Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

5 estripulias escolares que todos cometemos

Postado em 29 December 2011 Escrito por Izzy Nobre 5 Comentários

Eu estava aqui ouvindo o Azilacast sobre histórias de colégio (assine o podcast dos caras, é excelente) e me deu vontade de relatar algumas das minhas mais infames bagunças colegiais. Esses são os melhores assuntos pra textos no HBD, aliás, porque se você lê este site as chances de que você tenha um senso de humor semelhante ao meu são altíssimas.

Consequentemente, isso faz com que a probabilidade de você ter sido um arruaceiro mirim em seus anos formativos seja aproximadamente 115%, proporcionando identificação plena com os pequenos gestos de delinquência que você está prestes a ler.

Atenção molecadinha imberbe que lê este site: em primeiro lugar o Conselho Tutelar devia mandar prender seus pais, pois esse tipo de descaso com o conteúdo que você acessa pela internet é negligentemente criminoso. Em segundo, compreenda este texto como um manual. Imprima, leve pra escola amanhã, passe pros amiguinhos.

Papel higiênico molhado no teto do banheiro

Eis a segunda coisa mais divertida que você podia fazer num banheiro quando moleque: encher a mão com uma generosa quantidade de papel higiênico, pôr embaixo da torneira ligada — transformando a bola em papel machê — e em seguida arremessar a massa com força na parede ou no teto do banheiro. Ou, em momentos verdadeiramente mágicos, nos amiguinhos.

Arremessar no teto era o modus operandi tradicional, mas eu pessoalmente preferia jogar a bola de papel molhado na parede lá no fundo do banheiro. A distância maior entre o arremessador e o alvo conferia ao bólido molhado maior velocidade, e portanto maior força no impacto. A bola de papel molhado estourava com força na parede, fazendo aquele sonzinho incrivelmente satisfatório, com pequenos glóbulos de papel machê se projetando pra todo lado.

Essa brincadeira se tornou tão popular na minha escola que em breve o banheiro dos meninos parecia uma caverna cheia de estalactites brancas.

Desenhar pirombas nas cadeiras de desafetos

Boa parte do humor juvenil deriva-se de insinuação (homos)sexual, e essa brincadeira era um bom exemplo desse padrão.

O chiste consistia em desenhar na cadeira de um coleguinha — obviamente sem seu consentimento — uma realística (apesar de amadora) reprodução da genitália masculina em estado de plena ereção. Uma tilápia plenamente entumescida.

Na falta de canetinha hidrocor que permitisse o desenho na cadeira, valia também desenhar a jeriboca num pedaço de papel e repousa-lo na cadeira.

Aguardava-se então que o alvo retornasse ao seu assento onde, sem perceber a obra de arte impressa nele, sentaria-se tranquilamente na piromba rija desenhada em sua cadeira. Aos galhofeiros, sentar na estrovenga — ainda que sem conhecimento disto — era equivalente à admissão de aprazo por catramalhos.

Daquele dia em diante tanto fazia se você confessasse a plenos pulmões no meio do pátio da escola que deleita-se ao ser penetrado analmente por alterofilistas afrodescendentes, porque você seria tratado exatamente da mesma forma.

Os colegas mais escolados tinham a manha de olhar a cadeira antes de sentar. Isso provocou uma corrida evolutiva; os galhofeiros adaptaram-se à estratégia das presas desenhando a piroca vascularizada num pedaço do papel e aguardando até o último instante pra coloca-la na cadeira — ou seja, nanossegundos antes do sujeito sentar-se.

Era preciso ardil: o alvo ia sentando na cadeira e tu jogava rapidamente o papelzinho entre a bunda do cara e o assento. Manja quando os Caça Fantasmas habilmente jogavam aquela armadilha bem embaixo pros desencarnados, capturando-os?

Era mais ou menos isso, só que com uma piromba desenhada a Bic.

Jogar giz no ventilador

Essa era a nossa versão da roleta russa. Na época em que ainda existia giz — meninada mais nova, giz era uma substância cujo pó rendia aos professores um troquinho a mais no salário –, alguns coleguinhas roubavam o instrumento daquela caixinha em que os professores os guardava. Em seguida, quando ninguém tivesse olhando, o safado arremessava o giz com força contra as pás do ventilador.

O giz era fatiado instantaneamente, liberando uma pequena nuvem branca e propelindo fragmentos de giz em direções completamente aleatórias mas que por motivos misteriosos sempre me acertavam na orelha. A turma rejubilava, e o pessoal catava do chão os restos mortais do giz pra um segundo round.

Eventualmente a prática foi atualizada: migramos do giz às canetas (geralmente “emprestadas involuntariamente” de membros não-cooperativos da nossa sala). Quando o sujeito não estava prestando atenção, afanávamos aquela sua caneta Bic 4 cores que se tornaram símbolo de status escolar nos anos 90 e jogávamos em direção ao ventilador. A caneta explodia num vestival de tinta e fragmentos, as suas tais 4 cores tingindo a galera na área de impacto.

Mas essa não era a única gozação que envolvia o ventilador. Tinham também as…

Notinhas com trollbaits

Estas notinhas com pegadinhas eram essencialmente os precursores — os Neandertais, if you will — das tuitadas trollbait que a gente gosta tanto de soltar pelo tuíter da vida afora e eu não não sei pra onde estou indo com essa frase.

Funcionava da seguinte forma: escrevia-se num pecadinho de papel uma mensagem como “de quem é esse sapato no ventilador?”, com a instrução “passe adiante” embaixo em letrinhas miúdas. O sujeito abria a nota todo desconfiado, e em seguida olhava para os ventiladores. O autor da nota começava a rir, o sujeito entendia que foi engambelado, e passava a nota adiante.

A nova vítima abre o papel — da mesma forma desconfiada do seu antecessor –, e olhava prontamente pros ventiladores. Nada neles, obviamente, e o autor da nota e a primeira vítima riem da cara do terceiro. E isso ia se espalhando pela sala feito vírus.

A outra modalidade da brincadeira da notinha (lembra que eu falei que brincadeira escolar frequentemente fazia alusão a sexo?) era escrever nela algo que afrontasse a masculinidade de quem a lesse.

Uma rima popular passada nessas notinhas era “se você deu a bundinha, dê uma risadinha”. A natureza quase lúdica da composição — combinar o pecaminoso ato de sodomia com diminutivos — provocava inevitavelmente no mínimo um sorriso de lado. Nos piores casos, a audácia da rima fazia com que a vítima risse pra valer. E ai de você se este é o seu caso.

Aos autores da galhofa, isso era indistinguível da admissão plena de que você passa suas noites prestando favores sexuais a todos os vigias noturnos do seu bairro. E quanto mais você proteste a acusação, mais convencidos eles estarão de que o único esporte que você pratica é o levantamento de jibóias.

Deixar anotações para as turmas do outro período

Eu adorava essa. Por motivos inexplicáveis, sempre existia uma rivalidade entra as turmas da manhã e da tarde. O pessoal da turma da manhã considerava a galera do turno vespertino vagabundos incapazes de acordar cedo para estudar; já o pessoal da tarde achava a galera do período matutino uma cambada de CDFs arrogantes e infelizes por não poderem assistir TV Colosso.

Como expliquei neste texto,

Sem contar que rola uma inversão do sentimento de propriedade: durante toda a minha vida, vi as escolas que frequentei como a “minha” escola. Aquele é o meu mundinho, os meus amigos, a minha sala, a minha carteira. Ir à escola de manhã é como explorar uma dimensão paralela em que a sua escola pertence a outros moleques.

Outro resultado curioso do breve contato com a molecada do turno da manhã é que foi quase como visitar outro país e descobrir pela primeira vez as opiniões deles sobre a sua terra natal. Por exemplo, descobri que a turma da manhã considerava os alunos da tarde vagabundos (por serem incapazes de acordarem cedo) ou problemáticos (e por isso os pais os matriculam pras aulas vespertinas, assim a pivetada está longe de casa durante a tarde e os pais podem finalmente relaxar).

Os universos da galera do turno da manhã e do turno da tarde tinham pouquíssima interseção. A única forma de se comunicar com a outra turma era mocozar na sala anotações endereçadas à galera do outro turno. Tais notinhas eram sempre provocativas e que questionava a orientação sexual e/ou a castidade de suas mães do pessoal da outra turma.

Valia de tudo — esconder notinhas em cima do ventilador no final das aulas (para que esvoaçassem pela sala quando o mesmo fosse ligado pela próxima turma a usar a sala), pixar as carteiras, grudar notas atrás das cadeiras… Era meio como jogar uma garrafa com uma mensagem ao mar, se esta mensagem acusasse o hipotético leitor de, em seu tempo livre, manipular gerebas rígidas de todo aquele que requisitar tal serviço.

Era legal poder zoar os outros desse jeito sem ter que se preocupar com polícia ou advogados, como é o meu caso atual…

 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: Top X

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

5 Comentários \o/

  1. Simasware says:

    Muito bom o texto! Sensacional.

  2. Muito bom texto cara! 90% do que foi citado no texto, eu já aprontei! Hahaha!

  3. Bruna says:

    Izzy, morri de rir com as menções ao membro masculino aqui! Obrigada por lembrar de coisas que eu também fazia na infância, mesmo sendo menina. A de desenhar trolhas e colocar em carteiras alheias era a favorita. E lógico, questionar a santidade das mãezinhas do povo do turno da tarde

  4. Quando moleque fazia algumas das coisas citadas a cima, mas também fazia algumas variações. Ao invés de jogar giz no ventilador jogávamos corretivo ( Branquinho, liquipaper), no lugar das pirombas no acento desenhava passaralhos ( uma versão das pirombas com asas) no quadro negro. Acredito que a pior de todas era quando desenhava uma piromba com canetinha na barriga e levantava a camisa pra mostrar à meninas o desenho ushauHSUhsu. Elas literalmente saiam gritando.

  5. Tati says:

    As canetas realmente estouravam? Cara eu nunca vi uma caneta estourar no ventilador, e não era por falta de tentativa do pessoal