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Não resisti, comprei o iPhone

Postado em 3 setembro 2008 Escrito por Izzy Nobre 126 Comentários

[ Update ] ATENÇÃO QUERIDOS VAGABUNDOS

A partir de hoje estarei abandonando o israelnobre@hotmail.com. Meu email agora é izzynobre ARROBA gmail.com. Atualizem seus MSNs e tal. A página de contato lá no topo já foi modificada, pra ajudar os navegantes.

PROSSEGUINDO

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Ontem me bateu uma vontade quase demoníaca de comprar o iPhone 3G, e sem ter a namorada por perto pra me convencer a não gastar mais dinheiro com gadgets, fui lá e comprei.

Não que ela fosse reclamar tanto, na verdade, porque ela tava muito afim de um celular novo e acabou herdando meu k850 – que substituiu o velho w810 dela, que ela também havia herdado de mim três meses atrás quando comprei o k850.

E devo dizer que o hype ao redor do iPhone – principalmente no pertencente às suas capacidades internéticas – não é sem mérito.

Sim, antes que você pergunte, eu acabei de comprar o k850 três meses atrás. Acontece que, por causa dos planos de 3G ilimitado aqui, eu me tornei completamente dependente do estilo de vida mobile, e a vontade de adquirir um celular mais apropriado pra essa finalidade (tela maior, browser mais poderoso, teclado qwerty – ainda que virtual) cresceu a cada dia. E ontem ela finalmente tomou conta da parte do meu cérebro que toma decisões financeiras.

Antes de começar esse review, deixa eu tornar algo bem claro. Este não é meu primeiro gadget, e com toda certeza no universo não será o último. Herdei do meu pai a paixão por eletrônicos, e por isso já tive/tenho praticamente todo tipo de aparelho eletrônico comercialmente disponível. Graças a isso, conheço em primeira mão os melhores features e, mais importante, os piores defeitos de cada um.

Ou seja, posso comparar Gadget X ao Gadget Y objetivamente, ao contrário de gente que declara dogmaticamente que X > Y, onde X é o aparelho que elas têm. Ao risco de soar arrogante, lá vai: tenho um pouco mais de perspectiva do que a maioria das pessoas. Aliás, foda-se, vocês já sabem que eu sou arrogante mesmo.

Ao usuário novato de gadgets é comum se apaixonar perdidamente por um aparelho e ignorar completamente todos os seus defeitos. Pra mim, por outro lado, aparelhos eletrônicos já se tornaram triviais, e por causa disso eu raramente me empolgo em demasia com eles – ao meu ver, eles são apenas uma forma de entreter minha mente extremamente inquieta. E certamente estou sempre atento pras falhas do negócio (falhas que eu tento contornar comprando aparelhos específicos pra cumprir a função que o outro deixa a desejar).

Tendo dito isso, o iPhone é o primeiro aparelho eletrônico portátil a me impressionar em MUITO tempo. Não é exatamente pelo conjunto da obra em todo, afinal, o iPhone tem sérios defeitos que mencionarei ao longo desta resenha. E ele definitivamente não substituirá todos os aparelhos na minha coleção (o Archos AINDA continua espancando em matéria de video playback, com suporte a qualquer tipo de arquivo/legendas/etc, e o PSP reina absoluto como console portátil). Porém, em um quesito o iPhone é completamente imbatível – a integração do aparelho com a internet. Mas já já chego lá.

Então. Esta é a caixa do troço:

Dentro da caixa:

Os fones de ouvido padrão da Apple – que eu odeio profundamente – e o cabo USB são de praxe. Aliás, como esse é meu terceiro aparelho da Apple (iPod Video, seguido pelo iPod touch, seguido pelo iPhone), e como minha namorada e meu irmão já tiveram dois cada um, tenho quase uma dúzia de cabinhos USB de iPod aqui em casa. Sério, volta e meio acho um embaixo da almofada do sofá ou no cesto de roupa suja.

Aquele quadradinho branco, no entanto, é novidade pra quem só teve iPods até então. Se trata de um carregador – você enfia o bicho na parede, pluga o cabo USB, e carrega o telefone sem a necessidade de um computador. Suponho que é compatível com iPods também.

Logo que transferi minha lista de contatos pro iPhone, passei a mexer um pouco com as opções de personalização do negócio. E em seguida, resolvi me aventurar pela AppStore.

A AppStore, que estava sendo propagandeada como a grande revolução em distribuição digital de software (por gente que nunca ouviu falar da Xbox Live Marketplace, ou da PSN, ou do Steam, ou do GameTap, ou de etc etc etc), é um dos fortes motivos pelo qual não farei o jailbreak do telefone. Pros não-iniciados, jailbreak é o termo referente a “destravar” o aparelho, permitindo usar aplicativos não-oficiais.

Um dos motivos é que prefiro manter a garantia. Tenho um iPod touch destravado desde o ano passado, e nunca fiz muito com esse suposto potencial que precisou pôr o próprio aparelho em risco pra ser atingido. Você pode destruir gadgets durante um desbloqueio mal feito, como tu deve saber. Considerando a minha má sorte recente, prefiro não facilitar.

Supondo que você consiga desbloquear o negócio sem problemas, e daí? Ter mais aplicativos que o normal é interessante, mas como falei antes, eu costumo comprar gadgets pra servir propósitos específicos. Pra que emular SNES porcamente no iPod se o meu PSP faz isso muito melhor? O resultado é que meu iPod touch destravado era apenas um mp3 player e nada mais. Arrisquei foder o negócio pra nada.

No entando, a AppStore me permite desfrutar os aplicativos que ocasionalmente capturam meu interesse, ao mesmo tempo que mantem minha garantia válida e o número de problemas ao mínimo. Gambiarragem de gadget SEMPRE acaba dando muito problema mais cedo ou mais tarde, podem confiar em mim.

Então. Nos primeiros quinze minutos usando a AppStore baixei alguns aplicativos interessantíssimos que são, ao contrário dos que eu adquiri jailbreakzando o touch, actually useful.

Midomi é um programinha que, de uma forma quase mágica, descobre nomes de músicas utilizando o microfone do celular. Tudo que você tem que fazer é abrir o programa e cantarolar um trecho da música (não precisa cantar a letra, embora ajude. Ele também reconhece músicas que estão tocando no ambiente, como uma boate), e o telefone descobre a música pra você. E não apenas isso, mas oferece um sample da canção, pra tu conferir se é aquela música mesmo. Testei umas vinte músicas até agora, ele errou apenas duas. E eu nem sei se posso culpar o negócio, já que canto tão bem quanto piloto jatos comerciais.

Now Playing é um aparelho que usa o GPS do celular pra localizar a sua posição na cidade, e em seguida mostra os cinemas mais próximos, com as horas das sessões, resenhas do rottentomatoes.com, imagem do poster, e até mesmo trailers dos filmes. Incrivelmente útil pra mim, que me contentava antes com a página WAP do cinema local que mostrava apenas nome do filme e sessões. Pra ser melhor, só faltou a opção de comprar os ingressos direto do celular (algo que o meu k850 antigo fazia através de um software da operadora).

Essa função era super foda, aliás – tu abria o programa, selecionava o cinema, o filme e a sessão. Comprava os ingressos, que apareceriam na sua conta telefônica. Aí o programa exibe uma espécie de código de barras que será escaneado na porta do cinema, te dando entrada ao filme. Vivemos no futuro conforme descrito pelos Jetsons. Isso funciona pra shows e peças de teatro também. Ano que vem nego comprará bilhete do trem da mesma forma.

Trailguru é um aplicativo bastante útil pra quem gosta de correr. O troço usa o GPS do celular pra indicar sua distância do ponto de partida, sua velocidade, alteração na altura do relevo, e um monte de outro troço que eu nem mexi ainda. E como tudo no iPhone, a apresentação do programa é a mais user-friendly possível. Estou ansioso pra testar o negócio.

Speedtest é um programinha que mede a velocidade da sua conexão 3G. Eu usava o MobileSpeedTest.com no k850, é mais prático ter um ícone na “área de trabalho” que faça a mesma função.

Facebook é auto-explicativo. O programa te dá controle total sobre sua conta no site de forma muito bem implementada, dá pra desde participar de chats com seus amigos que estão online no site, até tirar fotos e enviar pro Facebook imediatamente. Bastante prático pra quem curte essas merdas, e incrivelmente fácil de usar.

E tem mais bobagens, como cliente de MSN, editor de imagens, programas de monitoramento de peso e coisital. Experimentarei mais aplicativos nos próximos dias. A AppStore pode ser acessada diretamente do celular, sem a necessidade de um computador pra ver e baixar os programas. Muito bom pra alguém cujo emprego se resume a oito horas livres.

Todas as soluções móveis permitidas pelo celular me fazem sentir como um personagem dos Jetsons, como falei antes. Pra alguém que gosta tanto do acesso móvel e das amenidades que isso proporciona, poucos telefones competem em pé de igualdade com o iPhone.

Falando na internet, esta é a velocidade média da conexão 3G no telefone:

Não se equivale à conexão de 10mbps que eu tenho em casa, mas pra um celular é sensacional.

Agora, às falhas.

Pra começar, a câmera do iPhone touch é DESGRAÇADAMENTE nojenta. E isso é uma grande pena pra quem gosta de uploadear fotos direto do celular pro flickr, como é meu caso. A implementação do envio das imagens é muito melhor no iPhone do que no k850; pena que as fotos que você enviar do iPhone parecem ter sido passadas pelo filtro CU_SUJO no Photoshop.

Mas não confiem na minha palavra, aí vão fotos comparativas tiradas com os dois celulares.


k850 (5mp)


iPhone (2mp)

Yep, eu não estava exagerando.

Sim, eu já saba que não poderia esperar de uma câmera de 2 megapixels desempenho semelhante a de uma de 5 megapixels, mas porra, o meu w810 com a mesma resolução da câmera do iPhone tirava fotos consideravelmente melhores, e tem um LED pra servir como flash alternativo. Em baixa luz, como na foto acima, a câmera do iPhone te fará repensar o investimento.

O problema é que não é só a qualidade do sensor e lente que são horríveis – enquanto a do k850 tem flash, timer, macro, edição de imagens, redutor de noise, redutor de motion blur, redutor de olho vermelho, controle manual de white balance, face detection, configuração de foco e ISO manuais e outras coisas que eu nem lembro, a câmera do iPhone tem… o botão que bate a fotografia. E só isso.

Pra maioria das pessoas, talvez essa câmera simples de 2mp seja suficiente praquela foto rápida numa boate ou na casa de um amigo. Pra mim, que downgradeei da excelente câmera do k850, é tortura.

A falta de bluetooth A2DP (ou seja, bluetooth estéreo) é nada mais nada menos que um crime. Usar fones de ouvido em pleno século 21 me incomoda de uma forma que vocês não conseguiriam acreditar. A propósito, o bluetooth do iPhone serve apenas pra usar com headset. Não dá pra transferir arquivos nem contatos. Porra, Apple, WTF?

A bateria perpetua a tradição “non user-replaceable” da Apple, o que também me incomoda pra caralho.

E o OS do iPhone continua não fazendo multitarefa, o que é uma vergonha. Pelo menos dá pra ouvir música enquanto você mexe em outros aplicativos ou acessa a internet. Melhor que nada, né.

Minha conclusão é que como CELULAR, o iPhone apanha muito feio até mesmo dos aparelhos mais simples. Entretanto, como aparelho de internetagem móvel (que é, na minha opinião, a verdadeira premissa do iPhone), ele é praticamente imbatível.

O que me leva a um questionamento – por que tantos playboyzinhos tiram onda com iPhones no Brasil? Qual o propósito de comprar um negócio que se define como uma plataforma de acesso móvel a internet, e não poder usar a internet? É como comprar uma BMW sabendo que não terá dinheiro pra pôr gasolina no tanque, porra.

Claro que isso não se aplica à turma que curte gadgets e, mais importante, ENTENDE de tecnologia em geral. Os aficcionados por tech toys compram porque o iPhone oferece uma plataforma interessante pra aplicativos e tal, algo que também não será usado pelo playboyzinho que quer dar uma de bacana na faculdade.

E não me venham com wifi. Eu considero wifi uma solução sem fio pra LANs, e nada mais. Pra acesso móvel, wifi deixa muito a desejar. Primeiro, você está a mercê de routers abertos (algo que se tornou bem raro nos últimos 3 anos). Em segundo lugar, você não pode se mexer – achou um hotspot, tem que ficar plantado lá enquanto estiver usando o negócio. Perdoe minha semântica, mas isso não significa “móvel” pra mim.

Acho que meu resumo é que, pra alguém que não possui nenhum outro aparelho, consigo ver o iPhone como um gadget quintessencial, o ápice da convergência. Quem tem outras escolhas no entanto dificilmente se interessará nos jogos ou na capacidade de vídeo (PSP e o Archos continuarão na minha mochila pra essas funções). É bem mais fácil ter o mp3 player e o telefone como um aparelho só, e o acesso à internet no iPhone é provavelmente o melhor da categoria, senão O melhor.

Sobre preços – o celular me custou 300 dólares + taxes (315 no total). O plano de voz com 200 minutos (ligações após às 6 da noite e nos fis de semana são gratuitas) saiu por 35 dólares; o plano de dados custa 30 dólares, e uns badulaques adicionais – callerID, call forwarding, voice mail, My5 (um plano que te deixa ligar pra 5 números de graça) e outros troços – custou 15.

Ou seja, contas mensais de aproximadamente 80 dólares. Com o celular antigo, eu pagava 70 por mês.

O meu plano de dados permite transferência de 6gb por mês. Ou seja, eu teria que usar mais de 200mb por dia pra estourar o limite. Usei a internet no telefone ontem por 5 ou 6 horas, baixei vários aplicativos e assisti 3 ou 4 trailers usando o Now Playing, pra mostrar pra namorada como era o negócio. O acessório nativo de gerenciamento de dados indica que eu usei até agora 18mb. Como não sou fã de ver vídeos no iPhone e fiz mesmo só pra testar a funcionalidade de um aplicativo, eu provavelmente jamais usarei mais de 20mb por dia, que dirá 200.

No entanto, preciso configurar logo o meu My5, porque 200 minutos por mês acaba rapidim.

Eu compraria o iPhone no Brasil? DEFINITIVAMENTE não. Nem cogitaria a hipótese. iPhone sem acesso à internet na minha opinião é semelhante a qualquer celular pré-pago da vida.

Agora a pergunta é – o que farei com meu iPod touch?

E não esqueça de ler essa resenha muito melhor do iPhone, mais técnica e tal, escrita pelo TioSolid.

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Categorias: Tech Toys

126 Comentários \o/

  1. Paulo disse:

    Kid,

    Faz o jailbreak e instala o Snapture, é um aplicativo muito melhor que a camera do Iphone, com vários badulaques interessantes (temporizador, preview automático, zoom) e depois o photogene, programa pra vc editar as fotos (arruma a luz, contraste, recorta, uma porrada de coisas).
    Tem uma maneira que vc altera um arquivo do cel, e instala todos os apps de graça, é só baixar o IPA,abrir no itunes e sincronizar.
    Vai em http://www.themonkeysball.com/ e baixa os IPAS. Já o tutorial pra instalar direto tem no Iblog (http://appleiphonebrasilorkut.blogspot.com/,
    Digita IPA na caixa de busca e muda o arquivo.

  2. Rafael disse:

    Fala serio, meu sonho atual de consumo celularistico, é o iphone. Pena que ainda tá MUITO caro!

  3. Nerd Pobre. Um outro ponto de vista sobre a cultura nerd. » Iphone chega ao Brasil custando de R$ 1000 a R$ 2000 disse:

    [...] Kid bem [...]

  4. iPhone chega ao Brasil com preço 10 vezes maior » Blog do CTRL+C disse:

    [...] que seja no telefone. Vamos tomar como exemplo o Kid do HBDia que mora no Canadá e recentemente comprou um iPhone. O plano dele oferece 6 GB (isso é Gigabyte mesmo) por mês! Nos seus testes navegando um pouco e [...]

  5. beder disse:

    Comprei o iPhone aqui;

    Plano iPhone 150: 150min de conversação + 750MB de dados = R$147,00
    Plano iPhone 180: 180min de conversação + dados ILIMITADOS = R$198,00

    Tem alguns mais básicos e outros mais completos também, mas esses são os mais “acessíveis” e reais

  6. João Neto disse:

    @izzynobre Principalmente esse: http://bit.ly/Mdryf por que nele você não deixa duvidas de que iPhone sem 3G = Rasgar dinheiro ^^