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Popcorn Time, um app pra assistir filmes por streaming (e o que ele poderia significar pra Hollywood)

Postado em 3 March 2014 Escrito por Izzy Nobre 38 Comentários

popcorn 2

Eu estava um pouco receoso em escrever sobre o Popcorn Time. De forma geral, eu não gosto de legitimizar ou recomendar pirataria, e sou um fã absoluto das formas legítimas de obter entretenimento. Adoro o Netflix, o GOG, o iTunes, e se curtisse jogos atuais provavelmente adoraria o Steam tanto quanto vocês.

Além disso, como em toda solução “não legítima”, existem riscos inerentes ao uso do Popcorn Time. Não quero que ninguém se foda por sugestão minha — parece idiotice mas às vezes eu me sinto meio responsável pelo meu papel de “formador de opinião”, por mais babaca que isso soe quando você usa o termo se referindo a si próprio. Já consigo visualizar gente que me odeia usando o termo sarcasticamente pra me sacanear. Mas enfim, se eu fosse deixar de me expressar honestamente por medo da reação de haters — que vão hatear no matter what — eu deveria então desistir da internet.

Então. NORMALMENTE o Popcorn Time não seria algo que me empolgaria tanto ou que eu recomendaria (na real não estou oficialmente recomendando-o, se ligue nos disclaimers que virão lá embaixo). Acontece que além do simples “NOSSA GALERA VEJA SÓ FILMES GRÁTIS!”, eu acho que há nele uma oportunidade inédita de monetizar conteúdo hollywoodiano. Reconheço que é um sonho demasiadamente esperançoso, mas pelo menos ouve o argumento aí!

O que é o Popcorn Time?

popcorn

O Popcorn Time é um aplicativo open source beta pra fazer streaming de filmes. Após instalar o app, você é recebido por uma interface bastante polida — a apresentação meio que lembra o iTunes. No app, os filmes são separados em diversas categorias, e há também um search bar. Já fiz inúmeras experiências e, até agora, não teve UM FILME SEQUER que o app não achou.

O playback dos vídeos é macio, geralmente disponível em 720 ou 1080, e com várias opções de legenda (sim, incluindo português). Não há, por enquanto, um método Netflix-like de continuar um filme de onde você parou da última vez.

Ok, parece uma maravilha. Qual o “catch”, como dizem os gringos — ou seja, qual a pegadinha, o problema com a parada? O problema — e ao mesmo tempo, a explicação da tecnologia da parada — é o seguinte: o Popcorn Time está catando filmes através de torrents, mas em vez de baixa-lo (como você faz com o uTorrent), ele apenas dá stream no vídeo.

Meu primeiro medo, evidentemente, foi de malícia dos desenvolvedores. O github do app está aí, e evidentemente ninguém acusou o aplicativo de nenhuma função nefasta ainda. Scans do aplicativo em diversos antivírus diferentes também não revelaram nada. Isto NÃO É UM ENDOSSO, que fique claro: estou apenas relatando os fatos. Continue ciente de que você está usando um aplicativo não-legítimo, pra uma finalidade tecnicamente ilegal, e que é extremamente novo, e por isso há SEMPRE riscos de segurança.

Instalei no meu Mac, e rodou exatamente como o site prometia. Assisti trechos de inúmeros filmes pra testar, tudo funcionando direitinho. Instalei no HTPC da sala, uma máquina capenga, e como os filmes engasgavam em míseros 720 eu desisti de experimentar mais a versão Windows.

Resumo do negócio:  uma forma mais polida, rápida e prática de assstir filmes via torrent. É um app muito recente, feito por sabe-se lá quem, mas você pode fuçar o código fonte dele se quiser. Pra quem não tem medo de vírus/trojan/cair numa botnet, e já assiste filmes via torrent sem nenhuma ressalva (algo que eu não faço há anos), o Popcorn Time pode significar a desinstalação do uTorrent no que diz respeito a assistir filmes.

Agora, eu percebo uma oportunidade maior no Popcorn Time. Eu acho que através dele, ou de alguma solução similar a ele, Hollywood pode tomar de volta o conteúdo que vem sendo pirateado pela internet há mais de uma década a essa altura.

Vamos aos fatos. É basicamente impossível desligar torrent. O Napster e similares tomaram no rabo porque eram centralizados e lidavam com os arquivos sendo trocados; já a natureza p2p do torrent garante que ele está aqui pra ficar.

Eis a solução que eu imaginei ao ver o Popcorn Time funcionando tão bem logo de cara — e se Hollywood (e eu estou generalizando como se fosse uma entidade única e homogênea só pra simplificar a hipótese) chegasse pros devs do app e dissessem:

“É o seguinte. Não queremos desligar seu aplicativo. O que queremos é trabalhar com vocês, pra monetizar os streams de alguma forma, com publicidade ou algo assim. Em troca disso vocês trabalham pra gente em alguma capacidade oficial, como gerentes de distribuição de conteúdo ou algo assim”.

Pense comigo: o que exatamente Hollywood teria a perder fazendo isso? Sabemos que a luta contra o torrent é completamente impossível, onerosa e insustentável. Fechar os serviços de nada adianta (lembra aquela briga imensa com o Pirate Bay há alguns anos? Deu em que? A julgar pelos filmes que você talvez esteja baixando de lá agora mesmo, NADA).

Sabemos que a infraestrutura já existente (sites trackers, milhões de pessoas baixando e seedando arquivos, a comunidade que desenvolve clientes de torrent) é absurdamente resiliente. A estratégia de assustar alguns poucos “peixe grandes” do filesharing com processos também não dá em porra nenhuma — e pior, às vezes gera situações absurdas que os pintam como inimigos quase cartunescos dos fãs dos filmes.

Se Hollywood adotasse um app como o Popcorn Time da maneira que eu sugeri, eles estariam efetivamente reconquistando o material “roubado”. Haveria até um senso de justiça poética, porque a infraestrutura que serviria o conteúdo (e assim, a publicidade) estaria sendo mantida pelos pirateiros. Quando mais gente “pirateando” os arquivos, melhor o Popcorn Time seria pra passar os filmes.

Se você acha ridícula a idéia de “reconquistar” material roubado, saiba que já existe muitos precedentes disso. O já citado Napster, por exemplo, começou como um antro de pirataria e virou eventualmente um serviço legítimo. Mais recentemente — e com mais sucesso –, temos o exemplo do iTunes Match.

Pra quem não conhece, o iTunes Match basicamente escaneia sua biblioteca e, por 25 dólares por ano, a disponibiliza em todos os seus outros aparelhos da Apple, mesmo que suas músicas tenham todas sido baixadas pelo Pirate Bay. Enquanto você pagar aqueles 25 dólares por ano, toda a sua biblioteca ilegal se torna legítima.

Ou seja — o iTunes Match permite que a indústria fonográfica ganhe alguma grana capitalizando em cima de uma já existente infraestrutura de músicas pirateadas. A decisão é ridiculamente fácil — podemos continuar perdendo na luta contra a pirataria… OU, podemos oferecer um serviço legal que rende grana e faz uso desse monte de músicas que já foram “roubadas” de qualquer forma.

Os resultados de uma “legitimização” de um app como o Popcorn Time seriam radicais. De uma hora pra outra, o cara que baixa e faz upload de filmes passaria de VILÃO (pros olhos de Hollywood) pra um mantenedor do serviço. Quer baixar e upar nossos filmes? Ok, não temos como impedir isso mesmo, a última década já deixou isso claro. Mas AO MENOS ao fazer isso você está fortalecendo as nossas fontes de stream monetizado, então obrigado de qualquer forma!

E como a experiência do Popcorn Time é infinitamente mais agradável e conveniente pros leigos — e seria mais propagandeada, também, uma vez que se tornasse legítimo –, é uma certeza objetiva o fato de que mais pessoas estariam usando a versão monetizada do stream em vez de se aventurar fuçando em sites de torrent.

Na PIOR das hipóteses, o desinteresse nos torrents convencionais seria TAMANHO que isso interromperia a infraestrutura de stream do Popcorn Time. Releia a frase anterior: na PIOR das hipóteses, essa solução acabaria com a pirataria. Reconstruir uma estrutura de stream seria um preço baixíssimo a se pagar pela eliminação de um antigo arquiinimigo que “roubava” bilhões de dólares anualmente da sua carteira, não acham?

Essa mudança de paradigma entre Hollywood e os pirateiros, de “gato e rato” pra “relação simbiótica”, poderia revolucionar completamente o problema da pirataria. Lá pro começo dos anos 2000, o iTunes desmistificou o demônio do download de mp3s — um palavrão nos círculos das gravadoras, graças ao Lars Ulrich — e graças a ele a indústria fonográfica foi capaz de recuperar o que estava perdendo.

O VHS foi a mesma coisa, se você parar pra pensar. Primeiro causou medo nos estúdios, que tinham como status quo o mecanismo “lançamos um filme, ele vai pro cinema, você assiste lá, acabou”. A idéia de permitir que alguém assistisse filme em casa levou executivos de Hollywood ao histerismo (o medo dos métodos caseiros de reprodução de vídeo gerou uma briga judicial que foi até a Suprema Corte dos EUA, aliás). Alguns anos depois, o home video propriamente capitalizado significa uma grande fatia da rendimento de um filme.

Às vezes uma idéia maluca e que inicialmente ameaça o zeitgeist, quando bem implementada, acaba se tornando uma solucão genial.

Seria problemático subitamente legitimizar toda uma infraestrutura de pirataria? Claro. Isso deixaria velhos parceiros de Hollywood (como o Netflix, que é pago) meio que na merda? É verdade. Mas às vezes é preciso sacodir o status quo mesmo, em prol de um melhor serviço pros consumidores — e de tomar de vez as rédeas de uma guerra mais longa e sem futuro que as incursões dos EUA no Oriente Médio.

Lembrem-se que tinha uma época em que as gravadoras bufavam de raiva contra a mera idéia de música em formato digital, e insistiam (através de longas batalhas judiciais) que devíamos comprar CDs em vez de baixar músicas. Quantos CDs eles andam vendendo atualmente?

Fiquem de olho nesse Popcorn Time.

(Apesar dos pesares, que fique bem claro: não recomendo o app por questões de segurança; se for usa-lo, use-o por própria conta e risco. Você está sujeito, teoricamente, a vírus, trojan, e às consequências legais de baixar filmes por torrent. Também não endosso pirataria; estou mais empolgado com o que um app como o Popcorn Time poderia fazer pelos cinéfilos e pela indústria como um todo, do que com a habilidade de ver filme de graça ilegalmente — algo que na real já temos há anos)

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 29 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

38 Comentários \o/

  1. Vinicius Martarello says:

    Se isso ocorresse seria genial, acho que acabaria até com o Netflix!

  2. João says:

    Eu não achei filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite (procurei com os títulos originais e em inglês), mesmo existindo torrents das duas obras com bastantes seeders no piratebay.

  3. O fato, é que se ‘Hollywood’ apoiar isso, não vai ter ‘moral’ ou apoio-fixo pros outros meios como cinema, blu-rays e afins.

    Ela tem que ser contra pra manter a sua pose de original.

  4. Acho pouco provável empresas como o Netflix e outras americanas que não chegam no Brasil, aceitarem tal serviço afinal de contas como competir com alguém que faz a mesma coisa que você só que de graça.
    Imagina um concorrente do YouTube só que esse concorrente tem que pagar pra você assistir conteúdo enquanto que no YouTube é de graça, qual que você acha que ia ter força pra continuar ?

  5. Kid, seu texto é até bem legal, mas;
    Vejamos:
    A indústria cinematográfica perde bilhões em vendas por ano, segundo eles mesmos. Imaginando que o app indicado realmente fosse aceito por eles, eles lucrariam no máximo alguns desses bilhões.
    A base de usuários se fecharia empouca gente devido as propagandas que hoje em dia são repudiadas por usuários de qualquer sistema mobile e ou desktop, e no fim teríamos um serviço vazio e que na verdade não resolve o problema de ninguém.
    Os executivos dessa área não querem recuperar um pouco do lucro, eles querem o lucro todo. Ou você acha que se for pra empresa e disser “olha, cês tão perdendo uns milhões aqui mas da pra ganhar uns mil” eles aceitam?

    Não se trata
    do quanto, mas de perder. E isso esse mercado não tolera.

    Enfim, reflita mais um pouco, você vai ver o quão absurda é a sua ideia.

    Abs e continua postando aqui seu FDP.

    • Izzy Nobre says:

      > A indústria cinematográfica perde bilhões em vendas por ano, segundo eles mesmos. Imaginando que o app indicado realmente fosse aceito por eles, eles lucrariam no máximo alguns desses bilhões

      Ok…?

      > A base de usuários se fecharia empouca gente devido as propagandas que hoje em dia são repudiadas por usuários de qualquer sistema mobile e ou desktop, e no fim teríamos um serviço vazio e que na verdade não resolve o problema de ninguém.

      Igual o Youtube né, que ninguém usa por causa dos ads. Ou o Pandora, que ninguém conhece. Ou o Facebook, que tá super vazio também. Ou o Flappy Bird, que ninguém quis jogar porque tinha ads. Ou o Candy Crush, que também só rendeu 5 downloads porque tinha ads. Ou o Twitter, que fechou em 2010 quando começou a mostrar trending topics patrocinados (ou seja, ads). Ou qualquer outro serviço extremamente popular com monetização baseada em ads, ou seja, inúmeros pela internet a fora.

      Dizer que “serviços com monetização baseada em publicidade não dão certo” é o cúmulo da ignorância e fica complicado levar sua opinião sobre o ramo a sério quando seu nível de compreendimento é esse aí. O PRÓPRIO EMAIL QUE VOCÊ USOU NOS COMENTÁRIOS AQUI É GMAIL CARALHO, cê acha que isso é mantido como…? Cê tá pagando mensalidade pro Google…?

      > Os executivos dessa área não querem recuperar um pouco do lucro, eles querem o lucro todo. Ou você acha que se for pra empresa e disser “olha, cês tão perdendo uns milhões aqui mas da pra ganhar uns mil” eles aceitam?

      Já abordei isso no texto. Se chama “iTunes Match”. Pesquise a respeito, compreenda o que ele faz, e aceite que já existe precedência dessa estratégia de legitimizar material pirateado convertendo um pouco de lucro pros donos.

      Resumindo: seus argumentos não tem sentido algum. Espero que apareça alguém e dê contra-argumentos melhores que os seus. Abraços!

  6. Gabriel P says:

    Nesse esquema de exibir filmes e séries gratuitos (com propaganda), já existem alguns serviços legais como o Kalixta e o Crakcle, mas que contam com poucos filmes bons no catálogo graças a falta de apoio das produtoras.

    Agora, pela minha breve análise eu acho que esse seu plano falha em um ponto: Se esse site transforma todos os expectadores em ‘peers’, quando o site ficar popular demais já não existirão ‘seeds’ suficientes para manter a rede funcionando.

    Posso estar falando bobagem porque não entendo muito bem de P2P. Mesmo assim fica ai minha dúvida

    • Izzy Nobre says:

      …eu abordei isso no texto. Nesse cenário eles oficialmente acabaram com a pirataria. Isso é uma VITÓRIA, não uma derrota. Aí basta então investir pra manter a estrutura funcionando.

      • Gabriel P says:

        ok! confesso que o sono me fez pular aquele parágrafo.

        Ainda assim, olhando esse panorama geral, talvez ir direto ao ponto com uma solução de estrutura própria já atacaria a raíz do problema sem passar por todo esse processo.

        Poderia ser algo pago como o Netflix, monetizados por publicidade como os outros que eu citei ou até uma iniciativa independente da indústria. Talvez até o Youtube. Tudo depende de Hollywood dar o braço a torcer.

        Enfim. Parabéns pelo site e continue com esses textos que fazem a gente pensar fora da caixa :)

  7. sapoboi says:

    Acabei de assistir Graviade, muito legal o app!

  8. tonnydourado says:

    Meus dois centavos de desenvolvedor: Não acho provável que o applicativo tenha malware embutido. Dá uma olhada nessa página de estatísticas do github: https://github.com/popcorn-time/popcorn-app/pulse

    Só na última semana, 26 desenvolvedores contribuíram com o código, foram feitos 17 merges (o que significa pelo menos 17 pessoas com acesso de escrita no repositório) e 51 issues fechadas (correções de bugs, melhorias propostas, esclarecimento de dúvidas).

    Ou seja, tem uma porrada de gente colaborando, publicamente, num site que é basicamente um currículo pra desenvolvedores. Acho improvável tanto que eles todos estejam tramando ganhar uma grana a custa de otários na internet (o que seria bem estúpido, já que se forem pegos, tão queimados foda na indústria) ou que alguém consiga colocar alguma coisa no código ‘escondido’ (já que toda atividade no github é pública).

    Enfim, relaxa com a paranóia de vírus, e se preocupa com a de ser acusado de pirataria.

    • Leo says:

      Exatamente. Muito difícil um app de código aberto desses ter algo “escondido” como HAO123 e canceres do tipo. Baixei o código dos caras no dia que o Kid descobriu o programa, já pensando em colocar as legendas em PT-BR (naquela versão 1.0 ainda não tinha, pelo menos nos filmes que eu pesquisei…) e também para mudar o diretório padrão. Pra minha surpresa, a comunidade está bem ativa e isto já estava sendo implementado na v2.0, via github. Fucei o código todo e não achei nada “explícito” que leve a vírus/trojans/spywares/etc.

      Assim, se você baixou do site oficial http://getpopcornti.me fique tranquilo.

      Quem tiver dúvida, baixa o repositório aqui:
      https://github.com/popcorn-time/popcorn-app

      Vai na pasta popcorn-app-Beta_1\dist\windows\windows-installer.iss e roda esse iss com o InnoSetup (http://www.jrsoftware.org/isdl.php)

      A, aparentemente os desenvolvedores originais são argentinos, como sugere a nota de rodapé do site deles…

  9. Marcos says:

    Poderia acabar com o netflix do mesmo jeito que o netflix acabou com a blockbuster

  10. André says:

    “Já fiz inúmeras experiências e, até agora, não teve UM FILME SEQUER que o app não achou.”

    Bem, eu fiquei curioso com essa afirmação e resolvi testar também.

    A primeira coisa que eu fiz foi procurar meu top 10 de filmes nesse negocio…

    Hunter Prey
    The Wristcutters
    Tada’s Do-It-All House
    The Girl Who Leapt Through Time
    Dolls
    The Road Home
    Shall We Dance
    After The Rain
    Soldiers of Salamina/Salamis
    Live from Baghdad

    O sistema não achou nenhum deles. Aliás, “Shall We Dance” ele até achou, sendo que achou o terrível remake americano. O original, japonês, não achou.

    E esses não são filmes amadores feitos no fundo do quintal não. “Shall We Dance”, “The Road Home” e “Dolls” eu vi na televisão (os dois primeiros eu vi na Globo -- sim, na Globo, e o último eu descobri no TeleCine).

    “Soldiers of Salamina”, “Live from Baghdad” e “After The Rain” eu vi quando era adolescente e alugava DVDs. Além disso, já vi todos os três passando em TV por assinatura também. Então são filmes bem conhecidos sim.

    “Tada’s Do-It-All House” e “The Girl Who Leapt Through Time” talvez não tenham passado no Brasil, mas são bem famosos no Japão. O primeiro ganhou até uma série de TV, e o segundo o sistema, na verdade, teve 5 chances para acha-lo (isso pq esse é um daqueles filmes clássicos que nego vive refilmando, existem 5 versões deles).

    Os dois únicos realmente alternativos e independentes aí são “Hunter Prey” e “The Wristcutters”.

    Apesar de que “The Wristcutters” foi lançado em DVD pela Lionsgate, foi exibido nos cinemas e festivais; então não é tão indie assim.

    Bonus: The Right Stuff

    Antes de postar a conclusão tentei procurar o filme “The Right Stuff”, que é de 1983. Esse filme foi nomeado pra 8 Oscars e ganhou 4. Simplesmente um clássico que fez história.

    Esse o aplicativo deve ter achado, correto? Não, esse filme o negocio também não achou.

    Enfim, pra um fã casual de cinema o negocio deve achar tudo mesmo. Mas quando vc vai um pouco além disso, o programa falha.

    Não sei pq tb, pois eu já baixei todos esses filmes via torrent alguma vez na vida. Ou seja, eles estão nos sites de torrent da vida por aí.

    • Izzy Nobre says:

      Nunca ouvi falar de nenhum desses filmes. Uma pesquisa rápida revelou o que eu já supunha: são em sua maioria filmes estrangeiros obscuros nos quais poucas pessoas realmente se interessam. Se esses são realmente seus 10 filmes favoritos (e não apenas um comentário babaca pra ser chato gratuitamente, como é o seu modus operandi — outros leitores do HBD já repararam isso em relação a você, aliás), somos pessoas muitíssimo diferentes.

      Se você sair procurando coisas obscuras num exercício ativo de encontrar lacunas na biblioteca, NENHUM serviço (iTunes, netflix) escapa.

      • Vinícius says:

        Na verdade, o programa achou também pouquíssimos filmes do Woody Allen. Não tem nem Match Point ou Rosa Púrpura de Cairo, um dos meus filmes favoritos do diretor.

      • Edu says:

        Kid, você tem razão que não filmes que o grande público conheça. Porém, o público de cinema não é composto apenas de apreciadores de blockbusters da ocasião. Dolls eu vi no mesmo cinema que vi Kill Bill vol. 1, por exemplo. E as pessoas que assistem estes filmes compõem um público que parece ser muito mais fiel ao cinema e aos discos físicos do que o de filmes mais populares. Basta observar o perfil de boa parte das locadoras que ainda existem para constatar o que estou falando.

        Voltando ao app, ele é interessante mas não é tudo isso. Serve para blockbusters recentes e praticamente só isso mesmo. Onde está Tropa de Elite, por exemplo? Ou os bem conhecidos e oscarizados Kramer vs Kramer ou Anne Hall? Sem falar que já existem serviços que fazem a mesma coisa e que também sofrem com problemas de catálogo (Crackle).

        PS: deve haver um estudo sobre o (mal) hábito de taxar como ‘estrangeiro’ filmes não americanos. No contexto do Oscar é aceitável, mas fora dessa situação é um comportamento que deveria soar estranho.

        • Izzy Nobre says:

          Annie Hall tá lá. Você não achou porque escreveu o nome errado, presumo.

          Não tem tudo (não estou achando Tropa de Elite, por exemplo), mas tem mais do que qualquer outra alternativa que eu já tenha usado.

          • Edu says:

            Faltou o ‘i’do Annie, tem razão. Mas o ponto da busca ser falha permanece. E claro que a alternativa ilegal vai ter sempre mais opções que as oficiais. Aliás, chega a ser irônico que o primeiro app “pirata” com uma interface bonita ressuscite à mesma questão de praticidade (do app) x ainda mais opções (torrent “puro”).

          • Izzy Nobre says:

            Acho que vocês estão perdendo totalmente o ponto do artigo. Não é uma ode da maravilha que é o aplicativo, que tem literalmente todos os filmes do mundo. NEM RECOMENDAR ABERTAMENTE ESSA PORRA EU RECOMENDEI. Eu falei que dos que eu pesquisei, achei todos — uma coletânea bem maior que o Crackle e o Netflix, por exemplo.

            O ponto central do artigo, e eu não sei como vocês não enxergam isso, é o que uma solução como essa, mas com a benção dos estúdios, poderia fazer pra interromper o ciclo de pirataria.

            Aliás, vale lembrar que o nome do app é POPCORN Time e tem nego o desmerecendo no mérito de não ter um filme chinês dos anos 90. Peraí né mano.

          • Edu says:

            Kid, EU não vejo diferença entre soluções de propaganda já existentes e o app. Quer dizer, tirando o catálogo mais amplo (que não chega perto ainda do “torrent puro”) e a interface bonita. E o fato de ser p2p não elimina o fato de haver necessidade de infra-estrutura por trás para ter seed mínimos (compare o número de gente baixando um filme recente com um de dois anos atrás).

            O ciclo de pirataria de filmes só vai acabar, na minha opinião, quando houver a quebra do sistema que estipula o tempo de disponibilidade do filme entre diversas mídias. E por mais que o espaçamento tenha se reduzido, ele ainda é funcional e os grandes estúdios tem se adaptado muito melhor à realidade da internet do que as gravadoras. O iTunes, Netflix só estão ocupando com vantagens o espaço das locadoras. E não há sinais que o online legal esteja morrendo, bem ao contrário.

            PS: falando em seed, se alguém tiver a Gamers Book 2 me avise. Ela sumiu da internet.

        • Edegilson Sousa says:

          Essa galera deve ser muito burra, pqp.
          O app está em BETA 2 e tem cara reclamando do catálogo de filmes cults preferidos.
          “Aahhh, mas eu achei o filme no piratebay, e o app não acha.” Se pararem para olhar o github do app (https://github.com/popcorn-time/popcorn-app), verão que ele usa a base do YIFY, e que a do Piratebay não foi implementada ainda.
          É impossível um app em BETA atender à todas as expectativas, mas já da pra ver o POTENCIAL que isso tem daqui um tempo.

  11. Rafael says:

    Na verdade, o pior cenário é que, legitimizando a parada, gente que hoje já consome os filmes direitinho (seja por Netflix ou home video ou whatever) deixasse de consumir desse modo para usar o tal Popcorn Time.

    A menos que eles usassem propagandas muito agressivas e invasivas, os lucros que eles receberiam dessa parte dos consumidores seria muito menor comparados aos que eles recebem das formas já legitimas de distribuição.

    E, se usassem propagandas invasivas assim, pouca gente iria usar o Popcorn Time. Tanto gente que hoje usa torrent quanto gente que consome os filmes legalmente iriam preferir continuar usando o metodo que ja usavam antes.

  12. Thiago says:

    Finalmente um post decente e útil, não aguento post neo-ateus ou falando de quando você caiu ou se fudeu num passado remoto.

    • Jana says:

      Finalmente um comentário útil. Não aguento gente vomitando opinião. Prefiro ler críticas com argumentos inteligentes.

  13. Norton says:

    Quando existir um sistema de streaming q lance em hd os filmes assim q eles saíram de exibição no cinema e de séries assim q elas estrearem na tv eu pagaria contentemente por um provedor desses. Enquanto isso não existe, eu baixo de graça mesmo. Faço ressalva de que não me importa se a netflix dos eua é quase isso, eu moro no Brasil e não lá. E em relação a esse app é interessante pra quem quer ver os filmes, de graça e não quer gastar espaço no computador com eles, mas ainda não teria confiança nele.

  14. Se7en says:

    ele está usando a api do yifi torrents , por isso não tem Tropa de Elite e essas caralhadas ai , mas tem muiito filme!

  15. [...] Enfim, o Popcorn Time é algo novo que ainda vai dar muito o que falar, o Izzy Nobre fez um excelente post explicando detalhadamente o aplicativo, e como isso poderia acabar com a pirataria, veja aqui. [...]

  16. Ian says:

    Engraçado que o primeiro filme que pesquisei (Misery) não tem uaheuaeh mas parece bom

  17. [...] algum filme novo e não está passando nos cinemas daqui (quase sempre…). O Popcorn Time ajudou nesta questão: streaming de filmes por Torrent. Pena que nem sempre a legenda funciona, me forçando a praticar meu inglês que ainda [...]

  18. Fernando Cruz says:

    Eu ainda prefiro usar o Netflix desbloqueado, acessando a biblioteca dos EUA e colocando legenda achada na net e convertida pro player do Netflix. Muito melhor pois vc tem dezenas de filmes que não estão disponíveis no Brasil.

  19. Jana says:

    Ótima essa ideia. Pena que Hollywood é governada pelos porcos da Revolução dos Bichos.

    Me sinto uma otária por pagar por um filme ruim, tendo apenas o trailer como confiança de qualidade, e algumas opiniões(review) de gente diferente de mim.

    Popcorn Time legalizado poderia incluir alguma forma de gratificação(doação), adquirir direito de possuir cópia digital do filme pagando quanto acha que ele vale.

    Tem filmes que pago tranquila R$39,90 pelo DVD por serem ótimos, enquanto outros filmes tão ruins que paro no meio e formato o HD com lixívia pra tirar aquela coisa nojenta da minha frente.

  20. É…sem querer ser o estraga prazeres mas de acordo com o site dos caras eles desativaram tudo: http://getpopcornti.me/

    Acho que não foi dessa vez que a indústria se revoluciona xD

  21. Arnaldo Junior says:

    Excelente ideia, Izzy! Seria espetacular se tal serviço caminhasse para algo do gênero. É muito mais eficiente do que ficar infinitamente alimentando os servidores do Netflix, por exemplo. Entretanto, a simplificação que vc fez no que se refere à existência de um único agente uniforme (Hollywood) é justamente o ponto que eu considero mais complicado. As diferentes opiniões e interesses podem fazer com que a negociação desande no curto prazo. Mas acho inevitável que a indústria tenda a fazer esse tipo de parceria. Seria a melhor medida anti-pirataria na minha opinião.

  22. Luiz says:

    Izzy,

    Esse app roda no iPad? Tentei baixar para testar, mas não achei.