Mulheres são estranhas. Pelo menos uma vez a cada duas semanas, minha senhora mete na cabeça que tem que ir pra uma boate A QUALQUER CUSTO, praticamente dando a entender que ela morrerá de uma forma bastante horrível se eu não atender o pedido dela. Sei lá o que diabos causa as mulheres a de repente sentir uma intensa agonia cuja única cura conhecida é se deslocar ao clube noturno mais próximo e dançar por três horas seguidas.
Pior mesmo é quando não é o clube noturno mais próximo que sanará sua necessidade de se expressar através da milenar arte da dança, porque aí a viagem é mais longa e mais cedo ou mais tarde eu sou obrigado a exercer mais humilhante e desmasculinizadora tarefa neste mundo azul – segurar a bolsa da namorada porque “ai ai ai meus pés estão me matando, segura isso aqui pra mim rapidinho”. Como se não bastasse eu ter temporariamente me transformado numa espécie de mordomo da menina, ainda sou obrigado a ouvir reclamações a respeito de andar por aí usando um salto alto. Eu não sou nenhum especialista em ortopedia, mas eu suspeito que NÃO USAR TAIS SAPATOS resolveria o problema.
Apesar disso, eu sempre acabo me divertindo com a mulher lá. Pra que fique claro, eu não sei dançar. Não conseguiria me mover ritmicamente nem que alguém estivesse apontando uma arma pra minha cabeça. Aos que indubitavelmente estarão pensando consigo mesmo “hahaha eu sabia que o Quide não sabe dançar” – eu tenho um site com layout inspirado num jogo de videogame, resolvo rubiks cube como passatempo e coleciono quadrinhos. É óbvio que eu não sei dançar, Sherlock. A menos que incorporassem a dança a, digamos, algum tipo de jogo eletrônico em que você tivesse que bater com os pés em botões de acordo com as instruções em forma de setinhas coloridas na tela. Aí é outra história.
Entretanto, isso não me impede de apreciar a ida a uma boate. Em primeiro lugar, uma boate é um dos poucos lugares que restam na nossa sociedade ocidental em que as mulheres podem não apenas se vestir como vagabundas impunemente, mas se esforçam o máximo pra agir como tais também. Não sei vocês, mas na fila do banco eu não costumo ver mulheres usando roupas que eu poderia descrever apenas como “CARAAAALHO!” se esfregando uma na outra ao som de Fatboy Slim ao mesmo tempo que cinquenta ereções acontecem imediatamente num raio de dez metros.
E se você costuma ve-las, por favor me diga nos comentários a que banco você costuma ir.
E em segundo lugar, homens com namoradas não precisam dançar. A obrigação de dançar é um fardo exclusivo dos homens solteiros; um malévolo produto das mentiras espalhadas pelas revistas femininas. Desde que essas publicações convenceram as meninas de que um homem é tão bom (ou ruim) na cama quanto no salão de dança, milhares de infelizes passaram a se interessar no efeminado exercício da dança solo, ou seja, dançar sozinho no meio do salão. É paradoxalmente tão triste quanto é engraçado.
Não, não. Isso não é pra mim. Eu faço exatamente o mesmo que tantos outros incapazes de movimento rítmico fazem – uso minha namorada pra disfarçar esse fato.
É fácil. Basta segurar a menina pela cintura, colar a sua barriga na dela, e emular exatamente os movimentos que ela está fazendo. A técnica trabalha de duas formas – primeiro, ela limita a capacidade de movimento da menina, prevenindo passos sofisticados e difíceis de imitar em tempo real. Com um nerd firmemente agarrado à sua cintura, tudo que a menina pode fazer essencialmente é dois-pra-lá-dois-pra-cá. Se você tinha coordenação motora suficiente pra executar qualquer Fatality em Mortal Kombat II, seguir a namorada em passos simples não deve ser um grande desafio.
E a segunda forma que a técnica funciona é que ela camufla sua falta de habilidade. Enquanto os dançarinos solo estão sob os holofotes tentando (fracassadamente) impressionar as cocotas com passinhso aprendidos em tutoriais no youtube, você permanece incógnito dentro do salão, o que é essencial pra alguém que – como eu – se recusa a dançar sozinho justamente por timidez.
Então. A inspiração para este texto veio daquela outra vez que visitei um clube noturno com a namorada. Como é de costume nesses estabelecimentos de apologia à libidinagem e ao consumo irresponsável de álcool e/ou música de qualidade questionável, havia nas paredes telões imensos que passavam videoclipes de música eletrônica. Tais vídeos me chamaram a atenção porque todos tinham uma coisa em comum – em cada um deles, em diversos momentos, MULHERES COM POUCA ROUPA BEM NO MEIO DA SUA CARA.
E descobri maravilhado que aparentemente há uma grande indústria, por assim dizer, de videoclipes “imorais” como diria minha avó. E como a grande maioria do público do HBD é a turma nerd que geralmente tem alergia de música dançante, vocês provavelmente nunca foram expostos a estes vídeos, e por isso achei que estaria fazendo um verdadeiro serviço público ao traze-los pra vossas senhorias. Sem mais delongas, aqui está o…
Top 5 Melhores Vídeos Pra Assistir de Porta Fechada
1) Fedde le Grand – Put Your Hands Up For Detroit
Esse foi o primeiro clipe que assisti na Roadhouse. Não lembrava do nome do artista nem da música, entretanto reconheci a canção quando ela tocou no midnight launch de GTA4. Upei esse vídeo pro Youtube (que eu esqueci de inserir no post sobre o lançamento), contatei meus amigos conhecedores do cenário da música eletrônica (mais especificamente, o célebre k-max e o digníssimo Rafa) e eles elucidaram o mistério do nome da música. Aí está:
Dá pra ver que o vídeo tentou emular, através dos movimentos mecânicos e artificiais do pessoal, aquele sentimento de distopia futurista orwelliana e tal. O que significa que o tal do Fedde le Grand deve ter lido 1984 alguma vez em sua vida e decidiu que faria uma homenagem à história inserindo o contexto do livro clássico num videoclip com mulheres seminuas.
Segundo o vídeo convenientemente nos informa, estamos no ano 2027 e todas as formas de vestimenta que cubram o corpo de maneira decente foram banidas. O lugar é alguma espécie de fábrica de clones ou alguma coisa assim, e as dúzias de putas/cientistas analisam cuidadosamente cada “produto”, como se fosse uma linha de controle de qualidade.
E como elas “testam a qualidade” dos caras? Tirando a roupa na frente do infeliz e analisando as reações dele, é claro.
Pelo que entendo através do contexto do vídeo, as meninas estão tendo problemas em desenvolver clones que não apreciem pirocas. O que é considerado algum tipo de falha no projeto, afinal o que qualquer um conclui vendo o vídeo é que homens estão em falta e clonar boiolas não resolverá o problema das centenas de cientistas gostosas, que se trata da condição clínica conhecida como “fogo na buceta”.
Eventualmente um dos clones escapa da fábrica, e… e é isso aí. O vídeo não explica o destino do clone, mas é provável que na cena seguinte ele estava sendo enrabado pelo assistente das meninas.
Momento de ouro: 0:36, quando a cientista que inspeciona o clone dá aquela reboladinha avassaladora que revela alguns milímetros da sua calcinha e acaba de tornar este seu vídeo favorito no youtube essa semana.
Você ouviu isso? É o som de mil nerds fechando a porta de seus quartos.
2) Alex Gaudino – Destination Calabria
Ahhh, este aqui é meu favorito. Sem enrolação, vamos direto pro vídeo:
Não demora muito pra Destination Calabria mostrar a que veio. Após um enigmático saxofone voador aparentemente multiplica seu tamanho espontaneamente, uma gostosa qualquer aparece com uma microscópica saia que não poderia esconder a bunda de sua dona nem com muito esforço. É a primeira de muitas bundinhas suculentas que você encarará sem piscar pelos próximos três minutos.
Outras trompetistas – tá certo isso? trompetista, tipo, derivado de “trompete”? sei lá qual o nome da porra do instrumento musical – que por algum motivo se vestem com saias de cheerleaders da mais devassa espécie aparecem no vídeo, rebolando, mostrando a bunda, etc, etc. Imagino que o diretor do vídeo pulou a etapa de coreografia e simplesmente entregou o figurino pras meninas e disse “quando eu disser ‘ação’, apenas dancem como se seus pais nunca fossem ver este vídeo”.
Em 1:59 a música perde o ritmo de outrora e as meninas, aparentemente exaustas de serem tão gostosas, se encontram caídas pelo chão e cambaleando de maneira etílica. Poucos segundos depois trezentas cópias delas aparecem pra tomar o lugar das moribundas e a música continua.
Momento de ouro: São muitos pra contar. Meu favorito é 0:46, em que uma das meninas ostensivamente remove a calcinha do “rêgo” como dizemos na minha terra. Vá lá, assista de novo. Ninguém vai te julgar.
3) Fragma – Toca/I Need A Miracle
Diretamente do ano 2000, aqui vem uma música que você deveria estar morando numa caverna se não ouviu naquele ano. I Need A Miracle foi essencialmente a My Heart Will Go On do novo milênio, e nem pense em vir comentar que o novo milênio começou em 2001 senão eu irei pessoalmente matar toda a sua família.
No começo da música você talvez achará que eu linkei o vídeo errado. “QUIDE!” berrará você, com uma insuportável dor na alma, “essa mulher está trajando o que até agora é a indumentária mais conservadora e decente dentre os clipes que você linkou, isso pra não mencionar aquele assustador penteado. Certamente você copiou a URL errada aqui, pois já assisti dez segundos deste vídeo e ainda não registrei nenhuma reação do meu membro reprodutor.”
Homens de pouca fé, continuem assistindo.
Este clipe está pra os anteriores assim como aqueles vídeos de 2 minutos no PornoTube está pra produções pornográficas mais elaboradas. Num filme pornô há uma história, um contexto, e vários outras desculpas esfarrapadas orbitando as cenas de sexo. Assim como um videozinho no PornoTube arranca as introduções desnecessárias e vai direto ao que você está realmente interessado, I Need A Miracle não tenta estabelecer uma espécie de justificativa pro contexto sexual. Aqui está uma mulher gostosa, ela está cantando no que parece ser um quarto de hotel, e ela sentiu vontade de tirar a roupa. Isso é tudo que você precisa saber.
Nada de entregador de pizza batendo na porta de uma tesuda, nem empregadinha francesa provocativa espanando o topo da estante de livros, nem porra nenhuma. Música começa, PÁ, mulher de lingerie na sua cara. Pronto.
Eu consigo apreciar a simplicidade.
Momento de ouro: 3:03, quando temos uma visão clara (e longa, considerando que cenas em videoclipes costumam durar entre zero e cinco nanossegundos) dos trajes putanhescos da menina. Seria melhor sem aquela AVAILABLE TO DOWNLOAD FROM MARCH 31st em cima, mas cavalo dado não se olha os dentes, não é?
4) Michael Gray – Borderline
Eis aqui um concorrente sério ao meu clipe favorito. Vamos lá.
Como sempre, os vídeos não nos dão muita explicação a respeito das cenas e somos obrigados a usar a imaginação. De acordo com o que posso observar, aparentemente é o Dia da Secretária e as meninas foram presenteadas com uma jornada de trabalho mais curta nesse dia. Pra comemorar, elas resolveram dançar no topo do prédio, mas antes de chegar ao seu destino um assaltante furtou as saias (e apenas as saias) das garotas. Não querendo deixar o encontro com o criminoso arruinar seu dia de folga, elas resolveram dançar de qualquer forma, com ou sem saia.
Nós agradecemos.
Momento de ouro: o vídeo INTEIRO.
5) Michael Gray – Weekend
Peraê – um vídeo do Michael Gray mostrando jovens profissionais de escritório que anseiam a chegada do fim de semana pra que possam sair pra curtir a vida, ao mesmo tempo que dançam com uma clara desconsideração por roupas?
Weekend é o prequel de Borderline!
Isso não elucida todas as nossas dúvidas, entretanto. Por que o escritório é tão mal iluminado? Por que uma das secretárias estava usando um maiô ao invés de lingerie convencional; haveria uma piscina no prédio? Quanto custaria o salário de uma secretária-modelo-dançarina? Em que tipo de escritório o simples fato de ser uma sexta feira daria justificação pra tocar música alta, espalhar documentos importantes pelo chão, abandonar todos os protocolos profissionais e sair mais cedo do trabalho (seriam as garotas funcionárias públicas brasileiras)? Se essas são as mesmas gostosas de Borderline, ou simplesmente atrizes diferentes interpretando as personagens do clipe original (tipo aquele péssimo Mortal Kombat Annihilation, em que substituiram praticamente TODOS os atores mas o Liu Kang passa o filme todo fingindo que não notou a diferença), de onde vieram aquelas gravatas que elas usam no outro vídeo – um erro de continuidade?
E, mais importante, por que não temos meninas similares trabalhando lá no tribunal?
São dúvidas que não querem calar.
Momento de ouro: Todas as cenas em que as garotas montam sugestivamente na máquina de xerox, o que me fará reproduzir o clipe mentalmente toda vez que eu passar pela máquina de xerox do trabalho. E o pior que a menina que trabalha naquela sala não deixaria nada a desejar trajando um bikini, se minha imaginação serve como prova pra alguma coisa.
Espero que tenham apreciado. E façam o favor de lavar as mãos antes de deixar um comentário, porque eu tenho mesmo que alguma comentadora engravidará magicamente e me declarará responsável pelo mistério.





Esqueceu o Smack My Bitch Up…
Ahaha, eu lembro de ter visto na MTV
outros 2 fodas http://www.youtube.com/watch?v=V5bYDhZBFLA e http://www.youtube.com/watch?v=rfr40TDfmM0
Porra Kid.. e esse? http://www.youtube.com/watch?v=L_fCqg92qks
Eric Prydz – Call On Me
Clipe de musica de academia rodado numa academia com mulheres semi nuas fazendo movimentos rítmicos
“algum tipo de jogo eletrônico em que você tivesse que bater com os pés em botões de acordo com as instruções em forma de setinhas coloridas na tela. Aí é outra história.”
Mas Kid, existe! O Pump it up xD
bando de nerd punheito da porra!
HAHAHAHA, veja Rammstein- Pussy.
Owna todos e mais alguns.
Abraço.
Certamente você esqueceu de Nelly – Tip Drill
Não disponível no Youtube porque o nível é sinistro demais praquele site.
Mas tem aqui: http://fliiby.com/file/13309/jlc0pdhiuf.html
Maldito Youtube e direitos autorais.
Nenhum video está mais disponível.
First
[...] Atualização: Um amigo meu me avisou que o Izzy Nobre, do site http://www.hbdia.com, já tinha feito um post parecido com esse… pior que eu leio o hbdia e não tinha visto esse pelo menos dos 5 clipes só 2 são iguais… quer ver mais 3 além dos que eu postei aqui? Vá lá! Top 5 clipes para assistir de porta fechada [...]
As duas referências ao Mortal Kombat foram imparábeis, pagavéns.
also, já fui a algumas boates aí, realmente dançar é um troço que não flui