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As 3 músicas mais tristes da minha library do iTunes

Postado em 13 October 2013 Escrito por Izzy Nobre 24 Comentários

Uma dos comentários que eu mais recebo nestes anos de atividades internéticas é “Izzy Nobre, você é um dos filhos duma puta mais escrotos que eu conheço“. Aliás, eu aprendi rapidinho que pesquisar “IZZY NOBRE” no search do Twitter é um exercício de masoquismo.

Outro comentário que ouço com frequência similar é “nossa o Izzy Nobre mora no Canadá e tem uma vida bacana (aqui eles geralmente enumeram motivos que não transcreverei pra que não soe como auto-bajulação)! Que inveja“.

E depois eu tenho que explicar pro terapeuta porque sou neurótico e emocionalmente retardado. Esse iô-iô oscilando entre depreciação e bajulação é o suficiente pra desalinhar completamente a auto-estima e a bússola de identidade de alguém… sou um cara bacana com uma vida invejável ou o pior desperdício de células que já caminhou neste planeta? Eu sinceramente não sei.

Mas voltando ao assunto: músicas tristes. Mais especificamente, este hábito de auto-sabotagem extremamente nocivo mas igualmente inevitável de ouvir músicas tristes quando estamos pra baixo.

Por que fazemos isso com nós mesmos, aliás…? A melancolia da canção entra em ressonância com a nossa própria, target=”_blank”>como pêndulos, dando combustível emocional à sua tristeza e piorando ainda mais a sua situação. E por algum motivo, quase todos nós fazemos isso.

Pensando nisso, e reparando que músicas tem um play count em franca ascenção recentemente no meu iTunes, pensei em compartilhar esta listinha com vocês.

Hurt – Johnny Cash

Você já sabia que essa música ia aparecer, então é melhor abrir a lista com ela.

Escrita originalmente pelo Trent Reznor do Nine Inch Nails ( target=”_blank”>que a interpretava com uma pegada bem diferente), Hurt é basicamente o hino oficial da melancolia. Nela (e especialmente no clipe da versão do Cash), o cantor parece analisar sua vida, os altos e baixos, pra entender porque ele sente tanta dor.

E ele decide que, no balanço final da sua vida, as coisas não deram muito certo, ao ponto de que ele sequer sabe quem se tornou…

What have I become/My sweetest friend?

…mas que é tarde demais pra mudar isso, e que ele já perdeu pessoas importantes por causa dos seus erros…

Everyone I know/goes away in the end

…e que ele trocaria todos os seus accomplishments (que a essa altura não valem nada pra ele) pra recomeçar…

And you could have it all/My empire of dirt

…mas que isso não adiantaria, porque ele está quase fadado a repetir os mesmos erros…

I will let you down/I will make you hurt

…e por isso, mesmo na sua fantasia impossível de consertar tudo, ele se vê inevitavelmente preso ao ciclo de esculhambar tudo de novo.

Landslide – Fleetwood Mac

Boa parte de vocês entrou em contato com essa música graças ao episódio 7 da 15a. temporada de South Park, entitulado You’re Getting Old. O episódio lida com o personagem principal percebendo que está ficando velho, e que as coisas ao seu redor estão mudando de uma forma além do seu controle, e como isso é um processo sem volta que mudará completamente a pessoa que ele é. Dá pra ver a cena final do episódio target=”_blank”>aqui.

Admito antes de mais nada: eu chorei ABSURDAMENTE vendo esse episódio. Tipo, de soluçar mesmo. Você não tem a menor noção, mano. Eu tava sozinho em casa, já tava meio pra baixo naquele dia, pensando justamente nos temas de envelhecer — estou na beirada dos 30 anos. Tipo, eu lembro quando MEU PAI tinha por volta dessa idade, cara! Pra onde minha juventude foi?! — e deixar tantas coisas pra trás.

Well, I’ve been afraid of changin’
‘Cause I’ve built my life around you
But time makes you bolder
Even children get older
And I’m getting older too

A cantora está percebendo que está envelhecendo (e detalhe, a Stevie Nicks tinha 25 anos quando escreveu essa música), e que as coisas não serão mais as mesmas. E como qualquer ser humano, ela está com medo dessa mudança.

Eu particularmente tenho completo pavor do fato de que estou ficando velho. E de que um dia, isso tudo vai acabar. A propósito…

Who Wants To Live Forever – Queen

A música combinava perfeitamente com a série Highlander — a melancolia de um ser imortal percebendo que esse poder é uma maldição tanto quanto é uma benção (e talvez até mais), porque ele está condenado a ver as pessoas que ama morrerem.

A parte da letra da música que absolutamente me destrói é logo no começo.

There’s no chance for us
It’s all decided for us
This world has only one sweet moment set aside for us

Essa letra tem o efeito de um punhal enferrujado no meio do meu coração.

A música trata da efemeridade das nossas próprias vidas; ela realça o fato de que você é um mero acidente genético que está caminhando nesse planeta totalmente por acaso, com uma data de expiração pre-programada nos seus genes — que vai causar suas células a se dividirem incessantemente até que o encurtamento dos seus telômeros causem seu corpo a ir pifando aos poucos, até acabar de vez.

Todas as pessoas que você conhece são um resultado do mesmo produto do acaso. Todas elas estão aqui temporariamente, igual você. Todas elas irão morrer um dia, igual você. Não há como escapar disso (“there’s no chance for us“), os mecanismos biológicos que regem sua breve passagem por este planeta foram determinados antes mesmo de você nascer (“it’s all decided for us“).

Não há saída. E o mundo decidiu que haverá apenas um breve “doce momento” pra que nós interajamos uns com os outros.

Os seres humanos, essas bombas-relógio ambulantes, esbarram-se umas com as outras, descobrem afinidades, estabelecem relacionamentos, riem, choram e vivem juntos — e um dia, são separadas definitivamente, e eternamente.

Isso é tudo que temos juntos. Um doce momento. Seu relacionamento com seus pais, amigos, namorado(a), esposo(a), todas estas “conexões” estão sujeitas às mesmas condições. Você tem essa pessoa temporariamente; ela entrou na sua vida de passagem. Em breve, ela irá embora.

E como não sabemos nem quando isso acontecerá, esse EM BREVE pode ser muito mais breve do que você espera.

Esta imagem do Reddit (que eu postei aqui quando descobri que uma fã do HBD que conheci aqui em Calgary faleceu) explica de forma mais eloquente que eu. Nela, o Richard Dawkins e o Christopher Hitchens (duas importantes figuras do movimento ateu/livre pensador) trocam um abraço carinhoso.

Este segundo tem cancer terminal.

Eu tenho vontade de chorar quando vejo esta imagem 🙁

Vou traduzir pra você.

É estranho pensar na morte sendo um ateu. (No caso), entender que depois de tudo, você simplesmente cessa de ser.

Dawkins e Hitchens ambos sabem que o que está vindo é permanente. Não há final feliz, não há chance de reencontro ou redenção em outro plano. Morte será uma despedida final, permanente e absoluta.

Naquele abraço, não é simplesmente o fato de que o Hitchens significa bastante pro Dawkins. É o fato de que ele sabe que em breve, eles serão separados pela eternidade. E mesmo assim, no tempo e espaço infinitos, dois tiquinhos de consciencia, contra toda a probabilidade, tiveram a oportunidade de gozar de um breve período de lucidez da vida e tocar um ao outro antes de retornar pra sempre pro vazio eterno.

Honestamente, não há nada mais importante do que a epifania de que essa vida, esta única vida que temos, é tudo que jamais teremos. Quando acabar, acabou. De certa forma, isso dá mais santidade e significado pras nossas vidas do que qualquer religião jamais poderia“.

Pensem nisso.

Vejo vocês amanhã.

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comments

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About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

24 Comentários \o/

  1. Kaique says:

    Sobre o por quê de ouvirmos músicas melancólicas quando estamos tristes: quando você está nesse estado de melancolia, você não quer que alguém venha e diga, “não, vai ficar tudo bem”. É como se você estivesse fumando e alguém disesse, “É. Tá uma merda mesmo. Deixa que eu fumo com você.”

  2. Kaique says:

    Sobre o por quê de ouvirmos músicas melancólicas quando estamos tristes: quando você está nesse estado de melancolia, você não quer que alguém venha e diga, “não, vai ficar tudo bem”. Ouvindo música é como se você estivesse fumando e alguém disesse, “É. Tá uma merda mesmo. Deixa que eu fumo com você.”

  3. Luiz says:

    Tem everybody hurts do REM (se não me engano) e Imagine do John Lenon, pelo menos para mim.

    Melhoras Kid!

  4. João Pedro says:

    Valeu pelo reality check. Mas tá tudo bem com você? Abraço virtual.

  5. BrunoHe says:

    “Vejo vocês amanhã.”

    Talvez não.

  6. André says:

    Em questão de músicas, eu diria Fix You do Coldplay e Behind Blue Eyes do The Who. Agora, sobre tristeza, o melhor comediante da atualidade fala sobre isso de forma genial. Ele diz que se não ficarmos completamente tristes, não vamos conseguir, depois, ficar completamente felizes. Algo assim 😛

    rel="nofollow">

  7. bruno says:

    Quanto mais coisas conseguimos,mais medo de perdelas.é nessa hora que deus é importante na minha vida,deus é sentimento! tente viver um dia por vez amanhã nunca vai chegar,porque amanhã sempre vai se hoje.

  8. Lucas. says:

    Caramba mano, fiquei péssimo ouvindo “Hurt”, cheguei até a chorar. Tu sabe quando uma música meio que delineia uma fase da vida? Aí quando você a ouve uma série de memórias e emoções dessa época vem à tona. Pois então, essa música marcou meu período de existência mais obscuro (Tão negro que eu considerei o suicídio mais de uma vez).

  9. Gus says:

    Essa imagem sempre me faz lembrar de “The End”, do The Doors(https://www.youtube.com/watch?v=aGmAmJFUvzM).
    “This is the end
    Beautiful friend
    This is the end
    My only friend, the end
    Of our elaborate plans, the end
    Of everything that stands, the end
    No safety or surprise, the end
    I’ll never look into your eyes…again”

  10. Vinícius Martarello says:

    É nessas horas que eu realmente tenho inveja dos religiosos, eles tem fé de que viverão mais, por isso são muito mais felizes.

    • diovane says:

      “Ao matar a morte, a religião nos tira a vida: vivemos morrendo. A eternidade despovoa o instante. Porque vida e morte são inseparáveis. Tirando-nos a morte, a religião nos tira a vida. Em nome da vida eterna, a religião afirma a morte desta vida.”
      — Octávio Paz

  11. VCR says:

    Bacana o texto. Ia ser legal também um post sobre o mesmo assunto só que sobre filmes, Kid.

  12. Rochester says:

    Sei não cara, deve ter algo errado comigo porque eu simplesmente não consigo alimentar esse tipo de sentimento. Se eu to puto a primeira coisa que faço é ligar um beatles (algo animado, do início da carreira) e deixar passar.

    Uma coisa bacan a se fazer (exceto na crise de idade) é pensar “como isso vai afetar a minha vida daqui a 1 ano? E daqui a 5? 10? 20?” Assim qualquer “problema” parece uma coisa insignificante que você nem vai lembrar mais direito.

    []’s

  13. Hurt é a mais triste com certeza. Se não me engano o Johnny Cash faleceu logo assim que a música foi lançada, que dá um peso ainda maior pra tristeza da música.

    “Who wants…” eu tinha a impressão que ela queria passar alguma mensagem do tipo de aproveitar a vida, já que não vamos viver pra sempre… eu nunca peguei a letra pra ver, agora já a ouço com outra idéia. E vou ver a letra completa.

    Não me vem a mente qual a música mais triste, mas a um tempo atrás eu comentei que o CLIPE da música “Você pode ir na janela”, do grupo Gram seria um dos clipes mais tristes que já vi. É uma animação de um gato que abre mão de algumas das suas 7 vidas pra ficar igual a da gata que ele gosta mas…. bom, ai é melhor ver : http://www.amtonline.com.br/2011/05/um-dos-clipes-mais-tristes-que-ja-vi.html#.UlwFMmRgaUI

    Abs !

  14. Luis Eduardo says:

    Bom, tem a Old & Wise " rel="nofollow">. Não chega a ser triste, é só um reconhecimento desses doces momentos que passamos juntos com nossos amigos, família. É uma despedida. E um agradecimento.

  15. Carolina says:

    Só trocaria a do Queen pelo Asleep dos Smiths, ou faria uma lista com 4 músicas. rs

  16. Clenio says:

    Uma musica que me deixa bem depre é a Dezesseis do Legião Urbana, não sei porque mas quando chega no “bye bye johnny” eu fico bem triste =/

  17. Vicente gabriel says:

    Isso quer dizer que voce esta certo quanto a te adorarem e odiarem (no meu caso ao mesmo tempo até).
    Enfim, musicas tristes me fazem lembrar de toda a tristeza que passei na minha vida de uma só vez. Por isso tento evitar esse tipo de conteudo

  18. Vicente gabriel says:

    tristeza que passei na minha vida de uma só vez. Por isso tento evitar esse tipo de conteudo

  19. Vicente gabriel says:

    Era pra ter saido tudo junto, mas seu site picotou meu comentario, da uma olhada nisso ai 😉

  20. Gara says:

    Cadê o Brasil na lista?

    Milton Nascimento -- Canção da América.

    Lenine -- Paciência.

  21. Marcelo Omini says:

    O senhor da minha melancolia, Renato Russo.

    A Via Láctea, O Livro dos Dias, Angra dos Reis, Andrea Doria, Maurício (essa pesa muito), Tempo Perdido (Essa pesa mais ainda)Longe do Meu Lado, Musica Ambiente.

    Mas como citou Queen…

    These Are The Days Of Our Lives.

    Vou acabar ferrando o teclado com minhas lágrimas.

  22. Paulo says:

    kansas -- dust in the wind
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