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Estou na beirada dos 30. Eis como me sinto em relação a isso

Postado em 3 November 2013 Escrito por Izzy Nobre 22 Comentários
meu rg

Acabo de reparar que meu RG foi emitido ANTES dos ataques de Onze de Setembro.

Este é o meu RG. Junto com alguns outros poucos documentos — título de eleitor, dispensa militar, alguns cartões de identificação escolar –, é um dos últimos artefatos que me conectam ao período que eu convencionei chamar de minha “vida antiga” — a vida no Brasil. Eu ia usar a foto só pra ilustrar meu iminente aniversário, mas como o tema do post é justamente “envelhecer”, este pequeno lembrete de uma vida semi-esquecida se torna ainda mais apropriado pra esse texto.

Quando eu nasci, meu pai tinha 23 anos. Lá pros meus 6 ou 7 anos, a época em que começamos a formar memórias mais claras (eu diria que é aí que sua vida realmente começa aliás), meu pai tinha aproximadamente a 30 anos.

Meu pai era o adulto mais próximo, a principal figura de autoridade. Por isso, na minha cabeça infantil, os 30 e poucos anos eram a “idade adulta padrão”. O mundo adulto, populado por pais, professores, médicos, empresários e políticos, era um mundo de pessoas de 30 anos. A turma com essa idade é quem dominava o mundo.

Eu nem me imaginava chegando nessa idade. Agora que estou à beirada dos 30, estou extremamente introspectivo. É impossível não comparar o que eu acumulei nestes quase 30 anos, com o que o meu pai tinha na mesma idade. Com a minha idade, meu pai já tinha tido dois filhos, começado sua carreira numa gigante multinacional, sido transferido por causa do trabalho, viajado ao exterior, etc.

Sei lá. Não consigo acreditar que estou chegando aos 30 anos — e que no fundo, no fundo, não sei bem o que estou fazendo com a minha vida. Tenho umas idéias e uns planos aí, sim, mas como é comum a alguém paranóico e cheio de self-doubt, questiono cada decisão e me pergunto se no final das contas não teria sido melhor ter ficado no Brasil after all.

Apesar desse tom derrotista, eu não tenho muito do que reclamar. 2013 foi um ano em que realizei TUDO que eu queria, o que coloca uma pressão absurda em 2014. Se 2014 não for ainda melhor, vou sentir um retrocesso. E aí estarei deprimido de verdade no meu próximo aniversário.

E tem aquele conceito que já compartilhei aqui uma vez. Vim aqui com 19 anos, no dia 28 de novembro terei vivido no Canadá por exatamente uma década. Considerando que nossa vida realmente só começa lá pros 7 anos, tenho 12 anos de vida brasileira contra 10 de vida canadense. Daqui a pouco, a vida brasileira que sempre foi um marco tão definitivo da minha propriopercepção e auto-identidade será um fator menor da minha vida como um todo.

Minha “vida canadense” será mais determinante na minha formação pessoal do que a vida brasileira foi — e considerando que vivi minha vida adulta inteira aqui, é possível que esse momento já chegou.

Wow. Estou aqui há quase 10 anos. Lembro quando tinha acabado de chegar — sem dinheiro, sem conhecer ninguém, sem falar a língua, e amargando o fim de um relacionamento de 3 anos, e presenciando também o desmoronamento do casamento dos meus pais.

Eu tava com uma idéia bem maior pra esse texto. Uma análise sobre a experiência de envelhecer, de passar sua vida adulta inteira observando seu país natal de longe, de “crescer” diante dos olhos de tantos estranhos (o site tem 11 anos e alguns de vocês o acompanham desde o começo). Só que meu desânimo é tamanho que eu não consigo nem me forçar a escrever, como já foi o caso em outras circunstâncias em que eu estava desanimado.

Blah.

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comments

Categorias: Vida maldita

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

22 Comentários \o/

  1. KillerV8 says:

    I know that feel, bro. Sou mais velho que você 1 mês e penso a mesma coisa.

  2. João Pedro Santos says:

    É PRA GLORIFICAR DE PÉ IGREJA

  3. Odaara says:

    Parabéns por conseguir manter a mesma identidade desde 2001, a minha já deve estar na 167ª via.

  4. Hugo Moita says:

    Se em 2013 realizaste TUDO é porque acima de tudo estas no BOM caminho.
    Segue firme, faz planos sólidos para 2014 e repete a fórmula.

    Quando te vires com 40 ou 50 é que vais perceber se o que fizeste foi certo ou errado…

    Esta é a minha opinião (e eu sou mais novo que tu).

    Abraço de Portugal

  5. Caio says:

    Nao fica assim kid, vc conquistou muita coisa tb, uma mulher bonita por exemplo, varios fans pelo brasil td, conseguiu conhecer varios idolos da nerdoesfera brasileira, tem um emprego decente, paga suas contas e esssa porra toda. Enfim cara, vc é um cara foda pra mim e hj eu tenho so 17 anos e fico imaginando o q a vida me reserva, espero q bastante coisa cara (pricipalmente dinheiro hahaha) mas se eu conseguir achar o amor da minha vida q nem vc achou a bebba (que me ame msm sendo um nerd, fan de quadrinhos, gordinho e de 1,61 de altura) eu ja vou ta feliz pra caramba, portanto nao desanime cara, pq vc é idolo de mt gente e mt gente se espelha em vc, saiba q a quantidade de inscritos que vc tem no youtube, o numero de followers q vc tem no twitter e o numero de curtidas no facebook é o msm numero de pessoas q torce por vc e que vai te acompanhar msm que a maior merda q pudesse acontecer na sua vida acontecesse, pq nos somos seus fans e é isso q fans fazem haha. Do seu amigo de bolso e broder, Caio Almeida

  6. Fábio says:

    Se é isso que você quer escutar então lá vai:
    Você tem 29 anos, é casado, tem um bom emprego (penso eu) suficiente prá bancar um Mustang, é famoso nas internets e mora num país decente.
    Eu tenho 29 anos, sou sozinho, tenho um emprego que só agora me permitiu comprar um Celtinha 2005, sou um anônimo fudido e moro no Brasil.
    Então para de mimimi caralho.

  7. Guilherme says:

    Izzy dá uma olhada nisso e depois diz se faz ou não sentido hahaah

    http://www.buzzfeed.com/erinlarosa/27-coisas-que-nao-sao-valorizadas-na-casa-dos-30-a

  8. André Henrique says:

    Izzy, pois eu sou bem mais novo que tu(tenho 15 anos), e pela iminência da chegada do meu aniversario q é em dezembro, eu também to pensando nessas coisas. Próximo ano vou ter que estudar pra valer pra passar no enem. E se eu não passar? estaria perdendo um ano da minha vida, é o que eu penso, e só de pensar em não passar, eu fico triste pela minha mãe que tanto deposita expectativas em min. E outra é que eu não indago os feitos concretos que eu já obtive, eu fico triste pelo passado ser concreto e imutável. Ha momentos do passado que agente fica triste por não poder revive-los, e isso é o maior pêsame de “ficar velho”. Eu penso que quando eu tiver uns 60 anos eu pouco vou lembrar desses dias que passo hoje, visto que eu mal me lembro de coisas que aconteceram a 5 anos. O mais triste da vida é esquecer os bons momentos e esse mundo é cruel por nós não podermos revive-los, e eles simplesmente caírem no esquecimento na maioria das vezes. Mas eu fico feliz pelos bons momentos que ainda viram, só que novamente me vem o pensamento dos meus 60 anos, em que praticamente não haverá mais os bons momentos, já que maior parte deles já passaram.

  9. Arielrbr says:

    Faz uma série de textos dessa série aqui no blog,assim você vai destilando esse sentimento aos poucos,mas pode ir seguindo com os normais alternadament

  10. Roney Gomes says:

    Com todo mundo sempre postando os seus sucessos em tudo quanto é canto (Instagram, Facebook etc.) é impossível não se comparar a essas pessoas sem se sentir um tanto pra trás. O papo da grama do vizinho ser sempre mais verde.

    Você por exemplo, está sempre divulgando as coisas massas da sua vida aí no Canadá (carro novo, videogames legais, toda a vida num país de primeiro mundo ect.), de maneira que eu chego a pensar que a tua vida é só coisa bacana, é tudo sucesso.

    Posts como o de hoje meio que nivelam todo mundo. Mostram que apesar das diferentes realidades em que a gente vive acaba existindo algo que nos iguala.

    No fim todo mundo tem os seus anseios, as suas dúvidas e um monte de dificuldades pra superar. Eu acho isso massa, me mostra que eu não estou tão atrás assim. Além de que é bom se identificar um pouco com aquilo que se lê.

    Esse comentário não tem lá muito propósito. Mas enfim, feliz aniversário.

  11. Gerson Maria says:

    Te acompanho a uns dois ou três anos já, para mim tem sido bem legal.Cara vai por mim 30 anos ta arressem começando a vida eu tenho 19 anos e ainda não decidi meu futuro, e tu tem me influenciado bastante nesses últimos anos já pensei duas vezes antes de fazer merda ahha … continua assim daqui uns anos tu vai ler esse post e ver era arressem o começo haha.. tu vai ter uns 60 anos e ainda escrevendo pra nos u-u tomara né abraço ae

  12. Daniel (Pastel) says:

    Estou chorando, velho.

    Tenho meus 15 anos e sou um Zé ninguém. Sempre que vejo alguém falando com este saudosismos eu penso se terei lembranças para contar para minha mulher quando formos mais velhos. Quero estar na frente de casa, em uma cadeira de balanço e pensar na vida com ORGULHO! Valeu, Kid.

  13. Bruno Guedes says:

    “Blah” é o melhor final de texto que você já escreveu, com certeza.

    Mas falando sério, eu tenho minhas reservas sobre me sentir “velho” aos 30 anos. Deve ser porque eu estou com quase 25, mas vamos ver. Ainda assim, acho que é parte normal de “ficar adulto” começar a se comparar com o que outras pessoas realizaram, especialmente suas gerações anteriores. Esse tipo de sentimento é familiar.

    Mas por outro lado, pare pra pensar que duas gerações pra trás seus avós provavelmente tiveram mais filhos mais cedo até do que seus pais. As condições e as expectativas mudam, e eu acho que é mais importante estar sempre melhorando do que se comparar a um ideal absoluto e tals.

    Como disse o povo, você está realizando sonhos e conquistas nesse ano pra caralho, uma inspiração pra um monte de gente(eu incluso). Então viva essa sua sensacional vida e continue melhorando.

    E não pare de escrever nesse site. É um dos poucos que ainda me dão alegriar de ver atualizar no feed. 🙂

    (E parabéns adiantado; se eu lembro qual o fuso de Alberta, está beeeem adantado, mas até o meu comentário ser aprovado de repente o dia chega, então taí. Tudo de bom, Sr. Kid. :V )

  14. Pedro says:

    Já que escreveram muita auto ajuda que eu também escreveria se já não tivessem escrito, vou elaborar um outro pensamento que tive esses dias.

    Na pré-história a expectativa de vida do ser humano era de aproximadamente 25 anos. Biologicamente nosso corpo se desenvolve até aí. A partir dos 27 começa a curva decadente da velhice; pois até esse momento a natureza já espera que você tenha procriado, e assim, portanto, a partir dos 27 vc já está fazendo hora extra no mundo. Então é possível dizer que o nosso cérebro é “feito” para perseguir objetivos primários até essa idade, e depois, morrer. Afinal, como eu disse antes, no começo se morra com 25 anos.
    E o que acontece quando a sua expectativa de vida extrapola imensamente o tempo para o qual o seu cérebro foi “feito” pra viver? Ele começa a divagar por outros assuntos? Começa a pensar em coisas que um ser humano jovem que só pensa em procriação nunca pensaria? Fica perdido, sem saber o que deve fazer dali em diante, já que biologicamente seu cérebro entende que a idade dos objetivos naturais já passou?

    Talvez todo o desenvolvimento humano tenha começado quando nós começamos a viver mais do que deveríamos, junto com a maior parte das tristezas.

    • Pedro says:

      Provavelmente isso é um monte de merda, já que não pesquisei nada a respeito nem manjo do assunto, mas sei lá, se tiver algum embasamento, alguém diz aí. Ou não.

  15. HugoSaraiva says:

    Israel,
    Começo dizendo que fazer trinta anos mexe com as pessoas, videva música da Sandy. A festa mais triste que eu já presenciei na vida foi a comemoração de trinta anos de um colega. O cara tinha se separdo, perdido a guarda da filha, estava num emprego que não gostava, entre outras coisas.
    Bom, no seu caso, acho que você está com síndrome do ouro de tolo do Raul Seixas. Talvez esteja se sentindo culpado pelo sucesso em todas as áreas da vida ou talvez esteja com medo de ficar velho. Eu voto nos três!
    1) Ouro de tolo: Realmente não se deve acomodar por ter conquistado tudo. Siga o exemplo do Raul: Discos voadores, cara!
    2) Culpa pelo sucesso. Acontece (Não comigo). Vc vê os outros ferrados e tem receio de ser feliz e desfrutar o que conquistou na base do mérito, ou da sorte ou de ambos. Se der essa sensação, faça um menage com a bebba e uma amiga no mustang que passa.
    3) Medo de envelhecer. Pra esse não tem cura. É uma doença crônica que ataca a todos, mas a solução da opção 2 pode ajudar aqui também.

    Por fim, meus parabéns e um conselho do alto dos meus 33 anos: Deixe de ser maricas e aceite os trinta anos!

  16. Pablo.Pacato says:

    Feliz aniversário Sr. Nobre.

  17. IBG says:

    Parabéns, Izzy!! E guess what? Ninguém nunca tem certeza de onde tá indo na vida e nunca vai passar um ano inteiro achando que tudo tá se encaixando onde deveria. Conversa lá com o seu pai, pergunta como ele tava se sentindo com seus 30 anos. Mas pergunta como ele tava se sentindo mesmo! Pede o making of e não os highlights.

    Tá tudo certo com você, Izzão. Qualquer coisa publica um livro e ganhe milhões.

  18. Felipe Farias says:

    Parabens Kid! To chegando nessa idade tb e compartilho alguns dos seus medos e de algumas frustrações tb. É vida que segue cara…Valorizar oq foi conseguido e buscar sempre mais.

    Abração!

  19. Blyter says:

    Você + o PC Siqueira vão deprimir toda a internet zueragem.

  20. Lucas says:

    Ao contário do que muita gente pensa, 30 anos não é tanto tempo assim. Várias pessoas na casa dos 40, 50 anos vivem praticamente como se tivessem 20. Considerando que a sua vida adulta tem mais ou menos uma década, dá pra fazer e refazer tudo que você fez até agora pelo menos umas 5 vezes.

  21. Wellington says:

    “questiono cada decisão e me pergunto se no final das contas não teria sido melhor ter ficado no Brasil after all.”

    Mesmo você iniciando sua carreira profissional só recentemente, você já tem uma qualidade de vida muito superior a várias pessoas que já iniciaram sua carreira profissional há um bom tempo no Brasil.