Agora que já usei tudo que o iPad tem pra oferecer aos corajosos/impacientes que se recusam a seguir a sempre sensata orientação de esperar pela segunda geração do aparelho, posso oferecer a vocês uma opinião completa sobre o brinquedo.
Eu estava firmemente disposto a não comprar esse negócio. Primeiro, porque eu já tenho um netbook, que é justamente o tipo de aparelho que o iPad tenta substituir. E em segundo lugar, por causa do iminente lançamento do novo iPhone, que é um aparelho que eu sem dúvida uso muito mais e praticamente não sei mais viver sem. Era mais aconselhável guardar essa grana pro novo modelo do celular.

Já que estou falando do iPhone 4, eu preciso mencionar um negócio. Cês viram o FaceTime, né? A nova função de ligação com vídeo. Eis a citação no site da Apple:
People have been dreaming about video calling for decades. iPhone 4 makes it a reality. With just a tap, you can wave hello to your kids, share a smile from across the globe, or watch your best friend laugh at your stories — iPhone 4 to iPhone 4 over Wi-Fi. And it works right out of the box. No other phone makes staying in touch this much fun.
Eu tive um choque ao ler o trecho acima. Alienação ou pura cara de pau Jobsiana? Afinal de contas, eu tinha um celular três anos atrás que fazia ligação por vídeo. E não dependia de wifi, nem que a outra pessoa tivesse o mesmo celular que eu. Vender a parada como uma função inédita é de se achar graça.
Mas enfim.
Como os senhores sabem, comprei o iPad wifi de 32gb. Decidi não optar pelo 3G por dois motivos, como mencionei em outro texto: primeiro que ter dois planos de dados me parece um negócio extremamente redundante, e segundo que o iPad não é um aparelho que eu SEMPRE usarei fora de casa, então poderei depender de wifi pra conectividade na maior parte do tempo.
E além disso, há a opção de fazer jailbreak no meu iPhone (algo que eu sempre resisti) pra compartilhar minha conexão 3G via wifi. Fiz o jailbreak em segundos quando cheguei em casa com o iPad, e tudo funciona belezinha.
E posso dizer que estou relativamente arrependido. Tudo funciona bonitinho, mas o problema é justamente ter me tornado dependente de iOS modificado – quando sai novo iOS, que foi o caso dessa semana, é a maior confusão pra entender o que fazer. Faço upgrade ou não faço? Se for fazer, COMO faço? Meu iPhone explodirá?
(Não ria, nos primeiros dias do iOS4 tinha gente colocando o iPhone em bootloop quase irreversível apenas por executar o update)
Decidi que quando comprar o iPhone 4, abrirei mão do jailbreak e do compartilhamento de conexão pro iPad. Pra gente neurótica que nem eu, não vale a pena. E ano que vem, quando sair o novo iPad, definitivamente optarei pela versão com 3G.
Então, o iPad!
À primeira vista é fácil (eu diria até “tentador”) resumir o iPad a um “iPod touch gigante”. Afinal a interface é parecida, ambos usam praticamente os mesmos apps, você não pode fazer ligações com eles, etc.
Não é bem assim. A melhor forma que eu tenho de explicar o bicho é que ele é o que o iPod touch seria, se este fosse um computador. Entendeu? Ele essencialmente traz a experiência do iPod touch (comprar e instalar apps com um botãozinho só, a tela de toque, a simplicidade geral do iOS) pra algo mais próximo de um computador. Enquanto o iPod touch é um excelente media player, console portátil e web browser, o iPad é tudo isso, mas num formato que dá pra usar em casa mais confortavelmente.
Como escrever uma resenha COMPLETA do bicho resultaria num texto imenso, vou mostrar apenas as funções que me interessaram mais quando comprei o aparelho.
Em ordem:
1) Ler quadrinhos
Todos os meus gadgets com tela já foram usados em um momento ou outro pra ler quadrinhos – meus computadores, meu iPod touch, meu iPhone, etc. Entretanto, é inegável que a tela e o formato do iPad o tornam praticamente perfeito pra isso.
O app que eu uso é o ComicZeal. Jogo os .cbz/.cbr no iTunes e acabou. Bastante prático. Tou com quase 5gb de quadrinhos no bicho.
2) Ler livros
Nunca botei fé no Kindle e similares. Gadgets que APENAS servem como ebook readers não me aperecem, especialmente com aquela tela monocromática. Tá, eu sei que eInk é melhor pra ler e tal, mas você está louco se acha que em pleno 2010 vou comprar um aparelho com tela em preto-e-branco.
Já li 4 livros desde que comprei o iPad e não vejo nenhum problema em ler livros numa tela de LCD. Dá pra ajustar o brilho, fazer marcações nos livros, etc.
Muito bacana. Estou pouco a pouco baixando toda a minha coleção em formato digital pro iPad (que lê arquivos .epub e, em setembro, passará a ler .pdf também).
3) Ver filminhos
A telona do iPad praticamente IMPLORA pra que você assista vídeos nela, e por isso decidi gastar um pouco mais no modelo de 32gb. No meu iPhone, 9 dos 16gb disponíveis (na verdade 14gb, mas enfim) são ocupados por mp3. Como não planejo ouvir música no iPad, esse espaço todo seria dedicado aos filmes.
Mesmo assim, mas achei que me arrependeria se não pegasse um modelo com mais capacidade.
4) Navegar a web
Eu o iPad é um aparelho quase perfeito pra navegação casual. Manja qualé? Acessar seus sites favoritos na cama antes de dormir ou ao acordar, no sofá enquanto vê TV, essas coisas. A tela permite que as páginas sejam exibidas exatamente como elas aparecem no seu computador, e o Safari mobile é excelente.
5) Bater papo no MSN
Auto-explicativo, né?
6) Mandar emails
Idem.
Como você pode ver, tudo isso pode ser feito num iPod touch ou num iPhone. Entretanto, o formato maior do iPad torna cada uma dessas atividades muito mais confortável.
O iPad é o perfeito “companion device”, aquele gadget que tá ali do teu lado quando tu tá fazendo algo e precisa mandar um email, ou googlear algo, ou mandar um tweetzim comentando uma bobagem que você percebeu no filme que está assistindo. Algumas pessoas estão chamando o iPad de “o verdadeiro PC”, e eu concordo. Ele é muito mais um “computador pessoal” (no sentido mais Jetsons possível) do que este desktop trambolhão na minha mesa.
E meu netbook, coitado, é usado cada vez menos. Acabarei doando-o para alguém. Um dos motivos pelos quais iPads acabarão dominando sobre netbooks é a vida de bateria – Meu iPad foi de 100% a 68% após quase SEIS HORAS de navegação por wifi nonstop. Meu netbook com uma imensa bateria de 6 células teria morrido muito antes disso.
Lembro no Keynote do iPad que o Steve Jobs sacaneou netbooks, dizendo que “são máquinas Windows, são lentas”, etc. Eu discordei de cara, mas quando uso o iPad por algum tempo e pulo pro netbook (que já tem alguns meses de uso), é impossível não notar que o iPad é extremamente mais rápido. E continuará mais rápido, ao contrário de um PC Windows, que tem tendência de ficar cada vez mais lento até que eu execute algumas manutenções no sistema.
E aí está a grande sacada da Apple. Tablets não eram nenhuma grande novidade, mas a embalagem do aparelho deles é muito mais gostosa de experimentar, e interessa gente que jamais se interessou por gadgets semelhantes antes. Minha mãe, que não devia nem saber o que eram tablets, tá louca por um iPad. Minha noiva, meu irmão e meu pai, também.
É como o FaceTime que eu mencionei lá em cima. Os caras não são os primeiros a fazerem algo, mas eles fazem um streamline na experiência, tornando-a mais acessível, mais confortável. E no processo, acabam popularizando a coisa. Veja quantos iPhone copycats surgiram desde 2007. Com o iPad não será diferente. E sabe duma coisa? Eu arrisco que ligações por vídeo FINALMENTE se tornarão lugar-comum, simplesmente porque a Apple empurrará os competidores nessa direção.
Ame-a ou odeie-a, é a Apple que está nos levando em direção ao futuro da ficção científica.
E pra te deixar com mais vontade ainda de comprar o troço, tomaí:
[youtube]4QSKQhycovw[/youtube]
Meu veredito? O iPad ainda é um pouquinho caro pra convencer as massas (ou nem tanto, considerando que a Apple vendeu impressionantes 3 milhões de aparelhos em menos de 3 meses), mas assim que a segunda geração sair com um preço inevitavelmente menor e ainda mais funções, acho que começaremos a ver uma popularização sem precedentes. O iPad tem potencial (pelo menos em alguns segmentos de usuários) pra praticamente matar a necessidade de um computador convencional.














O iPad eu quero, como qualquer um que já testou suas reais utilidades gostou.
Só que tem uma coisa que impede o brazuka de adquirir: o preço.
ainda não tive a oportunidade (leia-se: dinheiro) de adquirir nenhum produto apple. mas se existe alguém que consegue me convencer e fazer o consumismo intrínseco em mim gerar náuseas são esse alguém é você com as suas resenhas, caro Izzy.
não pagação de pau, realmente não confio em outro “resenhador” quando a palavra é gadget.
sinto que assim que eu começar o meu primeiro emprego meu primeiro e demais salários serão da apple store.
ps.: já fui um hater da apple! continuo gostando muito da microsoft e ainda defendo que as pessoas não podem reclamar tanto se não fazem questão de terem copias originais de seus sistemas. faz toda diferença, isso é um fato. e eu só posso falar daquilo que tenho.