Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

[ Todo Dia Tem Um Textão ] “Turbante não é moda”

Postado em 16 February 2015 Escrito por Izzy Nobre 49 Comentários

Há algum tempo eu venho dizendo que a máxima “Todo Dia Tem Uma Merda” (o título do meu livro e um ditado popular que prega que ninguém escapa um dia inteiro sem alguma pedra no meio do caminho) precisa ser adaptada para a era do ativismo online. Com tanta gente “conscientizada” hoje em dia, estamos presenciando o fenômeno da proliferação dos chamados “textões de Facebook” — isso é, mini teses de conclusão de curso que almejam educar o cego e ignorante populacho sobre alguma grande injustiça ocorrendo diante de seus olhos.

E assim como Todo Dia Tem Uma Merda, está provando-se igualmente inevitável que Todo Dia Tem Um Textão.

Nesta nova coluna, proponho debater o textão du jour que circula nos nossos Facebooks.

turbant

Eu teria levado o argumento um POUCO mais a sério se a ilustração não tivesse sido feita no Paint.

O textão a seguir veio até nós por cortesia da página Mulher Negra – Voz, um grupo relativo pequeno com apenas 225 membros. Neste caso em particular, a baixa taxa de adesão do grupo não pode ser usado para argumentar que o textão vem de um núcleo marginalizado dentro do ativismo online: já vi argumentos semelhantes, senão idênticos, sendo usados pelos segmentos mais mainstream da luta virtual.

Segue o textão:

Precisamos falar sobre algo urgente – Apropriação Cultural 2!

Turbante não é moda!

O uso do turbante é bem mais que simples pano enrolado na cabeça, é resistência, é luta e consciência da nossa ancestralidade e identidade negra.

No período da escravidão o turbante era usado para diferenciar os grupos africanos, de onde vieram, não só pelo o enrolar do turbante, mas toda a vestimenta. Entre as nagôs, o ojá era amarrado com várias voltas ao redor da cabeça, usavam também para amarrar bebês na cintura, nas costas cabelos e no busto para roupa de algum orixá.

Os negros dobravam o tecido em formato triangular, com a ponta para trás, esmerava os mais belos bordados e muitas anáguas. Além disso, tinha como objetivo de proteger a filha de santo que terminava sua iniciação que normalmente estava com a cabeça raspada.

Se a Europa tem sua cota de participação no figurino dos descendentes de africanos no Brasil, também é grande a herança árabe-islâmica. “O turbante é reconhecidamente de influência mulçumana, que chegou ao Brasil provavelmente através dos escravos islamizados, durante o Ciclo da Baía do Benin no século XIX, e também pelos portugueses”, afirmam as pesquisadoras Juliana Monteiro e Luzia Gomes Ferreira.

Após esse período o uso do turbante continuou ativo, os negros usam na contemporaneidade não só como símbolo ou memoria, mas como resistência, identidade e religião (Candomblé).

Atualmente podemos notar que o turbante está bem popularizado entre nós irmãos e irmãs de cor e isso é algo que devemos comemorar e muito, pois é sinal de que cada vez mais nós estamos afirmando nossas raízes e nos colocando pra sociedade quanto negros e negras que sabem de sua história e que exigem respeito!

Que respeitem nossa cor, nossos valores, nossa cultura!

Herdamos o não calar de nossos e nossas ancestrais que nunca ficaram caladxs diante da opressão que sofreram. É motivo de felicidade nos vermos por aí, por todos os cantos com nossos turbantes pois nosso corpo todo fala, inclusive nossa cabeça, o turbante é mais uma maneira de gritar contra o racismo sistemático, estrutural e institucional que sofremos. Nosso turbante é sinal de empoderamento, de termos ciência de que não podemos em nenhum momento baixar a cabeça pra essa sociedade capitalista que nos oprime de tantas e tantas maneiras.

Até então falamos de nós usarmos nosso turbantes o que como já disse é algo de encher o coração e a alma de esperança, sinal de que a luta de nossos ancestrais não foi em vão, pois nós continuamos na resistência!

Mas é preciso lembrar que uso do turbante não é algo estético pra gente, é luta!

É extremamente ofensivo a nossa história se você, brancx usa turbante. É interessante que vocês se reconheçam quanto seres privilegiados, vocês não sofrem com o preconceito e o racismo.

É apropriação cultural quando a mídia, esta mídia Brasileira que é controlada por apenas 6 grandes famílias elitistas que disseminam racismo em todos os horários de todos os programas de sua programação e coloca diversas atrizes brancas para posarem usando turbante como se fosse algo que está na moda, precisamos democratizar essa mídia!

É apropriação cultural quando você companheira ou companheiro que é branco usa turbante e não sabe a história que ele carrega, o que ele representa pra nós e ainda por cima segue reproduzindo racismo por aí… usando uma de nossas armas contra o mesmo!

É apropriação cultural quando você brancx usa turbante, pois tudo historicamente nessa sociedade se torna mais aceito, mais bonito, tudo se torna bom…Quando é embranquecido!

E se tem uma coisa que nós não deixaremos fazer, é que embranqueçam nossa história, embranqueçam nossa coroa de reis e rainhas sem súditos. De reis e rainhas que lutam pela liberdade no seu sentido transcendente.

Quando falamos que o turbante é uma arma de combate ao racismo entendamos que aqui no Brasil é impossível falarmos de racismo sem falarmos da questão de classes e vice e versa, logo tudo que trazemos é com o recorte de classe pois para nós negrxs pobres é mais difícil ainda lutarmos e exigirmos nossos direitos, e incomodamos muito quando estamos assim: EMPODERADXS.

Queríamos incomodar apenas aos nossos inimigos, mas infelizmente incomodamos também até mesmo os companheiros de militância que não entendem nossas armas de combate, que acabam reproduzindo falas e atitudes racistas…que acabam negligenciando o debate daquela coisa que vai nos matando, nos anulando, nos inferiorizado diariamente de diversas maneiras, essa coisa é a apropriação cultural!

Então dizemos a todas e todos em um papo bem direto e afim de despertar a elevação de consciência que o debate de apropriação cultural é tão urgente quanto o debate de classes (inclusive, os debates devem se entrelaçar e não serem segregados), quanto o debate de genocídio de nossa juventude… precisamos explanar e denunciar toda e qualquer forma de racismo.

Por fim companheiras e companheiros, a apropriação cultural começa quando sua desconstrução do racismo é feita apenas em falas nos espaços, plenárias e etc, entendamos que a apropriação cultural é uma das maneiras do racismo matar nossa identidade ‘’silenciosamente’’, logo PRECISAMOS falar e combater a apropriação cultural!

Por: Amanda Maia S, Jaqueline Santos, Lu Mota e Rebeca Azevedo, mulheres negras na luta pela emancipação humana e transformação da sociedade!

Vamos lá.

Antes de mais nada, eu preciso deixar claro que sou fundamentalmente contra a idéia de “apropriação cultural” conforme definida por alguns ativistas. A lógica é que usar um adereço étnico sem pertencer àquela etnia, ou sem compreender, reconhecer e apoiar suas lutas, significa um indiscutível desrespeito para com a herança histórica de um grupo ofendido e tal.

Os ativistas geralmente não elaboram o que exatamente seria o “compreender, reconhecer e apoiar suas lutas” que te daria passe livre a usar o turbante, no caso. Uma carteirinha emitida por alguma autoridade ativista, com os devidos carimbos em dia…? Talvez por essa impossibilidade de fiscalização é que alguns simplificam e dizem que por mais empatia que você tenha com a causa de uma etnia, se a sua foto do perfil do Facebook não bater com o que eles esperam ver, você não pode usar o turbante e acabou. Simplifica mais as coisas, e eu certamente consigo ver elegância numa metodologia simples.

O principal problema desse conceito de “apropriação cultural” é que ele almeja objetivos indistinguíveis daqueles defendidos pelo apartheid sulafricano, pela sociedade branca do Alabama nos anos 50, pelo Ku Klux Klan, ou por movimentos de nacionalismo branco. Primeiro, ele reforça a idéia de que há “coisas de brancos” e “coisas de negros” (duas construções sociais que vão a 100km/h na direção contrária à união racial).

Como se isso não fosse o bastante, esse ativismo prega que as tais “coisas de brancos” e “coisas de negros” não se devem se misturar. Parafraseando Jesus, “dai aos negros o que é dos negros e dai aos brancos o que é dos brancos” é basicamente o que está sendo defendido nesse textão.

Eu entendo que a intenção por trás desse discurso é certamente positiva. Eu estaria sendo absurdamente leviano, e maldoso, se estivesse de fato comparando as pessoas bem-intencionadas do Mulher Negra – Voz com membros do KKK. Esse tipo de demonização do “outro lado” é um recurso retórico infelizmente muito comum, e você não verá isso aqui.

Acontece que eu sou, acima de tudo, um pragmático. Suas intenções não são mais importantes que os seus resultados; e quando os resultados que você almeja se alinham com os de racistas declarados, talvez seja questão de perguntar a si mesmo: é isso mesmo que queremos alcançar? Algo que faria um neonazista dizer “É isso aí! Vamos parar com esse negócio de arianos usando itens étnicos africanos!

Eu não estou dizendo que sua luta é inválida. Eu não estou dizendo que eu, um homem branco cis hétero, entendo mais da sua própria cultura do que você, ou que estou em posição de te dizer o que deve ou não deve te ofender. Eu certamente não estou dizendo que “hahah foda-se vou usar turbante só pra provocar então“. O que eu estou dizendo é que o que você defende como ideias de respeito racial serve mais pra nos separar, do que pra nos unir.

Há um motivo pelo qual grandes personalidades dos movimentos de direitos negros (Matin Luther King Jr, Malcolm X, Rosa Parks, entre outros) não estavam se preocupando em definir o que é apropriado para brancos e o que é apropriado para negros; muito pelo contrário.

rosa parks

Ela rejeitou TANTO a idéia de “coisa pra brancos” e “coisa pra negros” que estava disposta a ser presa por isso

Karl Marx famosamente disse que “o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções“. Isso significa que a melhor das intenções, por si só, não abona completamente um gesto ou uma ideologia — os resultados que ela causa são igualmente ou mais importante que as intenções. E o que estou questionando aqui não é a sua intenção, ativista negro contra a apropriação cultural, mas sim seus possíveis resultados.

Vou dar um exemplo prático. Eis um tópico do infame fórum racista Stormfront que debate se brancos deveriam ou não usar dreadlocks. Existem, como você pode imaginar, ativistas que se posicionam contra brancos usando dreadlocks. As intenções de ativistas são inequivocadamente mais benéficas, mas quando o resultado bate perfeitamente com o que turma do Stormfront também quer…

Se você conseguiu chegar até aqui controlando a vontade de pular pros comentários e dizer “mas você é branco e por isso não pode opinar”, eis a opinião de um negro sobre o assunto.

(Spoiler: eu e ele temos exatamente a mesma opinião)

É possível que você se sinta tentado(a) a dizer “mas você é homem branco hétero cis, é CLARO que vai chiar contra a tentativa de empoderamento de uma mulher negra oprimida”. Eu entendo o que você quer dizer, mas eu preciso te explicar que não é só porque eu nasci com um cromossomo Y que meu sangue está saturado de reacionalina. Pra que você entenda um pouco sobre mim (e não me ataque imediatamente por causa da minha cor, orientação sexual ou identidade de gênero), talvez seja necessário te dar um pouco de backstory.

Eu nasci em um lar cristão. Desde os meus 5 ou 6 anos de idade, eu frequentei escolas cristãs com foco declarado em ensino religioso. Uma dessas escolas se chamava literalmente COLÉGIO EVANGÉLICO, em Fortaleza. Aqui estou eu, com 6 anos, usando o uniforme do tal colégio:

Photo 2015-02-16, 11 13 09 AM

A foto é meio borrada como quase todas as fotos daquela época (autofoco dos smartphones me deixaram muito mal acostumado…), mas repare a imagem na minha camiseta. Um bonequinho sendo tocado pelo “fogo do Espírito Santo” (um simbolismo clássico na cultura evangélica), diante de uma bíblia.

Essa era a minha realidade. Lia a bíblia em casa, na escola, na igreja (que eu, na adolescência, frequentava 3 vezes por semana). Orava constantemente, participava de eventos cristãos como retiros espirituais e confraternizações da igreja. Me rodeava apenas com pessoas que acreditavam no mesmo que eu. Toda a minha família acreditava no mesmo que eu.

Só que eu comecei um dia a não aceitar tudo aquilo. Os argumentos que eu ouvia não me convenciam, eu não me sentia mais tão à vontade naquele sistema de crença. Mesmo sabendo que a sentença para o questionamento da fé era literalmente a pior punição imaginável — uma eternidade no inferno do lado de Hitler e dessa galera que ouve funk no ônibus sem fone de ouvido — eu fui completamente incapaz de aceitar aquilo que me diziam pra aceitar porque “é o lado certo e pronto“.

Agora que você sabe um pouco melhor sobre quem eu sou, o que eu peço é que não desconsidere imediatemente o meu argumento com um “ahhhh, claro que ele não quer nos ouvir, ele é um homem branco cis hétero, ele jamais abriria mão de seus privilégios, ele é um reaça“. Essa é uma análise de MUITA má vontade para com alguém que você mal conhece.

Eu questiono porque é da minha natureza questionar, mesmo quando a punição para isso é severíssima; mesmo quando literalmente todo o pequeno universo ao meu redor (família, amigos, escola, igreja, líderes religiosos, namorada) estão me dizendo com plena convicção que X é o caminho correto e que eu sou uma pessoa má por discutir isso.

Nem AQUILO, uma pressão inimaginavelmente maior pra aceitar um ponto de vista/ideologia/sistema de crença, foi capaz de me manter calado e conivente e aceitar algo no qual eu não acreditava.

Não é então um um grupo de Facebook com 225 membros que vai conseguir.

Ah, e quase esqueço: o turbante sequer veio da África então todo o ponto do textão meio que vai por água abaixo.

E que fique claro: adoção de características raciais pra fins de paródia ou zuera (blackface e similares) são inegavelmente negativos, mesmo considerando que blackface não teve o mesmo histórico no Brasil que, digamos, nos EUA. Usar um turbante por gostar do visual, por outro lado, não é a mesma coisa que um branco pintar o rosto de tinta preta, colocar batom exagerado pra realçar os lábios, pra poder fazer o papel de negro em tom vexatório num palco em que um real negro não tinha o direito de subir.

E finalmente: se você, ativista negro(a), se incomoda com apropriação cultural E quer me oferecer seus um argumento melhor, sinta-se a vontade pra usar os comentários abaixo. Eu garanto a você que no espaço abaixo você não vai ser escrotizado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", e moro no Canadá há 13 anos. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

49 Comentários \o/

  1. Clara Gomes says:

    Acho que todo debate feito com respeito e bom senso ajuda a diminuir os efeitos nocivos do racismo. Entendo os argumentos da militância negra citada, mas concordo que a utilização e popularização do turbante é algo lindo e eu (branca, cis e crespa) adoro. Me interessa o adereço e a história, que busco conhecer sempre que possível. Se a “fiscalização da apropriação cultural” apertar, vamos acabar sem poder comer feijoada, ouvir samba ou frequentar a umbanda.

  2. Gregório Melo says:

    Acho que o maior problema é como retratam os valores negros. Perceba que na propaganda só estão presentes modelos brancas, assim como naquela peça publicitária da Farm (grife carioca), que usava ‘estampas étnicas’, porem só estavam ali modelo brancas.
    Também fico com certas dúvidas quanto a apropriação cultural, creio que é bom levar em consideração o que os movimentos negros falam, afinal, eles têm mais ‘propriedade’ (não que a opinião deles seja a ‘correta’, se é que isso existe, mas se eu moro no Brasil eu tenho mais propriedade pra falar daqui que alguém que nunca pisou aqui).
    De qualquer forma, parabéns por ampliar as discussões do teu blog, Izzy!

  3. Silva says:

    Você parece uma pessoa legal então acho que vou tentar descrever bem isso. Bom, não estou defendendo o coletivo negro, mas entendo alguns pontos dele que talvez vc nao possa ver claramente (até porque vc é homem, branco, etc etc.., não quero entrar nesse mérito). O texto defende que brancos nao podem usar turbantes por dois motivos principais : não sabem o que significa e porque o “embranquecimento” de algo culturalmente negro seria ruim.
    Pense num turbante como algo cheio de significado, como um emblema de um partido, por exemplo, quando voce usa esse emblema você assume que as ideologias daquele partido também são as suas (mesmo que nem todas elas sejam). Por isso, para se usar algo assim deve-se saber o significado antes (Imagina alguém usando uma suástica só porque achou bonita!). Não estou dizendo que as situações são as mesmas, mas que quando algo é muito significante, deve-se ser razoálvel e saber sobre, até por que pode ser um desrespeito usa-lo de uma certa forma e tal.
    Já quanto a questao do embranquecimento, ela não é tipo: “branco usou ficou ruim”, ela tem raízes muito mais profundas. Culturalmente (herança da escravidao), as pessoas vêem “coisas de braco” como algo bom e “coisas de negro” como algo ruim (são exemplos algumas expressões, como “serviço de preto”). O que o coletivo fala é de usar o turbante (que é uma “coisa de negro”, ou seja que teria um peso negativo), como algo a ser exibido e digno de orgulho (o que inverteria essa lógica). Mas quando bracos usam, ele se torna bonito por se tornar “coisa de branco”, entendeu? Deixa de ser algo de negro e perde o significado de resistência (segundo o coletivo).
    Perceba que não dei minha opiniao, apenas falei sobre alguns pontos que precisavam ficar mais claros.

    • Izzy Nobre says:

      O que você tem a responder em relação ao fato de que o turbante não é originário da África?

      • Silva says:

        Não sei a opinião do coletivo quanto a isso, mas minha é que independente de ser originário da África ou não, ele ganhou um significado e se tornou parte da cultura negra. Por isso deve ser respeitado também como tal.

        • Silva says:

          Além disso, se você defende que por não ser originário da áfrica eles não poderiam dizer que um grupo de outro lugar não poderia usar, você está novamente simplificando muito as coisas. Como eu disse, tem haver com o significado, com o que aquilo representa. E representa muito pros negros. Vou voltar nesse exemplo, só porque vivemos no Brasil não significa se usarmos a suástica isso vai ser só um enfeite (ela ainda vai ter toda sua significância).

        • André says:

          O problema é que sua opinião é irrelevante para a Antropologia. Não foram os habitantes da África que criaram a “moda” de usar turbantes, pelo contrário. Eles absorveram o costume de outros povos. Sendo assim – e seguindo a premissa estúpida de “apropriação cultural”, escarnecida por qualquer um que estude Antropologia – foram os africanos que roubaram a cultura alheia. Ponto. Se você se ofende com isso ou não é totalmente irrelevante para as sociedades. É apenas piti.

          Sabe as alianças de noivado/casamento? Sabe por que se grava o nome do cônjuge? Porque era um símbolo de escravidão. O escravo usava um anel com o nome do seu senhor gravado. Sabe aquele kibe? A pizza? o hábito de se maquiar, de adornar o corpo com brincos, piercings, tatuagens etc? Pois é. Tudo copiado de diversas culturas e é isso que enriquece outras culturas. Roma não absorvia os costumes dos povos conquistados porque não tinha uma própria. Alexandre da Macedônia já sabia que isso angariava estabilidade social. Por isso os portugueses passaram a adicionar culinária escravo (oiê, feijoada!) em sua dieta, assim como escravos passaram a usar culinária europeia. Fique perto de um grupo social e você começará a falar como eles, se vestir coo eles etc. Ciências de comportamento explicam isso de forma que você seja melhor aceito no grupo. Simples assim. “Mimimi apropriação cultural” é alegação de pessoas iletradas.

          • Cyber Woo says:

            Carai, André, você executou um Brutality! ^^

          • Joel Martins says:

            Chorei aqui!

          • Katia says:

            Perfeito, André. Quando se diz que o uso do turbante tem um significado, um único significado, de resistência negra, se desconsidera que diversos povos ainda hoje (inclusive no Brasil) também usam turbante mas com outros significados. Hindus, muçulmanos,judeus, etc, também têm seus turbantes e eles não são necessariamente negros . Ao longo da nossa história o turbante já adquiriu outros significados também (assim como muita coisa ao longo da história muda e adquire novos significados). Já foi moda entre as moças brancas do Rio de Janeiro no início do século XIX. Quando a família real veio para Brasil, enfrentou um bocado de dificuldades dentro do navio, inclusive uma infestação de piolhos. Isso fez com que todos raspassem a cabeça e usassem turbantes. Quando os nobres foram vistos de turbante, os brasileiros acharam que aquilo fosse moda e passaram a usar também, rs. Eu entendo que com a luta contra o racismo, o movimento negro crie simbolos de união, identificação, resistência, etc, mas o turbante não é um símbolo como a suástica que, apesar de ter sido apropriado de outra cultura, tem hoje um único significado: nazismo. O turbante tem hoje multiplos usos e significados, inclusive esse de identidade e resistência. Por isso não dá pra dizer que o uso de um turbante por um branco é uma apropriação indevida de um simbolo de resistência exclusivamente negro. Nem que é um desrespeito aos símbolos de outra cultura… é complicado isso, mas já pensou se os indianos resolvessem acusar a friboi de desrespeito à sua cultura porque ela mata e vende seu maior símbolo sagrado? Se a intenção não é o desrespeito, não cabe essa acusação. E neste mundo de indústria de massa, onde tudo é mercadoria, é impossível evitar o efeito Che Guevara. E daí que o cara é um simbolo da luta contra o capitalismo? Virou icone pop da indústria e já rendeu muito lucro por aí mesmo assim. Então, corre o risco de o turbante virar acessório logo logo. Aliás, já vi alguns á venda numa lojinha indiana. Outra coisa: o termo “apropriação cultural” é sempre usado de forma negativa, ao que me parece. O que é bastante bizarro porque quase tudo que usamos ou fazemos é apropriado de outra cultura, como fazer a barba, comer pão, escrever, dormir numa cama, enfim… Resumindo: tentar combater o uso do turbante por não-negros é tempo perdido. Ai… e é estúpido, também, né? Agora cor de pele define o que eu posso usar ou não?

          • Flavia says:

            Fatality!!!!

        • Rodrigo Amado says:

          Os muçulmanos usam turbantes até hoje.

          Como vocês sabem se a pessoa que está usando um turbante está copiando os africanos ou os muçulmanos?

        • Marcelo says:

          Ah, mas então podemos dizer que os povos de origem negra se apropriaram culturalmente do turbante, visto que não foram eles que inventaram seu uso, e pior, distorceram seu significado, já que para os negros o turbante tem um significado diferente do que tinha para os persas… muita falta de respeito com a cultura alheia, não acha?

      • cesar says:

        mas o chifre da áfrica é pertencente à áfrica negra

  4. Pia says:

    E caso não fique bem claro, é por isso que adicionam “nazi” ao nome do movimento. Ficam cagando regras cheias de moralismo conservador. Imposição de ideologia fascista e segregação daqueles que não fazem parte do grupo. Muito similar às seitas.
    Pudera cagarem tanta regra, só tem merda na cabeça esses comedores de merda.
    #ignore #fascista

  5. Thiago Martins says:

    Sei que eu não sei tudo, não conheço as lutas e dificuldades que essas pessoas passam e mimimimimi (x10000000) mas a maneira como alguns encaram essa questão, na minha opinião, é tipo quando sua namorada ta de tpm e reclamando de algo, ela não quer que você resolva, nem quer uma solução. Ela só quer que você a escute reclamar, porque sim…

  6. Eduardo says:

    Cara, no texto a pessoa se diz favorável à “democratização da mídia”… Ela não tem vergonha na cara de bostejar essas merdas… Não dá pra dar bola pra esse tipo de gente. Sem contar os amigx… Não dá pra ter respeito, o jeito é fingir que não leu isso é pronto.

  7. Bruno says:

    A lógica do textão é aplicável à sentença “negros não podem comer nenhuma fruta européia por não ser culturalmente negra” ou “O café deveria ser proibido no mundo pós se popularizou através da escravidão negra”

  8. André says:

    Isso pra mim é racismo ! so que feito ao contrario , mesmo assim continua racismo… o que costumamos ver por ai é descriminação de Branco com o Negro , porem quando ocorre o contrario todos fazem vista grossa ,pura hipocrizia… se eu fosse namorar uma menina Negra e o pai não deixasse porque sou Branco ele estaria praticando crime de Racismo ! …nem preciso dizer mais nada… enquanto a questão cultural , elas não podem se apossar de um determinado estilo ou meio de uso de algo tão simples como isso… duvido que as mulheres ao redor do mundo sejam presas ou tenham que arcar com consequencias por causa disso… alias digo que nem 20% delas deve sequer ter cohecimento dessa questão…

  9. Charlie Wolfgang says:

    Pessoas assim deveriam ser jogadas num buraco junto com os brancos racistas. Tudo da mesma laia. Décadas e décadas de luta contra a porra da segregação e essas pragas vem soltar uma pérola dessas. Negras RACISTAS! Acho que se eu fosse branco, eu teria virados racista também assim que li esse texto.

  10. bianca says:

    Se nós pessoas brancas falarmos que os negros não podem usar terno pois é da cultura deles usar roupas simples pois foram escravos e nós brancos como nunca fomos é da nossa cultura termos cargos mas elevados.
    Será considerado racismo pois temos até o presidente dos USA negro e tal.
    Se a gente branca não pode proibir nenhum negro de suar qualquer coisa é racismo, porque eles podem falar que nós brancos não podemos usar determinada coisa não é?

    Na boa acho completamente errado este tipo de raciocínio, negros querem direitos iguais por terem sofrido anos atras e tudo mais, e são racistas em vários outros lados..

  11. André Henrique says:

    Racismo de brancos contra negros não pode, mas o contrário pode, vai entender.

  12. André says:

    Caralho, Kid, tu ia pra escola de mala.

  13. Maria Lucia Martins says:

    Izzy, Izzy…

    O politicamente correto tem que ser espancado ate’ a morte, destruido. Tem q sair no pau e fazer acabar em cinzas…

    Tá uma coisa medonha isso já… Abaixa a cabeça não mah.. Eles tem q ser enfrentados, confrontados.
    Tá uma vergonha isso de todos se prostarem perante eles para não serem perseguidos por seus “movimentos sociais”… Vamos mah, nem no Brasil tu tá, tenha medo não, aí os esquerdistas não te pegam, nã. Pode escrever menino, bó fi!

    Tome Ben Carson na veia mah, fi de rapariga! kkkk

    E ó, quer a voz de um negro q não ganha verba do ministério da cultura? Então tome:
    🙂
    https://www.facebook.com/pages/Fernando-Holiday/1563878917183602

    Um chero!

  14. Rachel Montoni says:

    Ô infeliz, vc sabe do foro de sp, unasur, alianças de países latinos com o irã por exemplo, china, rússia e tantas e tantas outras ações políticas?

    Sacas do sonho desses infelizes bolivarianos de formar a Grande Pátria, q eles acham q falam e ninguém entende? Já viu tweets deles falando disso, e discursos?

    Sabes, sabes o q é a grande pátria já mencionada pela christina e pelo nicolás e em tantas reuniões do foro de são paulo e em suas atas?

    Não né?

    Começa por aqui então, só pra ir tendo uma idéia do Olavo, macho arrombado!

    https://www.youtube.com/watch?v=YoApKNuOQ1A

    Você acha q o cara foi convidado pelo governo dos EUA para morar no país só por zuera? hahahaha Sabe de nada inocente!

    Fi de quega, larga de repetir discurso de revoltados de twitter e youtube! Essas porras falam e falam e nunca, NUNCA, fizeram uma crítica séria ao Olavo! Ninguém nunca fez nenhum crítica séria a suas obras! Ninguém! Só sabem xingar no twitter e chamar o cara de veio doido no youtube pq vcs são todos ateus e o Olavo é religioso! Esse é o problema, vcs não respeitam nenhum religioso, vcs se acham os iluminados por serem ateus e não sabem separar a parte religioso do discurso de ninguém da mensagem que se quer passar! Isso é coisa da atea e seus similares (sou ateu tbm e odeio o ativismo desse tipo), coisa de infantis!
    Pergunta lá pro seu amigo Pirulla cadê a crítica dele, ou pergunta pra qualquer outro. Eles não fazem pq não possuem capacidade, aí só sbem ficar de “zuera” com o q o Olavo disse em umas conversas informais. Queria ver se os vídeos de vcs todos fossem todos sem edição! O Pirulla mesmo editando ainda faz retratação de seus vídeos.
    Virem homens machos! Ora Porra.

  15. Rodrigo says:

    Izzy, é bem simples o argumento:

    Apropriação cultural é quando um negro sofre preconceito por usar algo e é bonito na pessoa branca.

    Exemplo dos dreads… É bonito nas pessoas brancas, mas nas pessoas negras de dreads não

  16. Wesly Rocha says:

    Acho engraçado o Izzy abordando assuntos polêmicos tentando não gerar tretas, principalmente depois de ver que ele falha miseravelmente! uashuahsuahs

    Eu particularmente cansei de tentar utilizar esses argumentos do post em debates desse tipo, pois existe uma má vontade extrema desses movimentos para entender os argumentos, para esse tipo de movimento só existe blá-blá-blá consciência negra, blá-blá-blá elite branca, burguesa e opressora, entre outras palavras de ordem que não servem para nada, a não ser aumentar a segregação, ao invés de gerar integração. Num país altamente miscigenado como o nosso, esses debates transformam tudo isso em algo mais parecido com desculpa para brigar, do que para solucionar problemas, pois tratam o assunto no ponto de vista opressor/oprimido, tratando o “branco” do século 21 culpado por um crime cometido pelo branco do século 19, sob o pretexto da suposta culpa histórica e que por isso o “branco” não pode utilizar apetrechos tipicos do “negro”. Seguindo esse pensamento da culpa histórica é perfeitamente aceitável prender o filho, por um crime cometido pelo pai, pois ele adquire culpa histórica.

  17. Halysson says:

    Faz mimimi sobre apropriação cultural, mas comemora o Natal, POZER!

  18. so comunicando kk says:

    e é claro q eles iriam tirar o nome dela da lista…

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Brasil sil sil sil sil! PenTa!

    é Kid tá foda, tá tudo no bonde, só o PMDB é q pode nos salvar…

    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-so-pode-ser-investigada-apos-fim-do-mandato-dizem-juristas/

    Vamos ver se o PMDB coloca o Michel no lugar dela, né…

    http://www.criticapolitica.org/2015/03/sai-lista-de-janot-pt-da-golpe-juridico.html

    (libera o comentário não, vlw)

  19. so comunicando kk says:

    da mesma série de: (libera o comentário não, vlw) do torrent e tal…

    chola https://www.facebook.com/panelinhadadireta/posts/630002867144936

    e divirta-se: https://www.facebook.com/bolsonarozuero3.0

  20. Martius says:

    Bem interessante o texto. Parabéns

  21. Josue says:

    Izzy, só trocar o turbante por algum símbolo que tenha algum significado cultural forte. Tipo a cruz. Imagina em alguma cultura oriental virar modinha usar a cruz. Virar modinha usar a cruz na frente e no verso de sunga branca. Você acha que praqueles que a cruz significa algo vai ficar tudo bem? Que não vai ter nego falando que não pode usar a cruz na sunga branca frente e verso? É a mesma coisa

  22. Josue says:

    Pensei num outro exemplo: o cara da coréia do Norte acha o símbolo da nike bonito. Manda todo mundo usar. Vira modinha. A nike está certa de reclamar??

  23. Josue says:

    Uns aliens vem a terra e vem os símbolos de feminino e masculino nas portas dos banheiros. Acham bonito e começam a colocar um hominho e a mulherzibha em cada duas portas próximas, não necessariamente banheiros. Você vai lá e tem placa de banheiro em porta de elevador, quartos de hotel que são um do lado do outro, portas do carro, virou modinha. Você pode avisar os aliens que estão fazendo errado porque aqueles símbolos são importante na terra ou tem que ficar quieto?

  24. Josue says:

    Você escrotizou o argumento (falou que não ia na ultima frase) e não respondeu o que eles perguntaram. Por que são tão terríveis?

    • Izzy Nobre says:

      Porque são absolutamente sem sentido. Um por um:

      -- A cruz. A cruz não é um símbolo exclusivo de nenhuma cultura específica então não faz sentido tomar posse do significado dela: https://en.wikipedia.org/wiki/Cross

      -- O da Nike. Primeiro que o símbolo da Nike é uma marca registrada então os mecanismos por trás do ímpeto de impedir seu uso impróprio não tem qualquer comparação com o contexto de uma vestimenta que existe em inúmeras culturas diferentes e cuja posse não é detida por ninguém. Em segundo lugar, ninguém está OBRIGANDO ninguém a sair usando turbante por aí, como você postulou no exemplo da Nike, então essa comparação falha duplamente.

      -- O dos alienígenas. Se ignorarmos o fato que é uma viagem absurda que beira o ridículo, no seu exemplo alienígenas estariam vendo X e achando que isso significa na realidade Y — pensam que é apenas decorativo quando na real passa uma mensagem prática. Não haveria nada de errado em, no interesse de melhor compreendimento entre as civilizações, oferecer aos alienígenas o significado que o símbolo tem para nós.

      Só que no caso dos turbantes, o argumento feito é que uma cultura não pode usa-los, porque não pertence a eles. Então a sua analogia, pra ser mais apropriada, teria que ser “aí nós fomos lá nos alienígenas e dissemos que eles não tem direito de usar nossas imagens estilizada porque é ofensivo para nós!”, o que é um disparate tão sem sentido que eu chego a pensar que você está me trollando, e é daí que vem minha falta de paciência com esses seus argumentos.

      Porque ou seus comentários são piadas explícitas cujo humor me escapa, ou você tem um parafuso a menos na cabeça, e sendo qualquer uma dessas possibilidades reais eu estou perdendo meu tempo te respondendo quando deveria estar estudando.

  25. Leon says:

    Putz, você escreveu um texto que estava no meu cérebro. O movimento negro no Brasil parece que simplesmente absorveu (muito graças a internet) a questão racial negra americana, mas muito sem entender completamente o seu contexto. Eles tratam esse contesto racial americano como se fosse o brasileiro, o que de fato não é.

    Por exemplo, Malcon X e o MLK jr. Um queria claramente a separação cultural negra, o outro, o construir uma relação de igualdade numa nova sociedade.

    Nessa polêmica do Oscar isso fica muito mais tangível: quando um gringo negro a sua opinião sobre questões raciais o contexto que ele se encontra não é o mesmo do que o nosso. Não existem igrejas só de negros no Brasil, por exemplo. Nisso que o movimento peca aqui.

  26. Ana says:

    olha, nem dá pra dar papo pra esse tipo de assunto . eu antes tentava entender , tentava ver “poxa.. pq sera q eles ficam tao magoados com isso?” dai um belo dia eu vi uma dessas revoltadas xingando nos comentarios de uma “branca cis hetero” q tinha cancer. falando que cancer n é desculpa pra apropriação cultural. namoral dps disso eu ignoro tudo que fale “apropriação cultural” pq se fosse assim eles deviam ta la procurando os feiticeiro sei la oq curandeiro ao inves de irem nos medicos da sociedade atual, pq a cultura antiga deles era essa.

  27. Quando o analfabetismo funcional cruzou o meu caminho.

    A seita da apropriação cultural, cujo seus seguidores denunciam todo e qualquer tipo de apropriação cultural, como uso de turbante, por exemplo. Uso de tatuagem ou piercing seria apropriação cultural? E brincar de ioiô ou bumerangue?

  28. Mats says:

    Pela lógica desses movimentos, negros não poderiam adotar o turbante porque seria uma apropriação Cultural do Império otomano?