Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

Tutorial com as melhores iscas de trollagem

Postado em 3 November 2011 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Uma das coisas mais divertidas pra se fazer no tuíter, em minha humilde opinião de merda, é trollar a galera.

O retrato da nossa geração

Mas não me refiro a ser parte da galeira ZUEIRONA que ataca os outros indiscriminadamente pra chamar atenção e/ou celebrar o fato de que levou block. Sim, acredite, tem gente neste nosso tuíter que tira o dia pra encher o saco de alguém que nunca falou com ele e, quando finalmente é bloqueado, age como se isso fosse uma confirmação de suas noções de que o “alvo” é um babaca. “Olha que babaca esse cara, ele prefere não ler meus xingamentos gratuitos!

Não, isso é chato e já abordei esse fenômeno neste texto aqui. “Trollar”, pelo menos como eu compreendo o termo, não é o ato relativamente babaca de ir provocar alguém que sequer saber que você existe na esperança de receber alguma atenção da qual você se julga merecedor. Trollar é passar um trote amigável em alguém, é o bom e velho XISTE.

Trollagem pra mim é uma gozação relativamente inocente que, embora talvez chateie um ou outro, não é um ataque pessoal ou específico contra ninguém. Uma trollagem é essencialmente uma afirmação que evoca resposta revoltada e previsível.

É uma brincadeira relativamente idiota, serei o primeiro a admitir — mas que brincadeira com amigos não é idiota? Aquele negócio de bater no ombro do amigo, sabendo que ele olhará pra trás, mas você está do outro lado? É idiota, e é um bom exemplo de trollagem “física”. E assim como nas pilhérias tuitísticas, o sujeito reagirá de uma forma esperada, e logo em seguida perceberá que caiu no seu chiste (e talvez rirá junto com você, dependendo do tipo de humor dele).

Nos últimos anos, andei promovendo extensas pesquisas para desenvolver os melhores trollbaits (ou seja, “isca de trollagem”) possíveis. Use-as pra encher o saco dos seus amigos. Mas fique ligado: um trollbait é, em sua essência, uma piada interna. Ela só terá graça porque há um grupo que compreende a brincadeira.

Algumas destas já se popularizaram tanto no tuíter que viraram domínio público, então começarei com elas.

“Sou o único brasileiro acordado”

Esta aqui nasceu quando eu trabalhava no turno da madrugada. A timeline no tuíter, obviamente, definhava até entrar em coma praticamente. Descobri que essa frase é a perfeita combinação de palavras pra evocar respostas de imediatas de TODOS que a leiam. Atualmente a frase foi adotada por milhares de tuiteiros e, como falei, agora pertence ao povo.

Existem diversas variações. Tal qual Neston ou bombril, há milhares de formas de usar esssa trollbait.

“Acho justo”

Essa aqui nasceu na época do “Jogo Justo“, uma iniciativa internética com intuito de reduzir preço de games ou qualquer outra coisa que não me interessa porque jogos aqui já são baratos então vocês que se fodam. A trollbait nasceu como “não sei o que essa galera do Jogo Justo quer, já acho os preços de games no Brasil bastante justos“. Aprendi rapidinho que menosprezar a causa ou chateação de alguém com um conciso “acho justo” é extremamente eficaz.

Se posso confiar em meus seguidores, esta trollbait já atingiu até o mundo real. Acho justo.

“Sabe qual a diferença/semelhança entre Android e AIDS?”

Esta trollbait é recém nascida, mas tem muito potencial. Android, pra quem não sabe, é um sistema operacional para celulares e tablets que compete com o iOS, da Apple. A graça da piada está em traçar paralelos ou diferenças entre o SO e a síndrome que realcem e satirizem o horror cotidiano que é usar um Galaxy S.

Há várias formas de montar este trollbait, o setup está aí no topo, e você entra com a punchline. Aqui você vai explorar seu talento no improviso cômico. Por exemplo:

“Sabe qual a diferença entre Android e AIDS? Se você pegar AIDS, existe suporte”

“Sabe qual a diferença entre Android e AIDS? Um piora sua vida, impede que você coma alguém e causa estigma social, e o outro é AIDS”

“Sabe qual a diferença entre Android e AIDS? Quem pegou AIDS é porque já trepou ao menos uma vez”

“Sabe qual a semelhança entre Android e AIDS? Se tivéssemos conscientizado a galera mais cedo, ninguém mais pegava”

E por aí vai.

“Sabe por que o Xbox 360 tem esse nome? Porque ao ver um, o sujeito esperto vira 360 graus e vai embora”.

Este aqui não é criação minha, é um trollbait antigo do 4chan. Apesar dessa brincadeira datar de antes do lançamento do Xbox 360, ainda tem muita gente que cai nele.

“Metade dos meus seguidores é X, metade é Y, e metade é Z”

Essa aqui é uma das minhas favoritas e requer uma certa finesse. É o seguinte: a maioria das trollbaits consiste em dizer algo patentemente errado ou idiota, sabendo que não há nada a consciência coletiva da internet goste mais que corrigir alguém, e se deleitar quando vê os caras tentando “educar” alguém que está apenas rindo dessa idiossincracia internética — o vício em estar certo.

Entretanto, esta trollagem das metades é mais sutil — obviamente, não existem três metades MUTUAMENTE EXCLUSIVAS de um número inteiro. Acontece que o setup da piada infere que uma das metades é uma intercessão da outra, evocando a teoria dos conjuntos. Veja um exemplo:

“Metade dos meus seguidores é mulher, metade é homem, e metade é bicha”

Existe um gene no DNA humano que torna praticamente impossível alguém ler a frase e não berrar de pronto que o sujeito é um ignorante que desconhece até mesmo os conceitos mais elementares de matemática. “NÃO EXISTE TRÊS METADES SEU ANIMAL DE TRAÇÃO”, dirá o internauta que bater o olho na frase.

Entretanto, o colega corretor não atentou para a semântica da frase. O que existe não são três grupos exclusivos, e sim uma interseção — evidentemente, “mulheres” e “bichas” são grupos distintos, mas “homens” e “bichas” não. Ou seja, o que a frase quer dizer subliminarmente é que TODOS OS MEUS SEGUIDORES HOMENS SÃO BICHAS.

É uma trollagem Inception que funciona em dois níveis — a reação exagerada de quem não admite perder a oportunidade de corrigir alguém, e a surpresa ao perceber que a frase na verdade está certa.

“Pizza de muçarela é a melhor pizza que há”

Eis aqui outro exemplo. Eu usava muito essa trollagem há alguns anos, até que o Fantástico ou Jornal Hoje coincidentemente fez uma matéria sobre a grafia da palavra e acho que matou a brincadeira.

Aparentemente não.

Sim, pasmem, “muçarela” é a forma correta de escrever o nome deste queijo tão delicioso que causa obesidade e e os melhores peidos. Diga inocentemente “vou fazer uma pizza de muçarela” no tuiter ou no Facebook e aguarde.

“Sabe um filme bacaninha que eu até gosto? O Rei Leão, alguém lembra desse filme?”

Criei esta trollagem sob medida para meu amigo e campeão de autorama Jurandir Filho, do Cinema com Rapadura e do 99Vidas, que é de longe o melhor podcast da internet. Percebi com o passar do tempo que ela é igualmente eficiente contra outros colegas.

O Rei Leão é considerado universalmente uma das mais icônicas animações da Disney. Insinuar casualmente que ninguém conhece o filme ou que ele é merecdor apenas da alcunha de “bacaninha” é, pra alguns cinéfilos, uma ofensa pior que bater na cara da mãe com uma piroca de borracha.

Aliás, o termo “cinéfilo” é sem sentido, né? Cinéfilo é quem gosta de cinema, mas TODO MUNDO gosta de cinema. É uma expressão completamente nula, é tipo dizer que é “sorvetófilo”.

“Tava ouvindo essa ‘Clube dos Canalhas’ e achei bacana, tem alguma outra banda brasileira parecida com esse Pelanza?”

Começamos a entrar na área “calibre pesado”. Eu falei no começo que a trollagem-esporte não tem intenção de atacar pessoas, e sim tirar uma onda inocente só. Entretanto, esta aqui chega muito perto da linha que separa dos dois.

Como vocês devem saber, a música “ target=”-blank”>Clube dos Canalhas” é o hit single da banda paulista Matanza (pra mim, desceu além de Juazeiro do Norte-CE já é São Paulo). E Pelanza — ou é Pé Lanza? Já vi as duas grafias — é um dos participantes dessa banda adolescente “Restart”, considerado por muitos a pior desgraça a desolar o país desde os 8 anos de presidência do Lula.

A comparação entre as bandas (ainda que como um erro de leigo) é suficiente pra fazer alguns fãs espumarem. E ainda tem a continuação — após corrigirem o seu “erro”, mande um…

“Pelanza, Matanza, tudo a mesma merda”

É aí que o ódio transborda. Trata-se agora não de um deslize, e sim de uma postura deliberada de crer que não há diferença entre as duas bandas. A galera vomita de tanta raiva.

Funciona melhor comigo porque moro fora do Brasil há anos e o fato de que eu desconheço bandas populares do momento é convincente. Mas tente aí!

“Tou programando em HTML aqui”

Esta aqui é voltada à turma da “computação”. Eu gostava desse termo, “computação”. Fazia toda e qualquer atividade com computadores soar mais tecnológica.

HTML, como se sabe, não é uma programação. Há código, e há uma certa lógica, mas não é programação — é linguagem de marcação ou algo assim. Sei lá. Não importa. Ninguém se importa.

Acontece que insinuar que mexer com tags HTML é equivalente a “programar” leva a turma da área ao delírio colérico — não tanto pelo erro leigo, mas talvez também porque é um lembrete sombrio de que eles estão desperdiçando dinheiro adquirindo conhecimento acadêmico numa área que não requer tal coisa há muito tempo.

E por ora é isso. Se eu esqueci alguma clássica trollbait, me informem pra eu colocar aqui nesta coletânea de Greatest Hits.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: trollagem

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Luis Souza says:

    Minha cara caiu quando notei que eu posso ter sido vítima fácil de duas ou três e ter certeza de pelo menos uma, a do html.

    Well played Mr.Izzy.

  2. Douglas Borges says:

    Caramba, essa do Android/AIDS é de longe a melhor! hahahahahahah