Inspirado neste texto do Cardoso, em que ele falava sobre seu primeiro mês com o iPod touch, decidi falar sobre a primeira semana de uso do iPhone. Ontem fez exatamente sete dias que comprei o negócio; após aquele clima de empolgação inicial com o brinquedo novo (e já com alguma experiência de uso), dá pra fazer um diagnóstico mais imparcial sobre o desempenho do celular.
Versão resumida? Nessa semana eu descobri que fiz algumas declarações erradas sobre o iPhone. Além disso, o OS ainda tem algumas áreas pra melhorar. No fim, fortaleceu-se a opinião de que o iPhone é um celular pra quem acessa internet mobilemente MUITO. Pessoas que não usem 3G por 3-4 horas por dia estarão desperdiçando o potencial mais forte do aparelho. Wifi é bacana e tal, mas pra mergulhar de cabeça na internet REALMENTE móvel (ficar ancorado a um access point não é ser “móvel”), tu vai precisar de 3G. E de um plano de dados decente, se não quiser uma conta com 5 dígitos.
Agora, a versão longa.

Primeira tela do “desktop” do iPhone

Segunda tela. Não tirei ss da terceira, porque lá jazem os programas que eu não uso com frequência
A primeira mordida de língua foi em relação à câmera. Nas primeiras fotos comparativas que postei aqui no HBD, não havia iluminação externa, e portanto a câmera do k850 (que tem flash) mostrou uma performance incrivelmente superior. Fui bastante impiedoso nos meus comentários sobre a câmera.
E ela realmente não é nada sensacional, o que é uma baita decepção pra algo que é alardeado como O DEUS DOS CELULARES. Entretanto, um pouco de iluminação externa faz bastante diferença na hora de tirar uma foto, que é algo pro qual eu devia ter atentado. Veja por si mesmo a foto abaixo:

Clique aqui pra ver a versão grandona
Ninguém vai imprimir fotos tiradas pelo iPhone (ou pelo menos ninguém com mente sã ou bom senso), mas pra função pela qual a maioria das câmeras de celular existem – ou seja, poder capturar eventos espontâneos em momentos que você não tem sua câmera “de verdade” por perto -, dá pro gasto.
Por causa disso, me reanimei a postar fotos no Flickr direto do iPhone – mas apenas quando a iluminação for propícia. Foto de boate ou durante a noite é inviável.
O próprio sistema de envio é mais amigável. No k850 eu tinha logar no Flickr, entrar na área de upload, e então tirar a foto e enviar (tomando o cuidado nesse momento de não sair do navegador, ou o upload seria interrompido).
Um dos problemas é que logo após que eu tirava a foto, o site já ia carregando o upload, me dando no máximo 2 ou 3 segundos pra ver como a foto ficou.
E como o firmware que eu usava não me permitia uploadear uma foto tirada previamente – algo que o w810 fazia de boa -, pra enviar uma foto direto de uma balada com os amigos eu precisava dedicar 10-15 segundos pra navegar pelo Flickr até chegar na área de envio, e depois de tirar a foto tinha que segurar o telefone por mais 10-15 segundos enquanto enviava a imagem. Se colocasse no bolso, algum botão poderia ser apertado, fechando o navegador e fodendo o upload. Não poder enviar uma fotografia tirada previamente era uma chateação, especialmente porque não havia muito tempo pra ver se a fotografia ficou boa.

Com o iPhone é diferente. O Flickr me fornece um email secreto, e qualquer imagem enviada pra esse endereço será postada na minha conta. O subject line vira o título da foto, e qualquer coisa no corpo dela vira a descrição.
Basta tirar todas as fotos que eu quiser. Não é necessário interromper as atividades com os amigos pra entrar no site, falar pra galera esperar ainda mantendo a pose, em seguida tirar a foto e esperar pelo upload segurando o telefone.
Com o iPhone tiro todas as fotos que quero, e no caminho ao banheiro abro a pasta de fotografias, seleciono a opção “Email Photo” nas preferidas, seleciono o Flickr nos meus contatos, pronto. Meto o celular de volta no bolso.
Parece pouca coisa mas esse novo método é extremamente mais prático.
O Safari é incrivelmente mais potente que o Netfront que eu usava no k850, não há comparação. Pra você ter uma idéia da diferença, tirei algumas fotos que mostram o mesmo site aberto nos dois telefones.
Sim, eu sei que comparar os dois telefones é obviamente incoerente, a intenção aqui é ilustrar a diferença de uso que eu experimentei com o upgrade pro iPhone.


O Safari é tão superior ao Netfront que me permite fazer algo que eu nunca pude fazer no k850 – logar no painel de controle do HBD e escrever ou editar textos. Isso era algo que eu sentia necessidade no celular velho porque, sendo nerd perfeccionista, bastava alguém apontar nos comentários que eu cometi um erro no post pra eu ficar agoniado por não poder corrigir no ato. Isso não é um problema com o iPhone:


Reconhece esse texto de algum lugar? Então.
O teclado qwerty do iPhone, ainda que virtual, é uma melhoria de 1000% no método de input que eu usava antes. O firmware do meu k850 só tinha T9 em inglês, me obrigando a adicionar MANUALMENTE cada palavra em português que eu teclava, pra reduzir o esforço na próxima vez que eu precisasse digita-la. Dá pra imaginar a trabalheira que dava? Consegue entender agora o tipo de esforço que eu sofria pra responder todos so twits e comentários que eu recebia? Poisé.

Agora posso bater papo no MSN em português. A configuração de linguagem em pt-br oferece até uma auto-correção muito bacana, que adiciona acentos, capitaliza letras após pontos finais, entre outras. Ela peca ocasionalmente em correções sem sentido (“o” vira “os”, “a” vira “aí”, e por aí vai), mas é questão de apenas cancelar a correção dessas palavras.
O bug é chatinho, mas no geral a auto-correção ajuda muito mais que atrapalha após descobrir que posso usar o teclado em inglês pra mandar mensagens de texto pra amigos gringos, e em portugays pra bater papo no twitter com a brasileirada.
E o Google Maps então? No touch ele já era incrivelmente útil. Aliado ao aGPS do iPhone, o aplicativo torna qualquer imbecil em um navegador com extrema proficiência.
O que é aGPS? Bom, o “a” é de “assisted”. Isso significa na prática que o receptor GPS localiza o seu celular, mas ele conta com o apoio do sinal de torres de celular pra triangular sua posição mais rapidamente, e do 3G pra baixar os mapas direto do servidor do Google. É um GPS “ajudado” por outras tecnologias.

Tirei essa screenshot indo pra academia de kung fu na segunda feira. Bastou colocar o endereço do prédio e o GPS do telefone me achou e traçou a rota até o lugar. Esse ponto azul no meio da tela (aquela aura azul que você vê na imagem emana da bolinha) representa você. Basta seguir a linha roxa da rota e pronto. O Google Maps fornece os nomes das ruas, pra facilitar a navegação, e o GPS é tão apurado que percebe até se eu estou na rua ou na calçada. Totalmente Jetsons; é simplesmente impossível se perder tendo essa merda no bolso.

Google aberto em uma das abas do iPhone
Você deve ter notado que, em alguns dos shots que eu tirei, eu tinha apenas uma ou duas barrinhas de recepção de sinal. Isso acontece porque tirei essas screenshots lá do trampo, onde trabalho numa sala de comando blindada. Apesar do sinal fraco, o 3G se manteve firme e forte – as imagens não me deixam mentir – e eu pude manter o uso desde o momento que pus o pé na sala, até a saída.
A propósito, eu não estou exagerando quando digo que uso internet no celular durante todo o expediente. O único momento que não estou conectado pelo celular é quando estou jogando videogame, ou dormindo com os pés na mesa e o alarme de proximidade da sala ligado nos meus headphones, pra me acordar se alguém pintar por lá. Sério.
O prédio onde eu trabalho (o Tribunal Federal e Provincial de Calgary) é totalmente state-of-the-art. Quase todas as áreas importantes das duas torres de vinte andares que compoem o prédio têm sensores de movimento, ruído, temperatura, pressão, etc etc etc. Há medidores de radioatividade, toxicidade, nível de CO2 no ar – pra detectar incêndios -, tem um bunker nuclear quatro níveis abaixo do térreo, é um prédio DUFUTURO mesmo.
Procê ter uma idéia, o 13o. andar é onde guardam as exhibits usadas em casos federais (armas usadas num crime, documentos que provam fraude de alguém do alto escalão, etc). Você só pode fazer o elevador parar nesse andar se tiver um crachá, a entrada é protegida por seguranças 24 horas por dia, a porta do saguão tem um leitor de impressão digital, e a “gaiola” (é como chamamos a parte que liga o saguão ao cofre das exhibits) é protegido por feixe laser.
Queria tirar foto da porra toda, mas por motivos óbvios (quero manter meu emprego) é expressamente proibido tirar fotos lá dentro.
Então, da sala de comando eu controlo essa porra toda. Uma das funções sobre qual eu tenho controle é ativar sensores de movimento em áreas específicas e dizer ao sistema como reagir a eles. Eu seto um perímetro de 20 metros perto da entrada da sala de comando, designo a reação “soar alarme nível 1″ – ou seja, alarme local limitado à minha estação -, e durmo por algumas horas.
Mencionei que recebi um aumento mês passado? E que antes desse aumento já ganhava o equivalente a seis mil reais por mês?
Mas voltando ao iPhone.
Mas nem tudo é perfeito, claro. Eu tenho notado que navegar no Safari com mais de 5 tabs abertas causa crashes ocasionalmente. Nada muito feio, o navegador apenas fecha e você tem que abrir de novo. Mas se você estava digitando alguma coisa, já era.
De vez em quando rola um perceptível lag no input do teclado virtual, especialmente quando mandando SMS. Nesses casos eu desligo e religo o celular, tomando uma nota da cartilha “Como Resolver Qualquer Problema Relacionado à Tecnologia”.
Supostamente esse problema (e o da auto-correção maluca no teclado em português) já foi notado pela Apple e será corrigido no update que sai sexta-feira. Veremos.
Minha conclusão é que o iPhone é um celular pra quem quer se conectar à internet sempre que não está na frente de um computador. Aliás, como todo esse uso massivo da minha conexão 3G, sabe quanto eu gastei de transferência?

Estou bem abaixo do meu limite de 6gb mensais, que é virtualmente ilimitado. Não quero nem pensar quanto isso teria me custado no Brasil.
Se planos 3G razoáveis chegarem junto com o iPhone aí no Brasil, pode comprar tranquilo. Se você não pensa em usar a internet no celular, vai gastar dinheiro à toa.





Nem tá no ar (ainda não)! =/
E aí está o HBDtv 7. Comentários?
Definitivamente… não está no ar! O.O
O HBDtv #7 tá lá no youtube mas não ta no
blog, quide…
posta ele ae!
meuuu parabéns pelo post, você escreve muitíssimo bem e a matéria ficou ótima.Fiquei realmente motivado a comprar um Iphone já que aqui no brasil uso Wiifi no celular(nokia n81) a algum tempo e n gasto muito com isso.Parabens
Tive a chance de mexer num iPhone 1G, e a parte de internet é o que realmente pega.
Quase comprei um na época por vias suspeitas, mas o trabalho que teria para jailbreakza e a chance de dar errado (e perder mais de 1k), me fizeram mudar de idéia, hahah.
Agora é esperar para saber quanto será a facada no 3G… e os planos de dados, pois os existentes não são pornografia, mas são pura sacanagem! Percebi que o pessoal confunde o 3G de celular e o modem 3G, são serviços e preços diferentes.
Nada a ver com o post, mas depois que conheci o HBDia quero um PSP! uehuehuehe XD
kid, me explica uma coisa. Vc usa push mail pra ser alertado imediatamnte quanto chega email? Isso não acaba com a bateria?
@garotasemfio 200mb a maior franquia? Li que o @izzynobre tem franquia de 6GB no Canadá e gastou 400mb numa semana, tsc: http://is.gd/37rN
[...] por lá recentemente, e em um de seus post’s ele fala um pouco de suas várias funções. LER O POST. A conclusão do post é: Iphone é pra quem usa sua internet com frenquentemente, se você quer [...]
Vc disse no post q n faz ideia de qnt custaria essa quantidade de dados no brasil…
Eu usando o iphone modelo antigo, 2g, no meu primeiro mês, usei 5,5mb de dados.. (não tenho nenhum plano de dados)
Isso me rendeu menos 50 reais no bolso naquele mês =P
já testou aquele aplicativo do WordPress pro iPhone?
pode ser útil pra você atualizar mais vezes esse blog!
kkkkkkkkkkkkk
UIIIII
Chora não
llllllllllxD
Banana aew!!! kkk