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Como eu decidi deixar de ser gordo (e como você pode também)

Postado em 1 setembro 2011 Escrito por Izzy Nobre 148 Comentários

Vou compartilhar uma foto com os senhores internautas.

Observe:

Esta fotografia foi tirada em 2002 — meros meses antes de eu emigrar para o Canadá. Como você pode ver, meu índice de gordura corporal era -10%.

A seguir, uma foto mais recente, tirada no Desencontro.

Caso você seja o amigo @lucasradaelli, eu descrevo a diferença entre as fotos — na primeira, eu aparento ter no mááááximo uns 50kg (isso contando a mochila que eu estava carregando no dia). Já na foto abaixo, 50kg teria só o hemisfério esquerdo da minha pança.

O que aconteceu nos quase 10 anos entre as fotografias? Ora, é simples: a combinação maldita de fast food (que aqui na América do Norte é onipresente) com o estilo de vida sedentário.

Pois bem. Eu decidi que não tem como continuar vivendo assim, e de forma literal — se eu mantiver esse estilo de vida, morrerei antes dos 30 anos, e olha que tou quase lá. Pra você ter uma idéia da minha total indiferença em relação às minhas artérias, tinha dias em que eu passava num McDonalds da vida no caminho do trabalho e devorava um xisbúrgue duplo com fritas e Sprite. Lá pelo meio do expediente batia a inevitável fome, e eu pedia uma pizza grande com dois litros de refrigerante.

E comia a porra toda sozinho, duma vez só.

Agora imagine isso se repetindo 3 ou 4 vezes por semana. É um milagre que eu ainda estou vivo (e que não fui à falência, porque ficar comendo porcaria todo dia custa caro no fim das contas).

Pois bem. Decidi que não quero ser balofo para sempre, porque vai que minha mulher percebe que está se casando com um sósia do Kevin Smith, porém sem o dinheiro  e a fama internacional e os contatos em Hollywood? Aí não dá, vou acabar tomando um pé na bunda e indo morar embaixo de uma ponte onde certamente adquirirei vício em crack e morrerei de AIDS.

Resolvi tomar uma atitude.

A forma mais simples e barata de perder gordura, diz o senso comum, é caminhar por aí. Como estamos apreciando os últimos resquícios de verão, decidi que tinha que começar ONTEM.

Primeiro, baixei o app RunKeeper. O app utiliza o GPS do celular pra registrar o seu percurso, a elevação, sua velocidade, quantas calorias você perdeu, tudo. Ele ainda sincroniza suas atividades com o seu perfil no site, o que é bastante bacana. Pra nerds que se amarram em contabilizar tudo (tipo eu, que curto saber quantas horas passei jogando ou lendo um determinado livro, por exemplo), é uma beleza.

Estipulei que caminharia 5 quilômetros todo dia (ao meu passo de lesma com cãimbra, dá exatamente uma hora), TODO DIA, sem desculpas. Nessas últimas duas semanas eu fui caminhar gripado, com o tornozelo fodido, e debaixo de chuva pesada. Sem determinação não se obtém resultado em nada, acredito, então minha missão pessoal é não deixar que nada sirva como desculpa pra “pular” um dia.

Me acompanhando na caminhada estão meus podcasts favoritos (o que faz o tempo passar bem mais rápido), e meus amiguinhos de bolso do tuíter. Fico andando por aí e conversando com eles, que também me dão bastante motivação. Alguns decidiram até seguir meu exemplo e largar a vida adiposa.

Além disso, é preciso dizer que dei adeus aos fast food definitivamente. Por muitos meses eu pensava “ok esse é meu ÚLTIMO xisbúrgue, agora paro, sério”, mas em menos de 24 horas tava lá na fila do McDonalds de novo pedindo outro Quarteirão Duplo com queijo.

Melhor nem olhar muito pra essa foto, senão bate saudade.

Dessa vez eu larguei mesmo. Pena que nem lembro qual foi minha última refeição fastfoodística; talvez se eu soubesse que aquela era minha gordice derradeira, eu teria apreciado o sabor com mais intensidade. Oh well.

No momento que escrevo este post no meu diário virtual online, o qual é visitado por 70 mil vagabundos por semana (vão ler um livro, seus infelizes), faz mais de uma semana que não como nenhum tipo de fast food — minha única passada nesse templos de culto aos triglicerídios foi no dia 22 de agosto.

Passo correndo pelas praças de alimentação no shopping quando me encontro por lá, aliás, sem nem olhar pras tentações gordulenticas.

Uma semana talvez não pareça um grande “achievement unlocked” pra você, mas pra mim, que comia fast food praticamente todo dia, é uma marca inacreditável. Meus colegas de trampo, que estão acostumados a me ver com uma sacolinha engordurada do McDonalds a tiracolo, estão surpresos.

Sem contar que estou economizando uma grana agressiva também. Além de torrar dinheiro comendo porcaria fora de casa quase todo dia, esse hábito me fazia estragar MUITA comida aqui em casa.

Era sempre a mesma coisa: eu ia ao supermercado, comprava carne e frango, mas aí passava a semana toda comendo fora. Joguei MUITA carne estragada no lixo nos últimos meses, era um prejuízo filho da puta. Minha carteira chorava sempre que eu achava bifes verdes no fundo da geladeira, ainda na embalagem.

Agora, invés disso, faço comida em casa e levo pro trabaio. Mais barato, mais saudável, menos desperdício.

Nesta semana, decidi que tá na hora de passar pro próximo nível. No meio de uma das caminhadas, decidi ir a uma loja de fitness que fica a mais ou menos 3 quilômetros daqui de casa (encarei a caminhada extra como “bônus”). Compre um haltere de 5 quilos — bastante peso pra um frangote feito eu — e uma daquelas barras pra fazer chin-ups.

Tudo bem que no momento eu mal consigo fazer UM chin-up, mas tou tentando todo dia — junto com 10 minutos de bicicreta ergométrica, flexões, e curls com os halteres.

O negócio é encarar a parada como uma mudança no estilo de vida. Todo santo dia eu acordo já pensando “opa, vamo lá pra caminhada!“. Hoje comecei a correr, e terminei meu percurso de 5km em 40 minutos, invés dos 60 de outrora.

Então é isso. Cortei o fast food drasticamente (o único luxo adiposo que ainda me permito é a batata palha com o almoço; essaí eu não abro mão (por enquanto) porque também sou filho de deus caralho), passei a caminhar/correr 5 quilômetros por dia, seguida de uma malhaçãozinha de leve aqui no escritório.

Uma semana depois de começar essa porra toda, resolvi tirar uma foto LAMENTÁVEL de cueca na frente do espelho. Devia ter tirado ANTES de começar essa porra toda, mas esqueci. Bom, uma semana só não teria feito muita diferença mesmo.

Só liberarei essa foto do “antes” para o mundo quando tiver um “depois” que seja menos humilhante. Estou perfeitamente resignado ao fato de que só detectarei mudanças visíveis daqui uns 3 meses (senão mais), então veremos.

Ah, e eu nem me pesei quando comecei essa merda toda aí. Minha balança tá sem bateria, e é daquelas esquisitas e difíceis de achar. Procurarei hoje no shopping.

E você? Vai ficar gordo pra sempre, ou quer vir comigo rumo ao físico espartano? Vai terminar essa coca cola aí, ou fazer a coisa certa e jogar na pia?

Ahhhh, quase esqueci: muita gente me pergunta porque não entro numa academia. É que quero aproveitar o restinho do verão pra me exercitar SEM precisar gastar dinheiro (afinal, são os últimos meses em que dá pra fazer isso). Quando chegar o inverno, entrarei na academia.

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Categorias: Vida maldita

148 Comentários \o/

  1. Alguém mais está achando que a Bebba está obrigando o Kid a emagrecer para o casamento?