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4 pessoas com uma história muito mais incrível pra contar do que qualquer uma sua

Postado em 14 January 2012 Escrito por Izzy Nobre 5 Comentários

Todos nós gostamos de impressionar os outros, não é mesmo? Eu, por exemplo, só escrevo neste site pra poder dizer que sou um blogueiro conhecido internacionalmente (considerando que eu moro no exterior, tecnicamente “Brasil” é internacional pra mim).

Tem gente inclusive que gosta tanto de maravilhar os outros com histórias mirabolantes que vive inventando mentiras. Apesar do fato de que essas pessoas são rapidamente identificadas em qualquer grupo social, evitadas, e às vezes hostilizadas abertamente, há muitos que tentam remediar o fato de que são completamente desinteressantes inventando lorotas tão absurdas que você pensa que eles estão te desafiando a chama-los de mentirosos no ato.

Há alguns anos por exemplo eu conheci uma menina que chegou a alegar que tinha poderes metafísicos. E que ela usou tais poderes pra curar seu irmão, que havia levado um tiro no meio de uma guerra de gangues — e tal guerra teria acontecido em Oshawa, Ontario, uma cidade que é o equivalente canadense da vila do Chico Bento.

Sério, e olha a menina nem era wiccan ou gótica ou seja lá como se chamam esses moleques que tem hábito de achar que são bruxas/vampiros com super-poderes. A propósito, góticos ainda existem ou foram substituidos pelos emos mesmo?

Enfim. Meu ponto é que a maioria das pessoas tem vidas tão desinteressantes que precisam mentir o tempo todo pra impressionar seus amigos.

Este sujeitos aqui, no entanto, precisam mentir pra esconder de seus semelhantes histórias que os colocam num nível evolucionário superior ao dos meros Homo sapiens ao seu redor.

Gente como por exemplo…

Inés Ramírez, a mulher que executou uma cesareana em si mesma

No ano de 2000, quando a palavra “terrorista” ainda combinava mais com filmes do Bruce Willis e Bonde do Tigrão dominava os sistemas de som de todos os Fiat Unos sem vidros elétricos no território nacional, a mexicana Inés Ramírez encontrava-se em uma situação um pouco inconveniente. Ela estava grávida de nove meses, e prestes a parir.

Qual o problema, você me pergunta? O problema é que Inês mora num interior fodidíssimo do México, povoado em sua maioria por uma turma indígena que sequer fala espanhol. Seu marido estava se embebedando num botequim próximo, não há hospital na cidade — se duvidar a palavra “hospital” nem existe no idioma nativo da mulher –, não havia telefones, não havia ninguém para ajuda-la.

Na situação dela, eu e você talvez nos desesperaríamos, amaldiçoaríamos toda e qualquer divindade encarregada de gerenciar nosso universo, e morreria lenta e agonizantemente.

Acontece que a Inés é Zapotec, e essa raça literalmente não conhece o significado e o conceito da palavra “desistir”.

O que a muié fez? Ela pegou uma faca de cozinha de 15cm, bebeu vários goles de álcool de farmácia e começou a operar a si mesma. A mulher cortou uma incisão de 17cm, indo das costelas até a área pubiana (quase o dobro do corte típico de uma cesareana), puxou o moleque para o mundo, cortou o cordão umbilical (com uma tesoura, mas prefiro imaginar que ela o fez com os dentes) e em seguida desmaiou.

Quando finalmente encontraram a mulher, ela já estava consciente de novo. Levaram-na para um hospital (que ficava a oito horas de distância), onde os médicos tiveram até que consertar as tripas da mulher — que acabaram levando umas pexeiradas no processo da cesareana caseira. Mas a mulher (e o filho) estão bem até hoje.

E você aí que chora feito um cabrito desmamado quando tem que levar injeção de Benzetacil.

Como ela venceria qualquer disputa de machice num bar:

“Isso aí não é nada. Uma vez eu estava grávida e não tinha ninguém pra me ajudar, então me furei com uma faca imensa e assim dei luz ao meu próprio filho”.

Bishnu Shrestha, o nepalense que salvou uma mulher de 40 estupradores

Quem nasce no nepal é nepalense né? Estou ocupado demais para verificar.

Então, manja nos filmes de ação em que o mocinho despacha cinco ou seis atacantes simultaneamente? Caso você seja nerd chato igual eu, imediatamente tu começa a apontar a improbabilidade da cena (por mais que você deseje ardorosamente possuir a mesma habilidade marcial do protagonista).

Então, pelo jeito Hollywood não exagera tanto assim não. Manja essa: este colega aí ao lado é o Bishnu Shrestha. Em 2011 o amigo estava jogando Angry Birds tranquilo durante uma viagem de trem quando de repente 40 elementos — isso mesmo, QUARENTA — anunciaram um assalto. Os marginais portavam facas, espadas e armas de fogo, e rapidinho estavam portando também bolsas, relógios e celulares dos outros passageiros.

Bishnu olhou para os quarenta marginais armados e pensou “hmmm, já que estão todos armados, TALVEZ seja uma briga justa. Mas vou deixar passar, nem gosto mais desse iPhone mesmo“. E ficou quietinho na dele.

Acontece que em um determinado momento, um dos assaltantes viu uma mocinha bonita e decidiu se aproveitar da situação. Sob mira da arma do malandro, a menina foi obrigada a se despir. Dramaticamente, Bishnu levantou apenas uma sobrancelha e falou “peraí”.

O cara puxou uma kukri, que é essencialmente uma pexeira nepalense, e partiu pra cima dos vagabundos. Se eu resolvesse agir com tamanha bravura, os jornais noticiariam no dia seguinte que um imigrante nordestino foi transformado em uma peneira e que seu corpo foi em seguida sodomizado pelos bandidos.

Bishnu, no entanto, matou três dos marginais, feriu outros oito, e o resto (sabiamente) saiu correndo.

Permita-me lembra-lo que o cara fez tudo isso COM UMA FACA. Ah, outro detalhe que eu esqueci de mencionar — este amigo aí havia acabado de se aposentar do exército nepalense.

Com isso em mente eu decido que o Nepal é um país pequenininho porque os nepalenses tem pouca ou nenhuma ambição, porque com soldados dessa estirpe é surpreendente que eu e você não estejamos falando nepali neste exato momento.

Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar:

Você quer realmente arriscar algum tipo de disputa contra este homem?

Joseph Kittinger, o homem que pulou do espaço pra Terra

Eu sei que algum chato vai apontar pra este detalhe, então vamos lá — eu sei que estratosfera não é exatamente “espaço”; este começa oficialmente lá pros 100km de altura.

Acontece que o mesmo artigo deixa claro que essa altura é meio arbitrária, e que não há um ponto exato em que a atmosfera termina e o espaço começa. Eu vou explicar a história do Kittinger e você me diz aí o que acha.

É o seguinte. Era o finzinho dos anos 50, a Guerra Fria estava ensaiando seus primeiros passinhos e Michel Teló só faria os seus passinhos 60 anos mais tarde. Do nada, bateu uma dúvida na Força Aérea Americana — qual é a altura máxima de um salto de paraquedas que um ser humano pode sobreviver?

Pra descobrir isso, deu-se origem ao Projeto Excelsior, onde o piloto e maluco profissional Joseph Kittinger saltaria de balões altíssimos pra testar um novo sistema de paraquedas.

É isso mesmo. Embora “testador de paraquedas” pareça uma profissão tão piadística quanto “dentista de leão”, essa era a tarefa do cara — subir à maior altura atingida por um ser humano até então e pular lá de cima usando um paraquedas experimental.

E só pra garantir a probabilidade máxima de algo dar terrivelmente errado, Kittinger foi lá e pulou TRÊS VEZES.

Ah, e algo deu errado. No primeiro salto o paraquedas abriu antes do antecipado (esses paraquedas experimentais e sua célebre imprevisibilidade!), se enrolou ao redor do pescoço do Kittinger e quase o matou. Eu e você teríamos desistido ali mesmo de jamais subir mais alto do que uma cadeira pra trocar uma lâmpada, mas Kittinger foi lá e saltou de novo. E de novo.

Em seu terceiro salto, Kittinger subiu a uma altura de 30 quilômetros. Pra te dar um padrão de referência, isso é três vezes mais alto do que a máxima altura que você atingiu na vida: um vôo comercial. Diferente de um vôo comercial, no entanto, a gôndola do balão do Kittinger não era pressurizada ou sequer fechada.

E tu aí com medo de voar de avião.

Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar:

“Ah, você pulou de paraquedas? Que bacana. Eu fiz isso uma vez, mas foi de um balão construído para levar-me para baixo das fuças de Jeová em pessoa, e então pulei usando um paraquedas que ninguém sabia se funcionaria.”

William Kamkwamba, o Tony Stark africano

Nós crianças do anos 80 — especialmente os nerds — tínhamos um ídolo em comum: o agente secreto Angus MacGyver. Aliás, é por causa do MacGyver que eu cresci desejando um canivete suíço. Bom, por causa dele e por causa dos Escoteiros Mirins.

Evidente, ao contrário do meu herói televisivo (e dos Escoteiros Mirins), eu não tinha essa habilidade toda em bolar engenhocas e soluções para problemas utilizando objetos aleatórios. E por isso eu, com raiva, decidi que ninguém seria capaz de fazer o tipo de coisa que o MacGyver fazia.

Como praticamente tudo que eu pensava quando tinha 10 anos, esta idéia estava errada.

Conheçam o William Kamkwamba. Este garboso jovem mora em Malawi, um país que eu literalmente nunca ouvi falar. Este é um daqueles países onde ter dois braços e duas pernas não explodidas por minas é um símbolo de status, e para sustância física as pessoas comem terra e bebem as lágrimas uns dos outros.

O William teve que largar os estudos porque os pais não podiam pagar a anuidade escolar (míseros oitenta dólares, que é um valor inferior ao meu gasto anual com jujubas). Evidentemente, William não deixaria que a falta de uma educação formal o impedisse de fazer algo com sua vida. Então ele começou a ir à biblioteca próxima (que ficava a quilômetros da sua casa) pra estudar por conta própria.

Nisso ele achou um livro sobre moinhos e como eles são usados para automatização de funções como puxar água do solo. E ele pensou “acho que consigo construir um bicho desses, até porque estou curioso pra saber se água é molhada mesmo como dizem estes livros”.

(Calma, calma, eu estava só brincando. O moinho que ele construiu foi na verdade pra gerar eletricidade)

O maluco juntou um monte de ferro velho, partes de uma bicicleta e tocos de madeira — em suma, ele depletou todos os recursos da orgulhosa nação Malawiense –, e construiu isso aí:

O moinho funcionou. O moleque recebeu prêmios internacionais (em título e em dinheiro), uma bolsa integral para estudar em uma das mais prestigiosas faculdades americanas, e faz workshops ao redor da África contando sua história pra meninada e ensinando-os a construir seus próprios moinhos.

Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar:

“Hahaha essa sua história é bacana! Ela me lembrou aquela vez em que eu era um jovem pobre e sem educação e estudei por conta própria a fim de construir sozinho uma fonte de energia elétrica num país que sequer tem um nome para ‘eletricidade’, mudando assim a vida da minha família e de todas as outras que se beneficiaram com minha invenção”

Mas vai lá, me conta sua história incrível daquela viagem lá que você fez com os amiguinhos da faculdade.

/em

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

5 Comentários \o/

  1. alx says:

    Aqui no Brasil quem escuta fresno é emo quem escuta restart é aquarela emo e os goticos foram extintos. Com a onda de evangelicos aqui se vc usa roupa preta te associam ao demonio

  2. Yasmin says:

    Esse é uns posts que mais gosto!!!! Corri pra cá hoje pra ver o nome da mulher que fez a cesariana em si mesma.

  3. Wagner says:

    Pensava q minhas historias de farra, bebedeira e muita mulher eram interessantes.
    Se bem q eu prefiro uma farra a cortar meu abdomem.

  4. Kaique says:

    As imagens nunca abrem aqui 🙁