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A Morte de um Videogame, PART DEUX

Postado em 8 agosto 2008 Escrito por Izzy Nobre 88 Comentários

Em março escrevi um texto explicando o motivo pelo qual eu passei quase 10 anos sem ter um console. Pra quem não leu e tem preguiça de clicar em links que não sejam thumbnails de ensaios featuring garotas com quantidade decrescente de roupas, o texto narra a morte prematura do meu idolatrado SNES, assassinado por ninguém menos que este vosso escriba, numa tentativa de sacanear meu irmão menor numa partida de Donkey Kong 2. Leia lá o texto, porra. Eu espero.

Então. O trauma de matar um videogame sem querer se repetiu semana passada.

Havia umas sujeirinhas embaixo da faceplate do meu PSP que me já incomodavam há anos. Comprei o bichim de terceira mão, e os donos anteriores obviamente não eram tão zelosos com o aparelho (como era evidenciado pelos pequenos arranhões na “carroceria” do console) quanto eu. Como você já deve ter notado ao ver gente que insiste em enfiar o dedo com toda força na LCD do seu laptop pra apontar algum detalhe que ele pensa que você não viu, há pessoas que simplesmente não respeitam tecnologia.

Poisé. Como o PSP não é hermeticamente fechado (afinal, nada além de um submarino ou uma estação espacial realmente é – embora você saiba que eu agora receberei cem comentários me informando que nem estes são totalmente fechados), uma poeirinha chata acaba se acumulando entre o LCD propriamente dito e o plástico que o cobre. É imperceptível pra um leigo, mas pra um gamer perfeccionista como eu, que trata seus gadgets com o carinho geralmente dedicado a crianças de colo e filhotes de husky siberiano, é quase uma tortura.

Passei o dia inteiro lendo tutoriais de como desmontar o PSP e limpa-lo. A tarefa parecia estupidamente simples – remova sete parafusos, arranque a faceplate que dá a cara ao PSP, limpe tudo.

WHAT COULD GO WRONG?

Fui à Canadian Tire, que é uma mega loja de hardware no sentido pré-informático (ou seja, loja de ferramentas, artigos de caça, pesca e camping, essas coisas). Apanhei um set de chavinhas minúsculas e voltei pra casa.

Precisava de uma àrea bem iluminada e que não dividisse espaço com mais nada, então releguei a tarefa à mesinha de canto da sala, que trás uma lâmpada embutida. Apontei o navegador do ipod pra um tutorial do procedimento, pra fácil referência, e mandei ver.

Tirei fotos do processo na intenção de escrever meu próprio tutorial. Mal sabia eu que estava registrando os últimos momentos de vida do meu PSP.

Até aí tudo bem. Limpei a tela como pude; é extremamente difícil manter a poeira longe da tela, mesmo durante a limpeza alguma sujeirinha errante acaba caindo lá e torna a tarefa extremamente repetitiva.

A merda total aconteceu quando tentei afixar a faceplate de volta no console. A parada simplesmente não queria encaixar direito, deixando uma abertura preocupante na parte inferior do console. Nessa situação, o parafuso não conseguia nem entrar até o fim do buraquinho.

Como se eu estivesse desmontando uma bomba nuclear, removi a faceplate novamente em camêra lenta, como se um descuido naquele momento tivesse o potencial de causar uma explosão termonuclear que acabaria com a vida no planeta Terra como a conhecemos. Analisei os pontos de contato da faceplate com o PSP, procurando alguma coisa fora de lugar que pudesse estar bloqueando o negócio. Nada.

Recoloquei a faceplate, e fiz uma forcinha pra encaixar o negócio no lugar. Dessa vez foi, e eu pensei “só precisava apertar um pouquinho mais”.

Durante todo o procedimento eu estava usando mãos tão macias pra manusear o negócio, com um medo quase paralisante de danifica-lo, que foi fácil concluir que talvez uma força levemente maior fosse necessária pra fazer os componentes se encaixarem devidamente.

Liguei o PSP.

PUTAQUEPARIUCARALHOMINHANOSSASENHORA. O que diabos eu fiz?! Respirando mais avidamente, desliguei o console e liguei de novo. Imaginei, na total inocência, que se tratasse de algum tipo de mal contato. A tela se acendeu de novo e lá estava a rachadura, me encarando como se dissesse cruelmente “perdeu, playboy”.

Me levantei tão rápido que me deu até tontura. Por uns 10 segundos eu não sabia nem o que pensar; meu cérebro entrou no protocol mode requerido pra raciocionar uma solução rápida pra um problema terrível. É como se todos os recursos de hardware disponíveis pelo meu córtex cerebral fossem redirecionados pra essa tarefa, deixando apenas RAM suficiente pra controlar processos vitais involuntários como minha respiração e meu batimento cardíaco. Ai de mim se eu estivesse com uma leve vontade de ir ao banheiro nesse momento, não haveria processamento disponível pra me segurar.

A tela quebrou, não há dúvidas. Compro outra no ebay? Procuro alguém que conserte a parada? Ligo pra namorada chorando?

Foda-se. Vou comprar um PSP novo. Hoje.

Sem nem pegar a chave da casa ou fechar a porta (supus que minha irmã faria isso), saí correndo em direção à Rogers, que é uma locadora que vende videogames aqui perto. Ao chegar lá, uma constatação triste foi feita – eles só tinham UM PSP na loja: o modelo vermelho que vem com God of War.

Se aquele artigo sobre o Gol Atlanta que li na Revista Quatro Rodas em 1996 me ensinou alguma coisa, é que modelos comemorativos sempre acabam sendo vistos com desprezo alguns anos após o evento que eles comemoravam se torna irrelevante. Saí correndo da loja em direção à Best Buy, que fica a quase 2km de distância da minha casa. Uma rápida consulta ao meu relógio me revelou que eram 10 pras 9pm, hora que a loja fecharia.

Acredite se puder – percorri o caminho inteiro em menos de 10 minutos. Eu acho que jamais na minha vida corri com tanta vontade. Meu instinto de auto-preservação foi temporariamente suspenso enquanto eu jogava minha própria versão de real life Frogger nas avenidas no meio do caminho.

Quando piso na calçada da loja, vejo os funcionários reunidos do lado de fora, conversando e se preparando pra fechar a loja. Passo direto, apanho a caixa do novo PSP, e vou ao caixa. Explico ao cara que o suor e a respiração profunda se deve ao fato de que eu corri até a loja pra substituir o brinquedo quebrado.

Com o PSP em mãos, pude respirar aliviado e caminhar tranquilo de volta pra casa. Eu havia informado meus amigos próximos que havia quebrado o troço, e agora mandava SMSs informando-os que já havia substituido o gadget. Meu irmão foi o primeiro a responder:

Era uma dúvida que eu mesmo tinha. Hackeei meu PSP há ANOS atrás; a cena mudou completamente desde então. Os métodos de desbloqueio mudaram completamente, e pela falta de necessidade de acompanhar as novidades, eu estava totalmente por fora dos novos processos.

Entretanto, eu estava me sentindo triunfante após a corrida e a compra do PSP. Ri na cara de Murphy, enquanto respondia o moleque com a frase mais arrogante que eu jamais digitei num celular com o auxílio de T9 configurado na língua inglesa:

(Como você pode ver, tudo aconteceu no dia 2. Só vim terminar de escrever este texto hoje)

Três horas depois, após ajuda indispensável do Tio Solid, o PSP novo estava desbloqueadinho e pronto pra rodar uma miríade de jogos baixados ilegalmente* através de protocolo P2P.

Óia o bichim novo aí:

É isso mesmo que você está vendo – estou jogando Command and Conquer Red Alert no trem, no caminho do trabalho. Entede agora porque eu não podia passar nem um dia sem essa merda?

No fim das contas, foi um daqueles males que vieram para o bem. Eu já queria um PSP Slim (um redesign do console que é MUITO mais leve e mais fino) desde que ele foi anunciado; mas eu não tinha coragem de gastar os 160 dólares em algo que eu já tinha. Quando o DS Lite saiu, eu comprei sem remorso porque era uma mudança COMPLETA no design do console, parecia valer mais o investimento.

Após usar o PSP Slim por uma semana, noto que a diferença entre ele e o PSP original é equivalente entre o DS Lite e o modelo antigo. Se soubesse disso, teria quebrado meu PSP antigo há muito tempo.

Pior que muitos dos meus amigos próximos suspeitam que eu quebrei o PSP de propósito pra justificar a compra do Slim. Minha namorada foi a primeira a levantar essa dúvida, aliás. Talvez fiz isso inconscientemente? Hmmm.

E o melhor é que o Fívio, grande amigo meu da época que eu morava no Maranhão, acabou ganhando meu PSP. O gasto total dele pra reparar o console ficará abaixo de 200 reais, incluindo o envio (custou 35 dólares), e nova LCD (50 dólares) e a mão de obra (40 reais, se não me engano).

Ou seja – everybody wins.

*Essa parte foi só pra provocar o GUS. No Canadá, download sem fins lucrativos não é crime, então tecnicamente falando não é pirataria.

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Categorias: Tech Toys

88 Comentários \o/

  1. Robson disse:

    Vixe… pelo q eu to vendo aki o kid ja parou de responder nos comentarios daki desse post… mas vou arriscar esmo assim, so pq tive a mesma ideia de pelo menos 2 outros leitores (q tbm nao foram respondidos ainda)

    eae kid?? q q tu axa de nois mandar a verba pra tu e tu mandar o gadget pra nois?? – pq… se tu viu o link pras americanas q o carinha pos la em cima… TA 5 VEZES O PRECO DO PSP AI CARA!!! E OIA Q ELES BOTARAM COMO SENDO PRECO PORMOCIONAL!!!

  2. Antonio F. disse:

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    Demorou…jah tinha postado uma vez falando pro Kid mandar coisas para as terras tupiniquins com uma margem de lucro razoavel e ainda assim ficaria muito mais barato q aqui.
    Gadgets’R'Kid
    Gadgets’R'Us
    Afinal como destrava a bagaça? Ele roda o q? De q plataformas? Review do bichinho!

  3. Patrick disse:

    Murphy é um grande filho da puta haha!
    eu tb concordo que o psp slim é BEM diferente do fat.

  4. rcrd disse:

    é a vida… psp slim rlz /o/

  5. carlaon disse:

    uau da pra ver um parafuso dentro do faceplate no canto inferior direito na terceira foto, nao eh a toa que o lcd quebro ;p

  6. Weslly disse:

    Ainda compro um, essa semana se possível :P

  7. Camilo disse:

    ainda pegarei um pra mim

  8. Anonimo disse:

    o meu roubaram , quando assaltaram a minha casa HUHAUHAUHAUHUA