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Casório do meu chegado

Postado em 19 julho 2010 Escrito por Izzy Nobre 83 Comentários

Então moçada, anteontem eu fui num casamento.

izzy

É estranho ter dois nicks na internet. No meu caso, por anos fui “Kid” e agora recentemente na tuitosfera eu virei “Izzy Nobre”.

Caso você tenha curiosidade, não tenho grande preferência por um nem outro. Contanto me chamem de alguma coisa além de “filho da puta” já dá pra se considerar no lucro.

Na minha vida toda só fui a 3 casamentos. O primeiro foi o da minha tia, quando eu tinha lá meus 7 anos no máximo. Não lembro de absolutamente nada, a única prova de que eu realmente estava lá são fotos velhas e amareladas que minha vó guarda num álbum de família gigante.

Ah, e lembro que meu irmão foi o pagem do casamento. Ou pajem. Essas palavras incomuns eu esqueço como escreve mesmo. Ao invés de ser um curandeiro indígena, que é algo muito mais legal, pagem/pajem é o moleque que carrega as alianças pro altar.

O segundo foi o da minha prima Talita, em janeiro deste ano. Como passei tanto tempo longe da minha família e perdi a maioria dos eventos de grande importância, meti na cabeça que este matrimônio eu não perderia e fui ao Brasil só pra comparecer.

O terceiro foi ontem. E eu sabia desde o começo que seria uma catástrofe.

Eu trabalho de madrugada, das onze da noite às sete da matina. E pior que isso, eu trabalho nos sábados e domingos. Ou seja, eu não tenho nenhuma vida social noturna.

E eu já me acostumei com isso. Vivo como um homem velho ultimamente, mais preocupado com contas, dinheiro e carreira do que com a diversão dos fins de semana cos broders, então já me me resignei à sina de ser a única pessoa em toda a minha cidade que não está de ressaca no domingo de manhã.

Entretanto, casamento é um evento de mais importância, e tanto o sujeito como a noiva são dois chegados do peito – a menina inclusive é uma das melhores amigas da minha respectiva senhora. Ou seja, eu não tinha a opção de não ir. Beleza.

O casamento começaria às 3 da tarde. Calculei que poderia ficar lá até no máximo 6, e correria pra casa em seguida pra dormir até as 10, que é quando eu saio pro trabalho. De tal forma eu marcaria presença no casório e não comprometeria o soninho tão necessário daqueles que trabalham durante a noite.

Entretanto, tal arranjo não era suficiente pra minha patroa. O que ela queria mesmo era que eu participasse da festa pós-cerimônia, onde ela planejava dançar alucinadamente até que os pés desaparecessem por causa da fricção.

Ok. Neste caso eu precisaria pedir o dia de folga, porque se eu reservasse menos de 4h pra dormir antes do meu expediente, tanto fazia dormir ou não.

A gerência acatou meu pedido e  alguns dias mais tarde lá estava eu desesperadamente procurando no youtube um tutorial de como aprender a dar nó em gravata. Pra piorar o meu terno tava sujo, tive que fazer algunas Macgyverzives pra desfarçar manchas na última hora.

E pra completar o figurino, afivelei o cinto mais nerd que eu possuo que ainda é relativamente aceitável pra um evento formal:

cinto

É um cogumelo venenoso, conforme visto em Super Mario Brothers: The Lost Levels. Ele está aí pra representar o quão pouco eu me preocupo com o que pensam de mim.

O noivo e seus comparsas me pegaram lá em casa. No caminho supliquei que parassem num posto de gasolina ou algo do tipo pra que eu comprasse Redbulls.

Àquela altura eu já tava relativamente sonolento, porque eu havia chegado em casa do trabalho às 8 da manhã, e meu irmão – que havia dado uma festinha lá em casa na noite anterior – resolveu aspirar a casa às DEZ da manhã. E eu sou do tipo que se acorda do sono, só consegue dormir de novo no dia seguinte.

Como a loja em que passamos não vendia seringas, meu plano de injetar o redbull diretamente no olho pra fazer efeito mais rápido foi abandonado. Comprei dois redbulls, rezando pra que a potência do energético fosse suficiente pra me manter funcionando a tarde inteira, mas não o bastante pra me causar um ataque cardíaco.

redbull

E tocamos à igrejinha.

O grupo do noivo, como de costume, chega mais cedo. Sem nada pra fazer e com a igreja ainda vazia, ficamos lá perambulando sem muita razão ou propósito. Abri a primeira latinha e sorvi o líquido vorazmente.

Com tanta voracidade, aliás, que boa parte dele espirrou na minha cara, óculo, nariz, tudo. Me senti o rei dos mongolóides.

Os convidados começaram a chegar e foram se acomodando nos bancos lá da igreja (que era Luterana, conforme descobri por minhas andanças aleatórias pelos interiores). Decidi que era hora de tomar meu lugar, mas e o redbull?

Tomar energético durante uma cerimônia de casamento me pareceu desgraçadamente mal educado, mas sabe o que seria pior? Desmaiar de sono no banco e babar o ombro de alguém. Toquei um foda-se solene, dei outro golão do energético, e entrei no salão.

panoramicaPanorâmica borrada mas vamos que vamos

Minha estratégia pra escolher um lugar dependendeu do seguinte critério: eu queria ficar próximo o bastante da frente pra poder ver minha menina, mas não tão próximo pra que a turma lá na frente me visse tuitando constantemente.

Ah, é, esqueci de mencionar: uma das bridesmaids (creio que isso é a tal madrinha de casamento, mas não tenho certeza porque acho que madrinha é só uma, né? Bridesmaids são várias) sacaneou a noiva dizendo que não poderia mais ir ao casamento dela UMA SEMANA antes do mesmo.

A única coisa que a noiva podia fazer além de amaldiçoar todas as futuras gerações da desgraçada era se desesperar. Minha mulher, que tem um coração de ouro, se voluntariou pra preencher a vaga. E por causa disso ela precisava ficar lá na frente, em pé do lado dos noivos e das outras bridesmaids.

Casamento já é uma parada extremamente chata. Passar a cerimônia inteira sozinho é ainda mais maçante. A essa altura eu já começava a ficar com fome. Quando tempo demorará este estrupício?

Alguém havia largado um programa da cerimônia no banco bem ao meu lado. catei o panfleto, e o desespero se apoderou de mim quando vi que a cerimônia iria durar mais de uma hora.

Chequei a bateria do iPhone. 98%. Decidi que o tuíter seria minha compania pro casamento, então.

Quando a parada começou, rolou um dos momentos mais TENSOS de toda a minha existência neste planetinha miserável. Minha patroa, como bridesmaid, tem um “par” pra cerimônia – um dos groomsmen, ou “broders do noivo” em tradução livre.

Não sei a significância da tradição mas é isso aí, cada um dos noivos tem 3 “acompanhantes”, que formam casais e entram na igreja de braços entrelaçados.

E enquanto o órgão tocava uma musiquinha qualquer de teor casamentício e a congregação inteira se volta pra porta, lá vem minha digníssima e o groomsman respectivo entrando na igreja de braços dados.

Senti por uma fração de nanocentésimo de segundo um tilt na Matrix e imaginei que eu havia sido transportado pra uma dimensão paralela em que eu estava presenciando o casamento de minha própria senhora com um maluco qualquer.

tenso

Chacoalhei a cabeça quase imperceptivelmente, pra deletar a imagem mental. E o casório começou.

I Coríntios pra cá, “pureza do matrimônio” pra lá, e a difícil missão de se manter acordado tava começando a ficar mais impossível que zerar Contra com duas vidas e um controle levemente defeituoso. O pastor se animava no sermão e meus olhos começavam a ficar pesados. Bati nos bolsos procurando a segunda latinha de Redbull e não encontrei.

“Ficou no banco do carro”, conclui com desalento. Foda-se, o tuíter me manterá acordado. Abri o app correspondente e mandei todos se foderem, pra tentar extravasar um pouco a frustração.

A cerimônia pareceu durar uma geração geológica inteira, sendo interrompida de mil em mil anos pra uma oração diferente. Nessas hora eu dava uma olhada pela igreja, tentando achar outros ateus que estariam jogando Bejeweled no celular.

A cerimônia finalmente acabou. Minha mulher, fazendo parte da “bridal party”, tinha que acompanhar os noivos e suas famílias pra um parque, pra tirar fotos. Não me deram nem a opção, quando percebi já estava dentro de um carro a caminho do parque.

Chequei o relógio, curioso. Àquela altura, já fazia mais ou menos 26 horas desde meu último sono “de verdade”. Eu andava arrastando os pés no chão, com a cabeça baixa, a respiração pesada.

meninas

Enquanto isso o resto da galera tava tirando fotos com a maior animação. Quase DUAS HORAS DEPOIS, finalmente estávamos indo ao salão da recepção.

Na entrada havia fotos dos noivos, com espaços em branco ao lado pra que nós assinássemos com algumas palavras de felicitação.

Sem saber o que escrever…

epic

Não sei o que estava passando pela minha cabeça quando usei “EPIC LULZ” como quem diz “carinhosamente”, mas taí.

Na lista de organização das mesas, me veio a descoberta de que a minha mulher não sentaria comigo. Como parte da bridal party ela sentaria na mesa dos noivos, lá na frente.

Ou seja, sozinho pela cerimônia toda, sozinho no jantar de recepção. Ok, ao menos haveria um jantar. Àquela altura do campeonato eu estava me amaldiçoando por não ter aproveitado o pitstop do redbull pra comprar uns biscoitos ou algo assim.

Aí que veio o suplício. Chamaram praticamente qualquer pessoa que algum dia interagiu com os noivos pra ir ao palanque falar alguma coisa. Uma velhinha foi lá pra falar sobre a ÁRVORE GENEALÓGICA do noivo, um discurso tão estimulante quanto escovar os dentes. Nisso eu já tava completamente puto.

Quando o jantar FINALMENTE começou, nossa mesa foi a última a ser chamada. Como sou muito fresco pra comer, praticamente nada no buffet me agradava, meu prato consistiu de milho e pão. E eu fui pegar uma bebida momentos após o bar ter fechado (?????), ou seja, tive que comer milho e pão com ÁGUA MORNA DA TORNEIRA DO BANHEIRO. Eu não estou inventando isto.

Aí começaram os slideshows. Cinco ao todo, acho, com escolhas duvidáveis de fotos e música de fundo, mas tudo bem. Não lembro se o corte do bolo rolou primeiro ou antes da dança dos noivos, mas sei que depois da dança dos noivos, rolou a dança das bridesmaids com os groomsmen.
E lá vai o maluco lá dançar com a minha mulher, que é tão ou mais indignante que o caboco entrar com ela na igreja no contexto dum casamento. Enfim.
Pra terminar logo a porra desse texto que tá imenso, eu só fui ir embora lá pras 11 da noite. Lembrando, o casamento começou às TRÊS DA TARDE E EU SÓ HAVIA DORMIDO DUAS HORAS.
Isso não é um casamento, é um expediente.

Aí começaram os slideshows. Cinco ao todo, acho, com escolhas duvidáveis de fotos e música de fundo, mas tudo bem. Não lembro se o corte do bolo rolou primeiro ou antes da dança dos noivos, mas sei que depois da dança dos noivos, rolou a dança das bridesmaids com os groomsmen.

E lá vai o maluco lá dançar com a minha mulher, que é tão ou mais indignante que o caboco entrar com ela na igreja no contexto dum casamento. Enfim.

Pra terminar logo a porra desse texto que tá imenso, eu só fui ir embora lá pras 11 da noite. Lembrando, o casamento começou às TRÊS DA TARDE E EU SÓ HAVIA DORMIDO DUAS HORAS.

Isso não é um casamento, é um expediente. Pelo menos tiramos uma foto maneira no final de tudo.

eu e ela

Tá vendo o chaveiro? É o R2D2. BAM.

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Categorias: Vida maldita

83 Comentários \o/

  1. [...] e te persegue na internet não é um troll, ele é um babaca. Trollar é uma arte refinada. O casório do meu chegado Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode [...]

  2. Guilherme disse:

    como disse o colega, seu casamento será hilário

  3. Carol disse:

    Red Bull (apesar de eu preferir o Burn, não sei o motivo) nem funciona mais comigo. Também tenho problemas com sono e apelo pra energéticos QUASE-SEMPRE. E o efeito vai diminuindo à medida que você usa.

    E são um saco mesmo essas cerimônicas.

    Aliás, catástofre mesmo é isso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=8Ydg8Fb8H7M

    Old porém gold.