Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Twitter, hivemind e Star Trek

Postado em 7 maio 2009 Escrito por Izzy Nobre 109 Comentários

Eu sou apaixonado pela wikipédia. Qualquer porcaria que eu ouço e não conheço inteiramente, mando os termos de busca na wikipédia e passo as próximas horas navegando na enciclopédia e devorando toda a explicação sobre a parada.

Tá bom, seu bosta, vire esse arzinho de superioridade pra lá – eu sei muito bem que e que intelectuais de verdade lêem a New Yorker, a Encyclopedia Britannica e o Washington Post, e que o valor acadêmico da wikipédia se compara àqueles manuais ilustrados do universo expandido de Star Wars.


Tudo isso pra explicar a porra de um manche de uma X-Wing

Entretanto, enquanto a wikipédia é bastante insignificante pra assuntos mais sérios (e a wikipédia em português, então, é pior que inútil), pra tópicos de pop culture ela é uma mão na roda. Pra curiosidades sobre filmes, séries, livros de ficção científica, antigos consoles de videogames ou qualquer outra bobagem desse calibre, não há melhor fonte de informação que a wikipédia. Una o alcance da wikipédia com o potencial de um celular com 3G ilimitado e você tem um hitchhikers guide to the galaxy de verdade.


Ou até melhor, já que o guia não tinha GPS ou cliente de email

Então. Como estamos prestes ao lançamento do novo Star Trek, comecei a ler o artigo sobre a série pra me sentir mais inteirado sobre o cânon estabelecido pelos filmes. Clica aqui, clica acolá, acabei chegando ao artigo sobre os Borg.

Pros não-entendidos, os Borg são uma raça alienígena do universo Star Trek que são caracterizados como cyborgs que “assimilam” seres e tecnologias de outras raças, tornando estes Borg também.

Porra, essa frase tá mal construída pra caralho. Vou explicar melhor, é assim – um Borg te pega à força, injeta uns nano-bichinhos no teu corpo, e tu começa a ser “assimilado”, tu vira um robô como eles, e pouco a pouco começa a pensar e falar como eles. Entendeu mais ou menos?


Olha os bichos aí

Os Borg eram uma interessante análise/sátira da linha cada vez mais tênue que separa o homem da sua tecnologia. A fusão definitiva do ser humano e suas ferramentas eletrônicas é um cenário bastante comum na ficção científica, diga-se de passagem, e os Borgs ajudaram a popularizar esse tema.

Por causa disso, eles não são vistos como indivíduos – Os Borg são uma grande consciência coletiva, cada um sabe o que o outro sabe, todos compartilham uma mente. Note que nem se pluraliza o nome dos bichos, de tão macabra que é a parada.

E eu percebi com certa agonia que esse cenário já está se tornando tangível HOJE.

E ele se chama twitter.


Resistance is futile, bitch

Quer ver? Pensa aqui comigo.

Humanos usando a internet pra se comunicar com gente distante e estabelecer redes sociais não é nada novo. Acontece que o twitter trouxe uma roupagem mais “orgânica” pra esse fenômeno, mais dinâmica. Quando você tinha um blog, você precisava divulga-lo, demorava um pouco pra conseguir leitores, que dirá então gente discutindo sobre o que você escreve nos comentários. Já no twitter, é bem mais fácil se meter na conversa alheia e, antes que você perceba, se tornar relevante nos debates e ser assimilado pelo zeitgeist do serviço.

A coisa fica ainda mais complicada quando você leva em consideração que o twitter foi mais ou menos feito (ou, no mínimo, encorajado) a ser usado com celulares. Celulares são aparelhinhos tecnológicos imprescindíveis pra vida contemporânea, de tal forma que eles praticamente se tornaram extensões dos nossos corpos. Já experimentou sair de casa e perceber que esqueceu o telefone na mesinha do computador? É meio desesperadora a sensação de desconexão, não é?

Se a presença constante do meu iPhone no meu bolso torna-me meio cyborg, o twitter é o software que conecta todos Borg-style. Cético?

Dê uma olhada no seu twitter. Digamos que você siga umas cem pessoas, que estão constantemente te informando sobre onde elas estão, o que elas estão fazendo, quem está com elas. Se os sujeitos twittam do celular (algo bastante comum até mesmo no Brasil), isso significa que a janela que você tem do mundo alheio não se limita ao ambiente ao redor do computador deles – os caras tão andando por aí e informando a sua rede sobre todos os seus passos. Você está literalmente ciente do que centenas de pessoas estão fazendo ao redor do mundo, o que elas estão pensando e planejando fazer em seguida. De uma certa forma, vocês estão na mesma wavelength, estão dividindo uma consciência.

Vale lembrar que em celulares dotados de câmeras, há até mesmo a possibilidade de tirar uma foto e enviar diretamente pro twitter, compartilhando mais do que meras descrições do que está acontecendo ao seu redor. Em tempos mais primitivos, essa comunicação instantânea e initerrupta que inclui até mesmo as imagens vistas pelos participantes seria chamada de “telepatia”.

Você já percebeu que o twitter é muito utilizado pra resolver decisões pessoais que NINGUÉM em mente sã relegaria a estranhos? Abra seu twitter novamente (se você for um Borg muito dependente da rede, esse comando é desnecessário – aposto que o twitter tem aba permanente no seu navegador) e você notará que metade dos tweets são de gente perguntando à mente coletiva do twitter se deveriam fazer Y ou ir à Y. Eles estão, essencialmente, permitindo que a hivemind tome decisões por eles, ou no mínimo influencie suas escolhas de forma dramática.

Quando você para e pensa que a característica principal dos Borg é que eles renderam sua individualidade e abraçaram o controle mental exercido pelos seus implantes, a analogia parece mais acertada ainda.

Pode parecer uma análise exagerada? Considere isto: ontem no trabalho eu tava lendo um jornal e notei que a publicação tinha um twitter. Isso não é nem novidade entre os serviços de informação, aliás.

Isso significa que você recebe manchetes de notícia diretamente na sua timeline do twitter, junto com as mensagens dos outros conectados. Ou seja, a hivemind não está limitada a pensamento sincronizados de centenas ou milhares de indivíduos – você recebe até mesmo informações relevantes sobre o mundo real. De repente o que era uma curiosidade ou um passatempo se torna um pouco mais útil, e isso só complica a sua dependência no serviço. Vai chegar ao ponto de que você não sentirá necessidade de receber informação de outra maneira, já que o twitter é ao mesmo tempo onipresente (pra quem tem celular com plano de dados, anyway) e atrai até mesmo o mundo mainstream a esta altura.

O mais digno de menção é que a nossa assimilação, ao contrário dos fictícios Borg, não foi forçada. Nós adotamos participar da matriz mental compartilhada espontaneamente, e com entusiasmo até. Será que já éramos assim tão carentes de interação social e do senso de pertencimento de grupo mesmo ANTES do advento do twitter…?

É estranho pensar que um fenômeno previsto pela ficção científica há muito tempo tomou uma forma um pouco diferente da esperada, mas que está acontecendo de qualquer forma.

Agora corra e vá retwittar este texto pra mim.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Categorias: Tech Toys

109 Comentários \o/

  1. Um magnifico texto sobre twitter e star trek ~ http://bit.ly/fgeZ7

  2. dh disse:

    “argumentos sólidos” é com o Eduardo aí, eim.

  3. CCCC disse:

    Kid viado vai morrer de tanta roupagem mais “orgânica” no cu.

    Discípulo, mandou bem.

  4. Juan Lopes disse:

    @lincolnqjunior Você sabe quando está sucumbindo à hivemind quando conversa com sua esposa via twitter: http://tinyurl.com/o3fv6h

  5. lfppfaria disse:

    RT: @juanplopes: Você sabe quando está sucumbindo à hivemind quando conversa com sua esposa via twitter: http://tinyurl.com/o3fv6h

  6. Bernardo disse:

    You go Champ!

    Now go back to tweet

  7. sLy disse:

    Isso me lembrou aquela história do pacman.

  8. Nailson disse:

    Twitter é o bixo da goiaba msm!