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[ Todo Dia Tem um Textão ] O feminismo e a inacreditável história de Luisa/Helena/Heloisa/Luis

Postado em 6 May 2015 Escrito por Izzy Nobre 77 Comentários

Olha, eu ACABEI de fazer um vídeo criticando o movimento feminista, e geralmente não gosto de me ocupar repetidamente com a mesma pauta pra não acharem que estou perseguindo o alvo da crítica… mas eu não tenho culpa se essa galera apronta duas dessas na mesma semana.

ABRE PARÊNTESE

E sim, estou ciente de que o Joss Whedon declarou não ter saído do tuiter por causa dos ataques estridentes das extremistas que o ameaçaram com violência física. Acredito que você possa ver claramente no vídeo que o cerne do argumento não é o tuitercídio dele, e sim os ataques que ele sofreu e a retórica militante de analisar trivialidades da cultura pop a um extremo doentio, impossível de satisfazer, num transparente esforço de censura por meio de coerção ideológica.

Se ele NÃO tivesse deletado a conta no site de microblogging, minha análise da obsessão militante em magnificar minúncias procurando um pequeno átomo de ofensa — pra responder então com a boca espumando de ódio — ainda estaria valendo.

Vocês que VOARAM nas minhas mentions, comentários do youtube e caixa de email pra explicar que meu vídeo foi “inútil” porque eu errei sobre a justificativa do cara pra sair do Twitter pelo jeito precisam reassisti-lo, porque esse não era o argumento central do que eu falei. Isso pra não entrar no assunto de que eu questiono bastante a sinceridade dele nessa declaração panos-quentes, e suspeito que ele prefere é não atrair mais fúria do movimento.

FECHA PARÊNTESE

Ok, vamos a história da Luisa/Helena/Heloisa/Luis. Com a palavra, Lua Sophie, que escreveu o textão abaixo. É um texto longo, e meio confuso, então vou oferecer uma interpretação resumida no final.

Caso o tamanho do texto te desmotive, eu clamo a você, leia até o final. Em 2015 faz 20 anos que estou usando a internet — porra mano, como eu tô velho! — e esse talvez seja o relato mais hilariantemente inacreditável que eu já li em toda a minha vida de internauta.

Vamos à história.

LESBOFOBIA E SILENCIAMENTO DE MULHERES NO EME.
Algumas moças já fizeram relatos ao voltarem do EME ontem a noite, eu cheguei tão exausta psicologicamente que não consegui escrever sobre, mas vamos lá.

O EME deveria ser um espaço acolhedor e seguro para as mulheres que lá estavam presentes, eu imaginei que seria um espaço trans-inclusivo, e foi.

Havia um homem, que vive como homem, que é lido como homem socialmente, e que usava barba até chegar no evento, e que decidiu, após chegar no evento que era mulher-trans e lésbica. Quando eu cheguei ao evento, eu não vi essa pessoa, algumas mulheres me procuraram dizendo “tem um homem aqui! isso é absurdo” até que eu o vi.

Ao chegar lá, ele tirou a barba, e decidiu que o nome dele era Helena, depois parece que ele não gostou do nome e mudou o nome pra Luisa, depois pra Heloisa, e enfim, as amigas dele o chamavam de Luis. Muitas mulheres lésbicas que estavam comigo estavam desconfortáveis com a situação, depois descobrimos que a saia que ele usava era de uma moça do próprio alojamento que havia emprestado, pois fora dali, Luisa/Helena/Heloisa/Luis não usava saia, nem batom, fora dali Luisa/Helena/Heloisa/Luis era um homem branco, classe média, universitário que namorava uma menina, que estava presente no evento, porem até então não sabiamos que esse homem se dizia lésbica, as coisas foram aparecendo conforme o tempo foi passando la dentro.

Muitas mulheres com que eu tive contato lá dentro, expuseram seu desconforto, mas tinham MEDO de falarem qualquer coisa e parecerem preconceituosas, algumas se sentiram culpadas por se sentirem desconfortáveis dentro do banheiro aonde 1.000 mulheres tomavam banho e trocavam de roupa e deveriam se sentir seguras, porque Luisa/Helena/Heloisa/Luis estava lá dentro, tomando banho com elas, trocando de roupa com elas. Mulheres heterossexuais também se sentiram invadidas e expostas, mulheres lésbicas se sentiram coagidas, e ridicularizadas com aquela situação.

Durante o evento eu e algumas feministas radicais discutimos o quão problemático era aquilo.

Eu queria ressaltar, que ao chegarmos no evento, eu e minha noiva estávamos arrumando nossas coisas, e uma moça da organização do EME veio até ela, supondo que ela era trans – o que eu achei absurdo, ela não é obrigada a performar feminilidade, ela é lésbica, ela NÃO é trans- e disse que havia um banheiro EXCLUSIVO para trans, e explicou pra ela como ela faria pra usa-lo. Haviam cerca de 10 pessoas trans no evento, inclusive um “homem-trans” que nasceu como mulher, foi socializado como mulher, e corria risco de ser estuprada tanto quanto as outras mulheres do evento, e essas pessoas usaram o banheiro exclusivo para elas, pessoas aparentemente transicionadas, enquanto Luisa/Helena/Luis o homem que estava com uma saia emprestada de uma das companheiras do evento, e que fez a barba somente ao chegar ao evento, insistia em usar o mesmo banheiro e alojamento que as outras mulheres do evento (por que será né?) enfim.

Ouve um sarau na noite de sabado 2/05/2015 aonde esse homem estava presente, e de repente quando vimos ele estava beijando uma mulher lá dentro, não foi um selinho, não foi um simples beijo, ele estava beijando ela loucamente, aquilo foi desesperador para A MAIORIA DAS MULHERES, mulheres que eu nem conhecia se revoltaram, mulheres que estavam no mesmo alojamento, que trocaram de roupa na frente desse homem, se sentiram invadidas, nós lésbicas, e feministas radicais tentamos intervir de forma pacífica, cantando alto, pra que todas soubessem que aquilo não iria passar em branco, e Luisa/Helena/Heloisa/Luis, RIU da nossa cara, quando isso aconteceu, rolou um conflito, e algumas moças vieram conversar conosco, não quiseram nos ouvir, disseram que ele sofria mais que todas nós, que ele era “lesbica” e que a gente devia parar com o preconteito e transfobia, mulheres lésbicas se desesperaram, choraram, gritaram com toda força que aquilo ali era lesbofobia, que dizer que existe falo-lésbico é cultura de estupro, é discurso que propaga a violência, que estavamos nos sentindo com medo, coagidas, não quiseram ouvir, não quiseram ouvir !!! Afinal, um homem que decidiu se identificar como mulher dentro do evento, sofria mais que todas nós.

Durante esse conflito dentro do Sarau, VARIAS, VARIAS, VARIAS mulheres vieram até nós, lésbicas,feministas radicais, feministas partidárias, feministas anarquistas, feministas que seguem correntes divergentes ao feminismo radical prestar apoio, dizer que tambem não concordavam com aquilo,, e quando vimos eramos cerca de 50 mulheres expondo o medo e o desconforto com esse homem. 50 mulheres mostraram sua indignação com aquilo, a maioria era lésbica, 50 MULHERES FORAM IGNORADAS E SILENCIADAS.

Uma moça foi ameaçada no banheiro, por outra mulher que estava defendendo Luisa/Helena/Heloisa/Luis. Uma mulher negra e lésbica foi chamada de desumana. Mandaram eu, e mais algumas compas lésbicas “irmos tomar no cú”.

Conseguimos nos organizar politicamente, fomos pra fora do sarau, e fizemos uma plenária, expomos o quanto estávamos coagidas ali dentro, expomos que nos sentimos invadidas e decidimos que faríamos uma intervenção no dia seguinte, domingo 03/05/2015. Chamamos a organização do evento, e uma das organizadoras nos disse que teríamos um espaço pra falar, que queria por escrito um texto, pautando o desconforto daquelas mulheres, para que ela pudesse levar pra mesa do EME, e que nós teríamos local de fala.

Nós ficamos a madrugada inteira discutindo, e tendo cuidado em como elaboraríamos esse texto, durante a madrugada algumas meninas foram dormir, eu, Andressa e Fernanda ficamos até as 7 da manhã concluindo os textos, fizemos um texto geral, que englobava todas as mulheres, e fizemos um texto falando sobre a lesbofobia e a cultura de estupro que tava rolando. Nós não dormimos, nós estávamos exaustas, mas não podíamos deixar que aquilo passasse em branco, que mais uma vez lésbicas fossem silenciadas e agredidas num espaço que deveria ser feminista.

De manhã, todas nós nos reunimos de novo, revisamos os textos de forma coletiva, procuramos a organização pra mostrar, conforme o combinado, e mais uma vez prometeram um local de fala para nós.

Depois de toda a organização ler os textos, decidiram que supostamente não teria mais plenária, os ônibus das companheiras envolvidas na nossa auto-organização, decidiram sair mais cedo. Fomos silenciadas, mais uma vez.

50 mulheres que tiveram coragem de expor seu medo, foram silenciadas, sendo a maioria lésbica, eu tenho certeza que haviam mais mulheres desconfortáveis e não tinham coragem de falar. Chegaram relatos até nós de mulheres que não estavam conosco, mas que pediram “pelo amor de deus” pra que não falássemos nada, porque não queriam ser vistas como preconceituosas.

O medo é a arma do patriarcado, UM homem, silenciou 50 mulheres, precisou de UM homem, pra que 50 mulheres, a maioria sendo lésbica se sentisse com medo, e tivesse a necessidade de nos organizarmos num evento para que ele fosse retirado de lá, 50 mulheres unidas, não conseguiram tirar UM HOMEM de um espaço FEMINISTA. UM homem, colocou a vida e a segurança de 1.000 mulheres em risco.

Se você não entendeu, eu explico melhor. Eu não te culpo — eu tive que ler o relato TRÊS VEZES pra conseguir finalmente digerir a figura geral do acontecido.

É o seguinte. Aconteceu em Curitiba no fim de semana passado o 6o Encontro de Mulheres Estudantes, daqui em diante referido como EME. Aqui há um texto bastante completo sobre o que rolou no evento — os Grupos de Discussão, as exibições de artes, o sarau, etc. Tive que googlear o que diabo é um sarau porque o tempo inteiro eu li o texto interpretando o verbete erroneamente como “CURAU” e fiquei me perguntando o que uma comida feita de carne salgada com farinha de mandioca teria a ver com feminismo.

Minha análise rápida de um evento com esse escopo — acho completamente democrático e válido um grupo (qualquer grupo) se reunir pacificamente para debater assuntos que julguem relevantes para suas causas ideológicas. Entretanto, ao ver o tipo de pauta que essa galera debate, não é a toa que cultivem um sentimento revanchista contra seus aparentes opressores:

Que tipo de mentalidade se imbui num grupo quando o evento de suposta empoderação serve pra martelar, ad nauseum, o dogma de que são oprimidas e inferiores em TODAS AS ESFERAS DE EXISTÊNCIA?

Não é a toa que essa gente vê opressão em TUDO — seu movimento existe numa câmara de eco onde a única narrativa é “somos vítimas. De tudo. De todos. Sempre”. Como você pode sair de lá SEM trajar, digamos, uma camiseta que diz “ODEIE TODOS OS HOMENS”?

O movimento condiciona os membros a dar uma das duas (às vezes ambas) justificativas pra esse tipo de incitação de ódio: 1) “É só ironia”, e/ou 2) “Mas mulheres são mais oprimidas, pare de reclamar!”

Você acha que se uma garota se levanta num desses grupos de “discussão” (o termo está sendo usado aqui de forma flexível) e diz “olha eu ouvi uma música no rádio outro dia e se você reorganizar as letras da canção, dá pra montar a frase ‘abaixo as mulheres’, precisamos lutar contra a misoginia na indústria musical!”, alguém dirá “pera companheira, talvez você esteja vendo pelo em ovo?”

Porra nenhuma. Nenhuma acusação é fantasiosa demais se o alvo é o bicho papão do Patriarcado. O movimento se alimenta da indignação perante qualquer coisa que se interprete como machismo; se um exagero interpretativo aqui ou ali “conscientiza” sobre o “problema maior” da sistemática opressão das mulheres, e daí se ocorre uma forçada de barra aqui ou ali…? Meios para um fim.

Afinal de contas, um grupo pregando ideologia superior mesclada com retórica de ódio histérico NUNCA causou problemas na história da humanidade.

Voltando ao assunto. Curiosamente, o artigo falando sobre o evento faz aparentemente uma breve menção ao incidente reportado pela Lua — embora tenha tomado uma postura contrária a da autora do post do Facebook:

PORRA IZZY PARA DE ENROLAR O QUE ACONTECEU NESSE EVENTO?!?!?!?!

Foi o seguinte. Um sujeito que nasceu com cromossomos Y compareceu ao tal EME. Não é como eu gostaria de passar meu fim de semana, mas não estou aqui para julgar os hobbies de ninguém.

Algumas das ativistas se incomodaram com a invasão masculina no ambiente, mas ele tinha uma boa justificativa — ele é na verdade ELA. Nascido Luis, hoje ele se apresenta como “Luisa”, ou “Helena”, ou “Heloisa”. A autora do post diz que o rapaz oscilava entre as alcunhas, mas aparentemente já se decidiu “Luisa” mesmo.

helena

É estranho que alguém que participe dum movimento que celebre a pluraridades de expressões de gênero, que declare que tal coisa “é simplesmente construção social, sexo é fluido!” se reduza instantaneamente a um discurso Bolsonarístico de “ELE DECIDIU QUE É MULHER, ASSIM DO NADA, E A GENTE TEM QUE ACEITAR ESSA PALHAÇADA!” quando o beneficiado pelo argumento não é conveniente.

A autora do textão continua insistindo que “mas ele é homem, barbado, se veste como homem, não usa batom, gosta de mulheres, É HOMEM!!!” — ou seja, validando papéis de gênero e orientação sexual que seu movimento alega ter como alvo derrubar.

Ontem a indústria cosmética e de moda impunham valores de beleza impossíveis de obter. Hoje? Batom é pre-requisito para ser mulher.

Deixar o suvaco peludo é se manifestar contra a ditadura da beleza feminina, é abraçar a forma feminina em todo o seu esplendor… mas pelo no ROSTO?!?!?!?!?!? PERAÊ PORRA ISSO É COISA DE HOMEM.

Atenção mulheres com buço, que gostam de mulheres, que se vestem “como homens” e que não usam batom: vocês são homens. Assinado: Lua Sophie, feminista.

Manja essa reclamação de “ele tava vestido como homem e pegou uma saia emprestada de alguém no evento!”? Além de reforçar a idéia nada feminista de que “tem roupa pra mulher e roupa pra homem, ora mais!”, esse argumento revela que não passou pela cabeça da Lua que o rapaz é DE FATO uma trans, que pela primeira vez se viu acolhido num meio que a entende e aceita. A possibilidade de que Luísa se viu finalmente na liberdade de se vestir da forma que quer não foi considerada nem por um segundo.

Em vez disso, Lua e as companheiras de luta que  deram like em seu relato imediatamente decidiram que isso é “cara de pau” do rapaz, é uma escolha dele. É o tipo de coisa que, digamos, o Feliciano ou Malafaia diriam espumando pela boca.

A cereja no topo deste bolo de ironia vem na forma de um “muitas mulheres com que eu tive contato lá dentro, expuseram seu desconforto, mas tinham MEDO de falarem qualquer coisa e parecerem preconceituosas“, que nada mais é que uma forma velada de criticar o “ambiente politicamente correto de hoje em dia” que impede alguém de manifestar uma crítica.

Reclamar que “olha que absurdo, não podemos nem falar mais nada e vão nos acusar de homo/trans/mulherfobia” chega a ser inacreditável vindo de uma feminista. Literalmente inacreditável.

Foi nessa parte do texto que eu achei estar lendo uma obra de sátira como o Zambininha, um blog que ironiza esse tipo de militância. Parei de ler nessa parte e desci pros comentários pra ver se alguém revelava a pegadinha.

Nope. Era autêntico. Uma feminista reclamou que o “politicamente correto” está a obrigando a aceitar a orientação de gênero alheia sem reclamar.

A ouroboros começou a comer o próprio rabo. Ativistas do politicamente correto estão oficialmente reclamando que não podem mais reclamar das coisas porque serão tachadas de preconceituosas.

Como se a coisa não pudesse ficar ainda MAIS maluca, a suposta garota trans (eu REALMENTE não sei se a menina é autenticamente trans, ou um troll de nível nunca antes visto pela internet brasileira; seu Facebook parece indicar a primeira opção) tomou banho com as outras participantes do evento nos chuveiros comunitários e PEGOU MULHER DENTRO DO EVENTO.

Vou repetir.

Um rapaz, que aparentemente se apresenta socialmente como homem, mas alegando ser uma mulher trans, e lésbica, tomou banho num chuveiro coletivo cheio de mulheres. E algumas viram problemas com isso, mas não puderam falar nada porque se afiliam a um movimento que tem como cartilha a aceitação de qualquer orientação sexual/de gênero — sobrando a elas apenas se lamentar com “esse politicamente correto de hoje em dia”.

E achando não ter feito o bastante, x meninx em questão PEGOU UMA DAS PARTICIPANTES DO EVENTO.

Ah, e esqueci de um detalhe: como raça é também apenas um “construto social”, diz o movimento, o rapaz (claramente caucasiano) se declarou negra. Ou seja, Luisa é mulher, trans, negra, lésbica — no self service da opressão ela encheu o prato.

Só posso cogitar que elx parou antes de se identificar também como judia, índia pataxó e cadeirante porque ficaria meio exagerado.

Aparentemente o cara descobriu o KONAMI CODE pra desmontar esse tipo de ativismo — identifique-se como mulher trans negra lésbica. Pronto. O dogma dessa turma considera qualquer crítica a grupos oprimidos como anátema, e mulher trans negra lésbica acerta todos os pontos no Super Trunfo da Opressão. Um verdadeiro Exódia do Vitimismo; carte blanche pra fazer qualquer coisa. Tudo que você fale está automaticamente certo, e qualquer um que se oponha a você está automaticamente errado.

Graças a essa mentalidade, um cara foi num evento feminista, tomou banho em chuveiro comunitário com as meninas, e ainda pegou uma das participante.

E pior, o movimento tá dividido por causa dele. A indagação da militância é “validamos a identidade da pessoa, assim mantendo nosso discurso coerente, ou expomos um farsante usando nossa própria cartilha pra minar nossa luta?” Vi inúmeros textões defendendo ambos os pontos. Tal qual Gavrilo Princip dando o tiro que iniciou a Primeira Guerra, Luisa pode ter deflagrado um disparo que vai repercutir e forma irreversível no movimento.

Em outras palavras: tenho a impressão que ele não será o último a usar esse cheat code pra tomar banho com um monte de mulher.

Sabe, eu posso estar 100% errado sobre o feminismo. Sou mesmo um homem branco, privilegiado, cisgênero, hétero, e é capaz de que TODAS as reivindicações das feministas estejam moralmente corretas e que eu critico e discuto porque sou um pouquinho reacionário mesmo, por culpa dos meus privilégios.

MESMO CONSIDERANDO ESSA POSSIBILIDADE, a Irônica Epopéia de Luisa me faz rir pra caralho. É inacreditavelmente surreal ver alguém usar um Game Shark social dessa forma. Foi um golpe de judô ideológico nunca antes visto na minha VIDA.

A propósito: supostamente o cara teria dado num post do FB argumentos relativizando a exploração sexual de menores no funk, a la MC Melody, que não é o tipo de coisa que se faça ou se defenda. Não vão inventar de glorificar o cara, ein?

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comments

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

77 Comentários \o/

  1. Vinícius Martarello says:

    Esse cara basicamente zerou o feminismo radical.

  2. Leandro says:

    “Luisa é mulher, trans, negra, lésbica — no self service da opressão ela encheu o prato.”

    infartei de rir com isso

  3. Não consigo formar opinião sobre esse caso. É tudo muito surreal.

  4. Camilx says:

    “Atenção mulheres com buço, que gostam de mulheres, que se vestem “como homens” e que não usam batom: vocês são homens.”

    Sempre soube… Só me falta o buço

  5. Hawk says:

    Sensacionalmente surreal.

  6. Matheus says:

    Ou seja, se pegar o textão dela e mudar meia dúzia de palavras, pode se passar por textão do Bolsonaro/Malafaia/Feliciano.

  7. Anônimo says:

    Nesse trecho:
    “Nós ficamos a madrugada inteira discutindo, e tendo cuidado em como elaboraríamos esse texto, durante a madrugada algumas meninas foram dormir, eu, Andressa e Fernanda ficamos até as 7 da manhã concluindo os textos, fizemos um texto geral, que englobava todas as mulheres, e fizemos um texto falando sobre a lesbofobia e a cultura de estupro que tava rolando.”

    Não consigo parar de imaginar elas como o Tenacious D cantando Tribute “Play the best text in the world, or I’ll eat your souls […] it was the best text of the world”

  8. Gabriel says:

    Épico e Mitico é pouco para descrever!

  9. IBG says:

    Izzy, não terminei de ler o texto ainda (mal comecei, na verdade, mas é melhor eu falar logo antes que talvez seja tarde) mas cacete, cara, por que que vc linkou o facebook da pessoa??? Isso só pode dar merda! A não ser que ela tenha pedido ou exista algum motivo explicando que eu ainda não cheguei no texto, tira aí

    • Izzy Nobre says:

      O artigo da garota é uma publicação, bem, pública. Não achei que houvesse problema divulgar.

      • IBG says:

        haha, certo, bobeira minha 😛

        Acabei o texto, muito interessante ver esse tipo de confronto com a propia ideologia. Acredito que Luisa tava sendo sincera e não foi Konami code. Vamos ver o impacto que isso causa agora, tomara que seja bueno

      • Everton says:

        Não tem problema algum. Se é público (ou por algum momento foi), não precisa nem esconder o nome ou foto da pessoa.
        A prerrogativa de se ocultar DEPOIS da publicidade não reverte o status temporal que já fixou como “visível à todos”, incluindo indexadores e arquivadores(cache, etc).

    • Humberto says:

      Mas ela pode mudar as configurações de privacidade sobre seus posts. Proibir alguém de comentar ou mesmo ver.

  10. Luis says:

    Isso aí é a prova que qualquer radicalismo e resistência ao debate e aceitação não geram bons frutos.

  11. Pedro Ivo says:

    “Em 2015 FAZEM 20 anos” é foda né

    • Leandro de Assis says:

      Discordo. Foda é um pênis penetrando uma vagina. Uma discordância gramatical não chega a ser foda…

      • Guilherme Antonini says:

        Achei seu comentário um tanto falocêntrico. Foda pode envolver pênis, vagina, ânus, boca em qualquer combinação.

        Acho que precisamos de uma roda de discussão para decidir se uma discordância gramatical pode ser considerada uma foda.

        • Leandro de Assis says:

          A exemplificação de foda que utilizei não é o único, todos os outros citados por você também encaixam nos exemplos da palavra em questão. Acho que uma discussão a cerca sobre o que é foda ou não poderá ser discutida.

        • Gabriel says:

          Concordo. Acho que precisamos discutir a aceitação da expressão sexual através da gramática. Conto com vcs na luta contra a máquina opressora da ditadura do sexo heterossexual penetrativo.

  12. Pedro says:

    Entendam que o feminismo é um movimento de delírio coletivo, psicopatia pura e saíra completa da realidade.

  13. W. says:

    Tem vários ‘nichos’ no feminismo. Quem pareceu se incomodar com a Luisa foram as feministas radicais, que odeiam trans (pra elas, a Roberta Close é homem). Eu acho que faz total sentido a Luisa não ter decidido um nome, até porque aparentemente ela só está tendo força e apoio para ser quem ela é agora. No começo eu fiquei em dúvida se era um troll, mas eu vi o perfil da trans e, posso estar enganado, mas troll nenhum se dá ao trabalho de entender um movimento e um segmento social tão bem como a Luisa entende. Isso exigiria um nível de empatia enorme que é incompatível com um troll. Pra armar uma trollagem dessas o cara teria que estar num nível de sociopata, mas estar nesse nível o impediria de ter empatia suficiente pra compreender as causas pelo qual ele ‘fingiria’ estar lutando.
    Enfim, essas feministas que se incomodaram aparentemente acham que trans brotam do nada. Como se o processo de adaptação e aceitação não fosse longo e cheio de cuidados (como tomar hormônios, pra quem tem interesse, ou tomar coragem de se assumir como trans). Elas tão basicamente dizendo que, enquanto a trans não se parecer com mulher, ela não é mulher.

    ps: eu to falando de feministas radicais, que obviamente não são a maioria do movimento e que muito menos representa o movimento como um todo. Mas infelizmente são as que mais gostam de ficar dando opinião e aí meio que torna um movimento justo algo caricato e hipócrita, gerando casos como o desse post.

  14. Ray says:

    CARA, ele literalmente roubou a ideia do Cartman, em south park, pra poder usar o banheiro feminino pra cagar. PQP, GENIO

    http://southpark.cc.com/full-episodes/s18e03-the-cissy#source=57baee9c-b611-4260-958b-05315479a7fc:c6cbd5e3-7eae-4cc3-94b7-119c8d412f99&position=3&sort=!airdate

    • Rafael says:

      Tava procurando alguém que tivesse percebido isso. Well done!

      South Park: há anos criando comédia inteligente e doutrinando jovens trolls pelo mundo.

  15. Bruno Guedes says:

    Usando a citação que o senhor não citou, esse textão é um belo exemplo de como o espectro político é na verdade não uma reta, mas uma ferradura: os extremos estão mais próximos do que imaginam.

    E um detalhe que eu só atentei, assim, por agora, porque meu cérebro não consegue focar direito num textão desse: tinham assim umas 1000 mulheres no local, 50 estavam com aparente pavor mortal desse sujeito (como se, sei lá, duas mulheres não dessem conta desse sujeito) e de alguma forma esse contingente de mais ou menos 0.5% do evento é que tinha toda a completa e absoluta razão?

    Ok, então.

    No mais, eu ainda não descarto a possibilidade dessa pessoa estar sendo absolutamente séria(ou sério), mas o caso de qualquer forma é deliciosamente irônico.

  16. Andre says:

    Já explicou o acontecido pra esposa? Seria interessante um vídeo com a reação dela a uma bizarrice dessas.

  17. Fábio says:

    Izzy, meu caro, sou um leitor assíduo do seu blog já há alguns anos e sempre achei seus textos e opiniões muito inteligentes e engraçados. Creio que existam apenas dois pontos em que discordamos: política, sendo que, aqui, estou satisfeito em simplesmente reconhecer uma opinião diferente, que traz pluralidade; e o feminismo.
    Tenho visto você fazer diversas críticas ao “movimento feminista” (como se ele fosse uma coisa homogênea e que se comporte de maneira uniforme) que, sinceramente, me entristecem, pois diferentemente do padrão que costumo reconhecer em você, elas não parecem partir de um conhecimento de causa, mas sim de lugares-comuns, emitindo opiniões que não favorecem um debate saudável, mas ajudam a fomentar e a banalizar diversos problemas já existentes.
    Sendo assim, gostaria de lhe convidar, como um amigo, e não como algum babaca metido a sabe-tudo, a ler um conhecido texto do Alex Castro no Papo de Homem, “Feminismo para homens, um curso rápido”: http://www.papodehomem.com.br/feminismo/
    Esse texto é um excelente ponto de partida para conhecer o feminismo sendo homem (o que creio fazer sentido para você neste momento, já que tem abordado o tema com mais frequência), ele contém explicações simples, estatísticas, e links para que você passe a entender melhor no que se baseia o feminismo e repensar alguns de seus posicionamentos, como a pressuposição de um vitimismo das mulheres, que acredito serem equivocados (eu, por exemplo, já ouvi relatos pessoais que corroboram com todos os tipos de violência mencionados no trecho destacado).
    Espero sinceramente que você dedique algum tempo a ler esse texto e que você possa, assim como eu, aprender algo novo e expandir seus horizontes.
    Também coloco-me a disposição para, na medida do possível, conversar sobre os pontos que o texto aborda e ampliarmos a compreensão de ambos sobre o assunto.
    Um grande abraço,
    Fábio

    • Izzy Nobre says:

      Obrigado pelos elogios e a sugestão, amigo Fábio. O único problema que detecto em seu comentário, e é um problema recorrente, é a boa e velha “opa esse não é o X de verdade. Nosso X é um movimento puro, perfeito, incriticável. Se você critica é porque não conhece. Ignore essas pessoas que se dizem X falando bobagens, o movimento de verdade é isso aqui (link para uma definição antisséptica e idealizada do movimento)”.

      Eu ouvi isso a vida inteira. Cristão faz merda? “Não é cristão de verdade”.

      Ateu faz merda? “Esse cara não representa o ateísmo” (como se fosse um ÚNICO cara fazendo merda e não uma atitude pervasiva na comunidade).

      Blogueiro de direita fala merda? “O ideal da direita não é esse cara, ignore isso ai!”.

      Blogueiro de esquerda fala merda? “Ah mano esse cara é apenas um (não. Nunca é), não se atenha a isso!”

      Comunismo nunca deu certo? “Ah é por que não tentaram o comunismo DE VERDADE”.

      Enquanto um movimento aplica essa retórica, não haverá amadurecimento.

      • kursch says:

        A única errata no texto, pra mim, é lance da camisa do “odeio os homens” não é feminismo. É femismo. Que seria o contrário do machismo. Pregando a superioridade feminina perante o masculino. Não é isso que o feminismo propõe. São duas coisas diferentes.

        A pergunta básica que seu texto (e você, se quiser) pode tentar responder é: quem é define o que você é: você mesmo ou os outros? Pra mim, essa é a questão mais complicada.

        Nas cotas raciais, pro exemplo, quem define quem é negro e branco é a própria pessoa (e, provavelmente, deve ter uma banca para analisar se alguém age de má-fé). As pessoas do IBGE perguntam o que você se considera. Porem no nascimento, um médico vai e diz que seu tom de pele é branco ou negro. Qual que vale?

        Mesma coisa desse caso que você citou.

        A mulher entrou em BUG MENTAL porque o feminismo que ela conhece prega que as próprias pessoas que dizem o que são. Que tudo é uma construção histórica, como você bem falou no texto. E aí ela não soube como reagir diante da (suposta) desonestidade do luis luísa.

        E aí escreveu esse texto cheio de conflitos (eufemismo).

      • Luan says:

        Se você for ler o texto do Alex Castro recomendado pelo Fábio, eu deixei um comentário lá (Luan Garcia) onde eu explico extensivamente por que discordo de tudo o que ele disse e também explico que é ser antifeminista 😀

      • IBG says:

        Se me permitem entrar na discussão… eu queria dizer que concordo com tudo o que os dois disseram, só acho que houve um leve mal entendido no que o outro quis dizer; dos dois lados.

        Acho que: Izzy já deixou claro que respeita e quer igualdade de gênero, tratamento justo a qualquer ser humano INDEPENDENTE de sexo, gênero, etc, etc. Apesar disso, tem associado a palavra feminismo a atitudes ruins ou exageradas.

        Acho que: Fabio não estava tentando argumentar contra o texto, e sim adicionar um asterisco no final. Há diferentes significados carregados à palavra feminismo, nem todos ideológicos, muito menos radicais. O significado que você usa não é universal.

        Mas é só isso. Entendo o que você quer dizer nesses textos/vídeos. Só me parece que aqui no Brasil seja um assunto um pouco mais delicado do que a maneira como você o trata. Vi que você quase exclusivamente menciona as reivindicações sociais e sexuais do “movimento”. E é fácil criticar uma causa quando todas suas reivindicações são meras obviedades exclusificadas a um grupo; como: “não se deve bater em mulher”, — mas é óbvio, não se deve bater em ninguém! E deve-se tolerar todo mundo, porque vocês chamam isso de FEMINismo? (O que, concordo, é um péssimo nome)

        Mas mais delicado que isso é o fato que meu pai nunca brincou de Lego com a minha irmã, ou comprou kits de ciência, ou levou pra ver Star Wars, ou apostou corrida; apesar de ser uma ótima pessoa, e fazer isso pelos motivos mais ingênuos. Ou que o passado machista da sociedade deixou pouqíssimos role models femininos na ciência, ou na política; se bem que deixou uns trocados nas artes.

        Com isso em mente, aqui em um país onde os resultados são tão salientes, ouvir feminismo: ruim; feminismo: mimimi; feminismo: vitimista… me faz sentir um pouco derrotista em relação a causa. O MEU feminismo é outro completamente. Talvez a gente só precise de outra palavra mesmo, e deixar ‘feminismo’ com essa galera a qual você sempre se refere.

        Te amo Izzy, aliás CONCORDO com todos esses textos e vídeos; é só que eles vêm com esse desconforto pra mim. Ainda bem, não é hoje que eu vou querer que você tente agradar todo mundo. 🙂 Abração!

        • IBG says:

          PS: reconheço a atitude pervasiva na comunidade, e odeio isso também. Não estou argumentando contra nada do que você falou! É só um parêntese!

          • IBG says:

            PS2: To me sentindo mal, porque no primeiro comentário ficou parecento um pouco que eu to defendendo Lua e afins. DE JEITO NENHUM! ODEIO essas pessoas que pensam assim e fazem essas coisas.

          • Luan says:

            Acho que deu para entender o que você quis dizer e concordo com você. Talvez a questão seja que não é preciso se identificar como feminista para considerar essas pautas. Eu concordo que é preciso desconstruir muitos papeis fixos de gênero, mas também não me considero feminista porque discordo muito do que o movimento faz.

      • Fábio says:

        Izzy, eu também conheço a falácia do “verdadeiro escocês”, mas não acho que seja o caso não. Acredito que dá sim para efetuar uma “exclusão do grupo” sem incorrer em falácia: eu não ataco a direita com base nos imbecis que pedem intervenção militar, nem sou contra o cristianismo por causa do Marco Feliciano, ou contra o islamismo só por causa do ISIS e afins; algumas vezes, temos sim que podar os extremos para poder falar com propriedade sobre o todo.
        De qualquer jeito, eu não estou aqui para defender e nem atacar a tal Lua Sophie -eu não me informei o bastante para isso- e nem para dizer que o que ela disse é merda e não faz parte do “verdadeiro feminismo” ou não. Também sei que o feminismo não é perfeito e nem à prova de críticas, e que seus adeptos também fazem cagada.
        A grande questão é que me parece que você tem sido muito rápido em atacar esses alvos fáceis e, a partir deles, extrapolar críticas para o todo, por isso que te convidei a ler mais sobre o assunto para, caso queira, atacar pontos mais importantes (e.g. parar de chamar a Dilma de incompetente porque ela não tem boa oratória e fazer as merecidas críticas ao programa de governo dela). Isso porque você menciona vitimismo, mas (acredito eu) não se inteira das estatísticas que dão base às alegações de violência sofrida pelas mulheres; diz ser absurdo reclamarem de como a Viúva Negra foi retratada, mas sem se dar conta do quanto seria ridículo o Hulk se sentir um monstro porque foi capado.
        Enfim, o único ponto que quero passar aqui é que você tem feito ataques um tanto quanto vazios ao feminismo e que eu gostaria bastante de ver você tecendo críticas mais sérias, motivo pelo qual eu ofereço material para tanto.

        • P. says:

          Fábio, sou mulher e agradeço o link que você mandou. É uma excelente leitura que vou recomendar aos meus amigos pró-feministas que buscam conteúdo bacana.

          Em especial o item 15. da Fábrica de Machistas me fez rir… porque a vida inteira fui criada para ser organizada e, se mantivesse algo fora do lugar eu era tachada de moleque e sapatão pela minha própria família. Faz sentido algo assim? Sem falar que eu sempre preferi o lego dos meus irmãos e deixava as bonecas caríssimas que minha mãe me dava de lado… Surpresa: isso nunca me fez gay! haha

          Sem contar que durante anos meu pai sempre bateu no peito que o lugar da mulher é cuidando das crianças e da casa enquanto o homem provem. O que foi cômico quando anos depois meu pai estava desempregado e minha mãe teve que trabalhar para prover… Acho que isso deu uma outra perspectiva a ele, pois ele começou a me perguntar coisas relacionadas a qual carreira eu queria seguir.

          Por ser criada assim, para ser mãe, saí de casa muito cedo em desespero aos 17 anos. Eu achava que o mundo iria me dar ordens e entrei em desespero ao me deparar com liberdade de escolha. Apesar de ter sofrido machismo no trabalho, ao ouvir um “Eu quase não te contratei porque você é mulher” e ouvir constantemente assédios dos meus chefes, sou muito grata a liberdade de escolher. Porque fui capaz de me tornar mais independente, apesar de todo o universo machista me dizendo que não.

          Durante um bom tempo meus pais questionaram minha feminilidade, minha sexualidade e pude ver um alívio geral deles quando apresentei meu namorado a eles.

          Bem, se isso não é machismo não sei honestamente o que é.

    • Luan says:

      Quando eu vejo alguém falando sobre não ser possível generalizar o feminismo pois ele é um movimento plural (ou seja, existem “feminismos”, não “feminismo”), eu fico com uma questão que, até hoje, ninguém soube me responder: se há generalidade de movimentos no feminismo, o que é, então, que caracteriza um feminismo? Ou melhor, qual o ponto em comum entre esses diversos movimentos para que eles, apensar de tão diferentes, possam ser chamados de “feminismo”?

      • Fábio says:

        Feminismo é a busca por direitos iguais para as mulheres. O que vai separar em diferentes movimentos são os meios pelos quais cada grupo tenta atingir esse objetivo; são os pontos em que eles concordam ou discordam que são importantes pra luta

        • Luan says:

          Bom, sua resposta até agora foi a que mais fez sentido e se aproxima do que, de fato, é feminismo -- busca de direitos iguais PARA AS MULHERES (enfatizei esta parte porque penso ser a parte decisiva da definição). Neste caso, então, eu teria mais duas questões:

          1- se há um ponto que une os diversos “movimentos feministas”, então é possível realizar uma crítica ao “feminismo” em geral, desde que essa crítica seja dirigida a este ponto comum, não?

          2- se há grupos que dizem lutar por direitos das mulheres e não se consideram feministas (alguns sendo até mesmo antifeministas), o que diferenciaria tais grupos daqueles que são considerados “feminismos”?

        • Rodrigo Amado says:

          Cite um direito que é diferente e traz desvantagem para as mulheres.
          Não existe.

          Vou citar um que traz desvantagem para os homens: aposentar-se mais tarde.

    • Fábio says:

      Gostaria de recomendar também o vídeo “Homem Feminista” https://www.youtube.com/watch?v=xc9I9dhjqMs com participação de Carla Cristina Garcia, pós-doutora em Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia de Gênero e Estudos Feministas.

  18. Clara says:

    É triste ver que a ideologia feminista em si é coerente, mas o movimento feminista em geral se faz tão absurdo, para não dizer pior. O grande problema está nas feministas (não todas, mas esta grande maioria ignorante) e não no feminismo.
    Pior ainda é ler no texto ela se identificando como feminista radical como se qualquer tipo de radicalismo pudesse ser positivo.

    • Fred says:

      O problema está no feminismo sim, Clara. você pode até chamar alguma outra coisa que faça sentido de “feminismo” mas a ideologia feminista como defendido por TODOS os grupos que tem algum poder político ou presença na mídia hoje em dia é esse absurdo aí mesmo.

      • Cris says:

        Fred, na mídia só aparece quem causa polêmica. Pessoas que estudam as pautas a sério e militam também com seriedade quase ninguém conhece. Já ouviu falar em Mari E. Messias? Clara Averbruck? Lola Aronovich? Elas nunca apareceram na mídia (exceto pela Clara, que faz participações acho que no programa Amor & Sexo (argh!) da rede Globo. Quem faz o trabalho direito, sem precisar armar um circo, simplesmente não tem espaço.

  19. Knux says:

    Izzy, esse post acima te convidando a conhecer o “verdadeiro feminismo” pode ser qualificado como a “falácia do verdadeiro escocês”.

  20. Emerson says:

    Ao contrário daquela vez no seu Facebook, agora eu entendi que só foi alguns nichos que repudiaram ela (sempre é bom ler um texto novamente). Pelo que deu pra entender, foram somente alguns nichos feministas que se incomodaram com a presença dela como ele, o que não é de se estranhar. Como você mesmo disse, o feminismo está infestado de misandria, sendo esse a alma do movimento na atualidade.

    ——————————————————

    “Luisa é mulher, trans, negra, lésbica — no self service da opressão ela encheu o prato.”

    Caralho, eu ri que nem um porco disso!

  21. Fabíola R says:

    Essas feministas fanáticas são loucas. No sentido de doentes mentais. Talvez como qualquer fanático extremista.

    Não acho que deve dar muita trela pra essas, pra essa ideologia androfóbica ou misândrica. Deve-se ignorar ou dar atenção psiquiátrica.

    E não é porque essas fanáticas alopradas usam o Feminismo como desculpa pra oprimir os homens, que o Feminismo seja uma ideologia ruim. Tem que expulsar essas doidas varridas. Deixar claro que não são feministas de verdade. Apenas frustradas e histéricas. Com teclado e conta em redes sociais.

    Elas envergonham a premissa feminista de respeito e igualdade de gênero. O termo FemiNazi se aplica e muito a elas, pois é isso que elas são: fascistas ideológicas e opressoras.

  22. Klebson says:

    Cara que doidera. É o tipo de coisa que você pensa “E se eu dissesse que sou trans, será que comeriam essa bola”.

    Ai vem esse louco e tira a ideia do papel!

    É no mínimo corajoso, ou inconsequente, ou os dois.

    Quanto ao feminismo, acho válida uma luta por pontos que só os loucos não concordam, que são maior combate à violência motivada por gênero, igualdade entre os salários, excessos em festas, etc etc.

    Mas o que me afasta do movimento são exatamente os excessos, e a aplicação de regras que só são válidas para as mulheres, como se a “igualdade de gênero” só fosse válida para o que beneficiasse o gênero feminino.

  23. Gabriel says:

    Querido Izzy,

    Você é foda. Esse texto encapsula todo seu talento pra investigar paradas como essa de maneira quase profissional, dar sua opinião e ainda fazer piada.

    Deveras interessante o loophole que o bróder/bróda Luísa encontrou no pensamento de algumas feministas.

    PS: A frase “Luisa é mulher, trans, negra, lésbica — no self service da opressão ela encheu o prato.” é muito provavelmente o que mais me fez rir esse ano. Sim, eu nao rio muito xD

  24. Igor Unzer says:

    É o clássico caso do Hacker que encontra brechas para demonstrar como tal sistema é falho. Genial.

  25. Cris says:

    Gente extremista é assim, BURRA! Li tudo que já apareceu sobre o caso e era só um troll babaca querendo aparecer. Se as participantes do EME tivessem prestado atenção nas atitudes do cidadão (e o se declarar ‘negra’ foi a gota d’água) ao invés de só ficarem se perguntando se mulher trans deve ser chamada de ‘ele’ ou ‘ela’ teriam percebido e chutado o mané pra fora antes de se meterem nessa situação constrangedora.

    • DDD says:

      Você é uma reacionária, uma transcisnegrofóbica que é usada como massa de manobra pelo patrircado para reprimir quem não se encaixa em sua visão careta da sexualidade e da representação genética humana. Gente assim, pilantra como você, atrasa nosso movimento feminista em 200 anos.

  26. Suelio says:

    Izzy,

    Achei legal seu texto, concordo com tudo o que disse inclusive com sua indignação, totalmente valida e embasada. Mas sem textão da minha parte: Não se preocupe com essas coisas. Elas fazem mal para as pessoas de bem como acredito que vc é. Sabe essas são as coisas que realmente são toxicas no cotidiano.

    Gosto de um texto que li de vc, onde vc diz que daqui há algum tempo, nada disso será mais importante, então use esse frase pra ti.

    Abraços e continue com os bons textos que produz.

    PS (É meu primeiro comentário aqui no blog, mas te acompanho desde esse texto aqui: http://hbdia.com/vida-maldita/o-dia-em-que-eu-fui-parar-no-hospital-por-arrumar-minha-cama/)

  27. DI says:

    Proponho que todxs que apoiam a causa de Luisa/Helena/Heloisa/Luis postem uma foto no seu facebook, twitter, instagram, etc. vestindo uma SAIA e com um cartaz dizendo: #JE SUI Luisa/Helena/Heloisa/Luis
    Vamos acabar com o preconceito de gênero!!!

  28. DI says:

    #JE SUI Luisa/Helena/Heloisa/Luis

  29. Musgabeen says:

    Se quiserem ver o post original da Lua Sophie com os comentários no Facebook:

    http://imgur.com/a/Rf1Tj#0

    (isto foi postado no apareçam! Tb vou ficar atento a este blog!)

  30. Musgabeen says:

    PS: Pesquisem direitosdoshomens reddit

  31. Juliana says:

    Olha aí Izzy, o menino desabafou no facebook:

    https://www.facebook.com/lelenamarcondes/posts/1577277919188237

  32. Yasmin says:

    Oi Izzy, sou lésbica e me considero feminista.
    Não faço parte de nenhum movimento e tenho hobbies que podem ser considerados “coxinha” e machistas.
    Já passei por situações desagradáveis tanto por ser mher, quanto por ser lésbica e vou lidando como acho que devo. Incomoda, machuca, etc., mas vivo minha “liberdade” como me convém.
    Gostei muito do seu texto, e queria dizer que parte do motivo de eu nao me filiar a nenhum movimento diz respeito a essa “blindagem” de argumentos que a maioria dos movimentos usam (“somos as vítimas e por isso podemos falar o que quisermos”) e pela necessidade de fazer com que você se revolte e compre discussão a torto e a direito por qualquer coisa. Eu simplesmente não tenho energia pra isso.
    Parabéns pelo texto e até o próxim

  33. zaius Primati says:

    MEU HERÓI!!!!!!!!

  34. Vei, fazia tempo que não lia um texto completo seu e saía com a cabeça dando voltas, tanto pelo conteúdo quanto pelas explicações.

    Konami Code me causou risadas altas no trabalho, maldito seja você, Israel Nobre!

    Sobre o assunto em si, como você bem explicou, tanto existe o preconceito velado praticado pela autora, quanto tem muita cara que esse maluco realmente foi pra zoar a parada.

    Agora, ela está indignada com elX ter pego uma guria lá, mas não diz nada sobre a guria que foi pega? Ele quebrou as regras, mas a guria não? HIAUHAIHAUHIUHAHIUA

  35. Rodrigo Amado says:

    Então talvez eu, e muitos outros homens, sejamos mulheres lésbicas que nasceram em um corpo de homem…

    Bom, como a pessoas já nasce gay, ou lésbica, então minha esperança é que um dia descubram o gene gay/lésbico para que eu possa fazer um teste e descobrir se eu sou um homem hétero ou uma mulher lésbica que nasceu em um corpo de homem.

    Espero poder descobrir isso antes de morrer, essa dúvida está me matando.

  36. Marcelo pontes says:

    Foi inteligente esse jeito delas de se vitimizar.. Ao ivés de ficarmos comentando e sendo “Formadores de opinião de twitter” , usando palavras “dificeis” Seria melhor ignorar esses trouxas

  37. Jackson says:

    Izzy, você só deu uma arregada nessa parte:

    “Sabe, eu posso estar 100% errado sobre o feminismo. Sou mesmo um homem branco, privilegiado, cisgênero, hétero, e é capaz de que TODAS as reivindicações das feministas estejam moralmente corretas e que eu critico e discuto porque sou um pouquinho reacionário mesmo, por culpa dos meus privilégios.”

    Tirando isso, concordo em tudo na análise do quão bizarro e contraditório são estes movimentos de esquerda, como o feminismo. Boa parte dessas pessoas têm problemas psiquiátricos. Sem condição.

  38. Lucho says:

    O terceiro parágrafo do textão me fez abandoná-lo.

    E já que você falou do feminazismo, queria ver também você falar sobre uma outra seita retardada adepta do politicamente correto: o naziciclismo.

    • Izzy Nobre says:

      Caralho, esses são foda mesmo. Experimenta falar pra um ciclista que você acha que capacete deveria ser obrigatório.

      • Lucho says:

        Isso é o de menos. Como todo bom adepto de uma seita, quem não compartilha dos mesmos valores do naziciclismo, preferindo se deslocar a pé, de transporte público ou, o pior de todos os pecados, de carro, são condenados a arder no mármore do inferno.

        E chega que eu já desviei bastante do assunto do texto.