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Top 5 Megaestruturas da Cultura Pop

Postado em 27 junho 2008 Escrito por Izzy Nobre 95 Comentários

Aê, turma. Viu como não demorara TANTO assim entre um post de verdade e outro? O que vocês acharam desse novo método de atualização do HBD? Entenderam agora que o foco não era exatamente notícias nerds, e sim textos mais curtos e menos exigentes? Deixe sua opinião aí nos comentários.

Enquanto isso, hoje temos um Top 5 com um bônus.

Em agosto de 1994 a revista Superinteressante trouxe uma reportagem sobre prédios hipotéticos que mediriam quilômetros de altura. Tá quase invisível nessa minúscula imagem que eu arranjei, mas dá pra ler – é a chamada “Cidade Vertical”, no canto inferior esquerdo da capa.

(Agradecimentos ao Nelson Antunes Filho, leitor do HBD que me arrumou um scan bem melhor da parada. A única outra imagem que eu encontrei era imprestável. Foi só mencionar no twitter a dificuldade de encontrar a imagem, que uma boa alma se prontifica a ajudar. Brigadão, Nelson!)

Lembra dessa edição? Eu lembro, porque sempre foi a minha favorita (aliás, vale mencionar que acesso a revistas brasileiras é uma das coisas que mais sinto falta morando aqui).

Uma das idéias por trás das imensas construções era contornar o problema da super população, mais uma das milhares de catástrofe globais que não se concretizou no tempo em que os analistas previam. E olha que nem tivemos uma grande guerra recente pra equalizar a densidade demográfica. Cientistas geopolíticos, vocês não têm desculpa.

A reportagem trazia um monte de imagens computadorizadas mostrando vários aspectos dos prédios, junto com uma escala comparando sua altura àquela de monumentos já existentes – e tornando-os minúsculos em comparação -, o que tornava a idéia ainda mais impressionante. Foi uma reportagem bastante interessante, ainda que meio fantasiosa. Um prédio com QUATRO quilômetros de altura? Peraí, né. Aí já tão aloprando.

Super-estruturas não são um conceito arquitetônico recente, já que vem da década 60. O propósito era duplo na verdade: reduzir o impacto humano no ecossistema global concentrando essa gente toda num só ponto, e estabelecer um ambiente isolado e auto-suficiente que servisse como modelo prático da colonização estelar. E nas décadas mais recentes, as superestruturas passaram a ser vistas como solução pra iminente superpopulação global.

Esse foi o foco principal da matéria da Super: “se não começarmos a nos amontoar em prédios tão altos que chegam a desafiar a grandeza do Criador (ver Torre de Babel, um projeto rudimentar com o mesmo propósito), daqui a pouco teremos ocupado cada centímetro quadrado deste planeta, aí estaremos lascados”.

Em ficção científica, a noção dos super-prédios é usada constantemente. Acho que é porque a idéia de uma construção tão imponente trás à mente imagens de uma sociedade muitíssimo avançada – afinal, que outro tipo de civilização seria capaz de arquitetar e construir estruturas auto-suficiente monstruosas? Nenhuma representação artística de uma civilização futurista estaria completa sem os prédios gigantescos no background.

Pensando nisso, resolvi fazer uma pesquisa sobre as mais populares superestruturas (não necessariamente apenas prédios habitacionais, embora começaremos a lista com um) a permear o mundo da ficção.

5) Arcologies (na figura, um Launch Arco)

A Launch Arco, junto com as outras três Arcos de SimCity 2000, são bons exemplos de arcologies. O termo, cujo nome é uma junção de “architecture” e “ecology”, é o princípio arquitetônico que tem como alvo a construção de estruturas habitáveis imensas, que aglomerem uma alta densidade demográfica. E a Launch Arco é um bom exemplo disso.

Lembra que a idéia por trás dos mega prédios é diminuir a influência humana no planeta? Então, o plano é que as arcologies seriam totalmente auto-suficientes, usando apenas energia renovável, e com mínima a(ou nenhuma) produção de dejetos. Um prédio “limpo”.

Todas as necessidades da vida moderna se encontrariam dentro da Arcology, eliminando a necessidade de sair dela por qualquer motivo que seja.

No entanto, a solução não lida com o problema óbvio da super-população (que é ironicamente o mesmo problema que as arcologies visam resolver). O que fazer quando uma arcology projetada pra manter cem mil habitantes ultrapassa esse número?

Talvez você esteja se perguntando por que o nome do negócio é “Launch Arco”. No jogo, se você está no ano 2051 ou depois disso, quando a 250a. Launch Arco é construída a “launch sequence” é iniciada. As Launch Arcos decolam, com rumo a planetas distantes, na missão de colonizar o espaço. Similar ao “fim” de Civilization, lembram?

No jogo, a animação das Arcos é a animação padrão de demolição, como se você tivesse selecionado o Bulldozer e clicado acidentalmente nela.

4) Mega-City One

Mega-City One é uma gigantesca cidade-país que existe no universo dos quadrinhos Judge Dredd. Por causa de uma guerra nuclear em 2070, a área ocupada pela cidade foi uma das poucas a se manter habitável e fértil.

Aí no mapa dá pra ter uma boa idéia do tamanho do negócio. Toda a área marcada aí, que vai do sul estadunidense até o o meio de Ontario, faz parte de uma imensa metrópole, dividida em Blocos. Cada Bloco é praticamente uma cidade em si mesmo, com escolas, hospitais, clínicas de aborto e lojas de sex toys. Um cidadão de Mega City One pode viver sua vida inteira sem jamais pisar fora de seu Bloco.

Mega-City One segue todas as linhas características de uma distopia futurista, incluindo a presença governamental/policial quase sufocante e o uso de punições drásticas pros crimes mais simples. Aí entra a figura dos Juízes, e se você já assistiu o filme sabe do que eu estou falando.

Na prática, estruturas como Mega City One e seus Blocos já existem. E eu tenho o privilégio de ter acesso a uma delas todos os dias. Já já explico mais sobre isso.

3) Seahaven

É estranho dizer isso de um filme que cujo protagonista é interpretado por um sujeito que atingiu fama com um filme em que ele faz um fantoche com a própria bunda, mas não há como fugir da verdade – Truman Show é um dos filmes mais inteligentes, interessantes e intrigantes da nossa geração. E é o único filme que eu consigo descrever usando 3 adjetivos que começam com INT.

Se você nunca assistiu o filme, te aconselho fortissimamente a aluga-lo. A história é essencialmente o seguinte – Truman Burbank era um bebê abandonado que foi adotado por uma produtora de TV pra ser a estrela do maior e mais ambicioso (e moralmente ambíguo) reality show da história.

Truman vive em Seahaven, que é na verdade um imenso estúdio televisivo construído atrás da icônica placa Hollywood, em Los Angeles (tentei arrumar essa imagem pro texto, mas não consegui). Dentro do estúdio, os produtores construíram uma cidade inteira, e empregaram atores que fazem o papel de conhecidos do sujeito. Todo o negócio é televisionado 24 horas por dia sem que Truman saiba.

No meio do negócio, Truman começa a notar algo estranho no mundinho em seu redor, e decide escapar dele. Os produtores do negócio, tendo o poder de manipular os eventos dentro de programa, jogam todo tipo de obstáculo separando Truman do seu objetivo de alcançar o mundo exterior.

A trama de Truman Show é tão interessante que ele é um dos poucos filmes que terminam com um final aberto a interpretações que eu gostei.

2) Rama

Uma das belezas da internet é que ela permite que você tenha ao menos um conhecimento superficial a respeito de coisas com as quais você não teve contato profundo. E o caso em questão é o livro Rendezvous with Rama (pronunciado RON-DEI-VÚ, traduzido livremente como “Encontro com Rama”. Não sei se esse é a tradução oficial).

Nunca li Rendezvous with Rama, por nunca tê-lo encontrado numa livraria. Mas desde a primeira vez que tomei conhecimento da trama do livro (através da Superinteressante, a propósito), achei a premissa simplesmente irresistivel.

Neste livro que foi o maior clássico do saudoso Arthur C. Clarke, um bólido extraterreste é detectado se aproximando do planeta terra no ano 2131. Primeiro suspeita-se que se trata de um asteróide; uma análise posterior revela que o objeto é perfeitamente cilíndrico, uma ocorrência improvável a não ser que seja um fruto de inteligência alienígena. Os cientistas dão ao objeto o nome de Rama, um deus da mitologia hindu. O motivo disso é que em 2131, astrônomos já haviam usado todas as deidades greco-romanas pra nomear corpos celestes, e começaram a emprestar as divindades menos mainstream.

Eventualmente uma missão espacial de reconhecimento é lançada em direção a Rama. Os astronautas descobrem que o objeto é oco, e que em sua cavidade existe um planeta em miniatura, completo com um mar que divide o cilindro no meio e até mesmo cidades, como pode ser visto na imagem acima.

As dimensões do negócio me impressionaram muito quando criança. Rama é descrito no livro como tendo mais de 50km de extensão, um diametro de 20, e sua “fuselagem” tinha mais de 1km de grossura.

Vou sair procurando esse livro HOJE mesmo.

1) Deathstar

Cês acharam que eu ia esquecer dela, não é? Falem a verdade!

A Estrela da Morte é provavelmente a superestrutura mais icônica na cultura popular. Fruto da imaginação de George Lucas, a Estrela é uma imensa estação espacial com poder de fogo suficiente pra condenar planetas inteiros à morte, e que nas horas livres serve como base de operação do temível Império Galático.

O que poucos não-nerds sabem é que na verdade existiram duas Deathstars – a que você vê ao lado é a segunda versão da estação, que apareceu em O Retorno de Jedi. A primeira havia sido destruída por Luke no primeiro filme. A aparência escangalhada da Deathstar II é porque ela ainda estava sob construção durante os eventos do terceiro filme. Se bem que, se você está lendo este site, você provavelmente já sabia disso.

A propósito, “Retorno de Jedi” foi uma má tradução do título, já que “The Jedi” se refere à ordem Jedi, e não ao Luke Skywalker (como a maioria interpreta o título) que na verdade não estava “retornando” de lugar algum na verdade. Até porque ele só passa a ser um Jedi no último filme, sua aparição não poderia então ser considerada “O retorno do Jedi” já que ele não era um Jedi anteriormente. O Retorno Do Moleque Que Estava Treinando Pra Se Tornar Um Jedi É Agora É Um teria sido mais apropriado.

No Universo Expandido que acontece após o Episódio VI, Luke reinstaura a ordem Jedi (que havia sido aniquilada pelo Imperador). Esse era o retorno referenciado pelo título original. O que o título realmente queria dizer é “O Retorno DOS Jedi”.

Má tradução de títulos pra português não é nenhuma novidade, vide o clássico exemplo do livro “The Physician”, de Noah Gordon, que inexplicavelmente virou “O Físico”. “Physician” significa “médico”. Enfim.

***

Essas são as cinco mais distintas superestruturas da cultura pop. Todas fictícias, claro, porém há um interesse bastante real na logística da arquitetura desse tipo de construções titânicas. E formas primitivas de algumas delas já existem no mundo real. Lembra que eu mencionei que tenho acesso a uma delas todo dia? Então. Estou me referindo ao…

0) Sistema Plus 15 de Calgary

O Diogo do Esculhambação teve a oportunidade de morar na minha cidade meses antes de eu me mudar pra cá, então ele deve ter entrado em contato com o +15 antes de mim.

O Plus 15 nada mais é que um sistema de passarelas erguidas a cinco metros do chão (o que equivale a 15 pés, dando o nome ao negócio) que conectam os prédios do centro da cidade minha cidade. O sistema se espalha por 16 quilômetros, ligando prédios residenciais, faculdades, shoppings, farmácias, livrarias, lojas de videogames, ou seja, todas as amenidades da vida moderna. O sistema é particularmente útil no inverno, já que elimina a necessidade de andar por aí sob frio de trinta graus negativos.

Os críticos do sistema o acusam de diminuir a movimentação “pedestre” no centro da cidade, o que é um argumento besta. A maior vantagem do negócio – oferecer proteção contra o frio durante o inverno, permitindo que você ande pelo centro inteiro sem sair na rua – automaticamente derrota qualquer criticismo. Isso sem contar na segurança proporcionada pelo sistema; ao invés de andar pelo meio da rua durante à noite, você transita dentro de prédios com câmeras de vigilância e seguranças.

Isso pra não mencionar a economia de tempo, já que você pode chegar ao seu destino cortando caminho pelos vários prédios que ficam no meio da sua trajetória.

Pra você ter uma noção da extensão do negócio, se liga nessa imagem:

As áreas vermelhas representam os prédios interligados pelas passarelas. Boa parte do centro da cidade está coberta pelo sistema, e a receptividade do negócio garante que muitas adições aparecerão no futuro. Tenho um amigo no trabalho que, nas folgas do horário de almoço, sai desbravando as +15 pra encontrar lugares novos pra comer.

Há alguns meses eu estava indo pra uma boate com conhecidos brasileiros. Fazia -5 graus com vento, e apesar de descermos do trem a mais de 6 quarteirões de distância, o único momento que passamos na rua foi ao sair de um shopping e atravessar a rua pra chegar à boate. 

Se eu morasse no centro, só pisaria na rua pra descer até a calçada e entrar no trabalho.

Isso é, até conectarem o tribunal ao sistema Plus 15.

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95 Comentários \o/

  1. Geek In The Pink disse:

    Top Vagabundos reiniciou ou é impressão minha? :O

  2. Geek In The Pink disse:

    Háhae, Geekão no topo. 8D

  3. Eöl disse:

    Se ainda não leu Encontro com Rama, vai procurar um pra ler AGORA MESMO. Livro fodástico, realmente a obra-prima do Clark.
    Se a imagem de Rama já é chocante, é porque você ainda não leu as descrições dos personagens do ambiente em volta deles, logo após entrarem em Rama. Coisa de maluco.

  4. Cassiano disse:

    aeuhuehauhae

    O negoço re-iniciou de novo
    Neryuuk deve estar se matando agora

  5. Argus disse:

    |: não necessariamente. Tem screens pra provar e tal.

  6. PurpleLine disse:

    Interessantíssimo esse negócio de +15, nunca tinha ouvido falar! Taí uma idéia bem útil…

  7. Heinz disse:

    hahaha nossa, muito legal esse post, realmente essas estruturas são provavelmente as top 5 da Cultura Pop, belas escolhas :D

  8. Luiz Felipe disse:

    Kid,

    “Físico” é médico em português antigo. O livro é sobre um médico medieval, o que explica a escolha. Dicionário nunca atrapalha.

  9. Thiago Leite disse:

    Eu lembro dessa edição da Super por causa do pôster dos pterossauros. Muito legal.

    Babylon 5 também caberia nesta lista, se esta fosse mais extensa.

  10. Duodeno Largo disse:

    Aliens tem pinto?

  11. Tama disse:

    Cara, ‘encontro com Rama’ é horrível!!!! oO
    Um dos piores livros q li na época em q estava interessada em ficção científica =P

    pS: Só p constar, o melhor foi ‘FUNDAÇÃO’, do Asimov… até hj sonho em encontrar a continuação =x

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