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Sobre câmeras e valores de produção

Postado em 1 January 2017 Escrito por Izzy Nobre 19 Comentários

Esta é uma G7X.

g7x

No que diz respeito a câmeras mais fáceis de meter no bolso, essa aí é meio que o consenso entre os profissionais casuais de videografia — que é a forma mais “serious business” com a qual posso me referir a uma carreira de YouTube, mas ainda sem dar lá tanto crédito porque afinal, é um vlog. Consta como trabalho, ao menos?

Eu já achava que vlogar na rua usando a 70D (aka “Escola Casey Neistat”) era uma insanidade extremamente desconfortável. Bastou UMA viagem — aquela pra Ottawa, sensacionalmente sponsored by @CarlinhosTroll e a MyVIPBox.com — com a 70D pra eu decidir que nunca mais queria sair de casa com um trambolho daquele. Sair por aí com 70D, lente, tripé e microfone é um negócio que requer um certo nível de investimento, de comprometimento.

Talvez a little too much

Talvez a little too much pra uma porra de um vlog.

Não é algo que você traz só por trazer, porque “vai que acontece algo legal pra filmar!”. Eu precisava de algo com uma qualidade melhor do que uma GoPro, ou meu celular, e que servisse como uma alternativa à 70D.

E a G7X é comentada por todos os manos da fotografia/videografia que é essencialmente uma 70D portátil.

Demorei MESES pra achar essa porra de câmera aqui em Calgary. Por motivos que não entendo completamente, a G7X parecia permanentemente esgotada em todo território nacional canadense. Eu nunca vi nada esgotado tanto nas lojas físicas quanto nas online, e no entanto este era o caso.

Isso se repetia em TODAS as lojas em que eu procurei. Chegou ao ponto em que eu entrava nas lojas pra procurar só pelo hábito mesmo.

Eu ouvi várias teorias. Uma é que a câmera é um produto de nicho — point and shoot com aquele precinho salgado de DSLR –, e o Canadá tem afinal de contas míseros 30 milhões de habitantes. Pra você ter uma noção do que isso significa, pega o Estado de São Paulo, subtrai dele a população do Estado do Rio (algo que eu imagino que muitos paulistas seriam a favor), e dá os canadenses. Por isso, diz a hipótese, os retailers canucks não botaram fé que a parada venderia muito e pediam pouco estoque.

Cheguei a ouvir também que não era nada especificamente de errado com o mercado canadense, mas a G7X é tipicamente difícil de encontrar mesmo. Um cara de uma loja de câmeras aqui, que eu suponho que entende bastante de fotografia (ele tinha um bigode de hipster, coque samurai, tênis verde e óculos de aro grosso) disse que um dos processadores usados pela Canon na fabricação da G7X tá em falta, ou algo assim. Sei lá.

Ontem enquanto a patroa passava 5 horas na Forever XXI experimentando roupas que na real ela nem gostou muito e vai provavelmente devolver dois dias depois — a minha é a única que faz isso? –, eu dei uma passeada por uma loja de câmeras próxima. Totalmente pela força do hábito, só pra ouvir pela milésima vez “desculpe senhor, não temos” e voltar a jogar Angry Birds no celular.

Ah é, voltei a jogar Angry Birds a propósito. Cê tem noção que Angry Birds já tem quase 10 anos? E que tem QUINZE títulos de Angry Birds, ou seja — tem mais Angry Birds que Call of Duty’s? Cê sabia que porcos foram escolhidos como os vilões do jogo quando o desenvolvimento já estava quase terminado, e que foram escolhidos por causa da gripe suína que tava rolando na época? Enfim.

A moça do balcão, previsivelmente, falou que não tinha G7X no estoque e elaborou sua própria teoria pra isso. Sem surpresa alguma, eu já tava pra sair da loja, quando um outro maluco berrou lááá do fundo do estabelecimento:

“…epa, pera que tem uma aqui!”

Nem acreditei. Saquei o cartão mais rápido do que você se decepcionará com seus amigos em 2017 e momentos depois, estava num dos sofás do shopping, examinando a nova compra.

…e ao mesmo tempo, eu sentia uma pontinha de remorso. O dinheiro que eu gasto investindo no canal vem do próprio canal, e como tecnicamente é “trabalho” eu posso declarar no imposto de renda e obter um ressarcimento, então esse tipo de gasto é mais fácil pra mim do que pra maioria das outras pessoas. Entretanto, eu venho muito pensativo em relação a proporção matemática VdP/R — em outras palavras, Valores de Produção dividido pelo Retorno. Entenda aqui retorno tanto quanto financeiro, quanto de crescimento do canal.

Grandes valores de produção dividido por baixo retorno é uma proporção indesejada. O que você realmente que é um alto retorno, com valores de produção parcos. Isso é tão verdadeiro pra míseros vloggers, quando é pra grandes estúdios de Hollywood.

Quanto mais eu penso nessa relação, mais eu vejo que valores de produção são completamente paralelos ao sucesso de um vídeo. Eu sinto um certo retorno às raízes youtubísticas; onde um maluco aleatório falando com uma câmera qualquer no seu quarto, sobre algo com o qual as pessoas se identifiquem e sintam vontade de discutir e compartilhar, vale muito mais do que uma câmera topster*, técnicas de edição profissa ou qualquer outra coisa. Afinal, se você parar pra pensar, o sucesso do YouTube ali nos primórdios foi justamente isso — a galera tava assistindo menos TV profissional e vendo Phillip DeFranco ou Vlog Brothers em vez disso.

Um dos exemplos fundamentais disso é o Whindersson Nunes, certamente a maior história de sucesso do YouTube brasileiro mas até hoje alguém cujo nome me obriga uma Googleada prévia pra não errar a grafia. Nós nordestinos somos, digamos, criativos no que diz respeito a dar nome aos filhos.

O sujeito é um dos maiores youtubers DO MUNDO (29a colocação no momento, se minhas fontes estão corretas), literalmente uma das personalidades mais influentes entre os jovens brasileiros. O cara está cagando furiosamente pra valores de produção, edição cinematográfica, a melhor câmera possível, thumbnail atraente, SEO, e todas essas outras coisas que gurus de YouTube insistem que são primordialmente importantes. Aliás, não sei se essa “indústria” já explodiu aí também, mas aqui na gringa tá LOTADO de experts.

Então eu fico em conflito. Por um lado, eu sei que não precisava dessa câmera — podia usar a GoPro, por exemplo, ou até mesmo meu próprio celular pra fazer vídeos na rua. Mas eu sinto uma aversão estranha a usar esses equipamentos pra vlogar, então por mais que eu não precise de uma G7X, te-la acabará me tornando mais produtivo.

Na real, eu estou muito curioso pra saber o que VOCÊS acham. Acabei de dropar mil malditos dólares numa câmera, quando eu já tenho (xeu contar aqui) CINCO OUTRAS, porque sinto que a melhoria incremental na imagem dos vídeos gravados na rua valerá a pena pra vocês. Como vocês vêem essa questão?

*Usarei esse termo sem ironia durante 2017 e não há solução pra isso a não ser aceitar

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comments

Categorias: Tech Toys

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

19 Comentários \o/

  1. Eric says:

    Tem gente que não liga pra qualidade dos vídeos, assistem no celular ou simplesmente não tem uma tela grande o suficiente pra fazer a diferença.

    Na minha opinião a imagem/edição faz a diferença porque por várias vezes já deixei de me inscrever ou ver vídeo de canal porque apesar do conteúdo ser legal a imagem é tremida ou a edição peca demais em cortes e memes excessivos.

    Claro que no geral a galera caga pra isso como você mesmo demonstrou dando o exemplo do Whindersson mas eu sinto uma satisfação enorme em assistir seus vídeos, às vezes o assunto nem me interessa tanto mas os valores de produção mesmo não fazendo a diferença pra todo mundo agradam e muito alguns que provavelmente por conta disso tenham fidelidade ao canal e ao site como eu.

    Acho que o segredo não é o investimento de tempo ou dinheiro que tu tem no canal mas sim encontrar uma parada que faça parte da sua identidade que agrade o público geral e focar nisso.

  2. Junior says:

    Finalmente achou essa câmera

  3. Guilherme says:

    Até me irrita os vídeos que demandam mais atenção visual do que sonora, por isso a maior parte dos vídeos que eu “assisto” são aqueles de 8-30 minutos de alguém falando. Assim eu consigo fazer uma coisa em outra aba, ou em outro canto do quarto, e ainda acrescento alguma coisa na minha lista extensa de conhecimentos inúteis.

  4. Luis says:

    Pra mim, que não almejo ser vlogger (mas penso em tentar ganhar dinheiro com youtube, ou não, seilá, como diria Joseph Climber a vida é uma caixinha de surpresas) penso que a edição tem que ser boa, a imagem no mínimo em fullHD (720p é chão) coisa que qualquer celular de 900 reais faz (eu tenho um zenfone go que filma absurdamente bem pra um celular)… aí a captação de áudio decente (um outro celular mais gênerico pra gravar o áudio ajuda) e o básico do premiere (que se aprende no youtube) já serve… tendo isso o diferencial vai ser o conteúdo.

  5. Tiago says:

    Vende essa E a 70D, o que você fala é b mais importante do que a qualidade ultra mega Premium faustop pro de imagem

  6. Kirk says:

    Tenho certa aversão a vlogs no geral, então talvez a minha participação não conte muito. Acho,porém,que o blog tem ficado abandonado(por motivos bastante válidos, afinal, escrever um texto demanda certo tempo a mais do que um vlog/podcast, embora não posso comentar sobre o tempo de edição e outras firulas). Por qual motivo não tem escrito mais textos, Izzy?

  7. Davi Carvalho says:

    .Izzy quando tu vloga na rua, eu mesmo não me importo com a qualidade, talvez eu ate prefira um video com uma qualidade inferior, da um ar mais espontâneo. Mas quando é algo do estilo HBDtv, ou que tem um cunho mais jornalistico e que se propõe a ser algo mais “sério”, pra esse caso acho que vale a penna investir em qualidade A/V.

  8. Davi Carvalho says:

    btw acredito que tem uma galera que assiste videos como se fosse podcast.

  9. Angelo JR says:

    Cara, a câmera tem que ser boa o suficiente pra entender o que tu quer passar. Só isso. E como um colega mais acima falou, SOM é muito mais importante do que a imagem.

    Lembre-se, tu é produtor de conteúdo, não um filmador profissional. Então tua preocupação tem de estar sempre no conteúdo e como “contar” ele.

  10. Vicente Gabriel says:

    em relação ao uso do termo topster, eu recomendo mudar para “top topzera” que ainda dá tempo e é 2x mais topster.
    quando ao gasto no canal, você já parou pra pensar que isso pode ser uma desculpa do seu subconsciente pra gastar dinheiro nos gadgets que você gosta, e agora você está percebendo que tá gastando demais e inventou uma anti-desculpa pra desculpa que tava usando antes? subconscientemente é claro

  11. FABIO says:

    Na moral, a qualidade atual já é mais que satisfatória. Na minha opinião de merda tu podia ter economizado a grana.

  12. Robson says:

    Verdade que eu não aguento mais ver vídeos com som/imagem de qualidade igual aos primeiros celulares com câmera, entretanto não é uma demanda minha que os vlogs tenham sempre a última tecnologia disponível nesse quesito. Na real, sendo suficientemente boa, tá ok pra mim. Digo isso porque seu canal já é bom nesse aspecto (acima da média, inclusive) e com certeza eu nem perceberia a mudança visual que a nova câmera proporcionará.

    Exemplo: o canal do sujeito chamado Pirulla é até amador no quesito qualidade de som e imagem, comparado com o seu canal, mas gosto mais do canal dele.

  13. João Victor says:

    A verdade é a seguinte, eu vou deixar de te assistir se tiver numa goPro? -- A resposta é “NÃO”. Mas eu gosto pra caramba de ver uma boa qualidade de vídeo, e me solidarizo com o incomodo de levar 1000 trambolhos e adaptadores e fiozinhos para poder gravar algo num deslocamento. Faça o simples com algum requinte, é o que você parece estar propondo, se fizer desse jeito vai ficar foda.

  14. Lucas says:

    Seus vídeos já eram bons, você ta melhorando a imagem. Mas se considerar que fico so com os audios, não faz tanta diferença assim. E eu sou um grande fá do extinto DV, sem edição, sem firula e sem porra nenhuma. E isso deve dizer algo.

  15. Bier says:

    Pensa aqui comigo, Izzy: o segredo de um bom vídeo/blog/canal é que você o faça primeiramente para si mesmo. Então eu te pergunto: vale a pena investir em qualidade? O primeiro cliente do seu canal é você mesmo. 🙂

  16. Timeward says:

    Eu quero começar a gravar gameplays de Battlefield 1 e outros jogos mas preciso de um upgrade no PC pra n ter queda de frames. To vendo se um overclock na placa de video resolve ate eu pegar uma placa melhor

  17. André says:

    Youtube é meramente um concurso pra ver que faz conteúdo mais merda.

    Quanto mais merda, mais views vc terá.