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3 Práticas Medicinais Medievais Assustadoras

Postado em 22 setembro 2009 Escrito por Izzy Nobre 253 Comentários

Quando eu era moleque, eu sempre dizia que queria ser “um cientista” quando adultos me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Não importava que ramo científico eu praticaria. “Um cientista, tia!”.

Ora, mas que tipo de ciência? Astronomia? Bioquímica? Herpetologia (que, por algum estranho mistério, é a ciência das cobras e sapos e lagartos, e não da herpes)? Eu não sabia. Meu contato com a “ciência” se resumia a filmes em que um sujeito com óculos e um jaleco branco explicava alguma situação usando termos bem científicos e importantes como “exponencialmente” ou “microorganismos” ou “nitroglicerina”. Aí o mocinho reclama dos termos complicados e o cientista explica de forma mais simples – “Vamos todos morrer a menos que você faça X”. Aí ele vai, faz, ninguém morre e o filme acaba.

Eu queria ser aquele cara. Eu queria trabalhar num laboratório, usar um microscópio, saber palavras importantes e explicar coisas complicadas pros outros. Afinal, eu já usava óculos mesmo, obviamente o resto devia ser mais fácil (estudar algum ramo científico por dez anos e arrumar emprego numa empresa relacionada ao meu ramo de estudo).

Ontem, eu decidi que queria ser outra coisa – Um paramédico. Assim, eu poderia prestar melhor socorro à minha noiva, que quase quebrou o pescoço por minha causa.


Foi assim. Quando a namorada chega em casa do trabalho, ela costuma vir correndo pro quarto, se joga em cima de mim e, naquele clima de casalzinho recém-casado, a gente se joga na cama e fica lá rolando feito idiotas, fazendo cócegas um no outro, essas merdas que vocês que têm namoradas devem saber como é.

Eu, por outro lado, tenho o péssimo hábito de chegar em casa, jogar as roupas no chão, e depositar meus gadgets na cama. O PSP e o iPhone, na maioria das vezes. O PSP pra jogar Super Mario World durante o expediente, e o iPhone pra músicas e navegar na internet.

Então. A namorada chega aqui em casa, vem correndo correndo pro quarto, me puxa da cadeira do computador e se prepara pra se jogar na cama. Acontece que meu celular estava exatamente no ponto em que ela cairia.

Usando cada grama de destreza que eu possuo, meio que “guiei” a namorada pro lado, pra longe do iPhone. Entendeu mais ou menos o cenário? Ela pulou pra cama me puxando junto, e eu empurrei a menina pro lado. Não sei como explicar essa sentença de forma que faça sentido, tentem imaginar a cena.

O resultado da minha manobra foi que a menina acabou ultrapassando sua área planejada de aterrissagem. Ao invés de cair sobre a cama macia, seu franzino corpinho gringo acertou a cômoda em cheio.

Bem no pescoco.

A menina caiu como uma boneca de pano no chão. Após o susto inicial, percebemos que ela estava bem. Mas durante aqueles cinco minutos em que ela berrava de dor no chão, o terror da possibilidade de uma fratura no pescoço me fez desejar que eu tivesse me formado como paramédico. Afinal de contas, médicos detém conhecimento que faz a diferença entre a vida e a morte, e por isso inspiram um incomparável senso de confiança. Não importa o que aconteca, um médico está a caminho e tudo vai ficar bem. Meu vizinho é médico, vou chamá-lo. Vou ligar pro meu médico. Se acalme, eu sou um médico.

O admiração da capacidade dos médicos é tamanha que na nossa língua, é coloquialmente comum (a engraxates e flanelinhas) se referirem a alguém como “dotô” em forma de reconhecimento de sua importância, a despeito do fato que desencravar a unha do dedão do pé com a ponta da faca é o limite de sua habilidade cirúrgica. Embora, como você está prestes a ver, há alguns séculos atrás isso seria mais que suficiente pra conferir a alguém o título de doutor.

Aí eu parei pra pensar. Não estaríamos cometendo um erro gravíssimo depositando tanta confiança nos profissionais de saúde…? Afinal de contas, a história nos mostra que algumas vezes, a ciência exercida pelos doutores não ficava muito acima daquela executada por um aprendiz de açougueiro em seu primeiro dia no serviço.

Trepanação

Na Idade Média, entrou em moda o princípio médico de “equilíbrio corporal”. Qualquer tipo de perturbação na sua saúde era indício de algum tipo de desequilíbrio nos seus “fluidos” (pra medicina medieval, tudo era “fluidos”), e o trabalho dos médicos da época era re-equilibrar seu sistema.

Impressionante que uma teoria que soa tão científica (e que tenha algum embasamento, como explicarei depois) tenha dado origem a técnicas tão absurdamente retardadas.

Sabe quando um colega da sua turma de Álgebra claramente entende a proposta de um exercício matemático, mas fode completamente os cálculos e chega a um resultado que faz você olhar pra ele e se perguntar o que diabos ele está fazendo numa faculdade? Então, essencialmente isso é a teoria por trás da trepanação.

A técnica, que na verdade é uma dos mais antigos procedimentos cirúrgicos da história, consiste em fazer um grande buraco no seu crânio – grande o suficiente pra que o osso não seja capaz de se reconstituir e você fique passeando por aí com um buraco na cabeça. Ou seja, estamos usando um significado bem liberal pro termo “procedimento cirúrgico”.

A idéia é que alguns distúrbios mentais (e alguns outros que não tinham nada a ver com o seu cérebro) eram causados por um desequilíbrio na sua pressão craniana. Então, pra resolver o problema, bastava arrumar alguém que estivesse disposto a abrir um rombo na sua cachola. E assim você estaria curado do seu resfriado.

Lembre-se, nego tava apelando pra arrebentar cabeças alheias na mesma época em que se acreditava que “maus espíritos” provocavam moléstias. Não preciso nem explicar o absurdo da idéia.

Não que a técnica seja absolutamente inválida – em alguns casos de traumatismo craniano, fluido cerebroespinal se acumula no crânio e aplica uma pressão que pode causar sequelas permanentes. Nesses casos (e só depois de analisar todas as outras opções), um competente cirgurgião coloca o maluco em anestesia geral e abre um pequeno orifício na cabeça do infeliz pra aliviar essa pressão. Ou seja, é uma operação cuidadosa que, além de só ser executada em última instância, é conduzida com a maior das cautelas. E enquanto o paciente estava sob anestesia, um luxo que os infelizes da Idade Média não tinham.

Agora compare com a imagem lá de acima que eu arrumei no Google. Me diz se não dá até pra imaginar que o maluco da figura mal tinha acabado de dizer “Nossa Senhora, que terrível inflamação de garganta me abateu hoje” pros outros dois já sairem catando no chão qualquer instrumento mais ou menos afiado pra arrebentar a cabeça do coitado.

A comunidade médica em geral abandonou a trepanação como método de curar doenças há alguns séculos, mas a técnica não está totalmente morta. Nos últimos anos, a turminha que é chegada nessa onda de viagens produzidas por alucinógenos inventou uma complexa pseudo-ciência que prega que trepanação serve como um método de atingir o nirvana, ou alguma coisa assim, o que confirma o velho adágio popular que profetiza que “existe doido pra tudo nesse mundo”.

Sangria

Sangria, conhecida em inglês como “bloodletting” caso você tenha vontade de pesquisar sobre a parada, é mais uma maluquice medicinal da escola de pensamento que pregava que problemas de saúde eram produzidos por algum tipo de desequilíbrio corporal.

Um grego chamado Erasistratus formulou o conceito de plethoras, ou seja, doenças provocadas pelo excesso de substâncias. E que substâncias seriam essa, você me pergunta? Bem, a idéia era inspirada nos conceitos alquimistas que explicavam que tudo no mundo era composto por quatro elementos – água, fogo, terra e ar.  Da mesma forma, tudo no seu corpo deveria estar associado a quatro elementos. No caso, eles seriam sangue, muco, bile preta e bile amarela. E seja lá qual seja a doença, existem grandes chances de que ela está sendo provocada porque você tem sangue demais no seu corpo.

E havia duas formas de balancear o volume do seu sangue – o “médico” te dava alguma coisa pra induzir vômito, tornando assim sua corrente sanguínea mais concentrada (a lógica é que vomitar reduziria o nível de outros fluidos no seu corpo, fazendo do sangue o fluido predominante), ou fazer buraquinhos no seu braço e observar o sangue indo embora.

Nos dias de hoje, você faria o máximo pra evitar ser furado por aí à toa. Há alguns séculos atrás, era o tratamento mais padrão que existia. Inventou-se até um elaborado sistema pra determinar exatamente QUANTO sangue deveria ser tirado, e levava-se tudo em consideração: sua idade, seu peso, altura, a região onde você morava, que time você torcia, os últimos cinco dígitos do seu perfil no orkut, sei lá mais o que.

A parada ficou ainda mais sofisticada com o tempo, quando decidiram que remover sangue de diferentes partes do seu corpo produziria resultados em locais diferentes. Tirar sangue da mão resolveria sua calvície; tirar sangue da orelha consertaria sua impotência. Aí decidiram que não precisava nem ficar doente pra apelar pra sangria – começou-se a furar os outros como meio de vacina contra certas doenças. Quanto pior a doença, mais sangue era necessário arrancar do infeliz, e pra piorar as coisas, a tontura que resultava do procedimento era sinal de que a técnica estava dando efeitos satisfatórios. E pra tornar a parada ainda mais putariosa, começaram a empregar sanguessugas pra chupar o fluido vital da galera. A procedência dos parasitas não poderia ser mais duvidosa, e o risco de infecção era mais ou menos 98%.

Se você tem alguma idéia de como funciona o corpo humano deve ter concluído que muita gente morreu no meio da sua sangria mensal. A desculpa era praticamente embutida – a doença estava num estágio avançado e ceifou a vida do paciente antes que a técnica pudesse fazer efeito.

Na minha terra isso se chama “gaiatice”.

Lobotomia

Dê uma olhadinha nessa foto ao lado. Se você precisava de alguma prova definitiva de que a confiança que médicos inspiram em leigos é ao mesmo tempo impressionante e assustadora, aí está ela em conveniente formato jpg.

Em 1890 um méd… um psicopata chamado Friederich Golz teorizou que a melhor forma de mudar o comportamento de um indivíduo seria DESTRUIR PARTES DO CÉREBRO EM QUE TAL COMPORTAMENTO ESTIVESSE LOCALIZADO. Após chegar a essa brilhante conclusão, maluco  nem perdeu tempo – afiou suas faquinhas e experimentou o procedimento no próprio cachorro. Naturalmente, o pobre cachorro ficou totalmente sequelado, o que Golz interpretou como sucesso total. Ora, quem pode culpá-lo? O cara queria reduzir o comportamento agressivo do cachorro, e após a cirurgia tudo que o totó faz é deitar na frente da casa por horas a fio, sem se mexer, com os olhos fixos em posições diferentes. Tecnicamente falando, a experiência foi um sucesso.

Demorou mais ou menos quarenta segundos pra que alguém decidisse que o procedimento deveria ser experimentada em humanos. Gottlieb Burkhardt, o chefe de um hospício suíço, ouviu sobre a maravilhosa proeza do outro maluco e resolveu experimentar em seis esquizofrênicos que ele tinha sobrando em seu hospício. Aparentemente o Burkhardt fez uma cagadeira ainda maior que a do Golz, já que aquele ao menos teve uma taxa de 100% de sobrevivência naquela sua primeira lobotomia no cachorro. No caso dos esquizofrênicos, bem, digamos que depois desse dia Burkhardt passou a ter apenas quatro esquizofrênicos sobrando.

Ao invés de identificar a técnica como o estraçalhamento totalmente irresponsável do mais importante órgão humano e bani-la pra todo o sempre, a comunidade médica do comecinho do século XX continuou a namorar a idéia de resolver problemas comportamentais através da técnica de fazer purê com os miolos de seus pacientes.

Foi finalmente um médico português chamado Egas Moniz (que coincidentemente tem o sobrenome de uma das minhas chefes, que de fato é descendente de portugueses. Perguntarei à mulé se ela tem algum bisavô chamado Egas) que “aperfeiçoou” a técnica. Moniz percebeu que esculhambar o cérebro de um indivíduo de fato foderia com a pessoa, então o que ele tinha que fazer é estraçalhar apenas algumas conexões nervosas isoladas, e não pedaços inteiros do cérebro. O sujeito acabou eventualmente ganhando um prêmio Nobel por causa disso, e se isso não é uma lição assustadora de quão enganada a comunidade científica pode estar a respeito de alguma coisa, nada mais é.

Enquanto isso continuamos tomando prozac, tylenol, vacinas variadas, viagra, advil e outros trocentos tantos medicamentos ou tratamentos que utilizamos baseados exclusivamente na confiança do que a indústria médica diz pra gente.

Não sei você, mas se eu tivesse um amigo que insiste em me oferecer sucos que mais tarde se revelam não ser exatamente sucos e sim água misturada com veneno… da próxima vez que ele viesse com um copo na mão, eu enfiaria um soco no meio do bucho do cidadão.

***

(Leitores voyeurs, se manifestem. Vocês talvez não saibam, mas esse feedback que eu recebo de vocês é JUSTAMENTE o que me motiva a atualizar esse site, especialmente com esse tipo de texto – mais longo, mais elaborado, do tipo que requer um certo trabalho de pesquisa e coisa e tal - aqui no HBD. Deixem a vergonha de lado e publique sua opinião aí. Eu quero saber o que esses 80% de visitantes silenciosos pensam a respeito deste site)

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253 Comentários \o/

  1. Théo disse:

    acho massa esses seus textos relacionados a medicina! ficou um pouco longo (na minha opiniao). o melhor ainda é o das profissoes mais esquisitas!

  2. maria disse:

    que coolllllllllllll

  3. @axsx disse:

    Velho, esse post sobre as “maravilhas da medicina” e ESPECIALMENTE o último (sobre lobotomia) me fez lembrar que vira e mexe essas merdas cientificas VOLTAM com outros nomes ou de formas mais rebuscadas.
    Sobre a lobotomia, recentemente (acho que os estudos começaram aqui no Brasil, no HC) médicos estão eufóricos com um novo tratamento para TOC e Trourret que utiliza de rais gama ultra-focalizados em uma determinada região cerebral e voilà! EXTRIPA ESSA REGIÃO SEM A NECESSIDADE DE CORTE.
    Ou seja: É A LOBOTOMIA DO SÉCULO XXI!
    Sem contar que teorias também voltam. Por exemplo tecnicas que mostravam como um individuo era DETERMINADO a fazer tais coisas por alguns sinais do corpo (leiam sobre CRANIOMETRIA) hoje falamos as mesmas coisas mas usando GENES (veja PROJETO GENOMA). Antes os cientistas sabiam quem era criminoso por anomalias osseas no crâneo, hoje pelo genes.
    Não é atoa que vira-e-mexe nas revistas “superinteressantes” da vida sempre sai uma reportagem sobre o “gene da homossexualidade”.
    EXCELENTE TÓPICO. Meus parabéns!

  4. Tiago disse:

    Otimo Post… mesmo 2 anos ainda muito bom de ler.

  5. Felipe disse:

    Muito bom o ‘artigo’
    boas fontes de pesquisa, e com muito humor

    Abraco

  6. Luis Renato disse:

    Então, eu te sigo a um tempinho no twitter e esse é o primeiro texto do blog que eu leio. A minha opinião é que ele é muito bem escrito, apesar de longo não é cansativo, e fácil de ler, parabéns, de verdade

  7. Anny disse:

    A história da lobotomia é a mais macabra e mais recente, ainda por cima. Sugiro dar uma olhada no caso da Rosemary Kennedy. Se não me engano ela tinha “problemas de comportamento” e foi sujeitada à isso e depois enfiada em um asilo às escondidas, porque o negócio além de corrigir o problema de comportamento dela, “corrigiu” também todas as funções normais do cérebro, deixando ela quase em estado vegetativo. Também tem a história de uma mulher que passou por um troço parecido nos dias atuais, só que ao invés do lóbulo, ela perdeu outro pedaço do cérebro por causa de uma infecção, e perdeu a capacidade de sentir medo. Felizmente isso era uma coisa que os médicos tinham testado só em ratos e chegado a conclusão de que tirando aquele pedaço, a criatura perdia completamente a noção de medo, e essa mulher confirmou isso. Mas isso bem que daria para uma das histórias medonhas da medicina na idade média. Imagina se os médicos tivessem descoberto isso uns séculos atrás? Um exército de “pessoas sem medo” viria a calhar nas guerras mundiais |:

  8. leumas disse:

    Eu não tenho namorada……… : (

  9. Manoel disse:

    Cara seus textos são incríveis,realmente muito bons! Adoro ler-los pois eles prendem a minha atenção de uma forma engraçada e séria ao mesmo tempo:é um paradigma de idéias eu diria. Parabéns e continue com seu ótimo trabalho!

    ps:Se não fosse o seu comentário eu não teria comentado haha

  10. allyson carlos carvalho disse:

    cara , fala comigo, esse seu jeito de escrever é muito bem pensado né? não me diz que é tudo de veneta, sai tudo na hora, porque não tem como, é tudo muito inteligente, sarcástico, e cômico ao mesmo tempo, ou você tem ajuda, ou googlismo mesmo, ou é loucura da sua cachola que te ajuda a transparecer seriedade e sátira cômica ao mesmo tempo.

  11. Brito disse:

    Tem um projeto de crítica à indústria farmacêutica aí que ia ser legal vocÊ explicar, cara…

  12. Thiago tt disse:

    Muito bom kid, tenho 16 anos e não sou muito fã de leitura, porém meu intelecto vem se desenvolvendo à algum tempo graças ao seu trampo. Mesmo sem comentar frequentemente, e a forma cômica que aborda temas bizarros, chama-me a atenção e em vosso humilde site as vezes aprendo coisas que jamais iria pesquisar a respeito, mesmo sabendo da existência, e acabo descobrindo que o assunto pode ser interessante.

    Quanto à industria Farmacêutica, e tocando em um assunto que ta bem na moda hoje em dia, você poderia fazer um post sobre a Maconha. Não sei as atuais condições legais aí, mas se não me engano era legalizada à um tempo atrás, e aqui no nosso Brasil, vem sido discutido bastante ultimamente. Sugiro que caso nunca tenha visto, assista ao documentário: The Union: The Business Behind Getting High, de 2007, tem disponível no Youtube. Ele fala inclusive que a indústria farmacêutica vem usando substâncias imitando as da Maconha em remédios famosos, e que a mesma só não é legalizada pois tem grandes benefícios e que eles não querem legalizar uma erva que você pode plantar em casa, e não gastar seu dinheiro suado enchendo o cofre deles.