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Gadgets e baterias

Postado em 14 junho 2010 Escrito por Izzy Nobre 101 Comentários

Antes de escrever sobre minhas experiências com o iPad, Achei que valesse a pena falar um pouco sobre a grande agonia de todo nerd: duração da bateria de seus gadgets.

Quando mais cedo você aprender a lidar e interpretar a atividade da sua bateria, melhor. Calculo que ainda estamos a pelo menos 20 anos de distância das baterias recarregáveis por peidos (ISSO SIM será o futuro), então o jeito é se acostumar com o que temos hoje.

Falarei neste artigo sobre a bateria do iPhone, que é um aparelho com o qual tenho intimidade e cujas atividades (e correspondentes gastos de energia) conheço melhor. Entretanto, os conselhos valem pra essencialmente qualquer bateria fabricada nos últimos, sei lá, oito anos.

Acho que todo bom nerd é meio obsessivo em relação à bateria dos seus gadgets. Nas poucas vezes que saí de casa sem o celular completamente recarregado, era algum tipo de emergência, uma saída não-antecipada. Tenho uma mophie juice pack air, mas mesmo assim gosto de sair de casa com a bateria plenamente recarregada.

Em primeiro lugar, permitam-me contribuir para extinção de um mito que, enquanto você acha que protege sua bateria, está na verdade danificando-a: baterias de íon de lítio não têm efeito memória. Isso significa que você pode carrega-las quando quiser, sempre que achar necessário. Não é necessário descarregar a bateria inteira antes de recarrega-la.

Aliás, é aconselhável que você recarregue seu gadget muito antes que a bateria esteja morrendo. Baterias de íon de lítio tem uma vida de aproximadamente 400-500 ciclos (ou seja, entre 400 e 500 recargas completas, de 0% a 100%). Cada vez que você deixa a bateria morrer antes de recarrega-la, você está usando um ciclo inteiro dela. É muitíssimo preferível recarregar mais cedo. Se seu iPhone indica que tem 76% de bateria ainda restando, não tenha medo de pluga-lo no computador antes de sair daqui meia hora.

Essa crendice vem dos tempos das baterias de níquel-cádmio, muito menos eficientes, e que tendiam a “lembrar” o ponto em que foram recarregas. Quando a bateria atinge aquele ponto novamente, a voltagem cai e a bateria aparenta estar morrendo muito mais cedo. Baterias de íon de lítio, praticamente predominantes no mercado atualmente, não apresentam esse problema. Por isso, se você é do tipo que espera até o último momento pra carregar o seu gadget, PARE COM ISSO.

Em 2003 eu ganhei um Game Boy Advance SP da minha namorada da época, logo na véspera de uma viagem à Fortaleza (eu morava em São Luís). Completamente leigo em relação a gadgets em geral e baterias em particular, eu decidi descarrega-lo inteiro antes de plugar no carregador. Liguei o bicho, deixei Tony Hawk’s Pro Skater 3 rodando, e encostei-o num cantinho do quarto.

gbaspEu também não sabia usar a função Macro da câmera

E lá ficou o dia inteirinho. Outra coisa que eu não sabia é que se o processador não está lidando com comandos de jogo – por exemplo, se o console estiver ligado e nenhum botão está sendo apertado -, ele trabalha menos, consumindo pouquíssima amperagem.

Esta eu acredito que é mais conhecida, porém não custa nada ajudar aqueles dois ou três leitores desinformados: calor é inimigo de baterias. Como você deve lembrar das aulinhas de química, calor é um catalizador. Ele acelerará o processo químico que acontece dentro de uma bateria, descarregando-a muito mais rapidamente. Lembra daquele número de ciclos que sua bateria é capaz de fazer antes de morrer? Então, uma bateria operando em temperatura elevada gasta mais ciclos. Ela vai pro saco mais rapidamente.

Aqui vai uma que eu aprendi da pior maneira – se você usa um laptop como substituto de um desktop, e deixa-o constantemente plugado no carregador, ARRANQUE A BATERIA IMEDIATAMENTE. Pare de ler o texto e tire a bateria. Um laptop utilizado dessa forma terá a bateria estragada em questão de um ano, talvez até menos.

E isso acontece por dois motivos. Primeiro, baterias tendem a esquentar durante o processo de recarga, e como sabemos isso é também horrível pra bateria. E em segundo lugar, baterias precisam de um fluxo constante de elétrons que só o processo natural de uso confere.

Deixar a bateria plugada no carregador e eternamente nos 100% (o que acontece quando você deixa o notebook plugado na tomada o tempo todo) é o equivalente a guardar uma bateria completamente carregada – algo que praticamente todos os fabricantes aconselham você a não fazer. Eis as considerações da Dell, da Apple, e da HP. E tem este artigo também,  de um sujeito que é essencialmente uma das maiores autoridades mundiais em baterias recarregáveis.

Nos comentários e no twitter houve uma certa polêmica sobre isso. Sem motivo, aliás – qualquer pessoa que tenha feito isso sabe que deixar um laptop perpetuamente plugado na tomada destrói sua bateria. Não é uma questão de “concordar” ou “discordar”. Se você não acredita, você está errado.

Ah, e só mais uma coisa – esse hábito também pode fazer a bateria pegar fogo.

A propósito, você sabia que é bom calibrar suas baterias pelo menos uma vez por mês – mesmo as de íon de lítio? Isso é necessário pra que o microprocessador na bateria (que permite um mostrador de porcentagem indicando o nível de carga) seja calibrado. Em termos leigos, isso é preciso pra que a bateria “saiba” qual é o ponto máximo de carga, e qual o ponto mínimo. E sim, isto também é recomendado por todos os fabricantes.

Finalmente, eu queria debater um ponto que eu sempre ouço por aí nas vielas escuras da internet – a acusação de que a bateria do iPhone é, pra usar o termo científico que geralmente empregam, “um fumegante tolete de bosta”.

Frequentemente a acusação vem de quem upgradeou de um flip phone qualquer da Nokia (último lançamento de 2003), e está surpreso porque agora precisa pôr o celular pra carregar toda noite.

Ah, outra coisa que eu esqueci de mencionar: se o seu smartphone tem apenas uma ou duas semanas de idade, pare de chilicar a respeito da “bateria que não dura nada”. Baterias novas não passaram por nenhum ciclo de recarga ainda, e por isso não estão calibradas. Espere mais ou menos um mês e eventualmente o processador da bateria vai “aprender” quando a bateria estiver realmente completamente carregada.

O que acontece nas primeiras semanas é que enquanto o mostrador diz 100%, a bateria pode estar na verdade nos 80%. O processador “acha” que isso representa carga completa, e mostra 100% no medidor. É completamente natural e o problema se resolve sozinho em algumas semanas.

Então, onde eu estava mesmo? Ah, sim – o sujeito vende o Motorola Razor pra comprar um iPhone e se surpreende que a bateria não dura uma semana de uso.

Quase sempre a crítica de que a bateria do iPhone é ruim vem de que não tem intimidade com gadgets, particularmente com smartphone/PDA. Nego esquece que o iPhone tem uma tela imensa, processador, RAM, acelerômetro, GPU, digitizer (o dispositivo que detecta toques), uma cacetada de hardware que o torna mais próximo de um laptop do que de um celular (no mínimo, em matéria de consumo de energia).

Combine isso com uma bateria minúscula, e a conclusão é que o iPhone faz milagres com aqueles parcos 1400 mAh.

Resolvi fazer um teste por mim mesmo quando tive a idéia pra esse texto. Decidi pegar um das funções que mais consomem energia (no caso, tether por wifi, que mata sua bateria mesmo se ela estiver plugada e recarregando) .

Como devo ter explicado, optei pelo iPad wifi porque um tablet não é o tipo de coisa que eu sempre traga comigo quando eu saio de casa, tornando o gasto adicional no modelo 3G (aproximadamente $200) e o segundo plano de dados um tanto quanto redundante. E através de jailbreak – coisa que até hoje não havia me interessado -,é possível compartilhar a conexão 3G do iPhone através de wifi. O problema, como acabei de explicar, é que isso mata a bateria do seu iPhone mais rápido do que qualquer outra atividade.

Então resolvi testar.

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Ativei o app à 1:21 da manhã, com a bateria em 99%.

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Duas horas depois, 34% da carga foi utilizada. Só pra comparação, o PDAnet (um programa similar) costumava detonar a bateria de um Palm Treo em duas horas no MÁXIMO.

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3 horas depois, 52% da bateria foi embora. Talvez isso pareça um gasto absurdíssimo, e de fato é (relembrando: tether por wifi gasta energia mais rápido do que o carregador recarrega a bateria, então ele mata o iPhone mesmo se estiver plugado no carregador), mas você sabia que a Apple promete autonomia de aproximadamente 6 horas de uso em navegação 3G, né?

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Finalmente desliguei o MyWi às 6:48 am, 5 horas e 27 minutos após o começo da experiência, quando a bateria estava em 14% e eu tive medo de que não sobraria carga pra mandar as screenshots pro meu email. 5 horas e 27 minutos de uma atividade tão intensa que torra a bateria mesmo que ela esteja carregando (o MyWi não permite que o iPhone entre em sleep mode durante o uso, o que aumenta ainda mais o consumo de energia).

E tenha em mente que a Apple promete 6 horas de navegação 3G constante. Considerando que meu iPhone 3GS tem um ano de idade (ou seja, a bateria já passou por vááááários ciclos), eu diria que a promessa de autonomia da Apple é verdadeira.

Só pra relembrar: tether por wifi matava um Treo 700W em duas horas. E olha que o Treo tinha uma bateria de 1800 mAh!

E é isso aí. Espero que isso tenha dado a vocês uma boa idéia de que nossas baterias são melhores do que a gente pensa que são. Agora, ponha esse iPhone pra carregar e arranque a bateria do seu laptop!

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Categorias: Tech Toys