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Retrospectiva dos meus gadgets

Postado em 26 dezembro 2008 Escrito por Izzy Nobre 62 Comentários

A segunda parte do post anterior já está escrita. Antes de publicá-la, me deu vontade de escrever outra coisa.

Tava batendo um papo MSNístico com amiguinhos brasileiros e gringos neste pós-Natal e averiguei que, dentre meus chegados que não tinham nenhum tipo de aparelho digital destinado a reprodução musical, 95% deles ganhou um.

É espantoso o quanto MP3 players se baratearam nos últimos anos. Encontrei esta imagem do meu primeiro MP3 ever:

Este é o RCA Lyra RD1071, que eu estava decidido a denominar “RCA Lyra Alguma Coisa XPTO” até notar que o filename indicava um código que uma googleada revelou ser o modelo do aparelho. Meu pai comprou este mp3 player pra mim na longíqua era em que eu não tinha autonomia financeira suficiente pra comprar coisas pra mim mesmo (2004).

O bichinho tinha 64mb de memória interna – expandível/expansível até 576mb via cartão SD -, não tinha backlight, e funcionava com uma pilha AAA. O troço era tão porcaria que a porta USB era 1.0 – ou seja, copiar até mesmo uma única música demorava pra caralho. E sabe qual a melhor lembrança que tenho do bicho?

O quanto eu o ADORAVA. Em 2004, a idéia de carregar mp3 no bolso era nova e incrível o bastante pra deixar qualquer um maravilhado. Como assim, posso baixar qualquer música quiser, transferir pra um aparelhinho do tamanho de uma caixa de fósforos e sair na rua com ele? WOW.

O amor que eu tinha pelo aparelhinho era tamanho que redimensionar essa imagem pra usar no blog me fez perceber o quanto eu tenho saudade dele.

Esse troço era meu companheiro inseparável. Lembro que nos primeiros meses, eu gostava de sair de casa simplesmente pelo fato de que eu poderia ouvir minhas musiquinhas favoritas com um cenário diferente à minha volta. Vocês que têm mp3 player devem lembrar as primeiras emoções.

O gadget que veio a substituir o Lyra foi o Palm TE2.

O Palm TE2 teve uma vida relativamente curta – uma brincadeira de mal gosto de uma amiga (um chute completamente inesperado na perna) danificou o port de fone de ouvido. A amiga me ressarciu o valor do aparelho (após meses, mas enfim) e àquela essa altura, o sucessor do TE2 podia ser adquirido por um valor bem em conta, então nem pensei duas vezes.

Este é o Palm TX. O negócio tinha 128mb de memória interna, expansível até 2gb via cartão SD. Instalei um media player qualquer e abandonei o Lyra, que encontrou outra ocupação servindo como leitor de cartão SD pro meu crescente pelotão de brinquedos eletrônicos que invariavelmente empregavam a mesma mídia.

A vantagem do Palm TX é que ele preenchia uma necessidade infantil que eu sempre tive – ter um computador de bolso. Eu era absolutamente obcecado pela idéia de carregar um PC na palma da minha mão, e palms – como o nome deixa claro – eram exatamente isso.

Na verdade o troço não era um computador coisa nenhuma, mas nada que um launcher (um programinha que fazia o PalmOS simular o Windows XP) não podia resolver. A fantasia infantil estava sendo satisfeita de qualquer forma.

O Palm TX, com visual de Windows XP

A outra vantagem do negócio é que a tela generosa e o espaço de armazenagem maior permitiam algo que até então parecia coisa de ficção científica: carregar vídeos no bolso. O que mais fiz com aquele PDA foi assistir vídeos.

Alguns anos depois me mudem pra cá pra Calgary, e a subsequente bonança financeira (Alberta é a província mais próspera do Canadá por causa dos campos petrolíferos, empregos que em Ontário pagavam 8 dólares a hora pagam 13-14 aqui) me permitiu obter algo que eu sempre imaginei que não era pro meu bico:

Aquele amor inicial por ouvir musiquinhas em formato mp3 fora de casa se transferiu inteiramente pro meu novo iPod video. Tudo bem, a tela era menor que a do Palm TX (que eu acabei vendendo no meio deste ano), e eu não poderia rodar joguinhos no iPod, e eu precisava converter vídeos pra tocar nele, mas a bateria dele durava mais que a do Palm, e 30 gigabytes de armazenamento cuspiam na cara dos 2gb do meu PDA. Poder trazer minha coleção musical inteira e ainda sobrar espaço pra uns 10 filmes fizeram o iPod ganhar meu coração.

Nunca fui exatamente um macfag, mas aquela experiência com o iPod video (apesar de ter que me submeter ao iTunes) me deixou decidido que eu nunca empregaria produtos de outra fabricante pra função de reproduzir música.

E foi por isso que dezembro passado vendi meu iPod video pro meu pai – ele tinha um iPod video, mas queria se aproveitar do óbvio desconto paterno que eu teria que dar pra adquirir um jukebox pro carro – pra dar mais uma graninha pro Steve Jobs.

iPod touch de 16gb. Um downgrade drástico dos 30gb oferecidos pelo iPod video, mas nem é preciso discutir a diferença entre as telas dos aparelhos.

Aliás, um negócio digno de nota é como eu me tornei aos poucos um típico gringo gastador sem noção. Enquanto no Brasil eu provavelmente ainda estaria com aquele Lyrazinho (contanto que ele ainda funcionasse), aqui eu substituo os troços sem que eles tenham o menor problema. Foi o que aconteceu com o iPod video.

O iPod touch era muito cool e tal, mas as dificuldades em usa-lo nos meus computadores me levaram a devolve-lo e passar pro próximo gadget de reprodução de mídia e aniquilação de tédio:

Comprei o Archos 605 wifi, cujas resenhas unanimamente coroavam como o melhor reprodutor de vídeo no mercado. Também pudera – o troço tem um speaker, uma haste metálica dobrável que permite você apoia-lo e assistir sem usar as mãos, roda qualquer formato em qualquer resolução, tem suporte embutido a legendas… nem preciso dizer que na categoria “reprodutor de vídeo”, o Archos foi o melhor dispositivo que eu jamais comprei.

Entretanto, o posicionamento dos botões é extremamente não-intuitivo quando você está usando o bicho pra reproduzir músicas, e ele é um pouco grandinho também pra essa finalidade. Além disso, alguns meses após aquele drama com o iPod touch, versões novas do firmware e do iTunes haviam sido lançados. Resolvi arriscar e comprar o touch DE NOVO. No fim das contas, apesar de todos os defeitos do touch, eu QUERIA ter aquela merda. Era irresistível e inevitável.

Na época não havia a AppStore, mas dava pra raquear o iPod pra adicionar funcionalidades extras. Os problemas iniciais se foram mas a complicação com vídeos permaneceu, garantindo que o Archos ainda teria muita uso pela frente. Naquele período, convencionei a usar o iPod touch pra música na rua, e o Archos pra assistir filmes e séries no trabalho.

Como levo uma mochila pro trabalho, carregar múltiplos aparelhos eletrônicos não é inconveniente, e a segurança urbana que o Canadá desfruta me encoraja a andar por aí cheio de tralhas na mochila (neste exato momento, ela contém meu PSP, meu DS, meu Archos, e meu Acer Aspire One. A câmera digital é um personagem coadjuvante que aparece de vez em quando).

A experiência com o Safari me convenceu que eu não conseguia mais suportar o navegador dos meus dumbphones. Ter acesso a internet a qualquer momento se tornou absolutamente indispensável na minha vida, e o desejo por um navegador mais potente se tornava maior a cada dia.

Eventualmente eu não consegui me segurar e comprei a porra do iPhone, que se tornou previsivelmente meu gadget favorito.

É interessante como os anos foram me tornando exigente. Critico o iPod touch por não reproduzir vídeos muito bem, critico o Archos por ser esteticamente desagradável, critico o iPhone por ter funções medíocres como celular. No momento que aparecer um outro aparelho com UMA função a mais que um que eu já tenho, é bem provável que vou ceder e adquirir o novo brinquedo. E vou passar a critica-lo da mesma forma, pronto a aposentá-lo quando algum gadget novo aparecer no horizonte.

Rinse, repeat infinitamente.

E em pensar que há anos atrás, um aparelhinho com 64mb de memória interna, que nem backlight tinha, me fazia tão imensamente feliz…

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Categorias: Tech Toys

62 Comentários \o/

  1. Alex disse:

    KKKKKK quase chorei de pena do marcus rocha que só tinha celular monocromático.
    Po pessoal, tá certo que o brasil não é nenhuma maravilha mas ter um ipod em si não é nenhum luxo.Um amigo meu que não faz porra nenhuma da vida tem 2 ipods(ele mesmo comprou a mãe dele não deu pra ele,e o pai morreu).
    Só ipods eu tinha mas por questão de lógica vendi 6 deles (só fiquei com o touch e o nano 2g).
    Celular aqui em São Paulo até criança tem (com câmera acima de 1.3 mp e mp3 com cartão sd).
    Não sei qual a situação em outras regiões mas aqui em São Paulo, depois que inventaram as prestações,todo mundo tem gadgets.

  2. Camilo disse:

    meu proximo gatget será o iPhone 3gs 64 gb :D

    ou se não aguentar ateh o lançamento compro um iTouch mesmo e fico sendo chamado de pobre pelo kid …