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3 hábitos que se perderam para sempre

Postado em 31 March 2014 Escrito por Izzy Nobre 26 Comentários

Este ano eu faço 30 anos. Trinta anos, mano! Puta que o pariu!

Você imaginaria que lá pelos 26, 27 anos a ficha do “yep, eu também envelheço, igual literalmente todos os outros seres humanos neste planeta, e a invulnerabilidade que eu acreditava ter era senão uma cruel ilusão” já teria caído. Mas por algum motivo, chegar numa idade redondida carimba aquela noção da iminente meia idade fortemente no seu cérebro.

E é quando tu fica velho que tu começa a refletir sobre um mooooonte de hábitos que marcaram a sua juventude, e que pela exceção de arqueólogos sociais serão esquecidos para sempre por baixo das Areias do Tempo. E em vez das Areias do Tempo legais do Prince of Persia, que te salvam após você cair num buraco e ter o fígado trespassado por espinhos enferrujados, estas Areias do Tempo da Vida Real fazem apenas a sua pança e seus triglicerídios aumentarem, e sua definição capilar diminuir.

Lembra quando a gente tinha que…

Usar Discman

Eu cheguei a ter um Walkman (que assim como o avião, tem supostamente um inventor brasileiro que o mundo não celebrou suficientemente), mas tendo “apenas” 29 anos estes já eram até um pouco defasados quando eu era pivete. O esquema legal mesmo era o DISCMAN.

Só fui ter um em 2002, se não me falha a memória; um presente da minha mãe. Aliás, eu era daquelas famílias em que só se dava um presente bacana pra um dos filhos se podia-se dar um idêntico pro irmão. E assim, em 2002 (porra, 12 anos atrás, PRA ONDE FOI MINHA JUVENTUDE E MINHA CAPACIDADE CARDIOVASCULAR), eu e o meu irmão ganhamos um Discmanzinho Lyra azul-com-cinza.

Eu devo ter até uma foto daquela porra aqui. Ou no mínimo, minha mãe deve ter. Pera.

Vamo ver se ela acha a foto. Enfim.

O Discman, como literalmente toda tecnologia “sonho de consumo” daquela época, é hilariamente inferior ao que temos atualmente. A parada rivalizava o Game Gear no quesito “destrói pilhas avidamente, te obrigando a transplantar as pilhas do controle remoto”, te limitada a um único álbum, e era menos portátil do que os atuais consoles portáteis, que inclusive são frequentemente criticados pelo mal emprego do termo pra se auto-descrever.

Manja como era um rolê com o Discman:

Era como sair por aí carregando um prato no bolso.

Ir à locadora

Fiz uma pesquisa rápida no Twitter pra saber se locadoras também entraram em extinção no Brasil, como aqui. Lembro que quando mencionei isso na rede social há uns 2 ou 3 anos, me informaram que a indústria do home video baseado em lojas físicas ainda seguia firme e forte aí na ex-Terra de Santa Cruz.

Aqui, as locadoras começaram a agonizar lá por 2009, acho. Elas foram fechando em efeito dominó, uma atrás da outra, até que DE REPENTE todas se foram. A gente acompanhou no começo, com um “ué, tão fechando tudo, né? Meh” até que um dia olhamos em volta e já era. E todo o hábito relacionado — o esquema de passear pela loja, procurando um bom filme pra ver numa tarde de sábado — morreu.

O sinistro é que os prédios em que elas existiam, agora como cadáveres desabitados pela a “alma” do estabelecimento que ali jaz, ficaram igual o defunto dessa analogia — ninguém quer chegar perto, como se fossem tabus ou amaldiçoados/assombrados. Tinha uma Rogers Video (a minha operadora de celular é ao mesmo tempo prestadora de TV a Cabo e rede de locadoras. No caso deste último, ERA) perto de onde eu morava que fechou há uns três anos e até hoje nenhum outro comércio ocupa o prédio, e o mesmo acontece com os restos mortais das Blockbusters da minha região. Como se fosse um ambiente amaldiçoado pela morte prematura de um modelo de negóçios moribundo!

É foda, porque eu tenho uma longa relação com locadoras. Meu pai, tecnófilo inveterado e early adopter de quase tudo, foi um dos primeiros da sua galera a comprar um videocassete, e por isso cresci alugando filmes em VHS. Sinto falta do hábito de ir à locadora escolher um filme, ou pelo menos ALEGO sentir falta quando penso na morte desse business model, porque pensando bem meeeeesmo… anos antes da sua morte, eu já não frequentava mais locadoras tanto assim.

E talvez isso seja parte do problema. Talvez é por isso mesmo que elas morreram: porque apesar de quase todos suspirarmos nostalgicamente pelas lembranças das locadoras, não estávamos mais contribuindo tanto assim pro seu funcionamento. Malditos torrents!

E gostaria de registrar o descontentamento com a minha mãe, que até agora não achou a foto do meu antigo Discman. E isso é um efeito colateral do fato de que antigamente, a gente tinha que…

Tirar fotos físicas

filme

Lembro quando as câmeras digitais surgiram. A minha PRIMEIRA reação foi “ah, legal, uma foto na tela do computador. Como vou mostrar essa foto pros meus amigos…?” É um pensamento curioso, porque já existia email, instant messengers e tudo; é realmente um testamento do fato de que o hábito de trocar fotos (alguns diriam “de expôr nossa intimidades/trivialidades exageradamente), que é possível há MUITOS anos, só veio se tornar um fenômeno cultural de fato com o advento das redes sociais.

E mais curioso ainda é perceber que aquele paradigma mudou totalmente. Em 2002, quando meu pai comprou aquela sua primeira câmera digital (movido pela tecnofilia/early adoptismo das quais que sofreu), a câmera era nada além de um brinquedo, uma curiosidade, um “gimmick”, porque produzia fotos que eu não podia levar pra mostrar pros amigos da escola ou algo assim.

Legal — eu pensava — são fotos reveladas! Essas eu posso montar num álbum que capturará perfeitamente aquela viagem pro interior, pra eu poder então mostrar pra colegas de trabalho desinteressdos eOPA, minha mãe respondeu!

Ok mãe, não era essa mas tá valendo

Hoje, como eu ia dizendo, é totalmente o contrário. Uma câmera de filme só tem desvantagem. Primeiro, exige a sacal tarefa de ir em algum lugar revelar o filme por meio de algum processo químico que não é bom pro meio ambiente (eles nunca são. Nem um singelo peido tem pegada ecológica neutra, eu aposto, ainda mais se for peido de feijão! Esses são tensos).

Segundo, porque daquelas 36 poses do seu filme Kodak, 3 eram desfocadas, 2 tinham um dedão na frente da câmera (ou talvez era um pênis, aquela viagem pro interior foi LOUCA mano), 4 queimavam e em todas as outras a turma parecia coelhos da páscoa, tamanha era a vermelhidão nos olhos de todo mundo. Novamente, não sei se o flash é principal culpado deste artefato fotográfico, porque viagens pro interior né mano… São loucas, conforme supracitado.

Além de todas essas desvantagens, fizemos o caminho inverso no que diz respeito ao compartilhamento das fotos. Outrora, o útil era um álbum de fotos na mão pra levar pra galera. Hoje, isso seria um fardo — ter que escanear as fotos uma por uma ou, mais comumente, tirar fotos desfocadas pra jogar no Insta com algum filtro sem sentido.

Foi uma total inversão daquele hábito. Nem sei se sinto falta do método antigo, pra ser sincero.

Que outros hábitos ficaram pra trás sob as Areias do Tempo?

[ Update ] Achei uma outra foto em que os tais Discman aparecem!

computador

Esse era meu quarto quando eu morava no Brasil, em 2002. Repare no gabinete aberto do PC, pra ajudar a ventilação.

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comments

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

26 Comentários \o/

  1. Lucky says:

    O mouse não funciona direito? Antes de tudo vamos limpar a bolinha.

  2. Dani says:

    To morando em Toronto e, por mais estranho que pareça, tenho visto algumas pessoas usando discman. Devem ser algum tipo doido de hipster-retrô, com um discman numa mão e um IPhone na outra.

  3. Skooter says:

    Os fliperamas também morreram. Hoje estão apenas em salões para festas de crianças, e as máquinas ainda são as mesmas da minha adolescência. E praticamente só restaram as que tem cabines especiais ou algum outro tipo de apelo pra molecada.

    • vicente gabriel says:

      cara. os fliperamas já estao morrendo até no japão. NO JAPÃO. TÁ LIGADO. isso é equivalente a brasileiro parar de comer feijao ou fazer gambiarra

  4. Carlos Andrade says:

    Ainda tenho um walkman Sony (década de 90) de fita cassete e uso disquete de 3 1/2 e 5 1/4 no MSX 🙂

  5. André says:

    Eu gostava de ir a locadora e escolher filmes random, só pela capa e pelo o que tinha escrito atras.

    E tb pra alugar Mega Drive, depois N64, depois GC… Depois morram as locadoras.

  6. Vinícius Martarello says:

    Discman é triste, e eu ainda vou na locadora pra alugar Blu-Ray

  7. Renato says:

    Soprar cartucho de video-game quando o jogo não pegava.

  8. Bruno Guedes says:

    Lembrar telefones e endereços de cor. Mais telefones que endereços, mas enfim. Acho que antigamente mesmo tendo uma agenda de telefone o ato de discar o número era uma prática que aos poucos ia causando a memorização. Hoje em dia nem precisamos discar o númeor mais, só escolher o contato e mandar o celular fazer a ligação, nem sequer é preciso olha o número mais.

  9. MatheusKS says:

    Eu tenho uma câmera de filme ainda. Só que ela tem um rolo de filme com umas fotos, e elas já estão há anos dentro, já devem ter estragado.
    E ela tem um design bonito. Foi uma das últimas câmeras de filme (uma Yashica, comprada provavelmente em 2003). E tenho centenas de fotos guardadas numa gaveta.

    E Izzy, você se esqueceu das fitas cassetes.

  10. Dan Medeiros says:

    Um hábito que ninguém tem mais, até por causa do advento dos celulares, é telefonar utilizando telefones públicos (ou orelhão).

    Engraçado que ainda têm pelas ruas, mas na grande maioria nem funcionam.

  11. Fábio Alves Corrêa says:

    Consultar a enciclopédia (Barsa, Britânica, etc).
    Usar o “orelhão” (alguns pouquíssimos ainda usam os que ainda funcionam).
    Usar disquetes.
    Usar máquina de escrever (essa foi esticada, mas na minha infância eu já usei para redigir trabalhos escolares) (não, não sou octagenário, tenho 29 anos também Izzy).

  12. Jonathan Fraires says:

    Izzy, toda vez que leio ou escuto alguém falando da extinção das locadoras de filmes me sinto bem estranho. Moro em uma cidade no interior da Bahia, mas é um cidade bem grande por ser interior. Aqui a cultura de locar filmes em locadoras é bem forte ainda. Final de semana, tipo sexta a noite, se você passar em frente à uma locadora, com certeza ela vai estar lotada. Eu mesmo, todo sábado ainda vou à locadora perto da minha casa para conversar com a dona de lá para saber o que chegou de novidade e locar os filmes que eu quero. Isso quando não é ela me ligando pra avisar que chegou o filme que eu queria.

    Enfim, acho que sou um privilegiado por isso. Gosto muito mesmo. Saio com minha noiva, escolhemos o filme juntos e assistimos. Sem contar a maratona de séries com os amigos. E o preço é ótimo.

    Abraços Izzy. Parabéns!

  13. Olá Izzy.. Sobre esse assunto, tem uma coisa interessante q aconteceu comigo.. Tenho 9 sobrinhos, sendo que apenas alguns moram perto de mim.. Sendo mais específico, um deles recebeu por encomenda um CD player da mãe, desculpa, esqueci de comentar as idades deles, dos que estavam presentes nesse momento, Matheus de 14 anos, Virginia de 14 anos e Giovana de 12 anos.. Matheus tirou o CD player da mala e ficou olhando com uma expressão de “WTF”, isso chamou a atenção das suas primas que também ficaram olhando aquilo, e eu de curioso olhando de longe, quando ele olhou pra mim, gesticulou com o objeto na mão e perguntou: “O que é isso??” Olhei e comecei a explicar que antigamente não existia MP3 Player e comprávamos CDs das bandas que mais gostamos de ouvir, colocava o CD dentro, mostrei onde colocava o foninho, e ouvíamos músicas.. Isso veio acompanhado de olhares entre os três, e logo Virginia soltou um comentário inesperado “Que estranho!!” Me senti um E.T. velho.. kkkkkkkkkkkkkk.. Gosto muito do seu canal, espero em breve ser seu patrão também.. Continue com o ótimo trabalho.. E obrigado por deixar eu compartilhar essa pequena história um tanto engraçada com você.. Abraço..

  14. Ulisses says:

    Izzy,seu texto me lembrou do meu Walkman CCE.As 2 duas pilhas dele dava pra ouvir uma fita cassete inteira(os dois lados) e depois só sobrava carga para o FM,he he he.Também tive um Discman da Sony,embora antiquado e comedor de pilhas,o som era muito bom.Diga-se melhor que o MP3 de hoje,que é um formato que não alcança o poder do CD.Não sei se vc lembra Izzy,mas os primeiros CD Players eram do tamanho de um videocassete.
    Abraço Izzy!

  15. Sabe, tenho 17 anos, completo 18 em poucos meses, e eu vivenciei tudo isso.
    Já tive o Discman, tinha que ir em lugares para revelar fotos, ia a locadora pra locar “fita” com meus pais quando criança.
    Fico pensando, não sou tão velha assim, acho que o tempo ta passando rápido demais.

  16. Leithold says:

    Peguei a primeira garota da minha vida, que era a garota mais popular da escola, sendo o nerd recluso que sempre fui , por causa de um discman como esse! Ela foi sentada do meu lado no onibus, ouvindo o cd Hello Nasty dos Beastie Boys (único CD que eu tinha e ouvi até furar quase) comigo num fone e eu no outro. Foi em 1999, numa excursão escolar. Os populares me incluam no grupinho deles automaticamente por eu ter dinheiro e comprar essas paradas antes de todo mundo.

    Quanto às locadoras, não vi em lugar nenhum do Brasil por onde passei ultimamente. Considero extintas.

  17. Fátima says:

    Com 31 anos me senti muito velha agora, rsss.

  18. Quanta lembrança este post me trouxe, discman eu tive em 2004 após trampar muito, câmera fotográfica com filme, essa eu usei muito na tentativa de tirar fotos de skate, e, por fim, as locadoras, essas eu frequentava pouco por falta de grana…como você, estou perto dos 30, e, vendo esse post, vejo que to ficando véio. rs.

  19. neto says:

    Locadoras só não morreram completamente em cidades pequenas do interior ou, pasmem, por causa das lojas americanas! A empresa comprou a Blockbuster e deu sobrevida ao ramo no Brasil. Quando perguntaram na época porque comprar uma empresa fadada a desaparecer o argumento foi “não compramos pelo negócio, compramos pelo espaço e localização, que são excelentes”. Deu no que deu, hoje, o espaço destinado a locação é de 20% em media ao espaço total das lojas.

  20. CCCC (Discípulo) says:

    Kid viado, vai morrer de tanto discman no cu.

  21. Lucho says:

    E consultar mapas?

  22. Márjole says:

    E a coleção Deixados pra Trás alí no cantinho?