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3 "médiums" que provaram publicamente que são farsantes (e como eles fizeram essa proeza)

Postado em 8 February 2012 Escrito por Izzy Nobre 17 Comentários

Uma das poucas vantagens de nascer em lar ferrenhamente religioso é que desde moleque somos incentivados a ter um senso crítico afiado em relação a supostos “feitos sobrenaturais”. Isso é, os feitos sobrenaturais de outras crenças — falar com os mortos, adivinhações, ETs, esse tipo de coisa.

(Já abrir o mar e multiplicar peixes é perfeitamente lógico e questionar tais feitos é blasfêmia.)

A base bíblica para a rejeição crente de gente como Mãe Dinah é I Samuel 28, em que o rei Saul vai a uma médium — a bruxa de Endor. Seria uma ewok? — pra pedir ajuda ao espírito do profeta Samuel. O espírito de Samuel aparece e prevê exatamente o que acaba acontecendo com Saul (embora crentes gostem de fazer malabarismos silogísticos pra explicar que o tal espírito era na realidade um demônio — algo que a bíblia não diz). A versão oficial dos crentes é “não é possível falar com os mortos”.

Essa é apenas uma das inúmeras doutrinas crentes que eles tiraram de lugar nenhum. Se você ler a bíbila sem ter sido doutrinado por um evangélico antes, a conclusão que você tirará é que sim, é possível falar com os mortos. Mas esse é o mesmo livro que uma jumenta fala com seu dono então não é exatamente a fonte mais confiável.

Muita gente não teve a mesma “sorte” que eu, e portanto nunca foi ensinada a desconsiderar qualquer tipo de pessoa que alegue ter esse tipo de super poder. Acontece  que você não precisa ter sofrido uma infância cristã traumática pra adquirir senso crítico em relação a estes supostos psíquicos. Em um número estarrecedor de vezes, os próprios médiuns expoem-se como totais fraudes.

É incrível que alguém ainda acredite nessa estirpe de gente quando eles cometem este tipo de cagada em público:

Uri Geller é humilhado por Criss Angell (que nem é lá um sujeito muito melhor)

O Criss Angell é um David Blaine de 5a categoria que é conhecido por pagar figurantes para fingirem que estão maravilhados com os truques de câmera que ele encena em seu programa Mindfreak. Como se não bastasse ser um mágico bem fuleiro, ele meio que mantém uma aura de “veja só eu tenho superpoderes de verdade”.

Ou mantinha. De uns tempos pra cá o Criss Angell decidiu pagar de Houdini e passou de mágico pra caça-charlatões. Por isso ele aparecia no programa Phenomenon, da NBC, onde ele fazia essencialmente este tipo de coisa:

O resumo é o seguinte — Criss Angell desafia supostos médiuns a adivinharem o que ele escreveu num pedaço de papel e  assim ganhar um milhão de dólares. Ele oferece a prova aos participantes do programa que alegam falar com espíritos e coisa do tipo. Só que nesse dia ele resolveu fazer a pergunta ao seu colega de programa, o Uri Geller.

Pra quem não conhece o sujeito: Uri Geller é um médium israelense que ficou famoso nos anos 70 e 80 fazendo truques imbecis como dobrar colheres em programas de TV — o que é deprimente aliás; eu gosto de pensar que, se existisse realmente seres humanos capaz de canalizar forças universais inexplicáveis, estas seriam usadas para fins mais nobres ou, pelo menos, menos idiotas.

Pois bem. Criss Angell faz a oferta ao poderoso Uri Geller. O israelense, obviamente, não sabe o que responder e começa a falar abobrinhas sobre as datas de nascimento dos dois ilusionistas. E Criss Angell revela que o número escrito no papel era 911, uma referência aos ataques de Onze de Setembro.

O vídeo é uma paródia visual da célebre anedota “se existem realmente médiums, porque eles não estão ganhando a loteria todo dia?”. Se você tem a capacidade natural de adivinhar o futuro, por que diabos você não usaria isso para lucro próprio…? E não venham me dizer que os poderes não funcionam caso a pessoa os use para ganho pessoal — nenhum desses médiums “trabalha” de graça; a grosso modo eles estão sim lucrando com seus “poderes”.

E as anotações que fizeram em cima do vídeo são o que há de mais deprimente. O autor da montagem pescou números aleatórios que o Uri Geller soltou durante  seu curto monólogo (ignorando os que não encaixavam, obviamente) e pulou à conclusão de que sim, Uri Geller adivinhou o número secreto de Angell. “Ele falou 1 e falou 19, tá vendo, isso dá 911 de alguma forma!”

James Hydrick é esculachado pelo James Randi

Você sabia que o James Randi é gay? Eu fiquei sabendo hoje, pesquisando pra esse post. Enfim.

James Randi é um cético famoso por percorrer o mundo desmascarando fraudes que alegam ter super poderes. A propósito, “percorrer o mundo” não é exagero cômico não. target=”-blank”>Veja aí o Randi neste incompreensível programa japonês (incompreensibilidade é a regra de programas de auditório japoneses; isso, e letreitos coloridos tomando metade da tela).

Nos anos 80 o James Hydrik, que alegava ter desenvolvido poderes psíquicos com ajuda de “um velhinho chinês” (isso tá começando a parecer roteiro de filme de Sessão da Tarde ein) apareceu no programa That’s My Line pra demonstrar seus poderes. E o colega Randi estava lá de olho no maluco. Observe:

O tal James Hydrik vai lá (trajando o que creio ser a fantasia de porta-bandeira da Mangueira daquele ano) e mostra seus incríveis poderes — que limitam-se a mover um lápis e passar uma página de uma lista telefônica. Ok, novamente um malandro espera que acreditemos que a manifestação de superpoderes incompreendidos pela ciência se limitam a mover objetos de poucos gramas. Tá certo.

O Hydrik, todo pimpão com o aplauso da platéia, fecha a cara assim que o James Randi aparece com a explicação científica para o fênomeno paranormal: “ele está soprando, caralho”. Randi vai lá e repete os feitos do médium. E mais que isso, ele convida o Hydrik a repetir o truque, mas dessa estabelecendo um controle na experiência. E “estabelecendo um controle na experiência” é o modo científico de dizer “jogando um monte de flocos de isopor ao redor da lista telefônica”.

E adivinha o que acontece? Não, o Hydrik não foi apenas incapaz de repetir a façanha. Ele foi além e, exaurindo todo o seu conhecimento sobre leis da física, elaborou gagejando a teoria de que o isopor gera “eletricidade” (ou melhor, eletricidade estática, ele se corrige mais tarde) e isso de alguma forma gruda as páginas da lista.

O resultado é o completo constrangimento de todos os participantes do vídeo; um constrangimento que se transporta magicamente através da tela do seu computador e agora habita em você.

E a melhor parte? James Hydrik é hoje o orgulhoso morador de uma colônia penal na Califórnia. O senhor Hydrik (ou Detento G03069 como ele é conhecido atualmente) foi encarcerado por 17 anos por molestar crianças.

Charlatão e estuprador de crianças. Só faltava ser corintiano mesmo pra completar a vergonha total para sua família.

WAIT A SECOND. Deixa eu ver as cores da fantasia do cara com mais atenção…

Sylvia Browne erra E INSISTE NO ERRO

Lá atrás no texto eu usei a Mãe Dinah como sinônimo geral para médiums. Desta vez a comparação é mais apropriada, porque a Sylvia Browne é A Mãe Dinah americana.

A véia é famosa por ir em programas de auditório e, usando técnicas fajutíssimas de cold reading, “adivinha” detalhes sobre a morte de familiares dos participantes da platétia. Ou seja, o MO comum desse tipo de salafrário, target=”-blank”>conforme ilustrado perfeitamente neste vídeo do John Edward.

Essencialmente o cara diz “tou sentindo a presença de um espírito masculino aqui neste lado” (enquanto aponta pra metade da platéia) e, em modo metralhadora, diz que o espírito talvez seja de “filho, sobrinho, ou neto”. Como 100% dos seres humanos são filhos ou netos de alguém, boa parte de um grupo de adultos já deve ter perdido algum parente que se encaixa nos parâmetros “adivinhados” pelo médium.

Ele então chuta um dos nomes mais comuns da cultura gringa: “Robert”. Evidentemente, alguém levanta a mão e diz CARALHO ELE ACERTOU SOU EU MEU PAI ERA ROBERT E ELE MORREU. O médium pergunta se o sujeito morreu de câncer, o que não foi o caso, mas continua dando chutes até acertar mais alguma coisa. E os retardados só notam os momentos em que o sujeito “acerta”.

Voltemos para a Sylvia Browne. O esquema dela, como no caso do John Edward (que foi zoado impiedosamente pelo South Park, vale lembrar), é falar com mortos. E como essa técnica de cold reading seja relativamente bem sucedida para enganar trouxas, talvez fosse melhor que a médium se ativesse a ela.

Esse vídeo é incrível. Uma participante de um programa qualquer chora diante da médium, falando que seu marido morreu e nunca encontraram o corpo. A Sylvia, supondo que a morte do marido da mulher fosse algum tipo de homicídio não resolvido, chutou que o suposto assassino tivesse jogado o defunto num lago ou pântano ou sei lá o que, que é o tipo de lugar onde geralmente se jogam presuntos.

Só que o problema é que o marido da mulher era um bombeiro que morreu nos ataques de Onze de Setembro. A médium, num arroubo de cara de pau que espantaria até os mais corruptos deputados brasileiros, corrige a víuva: “não minha filha. Ele morreu AFOGADO, tou te dizendo“. E as duas ficam neste impasse; a viúva dizendo que o cara morreu no WTC, e a médium insistindo que não, que ele morreu afogado.

Mas o que vem depois é ainda mais incrível. Notando que sua estratégia de “contrariar uma viúva em relação aos detalhes da morte do seu próprio marido” não era a melhor saída, ela surge com uma hipótese mirabolante: “seu marido não era bombeiro, e ele não estava tentando apagar o fogo do World Trade Center com uma mangueira dágua?  Então, de repente…” e deixou por isso mesmo, como que insinuando que o marido da mulher conseguiu a proeza de se afogar tentando apagar um incêndio.

Ou seja, no final das contas a mulher ainda fere a memória do falecido, sugerindo que o cara é o pior bombeiro que jamais existiu na história da arte da bombearia.

E tem nego que acredita nessa gente ainda por cima. Puta que pariu!

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

17 Comentários \o/

  1. Guilherme says:

    Muito bom o post, em todos os lugares existem charlatões, desde aqueles que se dizem médiuns, videntes, astrólogos, políticos até aqueles que dizem conseguir mover objetos. E isso dificulta o entendimento das grandes massas, que jogam tudo no mesmo saco e classificam tudo como “charlatanismo” até aquilo que é real. Como por exemplo a russa Ninel Kulagina, que teve seus poderes comprovados cientificamente por mais de 40 cientistas. Ou alguns grandes médiuns como o (professor dos mutantes) Xíco Chavier e Divaldo Franco que ninguem tenta provar que é farsa (pq será?) entre outros.
    aqui vai o link da Russa só por curiosidade: rel="nofollow">
    abraço e paz =)

  2. Gabriel says:

    Muito interessante o post. Porém uma análise bíblica sem pré-conceitos religiosos deixam evidente a real condição dos mortos e a impossibilidade do contato com os mesmos, segundo, claro, os conceitos presentes nesse livro. Aqui vão apenas alguns textos que apoiam essa interpretação: Eclesiastes 9:5; Salmos 88:10, 115:17, 146:4; Isaías 38:18.
    Além disso Jesus compara a morte de Lázaro a um sono profundo. (João 11:11-14; Salmos 13:13).
    Não sou um fanático religioso, e sim um admirador desse livro que sobrevive há mais de 2000 anos!
    Live long and prosper.

    • Izzy Nobre says:

      “Porém uma análise bíblica sem pré-conceitos religiosos deixam evidente a real condição dos mortos e a impossibilidade do contato com os mesmos, segundo, claro, os conceitos presentes nesse livro

      Isso não faz sentido. Vou ler a bíblia sem um pré-conceito religioso para seguir a doutrina pregada pela bíblia…?

      • matheus says:

        Izzy, apesar do Gabriel aparentar seguir a doutrina da bíblia, o que ele diz realmente faz sentido. Ao contrário do que você disse no post, a bíblia diz sim que não é possível o contato com os mortos.

    • Rafael says:

      mas no livro Jesus ressuscitou Lázaro, se Ele deu os mesmos poderes a seus filhos/seguidores, por que hoje ninguém mais ressuscita os entes queridos? Lázaro era melhor que os outros? Ou é mentira que Jesus passou adiante os seus poderes?

  3. Filipe Sá says:

    Não vou indicar seu post para meus amigos. Vou obriga-los a ler ele, porquê está muito bem feito, além de ter conseguido prender a minha atenção (menos os videos, não tive paciência para ver todo o do porta bandeira da Mangueira). Acompanharei seu site a partir de agora! =)

  4. Larissa says:

    Todas as religiões, doutrinas, crenças e o escambau tem pessoas boas e ruins.
    Existem médiuns sérios e responsáveis, e você pode ter CERTEZA que você nunca os verá fazendo showzinhos por aí, se vangloriando de suas “capacidades”.
    Esses palhaços nada mais são do que oportunistas que não podem ser chamados de médiuns.

  5. Claudio Davi says:

    Só eu que lembrei do Seriado The Mentalist lendo esses textos ?

  6. Juliana says:

    Post legal! Procurando sobre mediunidade eu cai aqui. Digamos assim, sou médium (pausa -- pode rir ou criticar) e acredito que muitos pseudo mediuns se aproveitam principalmente de quem sofre ou acredita em tudo usando o que chamam de dom. Mediunidade não é dom, não é um presente, nem de longe… Mas seja por causa de animismo ou por mistificação faz-se necessário que o médium esteja sempre atento pois se os mortos podem mesmo se comunicar com os vivos então que seja para algo mais nobre que entortar colheres e enganar pessoas. 🙂

  7. Roberto says:

    Não gostei do texto, pra começar vc erra no título, estas pessoas não se declararam Médiuns, não são Médiuns e o que eles dizem fazer, não tem nada a ver com mediunidade ou espiritismo. James Hydrik era lutador de artes marciais, nem religioso ele era. Generalizar um fato desviando e direcionando para algo que não existe é um erro tão grande quanto o que as pessoas criticadas estão fazendo. Em um próximo assunto, pesquise melhor. Mas acho que não vai fazer muita diferença afinal, somos um pais com uma das piores educação do mundo e parece que tudo que escrevem as pessoas acreditam, pois não tem senso crítica e não aprenderam a ler nem a escrever.

  8. […] em signo é que as descrições do horóscopo sempre se encaixam. A fórmula é similar a de videntes farsantes: apresentam algo completamente superficial que tem como público-alvo os idiotas que querem […]

  9. Vitor says:

    Bom post, apesar de que a palavra médium foi usada escrotamente apenas pra atrair publico