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3 motivos pelos quais eu não irei pro céu

Postado em 26 agosto 2011 Escrito por Izzy Nobre 59 Comentários

De acordo com Romanos 3:23, todos os homens são pecadores e portanto todos tem no passaporte espiritual um visto de residência permanente nos quintos dos infernos.

Embora o dogma protestante não dê crédito a esta teoria, todos concordamos que alguns pecados são mais graves que outro. Mentir pra mulher dizendo que você almoçou meia folha de alface com água morna quando na real tu comeu dois Big Mags com milkshake não é a mesma coisa que, digamos, orquestrar o holocausto.

(Crentes acreditam que ambas ações têm a mesma gravidade espiritual, o que é apenas uma entre os muitos disparates em que eles crêem)

Então. Caso exista um inferno, eu e todos vocês que estiverem lendo este blog estamos definitivamente indo pra lá. O que por um lado é legal, porque nos veremos lá e será igual os IRContros que eu costumava ir quando morava no Maranhão, exceto que será menos quente. Mas, se a interpretação cristã a respeito do além for verdadeira, sofreremos eternamente nas brasas de Lúcifer.

Por outro lado...

Eu nunca matei, estuprei ou roubei ninguém, mas se o dogma cristão estiver correto, mereço o inferno simplesmente porque a história de Jesus não me convenceu. Um homem invisível que mora em outra dimensão mandou seu filho sem mãe — que é ele mesmo — pra morrer e depois voltar à vida porque este gesto magicamente nos livra da condenação, apesar de que o tal homem invisível é onipotente e não precisava de tanto malabarismo pra atingir um objetivo? Faz sentido!

Então, aí eu parei pra pensar e descobri que tenho alguns motivos pra ir ao inferno, sim. São 3, pra ser mais exato:

Eu fui um serial  killer de tamagotchis

Lá pelos anos de 97 e 98, os tamagotchis dominavam os pátios nas escolas brasileiras. Eu nunca tive um bichinho desses, portanto odiava todos os que tinham.

No Brasil o Dinkie Dino era mais popular. Como diabos eu lembro o nome do troço, eu não sei

Num belo dia que só poderia ser uma terça feira eu descobri que havia um pequeno botão de na traseira do aparelho (que só podia ter acessado com algo pontiagudo, como um palito de dente) que resetava o brinquedo. O botão era utilizado para reiniciar o “jogo” quando o seu bichinho inevitavelmente morresse.

Armado com um grampo de cabelo com a pontinha descascada, saí pelo recreio pedindo pra ver os tamagotchis dos coleguinhas. Os amigos, orgulhosos pela posse do brinquedo “da moda” e por ser tão exímios criadores de bichos virtuais, me ofereciam o brinquedo com sorriso no rosto.

Com uma prestidigitação maestral, eu produzia o grampo escondido na palma da mão e resetava o troço. Eu falava pro amigo “cara, acho que tua bateria morreu, olhaí” enquanto ocultava o grampo novamente, jogando-o no bolso de maneira casual. O coleguinha pegava o tamagotchi, notava desesperado que seu dinossaurinho voltou a ser um mero ovo, e chorava.

A essa altura eu já estava aliciando outro amiguinho, com o grampo novamente escondido na palma da mão. Tal qual Jack o Estripador, fui um prolífico serial killer cuja identidade jamais foi revelada. Lembro que alguns amigos chegaram a teorizar que nossa escola era foco de algum tipo de AIDS tamagotchiana.

Coloquei sal na água de peões de construção

Eu devia ter uns 10 anos. Aliás, agora que parei pra pensar, tenho certeza que tinha 10 anos: esta aqui aconteceu no ano da Copa nos EUA.

A rua na frente de casa estava extremamente detonada, e a prefeitura caridosamente contratou uma cambada de peão pra reconstruir a parada. Obviamente os caras tem que arrancar o asfalto inteiro pra fazer tudo de novo, então o dia inteiro foi naquela barulheira dos infernos de britadeira.

 

Não dava pra jogar Alley Cat com aquela barulheira toda

Pois bem, eu já estava puto com aquela barulho ensurdecedor. Eis que naquele momento um dos bóias-frias toca a campainha lá de casa. Atendo serelepemente e o  rapaz me pediu encarecidamente um copo dágua.

Era minha chance de desforra. Fui à cozinha, preparei um copo dágua no capricho — e por “no capricho” eu quero dizer “com duas colheres de sal”.

Joguei uns cubos de gelo por cima, mexi até que o sal fosse dissolvido e voltei ao portão pra dar o copo ao rapaz, com o capeta obviamente me seguindo de perto e esfregando as mãos diante mais um trabalho bem feito.

Nisso os colegas de trabalho dele já se aglomeravam à porta, pedindo água também. Voltei à cozinha e preparei mais soro caseiro sem açucar pros caras.

Chutei o cachorrinho do meu irmão

Essa aqui não é engraçada e tampouco me orgulho do gesto, mas tenho um compromisso quase jornalístico com vocês então não posso omitir essa história.

Meu irmão tinha um cachorrinho poodle chamado Alf. A família inteira amava o totó, o que é bem triste se você parar pra pensar que muito provavelmente o bicho já virou sabão faz tempo.

Então, eu estava voltando da escola animado porque era o dia em que a minha Superinteressante chegava pelo correio. Chego na frente do portão de casa e lá está o Alf, com algumas páginas da revista na boca e o resto espalhado pelo jardim.

Abro o portão gritando “nããããooo…” e tento recolher futilmente as páginas trituradas e cobertas de saliva de cachorrinho. O bicho veio pra cima de mim, rabinho abanando, claramente achando que tudo tratava-se de uma brincadeira. Irado, eu jogo a mochila no chão e meto um bicudo no animalzinho, que de forma quase cartunesca levantou vôo rodopiando e bateu contra a parede. Até hoje me arrependo disso e faz mais de dez anos que isso aconteceu.

É, eu vou pro inferno mesmo.

 

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Categorias: Vida maldita

59 Comentários \o/

  1. Thadeu disse:

    Serial killer de tamagochis foi foda kid…hasuahsuashaushasuh

  2. João Gava disse:

    Então se encontramos no inferno amigo izzy”
    Vai la no bar do seu zé, te pago uma rodada de cerva :D

  3. Fernando disse:

    Pow manow do dog foi foda heim!! Rs… Mancada!

  4. Junior Leal disse:

    seu verme maldito!

  5. neryuuk disse:

    Os dois primeiros foram fichinha… Você selou seu destino com o cachorrinho u_u

    hahahahahah

  6. Kid, num é por nada não, mas se eu pegasse minha gata derrubando meu netbook no chão ou meu cachorro mastigando meu celular, eu com certeza, faria bem pior que a bicuda no totó.

    Até por que, meu destino tá selado faz tempo meu amigo. auhasduasdasduhadsuhaweuhadwuhdawuhdawuhawduid

  7. Júnior Felippe disse:

    O sr. vai pro inferno porque és um ateu filha duma égua! E eu te faço compania lá em baixo com Dawkins hehe.

  8. Tadinho do Alf… Eu mando entregar tudo no endereço comercial do meu pai justamente por isso…
    rs

  9. Filipe Henrique disse:

    pqp, eu morava em um sitio quando tinha 10 anos… estava correndo atrás de varios patinhos quando derrepente, piso em um… fui chorando na hora mostrando pra minha mãe, só de lembrar disso meus olhos enchem de lagrima, coitado do animal.

  10. Leandro disse:

    Por que você ataca tanto Deus?

  11. Ricardo disse:

    Tá, e o nome da gostosa da foto?

  12. André disse:

    Tamagochi era foda. Todo mundo tinha o chines piratão, eu era o único que tinha o Tamagochi mesmo, o original.

    Porém, como eu era o único, todo mundo dizia que o meu é que é era o pirata. lol.

  13. Jonas disse:

    Se isso que tú fez já te condenou ao inferno, o que eu faço diariamente me condenou a danação eterna…

  14. ciberdek disse:

    Porra! Colou o cachorro? Maldade…

  15. Amanda disse:

    Organizar o holocausto tudo bem, mas chutar um cachorrinho^?!?!?!!?!?!?!!
    Tu vai pro inferno mesmo, Kide sem coração!