Quatro dias se passaram desde a recompra do iPod Touch, o que significa que até agora eu tive 24 horas a mais com o mp3-que-quer-ser-PDA da Apple do que da última vez que me aventurei a comprá-lo.
Como vocês lembram, dizer que a experiência foi horrível é falar pouco – meu primeiro contato com o Touch foi marcado por tanta frustração e raiva que a sensação era de que eu havia jogado dinheiro no lixo. Praticamente todas as funções do aparelho exibiram alguma forma de defeito.
A funcionalidade de vídeo foi a mais problemática; nem mesmo desistir inteiramente do meu laptop (alguns culparam o Vista) e apelar pro meu desktop XP empoeirado ajudou.
Devolvi o Touch e, apesar de adquirir um outro gadget que ocupou minha atenção nérdica, o gostinho amargo da derrota ainda estava na minha boca. A despeito dos problemas que o Touch apresentou e da minha força de vontade pra soluciona-los, no final das contas eu havia sido derrotado. Eu queria tanto o aparelho, e me vi obrigado a devolve-lo contra a minha vontade.
Não pensem que estou inocentando a Apple de sua culpa no caso. O iTunes da época era comprovadamente instável e levou muitos compradores à mesma atitude que eu. É que isso não me serviu como consolo. O orgulho nerd foi ferido. Como geek semi-profissional de traquitanas eletrônicas, eu gosto de ver a mim mesmo como uma espécie de MacGyver nerd, capaz de solucionar qualquer problema tecnológico em menos de meia hora incluindo os comerciais. Ao desistir do Touch, eu estava de certa forma jogando a toalha, admitindo que estava sem idéias. “Não tem mais jeito”. E realmente não tinha, mas o dano ao meu ego já havia sido causado. Apesar disso, o desejo de possuir um dos gadgets mais quentes do momento não desvanesceu, mesmo após a compra do Archos 605.
Não que o Archos seja ruim. O gadget alternativo é excelente, e eu ainda o usarei por anos, mas acontece que eu ainda queria também um iPod Touch. Afinal, não foi que o aparelho em si que me causou fúria, foi o software. Tanto que, durante a discussão no Meiobit sobre o aparelho, falei publicamente que ainda tinha esperanças de obter um, caso a Apple resolvesse se mexer e aparar as pontas do odiável iTunes.
E já que estamos mencionando aquela discussão, queria deixar um negócio claro. Nos comentários do post anterior, o Cardoso havia alegado que a tela do Touch é maior do que a de qualquer PDA. Expliquei que isso não confere, já que tanto o Palm TX como o Axim x50 (dois PDAs com os quais tenho experiência) têm telas maiores. Em seguida ele, no que eu só posso classificar como ”melhor exemplo prático de falácia da extensão da analogia”, simplificou o meu argumento dizendo que eu tentei comparar as duas plataformas. Expliquei que esse não era o mérito do meu argumento, mas nem sei se ele leu meu comentário. Enfim, águas passadas.
E o que eu esperava aconteceu: uma nova versão do iTunes foi lançada, e cuidadosamente resolvi testá-la. Assim que percebi que os problemas com o Vista foram solucionados, a tentação de dar uma segunda chance ao Touch foi maior que meu auto-controle. Fui à Future Shop mais próxima e recomprei o aparelho.
Ainda no caminho da loja, três fatores cruzaram meus pensamentos, fortalecendo a impressão de que dessa vez a compra seria mais satisfatória. O primeiro era a certeza de que eu não teria as mesmas complicações pra “interfacear” o aparelho com meu PC, que foi a causa de maior dor de cabeça. O segundo era o preço – cem dólares de diferença. Aprendam com o meu erro – early adopters SEMPRE tomam no cu.
A terceiro e mais significatico fator era o Archos. Eu sei, parece paradoxal. Acontece que, como já possuo um vídeo player mais competente, não estou esperando tanto do Touch. Como falei antes, pra mim ele é um aparelho de mp3 com browser e uns badulaques extras. Só isso.
Vou explicar logo – por mais bacana que o iPod Touch seja, ele continua sendo um player de vídeo bastante medíocre. O suporte de formatos é patético, não há como gerenciar a mídia no aparelho, não há suporte pra legendas, não há um auto-falante, a resolução não é tão boa quanto poderia ser, nem mesmo fullscreen real essa porra faz (ao invés disso, o Touch dá um zoom na área central do vídeo, cobrindo toda a tela mas cortando pedaços imensos da imagem).
Pra resumir, no departamento de vídeo o iPod tem uma performance MUITO porca. Qualquer pessoa que diga o contrário ou é fanboy cego, ou não teve experiência com outros players de vídeo melhores, ou ambos. Por não me encaixar em nenhum dos demográficos acima, minhas expectativas se tornaram baixas. Basicamente, eu só queria um mp3 player legal.
Assim como o PSP, o DS e outros eletrônicos portáteis, o potencial real do Touch está nos homebrews. Como mal consegui pôr vídeos no troço da última vez, muito menos “jailbreakear” (leia-se: destravar a bagaça, liberando o uso de software não-produzido pela Apple), então eu não cheguei a experimentar esse aspecto do Touch da última vez. Talvez se a gente levar isso em consideração, podemos concluir que minha resenha anterior inteira não foi bem uma resenha, porque eu nem consegui usar a parada direito. Foi mais um grito de frustração.
Agora que realmente pude usar o Touch, acho que minhas impressões são mais acertadas. Algumas se confirmaram – como o fato de que o Touch é um video player muito medíocre -, algumas se refizeram – o player de mp3 é mais intuitivo do que eu julguei da última vez -, e outras se mantiveram – a tela de toque do iPod Touch é a melhor entre qualquer gadget, salvo apenas no caso do iPhone por motivos óbvios; o Safari é um excelente browser.
E vou dizer, é interessante voltar com expectativas diferentes a um aparelho que te causou tanta raiva no passado. É como reencontrar uma ex-namorada anos após as mágoas se passaram. Tudo bem que ela é meio burrinha e não consegue comer de boca fechada nem pra salvar a própria vida, mas se ela trepa bem, por que não tirar proveito disso? A analogia é terrivelmente sexista mas vocês entenderam. Comprar, usar e resenhar gadgets não é experiência nova pra mim, mas fazer tudo isso duas vezes é.
E, seguindo os passos deste texto do Cardoso, aqui estão os homebrews que eu instalei no meu iPod.

1) Safari
O navegador. Como já mencionei, é um dos melhores navegadores portáteis que já usei. Certamente não é o mais completo (java e flash, algo que o Opera do Archos faz nativamente, é um mistério pro Safari), mas a “overall experience” é bastante natural e intuitiva. Saquem só como o Safari renderiza o HBD:

Letrinhas pequenininhas, alguns devem ter dito. Bom, isso não é problema.
Como você pode ver no vídeo acima, iPod Touch detecta a orientação em que está sendo segurado, e com os dedos você pode movimentar a página e dar zoom. É bem bacana e permite um uso internético bem mais fluido e confortável que, digamos, o browser do Palm ou do PSP.
2) Youtube
O aplicativo que permite o usuário a assistir vídeos do Youtube, já que o Safari não lida com flash.
3) Calendar
Preciso realmente explicar isso? A única ressalva é que o calendário do Touch já foi bem mais usado nesses 4 dias que os aplicativos semelhantes do meu palm em três anos. Acho que isso se deve ao fato de que eu SEMPRE tenho meu mp3 player comigo, então o calendário me seguirá com mais frequência do que o Palm.
4) Contacts
Inútil pra qualquer pessoa que tenha um celular. Sim, o mesmo pode ser (parcialmente) dito sobre o calendário. Acontece que, ao contrário do calendário, a função de contato será sempre usada em conjunção com o telefone. Não faz sentido recadastrar todo mundo no iPod se eu já os tenho no celular mesmo. Além disso, digitar compromissos no Touch é muito melhor que no celular.
5) Clock
Um relogim.
6) Calculator
…
7) Settings
O painel de controle do bicho. Aí terminam os aplicativos que vem com o Touch; todos os ícones após esse são programas que eu baixei.
Apollo
Um instant messenger da vida. Seria bem útil, se o MSN/Hotmail não fossem estupidamente proprietários. Assim como não dá pra cadastrar emails do Hotmail no Outlook, é quase impossível fazer um programinha third-party conectar ao MSN. Vou acabar deletando.
9) Stumbler
Um localizador de wi-fi.
10) Pocket Guitar
Um aparelhinho que te permite tocar guitarra no Touch. “Ah, mais um Guitar Hero, sei”. Não, seu merda. Dá pra tocar guitarra MESMO. Olhaí. O formato do Touch torna a brincadeira um pouco complicada, mas sempre impressiona os amigos.
11) Chess
Um bom e velho xadrez.
12) Tris
Um clone de Tetris.
13) NES
Como você deve imaginar, é um emulador de NES. Bacaninha, mas tem alguns problemas de framerate às vezes e a falta de feedback tátil torna o controle meio esquisito. É mais interessante do que funcional. Só não desinstalo porque não tenho nenhum outro aplicativo com ícone referente a Mario, e como você deve imaginar isso é praticamente obrigatório pra mim.
14) Aquarium
Um “joguinho” bem retardado. A tela se torna um aquário em que um solitário peixinho dourado (ou peixe-palhaço, nem lembro agora) faz porra nenhuma. Você pode clicar na tela e dar comida pra ele, mas a animação é tão retardadamente simples que não tem apelo nem como demonstração do poder gráfico do Touch.
15) Tetromino
Outro clone de Tetris.
16) Domino
É dominó, ué. E tem um modo multiplayer.

17) Screenshot
O programa que trouxe essas imagens pra você.
18) Maps
É essencialmente o Google Maps, como programa stand-alone. Muito útil, mas não saia pensando que poderá substituir um GPS - o programa depende de wi-fi pra funcionar.
19) Tap Tap Revolution
Uma tentativa de clonar Guitar Hero no iPod Touch. Não sei se é porque já joguei muito GH nessa vida, ou se é porque o programa é bem tosquinho mesmo, mas não me interessei muito.
20) iSolitaire
Paciência. Fundamental pra alguém com um trabalho como o meu; hoje detonei a bateria jogando no expediente.
21) iShare
Um programinha que permite uploadear arquivos do iPod usando os servidores do SendSpace. Interessantezinho.
22) iFPD
Baixei, nunca usei e esqueci do que se trata.
23) Sudoku
Outro app essencial pra mim. Não sei se Sudoku é tão popular aí como aqui.
24) EvolutionRGB
Uma versão portátil do Falling Sand, aquele conhecido joguinho em flash estilo sandbox. Eu poderia brincar nisso por horas a fio, mesmo essa versão sendo mais simples e com menos opções que a original.
25) SMBPrefs
O painel de controle da SummerBoard, um programinha que te permite mudar a aparência do Touch. Dá pra pôr layout do Vista, do Leopard, de tudo. Tou esperando lançarem um tema de NES ou SNES, o que surpreendentemente ainda não foi feito.
26) Installer
O programa que te permite instalar todos esses apps. O processo é interessante porque tudo é feito via wi-fi. Você nem precisa de um computador pra baixar novos aplicativos. Muito legal.
27) iFob
Outro programa cuja funcionalidade exata eu esqueci. Tem algo a ver com detectar usuários de aparelhos wi-fi nas proximidades.
28) RSS
Um leitor de RSSs, ou seja, essencialmente o último prego no caixão do meu Palm TX que era usado exclusivamente pra ler sites offline via RSS no trabalho. O app não é tão bom quanto o Plucker que eu uso no Palm, mas é bom o bastante pra inviabilizar o ato de trazer ambos comigo pro trabalho.
29) iPhysics
Outro joguinho sandbox. Desenhe objetos na tela, e eles se materializam e se tornam sujeitos à ação da gravidade e tal. Você pode pega-los, jogar um contra o outro, afixa-los pelas extremidades no cenário, etc. Não há um propósito real, a menos que você baixe um dos vários mods pra ele que utilizam a engine como um jogo.
30) TextEdit
Outro app que tornou meu TX totalmente obsoleto. Eu costumava escrever textos no Palm, mas usar o tecladinho portátil meio que torna muito clara a minha vagabundagem no trabalho, e catar milho com a stylus é um exercício de paciência pra poucos. Digitar no TextEdit é infinitamente mais confortável. A propósito, adivinha onde escrevi este post!

Esse aplicativo me causou um leve arrependimento por ter comprado o Touch, pra ser sincero. Eu estava meio dividido entre o iPhone e o Touch, aí decidi pelo último achando que tela de toque seria meio desagradável como única forma de input num celular. Afinal, eu mando muito mais mensagens que faço ligações. Após usar esse programa por cinco minutos percebi que estava enganado. Bom, agora já era.31) MailCliente de email do Touch. Como mencionei, não dá pra cadastrar pra uso do Hotmail, tornando-o semi-inútil pra mim. Registrei meu gmail, entretanto.
32) Books
Leitor de ebooks.
Fiquei com preguiça de tirar um screenshot da última tela. Só havia dois programas mesmo: um clone de bejeweled que roda cmo problemas de framerate então será deletado, e um dicionário virtual. Nada de muito sensacional aí, com exceção que é possível instalar databases extras além da principal. Instalei um dicionário jurídico e uma versão da enciclopédia britânica, o que é incrivelmente útil pra mim porque eu adoro pesquisar trivialidades. Sério mesmo, não tou de putaria – passei boa parte no trabalho pesquisando curiosidades sobre países da América Latina.
E é isso. A verdadeira força do Touch, na minha opinião, é que ele é um mp3 que pode com competência substituir um PDA. Como player de vídeo ele deixa a desejar, mas em todas as outras áreas ele é impressionante. Adoro o fato de que ele é capaz de um pseudo-multitarefa: clique no home button duas vezes e um pop up com controles de música aparece na tela. Você pode trocar a música e imediatamente voltar pro que estava fazendo antes. Isso torna a experiência de “trabalhar” no Touch (como eu fiz ao escrever este texto) análoga ao uso de um PC doméstico. Bacana.
Resumão – O Kid de um mês atrás jamais recomendaria um iPod Touch. O atual o recomendaria, com a ressalva a respeito do player de vídeo. Existem players de vídeo melhores lá fora.
E sim, eu já tenho um. Pra que ter um só quando posso ter todos?
[ Update ] Tou tendo um problema filho da puta com a quebra de linha nesse texto, como vocês devem ter notado. Alguém quer dar uma olhada no sourcecode e me explicar o que diabos tou fazendo errado? Grato.





o unico problema aparente com a quebra de linha tá no item 31… é pq vc não fechou o parágrafo. É só colocar um </p> depois do fim do texto do item 30… um <p> antes do titulo… ahhh vc entendeu…
e eu não gosto da apple
E tem mais aqui Kid:
http://www.digitaldrops.com.br/drops/2008/03/o_iphone_e_simplesmente_perfei.html
Kid, como vc transferiu as fotos tiradas com o Screenshot para o pc?
Aí no seu pc o iPod é reconhecido como disco removível?
@marcellus
Nope. Eu mandei-os pro meu email usando o Finder.
Sabe aquele AFPd que eu não sabia pra que servia? Então, quando você roda ele, seu ipod se torna um servidor FTP, e você pode logar nele e pegar as screenshots desse jeito também.
Kid, eu tentei com o AFPd, mas nem consegui. Parece que só funciona nos macs. Ou então eu fui mto burro. Mas me virei e consegui através de um programa aqui no windows, vlw!
O AFPd Funfa em Windows sim, cara. Tu deve ter feito algo errado hahaa.
Putz, que bosta então!
Mas aqui não funcionou mesmo… me virei com o WinSCP. Esse programa acessa o iPod pelo IP dele na rede WiFi e funciona belezinha!
Aliás, vou vc sabe se esse ‘Books’ lê pdf?
Sim, sim… aki Sudoku tb faz sucesso.
[...] Kid já fez, o Cardoso já fez, trocentas outras pessoas já fizeram. Agora é a minha vez! Atendendo aos [...]
não estou conseguindo tira foto do meu ipoid e nem colocar,não estou abrindo ele no pc,como faz se alguem souber me fale por favor,mande pro meu email,(arinaldosom@hotmail.com)