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4 sons da nossa infância que não existem mais (e o que isso significa pras gerações futuras)

Postado em 6 January 2012 Escrito por Izzy Nobre 13 Comentários

De acordo com aquela pesquisinha HBDística que fiz há algumas semanas, uma boa parcela da população leitora deste registro virtual da minha vida tem aproximadamente a minha idade. Tão tudo caminhando aos 30 e serão em breve oficialmente “velhos”.

E uma das coisas que acontece quando nos tornamos velhos é que figuras clássicas da nossas infâncias vão morrendo sem que a gente perceba. Já escrevi um texto até sobre heróis da nossa infância que tiveram mortes terríveis.

Mas sabe algo que também morreu com nossas infâncias e a gente nem percebeu? Alguns barulhinhos clássicos que eram um sinônimo sonoro das ações que eles representavam. Por exemplo…

Som de telefone com disco

Você moleque imberbe de 12 ou 13 anos (ou seja, você nem lembra dos 150 pokemons originais) que lê este site talvez ainda use o termo “discar” — ou pelo menos ouviu alguém usando alguma vez –, mas aposto que você não conhece a origem desta palavra.

É o seguinte: há muitos e muitos anos atrás, o método de input de telefone era esse disco transparente que tu vê na figura ao lado. Ligar pra alguém exigia que você metesse o dedo no buraquinho correspondente àquele número e girasse o disco até uma lingueta metálica, o que registraria cada número.

A manipulação do tal disco levou à criação do verbo “discar”, que minhas extensas pesquisas indicam que ainda é usado no Brasil.

O fenômeno não é exclusivamente lusófono, aliás — até hoje os gringos se referem a ligar pra alguém com o verbo “to dial”; como vocês devem saber fazendo uma pesquisa no Google Imagens ou na wikipédia, “dial” é o termo usado pra qualquer objeto circular com números (seja um relógio, o botão de um amplificador ou o disco de um telefone antigo.

Tais discos telefônicos não existem mais, mas o termo “dial” como sinônimo de “ligar” perdura até hoje. É mais ou menos como ainda usamos ícones de disquetes nos botões de Salvar, apesar do fato de que disquetes morreram há muitos anos. Olha o sonzinho que esse troço fazia:

O que isso significa pras próximas gerações

O seu filho, nascido na era pós-speed dial, jamais conhecerá a época em que até fazer uma ligação telefônica dava um considerável trabalho. Lembra quando um filho da puta tinha vários zeros no número? Aliás, é muito provável que seu filho jamais memorize nenhum número telefônico.

Som do modem dial-up

Acho que nem preciso falar muito sobre este. Pra muitos de vocês (e eu mesmo me incluo na estatística), o modem dial up foi uma presença mais constante em suas infâncias que seus próprios pais.

Aliás, aí está a perfeita metáfora. Dizia-se das gerações dos anos 60 e 70 que elas foram criadas pelos televisores; a minha geração foi criada pela placa fax-modem.

O modulador-demodulador discado era uma máquina assombrosa para a sua época — uma caixinha preta cheia de luzinhas, como toda máquina do futuro deve ser (lembra de Alien?), que permitia seu computador conversar com uma linha telefônica e enviar seus pensamentos desconexos a alguém do outro lado do país.

Lembram disso aqui?

Não sabe de onde é essa imagem? Clica nela.

Pra quem era viciado em internet como eu, o sonzinho do modem dial up se conectando ao seu provedor dava fim a uma agonia que se repetia todo sábado — eu encarando o relógio da parede intensamente, esperando as 14 horas pra poder usar a internet.

Aliás, eu esperava que desse 14:10, pra garantir que uma possível disparidade entre meu relógio e o da compania telefônica não resultaria numa conta telefonica de 800 reais.

Chegava o horário mágico, eu pulava na cadeira do computador, dava dois cliques naquele discadorzinho do Windows e ouvia o delicioso som abaixo:

O som morreu pra mim em 2003, quando meu pai comprou serviço ADSL lá pra casa.

O que isso significa pras próximas gerações

Meu avô vivia dizendo que as coisas no tempo dele eram mais difíceis, e vejo a cada dia que passa que me tornei um firme adepto dessa mentalidade. Naquela época o acesso à internet era escasso, e acessar internet durante o dia requeria primeiro que você falsificasse um trabalho escolar que requeria pesquisa no Cadê?, ou desligasse o som do modem pra não alertar os pais.

Barulhinho de TV fora do ar

Você aí que não era nem nascido ainda quando o Brasil conquistou o Tetra não conheceu o mundo antes da TV a cabo. Deixa eu explicar pra vocês como era:

Havia um certo período que a TV simplesmente não mostrava NADA.

É isso aí. Tente imaginar que maluquice.

Dependendo da emissora, lá pras X horas eles veiculavam o último programa do dia, e logo em seguida a TV mostrava apenas estática.  E ficava desse jeito a madrugada inteira, até começar a passar o Telecurso 2000 ou sei lá o que era que finalmente interrompia as horas de chiado televisivo.

A ciência por trás da parada é interessante: a televisão nada mais é que um rádio sofisticado. Suas antenas captam transmissões das emissoras de TV mas, além disso, elas também captam um monte de coisa — radiação solar, sinais de rádio, até mesmo as sobras do Big Bang.

Essa salada de transmissões sem nexo resultava nisso aqui:

O que era a forma da sua TV de dizer “vá dormir que não tenho mais nada pra te mostrar aqui”.

O que isso significa pras próximas gerações

Vivemos numa época que o mero ato de esperar que a TV exiba pra você conteúdo numa agenda fixa dela começa a parecer uma idéia obsoleta; torrents e serviços on demand como o Netflix que eu tanto amo permitem que você assista o que quiser de acordo com sua própria conveniência. Se eu quero assistir Bob Sponja às 3 da manhã, não deveria ser a minha TV que me diga que eu não posso.

Ligar a TV de madrugada e ver nada além de estática era como abrir sua geladeira e encontrar um filme Kodak, duas pilhas e uma forma de gelo vazia.

Aquela barulheira desgraçada de um videocassete

Lembram do videocassete? Claro que não, afinal na época que passava TV Colosso você ainda não era nem um espermatozóide.

O videocassete, além de ser a raiz da memorável “Videocassetada” (outra coisa que você não conhece), era o DVD da nossa época. A mídia que ele utilizava era o VHS, uma fita magnética armazenada dentro de uma caixa plástica cheia de adesivos indicando o nome do filme e coisas do tipo.

O problema é que, como era uma máquina totalmente mecânica, a parada fazia altos barulhos. Primeiro, o mecanismo que encaixava a fita na posição correta, depois, os trocinhos que puxavam a fita de dentro do invólucro plástico. Ejetar a fita era um barulhão também.

Pode não parecer muita coisa — mas eu te garanto a turminha que (frustrada pela estática da TV durante a madrugada) tentou assistir um filminho na calada da noite sabe do que eu estou falando.

 O que isso significa pras próximas gerações

Assistir pornô em casa com a presença dos pais em outro cômodo já é uma aventura. Imagina agora quando você tá fazendo isso numa máquina que faz esse barulhão todo? Ahhh, saudade da infância…

(A idéia desse post me foi dada pelo broder @iParga, do unicornwithturrets.tumblr.com)

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

13 Comentários \o/

  1. Isabella says:

    Caramba Izzy, eu tenho 18 anos e passei por tudo isso! Acho que minha casa era meio atrasada, porque eu só tive internet banda larga em 2007 e DVD mais ou menos na mesma época, acho que só um pouco antes. Antes disso, era esperar até as 14:00 e rebobinar fita! hahahaha

  2. David says:

    Passei por todos, dentre os 4, o que mais me traz aquele sentimento de nostalgia bom é o de videocassete. As boas memórias de ir a locadora com minhas irmãs e escolher que filme assistir na noite de sábado.

    Bons tempos na memória

  3. Ivan says:

    O do videocassete dá saudade.

  4. larissa mendes says:

    nuss a minha casa devia ser do tempo das cavernas por que eu tenho 12 anos e conheço todos esses sons

  5. Bianca says:

    Videocassete é o mais nostalgia. Com 4 anos eu já colocava sozinha a fita de Peter Pan pra assistir 😀 Eu lembro até do cheiro que as fitas tinham.

  6. Marcelo Sica says:

    Tenho 33 anos e o primeiro videocassete daqui de casa foi EXATAMENTE esse Panasonic desse video que vc colocou. Cara, obrigado por me fazer lembrar dessa época!! Os sons desse video me trouxeram memórias que eu nem sabia que tinha ainda! Saudosismo puro!!
    Esse videocassete vinha com um “controle remoto” COM FIO! kkkkk
    Será que a molecada ainda sabe o significado do verbo “rebobinar”?
    Mas vc vê como algumas coisas pioraram, o videocassete era uma máquina MEGA complexa, mas mesmo assim funcionava sem falhas por décadas! Hoje um DVD player é praticamente descartável, e um Xbox então? Pffff
    A gente dava muito valor pra essas coisas, hj em dia a molecada não ta nem aí, o que é o máximo hj, amanhã já é lixo.
    Abs Izzy!