma categoria especial só pra responder o sujeito. Ele merece.
Zoar comentarista imbecil era um hábito que eu abandonei em prol de outros afazeres. Voltar a essa prática deixa um gostinho de nostalgia na ponta da língua.
No post anterior, ilustrei a crônica do cliente que retornou à minha loja com um vibrador usado, quebrado, fora da embalagem original e sem a nota fiscal, exigindo troca. AINDA que houvesse na minha loja uma política de devolução pra artigos de uso íntimo – não preciso explicar por que não há. Ou pelo menos, não pra alguém com neurônios, o que não é o caso do colega abaixo -, obviamente a situação do produto era tão irregular que uma substituição era inviável.
Isso não impediu o Raph4 de postar este comentário deliciosamente imbecil. Acompanhe!
Eu não sei como é e se há uma política ou legislação específica para o consumidor canadense, como temos aqui o CDC e o próprio código civil, mas pelo menos por estas terras, pouco importa se você comprou um apartamento ou um consolo, produto com defeito deve ser trocado sim. Qual a dificuldade de compreender isso? Nojinho seu de pegar no produto? Só manter luvas descartáveis na loja, se for o caso.
Antes de mais nada, um esclarecimento – nenhum aparelho na minha loja é vendido “com defeito”. Como não podemos oferecer direito de troca, todo brinquedo é testado antes da transação ser executada, na frente do cliente. Passa álcool em gel na mão, joga pilhas dentro, aperta o botão de intensidade “presidiário que acabou de pisar na rua após 10 anos de xilindró”. Funcionou? Pronto. Não funcionou? Pega outro. Rinse, repeat.
Voltando ao comentário dele.
Geralmente demora um pouco pro comentador admitir abertamente sua ignorância. Aliás, às vezes isso nem acontece, é um fenômeno raro – idiotas com convicções ferrenhas e admissões públicas de falta de conhecimento específico não são costumam fazer compania um ao outro.
Entretanto o Raph4 não perdeu tempo em expor seu completo desconhecimento no assunto que argumenta: ele diz logo no começo que “não sabe se há legislação específica pro consumidor canadense”. Seguindo uma lógica non-sequitur que é familiar aos imbecis, ele elabora um argumento inteiro COMO SE A LEGISLAÇÃO CANADENSE FOSSE EQUIVALENTE À BRASILEIRA, algo que por admissão própria ele confessou não conhecer.
É genial.
É o mesmo que recusar o apto “de volta”, que veio cheio de defeitos mas você se recusar pq “ah, vocês já devem ter trepado neste quarto e cagado no banheiro”. Uma coisa não invalida a outra de forma nenhuma.
Lembra quando falei de non-sequitur? Olhaí o Raph4 comparando um vibrador com um imóvel – algo cuja regência é tão complexa que toda uma categoria jurídica foi criada só pra gerenciar transações que os involvem. Aliás, Direito Imobiliário é minha cadeira próximo semestre, wish me luck porque eu ouço falar que é um saco e provavelmente passarei a aula toda desenhando no MS Paint.
Mas sim, vibradores e imóveis, definitivamente uma analogia apropriada.
O cliente, aí, perde a razão por não ter o comprovante de compra, como na maioria dos países civilizados, isso é o básico. Se a loja for de um serviço diferenciado (ou pelo menos busca-o), é possível, ainda sim, fazer a troca com base nos registros da loja, mas isso é outro caso.
O Raph4 parece em conflito com seu próprio argumento – primeiro ele admite abertamente que desconhece leis comerciais canadenses, o que eu intepretei como “avalie tudo o que seguir essa frase como o chilique espumante de alguém que simplesmente não sabe do que está falando”.
Agora, ele admite que o cliente – como expliquei – realmente não tem o menor direito de devolução, já que entre as outras irregularidades, ele sequer pode comprovar que comprou o aparelho na minha loja.
Aí vem o mongolismo – o Raph4 sugere que eu posso executar a trocar “com base nos registros da loja”. Eu acho que na cabeça dele, sex shops são equipadas com aparelhagem CSI-like que me permite pôr um vibrador embaixo de um scanner e obter então a marca, modelo, data de compra e número de série do lote de fabricação, pra em seguida acessar os “registros” da loja referentes à aquele consolo.
Ou entao acesso o “registro da loja” (que é obviamente dotado de uma inteligência artificial que rivaliza Skynet) e digito “vibrador roxo, aproximadamente 9cm” que em segundos o “registro da loja” me dará até as screenshots da câmera de segurança no dia que o troço foi comprado?
Como é que você acha que eu acharia o “registro da loja” referente àquela venda? Como exatamente eu colocaria isso num query de pesquisa no sistema (Vamos ignorar momentaneamente a obviedade de que a pergunta é nula, já que não se faz devolução de sex toys usado)? Tudo o que eu tenho em mãos – modo de falar, né – é um vibrador sem caixa ou recibo.
Me sinto o Capitão Óbvio tendo que explicar a alguém que não, nenhum estabelecimento comercial aceitaria devolução de um objeto de finalidade sexual.
Se você duvida, convido-o a levar à farmácia uma camisinha usada envolta num saco plástico (sem recibo, sem caixa – só a camisinha dentro dum saco), exigindo ressarcimento porque ela estava “danificada”. Ah, e se você admitir que a danificou durante o uso, a coisa fica ainda mais próxima do que aconteceu na minha loja.
Vai lá, tenta. Aliás, nem precisa ser um objeto de uso sexual. Tente fazer uma devolução sem a caixa do produto e sem uma nota fiscal. Me diga que “estabelecimento sério” no Brasil executaria tal devolução de bom grado e com o mais refinado customer service.
Agora, é fácil dizer que o cliente nunca tem razão quando estás do lado de dentro do balcão né? Quando o Sr. comprou/ganhou um Macbook e simplesmente “NÃO GOSTEI”, você foi à BestBuy (right?), devolveu e pronto. E você deve achar que eles não fizerem mais do que obrigação.
Qual o argumento aqui? Ah, mas você (supostamente) não enfiou o Macbook no cu? Não, isso não é um argumento.
Vejamos qual seria o argumento no caso do MacBook que ganhei e devolvi:
- A loja em questão tem uma política de devolução;
- Tal política acomoda perfeitamente o argumento “não gostei do produto e quero meu dinheiro de volta”. Pra Best Buy, nada mais é necessário, e é o motivo pelo qual só compro gadgets lá. Não é nem a primeira vez que fiz isso, aliás;
- O MacBook estava em perfeitas condições, sem um arranhão sequer;
- O MacBook estava dentro de sua caixa original, com tudo que acompanha o produto (capas plásticas, manuais, CDs com software, etc);
- O recibo que comprova a compra do aparelho (e o retorno dentro do prazo permitido pra devolução, que no caso da Best Buy é 14 dias) foi apresentado;
- O aparelho não é de uso sexual e íntimo e sua devolução não implica uma grotesca e repulsiva contravenção higiênica;
- Você é um imbecil sem qualquer cultura ou capacidade cognitiva por achar que os exemplos são equivalentes.
Desconstruir cuidadosamente as asneiras vomitadas por babacas anônimos na internet é tão divertido que eu não consigo achar justificativa pra ter abandonado o esporte.
E gostaram da insinuação que eu apenas “SUPOSTAMENTE” não coloquei o MacBook no cu? Chamar o interlocutor de gay é uma retórica que apesar de vir do primário, jamais perdeu a força. Old but gold!
Venda é venda e cada caso é um caso.
Na verdade esse é o MEU argumento. Cada caso é um caso, de fato – a devolução de um computador é completamente inequivalente à devolução de um vibrador. Uma coisa eu tenho que admitir – o Raph4 parece expert em elaborar um argumento que voa diretamente contra o que ele mesmo estabelece, por admissão própria.
É como ver um esquizofrênico argumentando com ele mesmo. Existe medicamento pra esse tipo de desconexão com a realidade, sabia?
Tem cliente sem noção e malandro no BR e no Canadá. Cabe ao lojista perceber qual é o tipo do sujeito que entra pra reclamar e atender. Ora, trata bem o cliente na venda e no pós-venda manda tomar no cu? Fidelização não importa, então?
Parece que a parte “ele sequer tinha um recibo” da narrativa não foi registrada pelo seu (visivelmente debilitado) mecanismo de interpretação textual, Raph4. Sem recibo = não há qualquer prova de que você comprou o aparelho em minha loja = você não é meu cliente, na verdade.
Que bacana Israel. Já sabia que você não entendia nada de gestão. Agora vejo que sabe menos.
Eu ri com gosto dessa parte. A crítica de gestão vem do mesmo sujeito que compara a devolução de um vibrador com a devolução de um apartamento. Tenho um misto de medo/curiosidade de ver um negócio gerido por alguém que traça uma analogia tão desastrada entre os dois serviços.
Espero que isso seja uma tosca tentativa de trolagem, porque essa postura é muito lamentável vinda de um estabelecimento sério. O que, por sinal, a sua loja não parece ser. Ilustrando segundo normas brasileiras: Regulamento interno < Qualquer coisa que eu escrevi num guardanapo sujo < CDC < Código Civil < Constituição.
E o círculo está completo – o imbecil fecha o comentário novamente citando (de forma desastrada, note) o judiciário brasileiro, que em terra canadense apita tanto quanto… bom, não apita nada.
Raph4, eu sei que você tá magoadinho porque eu parei de responder cada comentário que você posta no HBD, no meu twitpic, no youtube, e essencialmente em toda mídia internética assinada com “Izzy Nobre”. Não foi só uma pessoa que apontou que acha estranho que você tenha mudado tão subitamente de puxa-saco pra hater e, pior, sem uma motivação real. O contraste súbito foi bizarro, especialmente levando em conta que isso aconteceu sem qualquer motivo.
In fact diversas pessoas comentaram (muitas delas seus amiguinhos, aliás – abre o olho), ao ver seus ataques chiliquentos, “mas esse Raph4 não pagava seu pau nos teus textos, na tua conta do youtube, postava comentário em toda foto sua, adotava seus neologismos internético como um bom seguidor?” E eu falei “yep, bizarro né? Procê ver o que falta de atenção leva o cara a fazer!”
Clique para ver a vergonha em tamanho real
Isso porque só pesquisei seu nick no “registro da loja” do HBD. Fosse eu menos preguiçoso e fizesse um search similar no twitter, twitpic, youtube e flickr, mais choramingos carentes atenção equivalentemente lamentáveis e vergonhosos seriam revelados.
Isso é bizarro. O cara obviamente tinha afinidade e começou a se sentir negligenciado, ao ponto de que a admiração se tornou raiva, e um sentimento de necessidade de vingança. O sujeitinho vem há algum tempo soltando patéticas farpinhas passivo-agressivas na esperança de atrair minha atenção; não dei a ele a atenção que ele tanto carecia porque não imaginei que o caso de love-hate relationship chegaria a tal ponto.
Lamento ter permitido isso acontecer.
Maluco, não te destratei, não xinguei sua mãe, não fui na sua casa mijar no seu cereal matinal. Se parei de te responder com a frequência de outrora, foi por desatenção, e não por malícia. Não precisa se expor ao ridículo pra ser notado.
Eu sei que no desespero por ser respondido, você achou (de forma correta até) que comprar briga o tornaria mais visível no meu radar. Mas pensa bem – é realmente esse tipo de interação que você queria?
E sinta-se à vontade pra postar mais um comentário repleto de asneiras, porque esse aí me deixou com gostinho de “quero mais”.







Ótimo post, não tinha lido ainda.
O Rapha também errou ao dizer que o Código Civil sempre é colocado a frente do Código de Defesa do Consumidor, essa jurisprudência está longe de ser unânime se ele tem menos de 30 anos de Magistratura.
Claro que não estou cobrando conhecimento jurídico de sua parte Izzy, só apontando mais um fato que prova o desconhecimento do cara.
Abraço
Primeira vez que entro no seu site e devo dizer: já li inúmeros posts só hoje e não consigo sair..
Seu sarcasmo e ironia são muito dignos, realmente adorei!
Quanto a esse ser humano, que nao merece ser chamado de animal já que animais são criaturas mais espertas que o próprio, foi do caralho haheha
Pessoas estupidas, nonsense e ignorantes a ponto de falar do que não sabem merecem ser humilhadas, humilhadas com seus próprios argumentos (argumentos nao seria bem a palavra). Ainda por cima carente de atenção, mas vamos dar uma brecha para essa pessoa, afinal deve ser triste nao ter amigos (como deve ser o caso com certeza) e ficar por aí divagando na internet procurando algum amigo internauta hahahahaha.
Obrigada pelos momentos de risada.
mas se ele tivesse a nota…a loja ia ter que no minimo reembolsar. o famigerado vicio do produto, ou nos dizeres mais antigos…vicio redibitorio.
Tantas palavras por um vibrador com defeito.Qual o benefício (econômico) dessa batalha?
Taí um post que você deveria retwittar!
By the way, o que aconteceu com o post do EHNOIS?