Cadê a mulherada que lê essa porra? Temos pelos menos umas cinco, seis meninas lendo essa porra aqui? Eu acho um tanto improvável já que a temática e a execução dos textos que eu posto aqui nesse blog não é exatamente o tipo de coisa que tipicamente interessa meninas. A despeito disso vou fingir que há um grande público feminino lendo esta porra, e que ao menos UMA de vocês poderá me ajudar a entender um dos milhares de aspecto que tornam conviver com vocês tão desgraçadamente complicado.
Isto é uma privada. A privada é a sua amiga. A privada é o que nos impede de excretar em qualquer lugar em que estejamos, tornando-a uma das poucas coisas que nos separam dos animais (entre as outras coisas estão o programa espacial, computadores, a medicina moderna, o sistema de meteorologia, o controle do fogo, a construção de armas de fogo, o mercado da bolsa de valores, videogames e polegares opositores). Se a privada não existisse, você teria que se expôr à indignidade de cagar atrás de arbustos, tal qual índios ianomames cujo estilo de vida foi abordado por uma matéria do Globo Repórter em 1993, ou atrás de latas de lixo, como alguns dos mendigos que habitam o centro da minha cidade.
A privada é uma verdadeira maravilha da tecnologia moderna. Mas por algum motivo que me elude, homens e mulheres não vêem a privada com os mesmos olhos. Homens vêem uma privada como uma forma de aliviar os intestinos ou a bexiga sem precisar correr pra trás de um carro estacionado na frente da mercearia da esquina e rezar para diversas divindades competidoras pra que seu dono não termine suas compras mais cedo do que o planejado. Mulheres, por outro lado, vêem a privada como mais um instrumento a intermédio de qual possam dar continuidade a um de seus hábitos prediletos - a constante encheção de saco.
Seguinte. Como a maioria dos homens machos do sexo masculino, eu tenho em meu DNA uma sequência de genes que é responsável pelo sexto sentido que nos acorda no meio da madrugada com a única intenção de se dirigir ao banheiro e mijar. Por motivos que meu psicológico nunca pôde explicar satisfatoriamente, tal gene permaneceu latente até meus 11 anos, me tornando uma das poucas pessoas no meu círculo de amizades cujo colchão passava mais tempo do lado de fora secando do que em cima da minha cama. Mas isso é assunto pra um outro post.
Então, bate as duas ou três da madrugada e minha bexiga envia o sinal para o meu cérebro, que passa a produzir quantias relativamente altas de adrenocorticotropina. Sem dúvida você deve até ter engasgado ao tentar pronunciar a palavra. Substitua-a por “aquele hormônio que prepara o seu corpo pra acordar”. Eu me levanto, coço a bunda lentamente enquanto movo a língua ao redor da boca apreciando aquele horroroso sabor que inunda suas papilas gustativas naqueles momentos logo após uma longa noite de sono. Vou ao computador, verifico meus emails, leio comentários do blog, posto em 4 ou 5 fóruns e finalmente lembro que estou com vontade de ir ao banheiro. Dirijo-me ao lavatório pra cuidar do meus negócios.
Essa é a parte que vocês precisam prestar atenção, meninas. Como quase todo homem de descendência não-judaica, minha piroca não foi mutilada momentos após meu nascimento. Meus pais podem ter tomado decisões horríveis sobre minha vida quando eu não tinha ainda o poder de fazer minhas próprias escolhas, mas eles optaram que eu não fosse circuncidado, e por isso eu os agradeço imensamente. Pai, eu sei que você está lendo esse artigo – quem tomou a decisão de não me circuncidade, você ou a mamãe? Me fale aí pra eu eu possa dar um bom presente de Natal pra alma caridosa que me poupou desse sofrimento desnecessário.
Então. O problema de ter um prepúcio é que, após passar horas desacordado, a posição em que essa camada de pele cobre a saída da uretra é absolutamente imprevisível. E, apesar de ter uma piroca por 23 anos, eu ainda não me me programei pra me lembrar, momentos antes de liberar o fluxo da urina, que a posição do prepúcio torna o simples ato de dar a mijadinha da madrugada uma grande confusão.
Às vezes seu membro genital “migra” por baixo da cobertura de pele que o protege, às vezes a umidade faz as bordas do prepúcio aderirem uma a outra. Desconheço a razão que provoca o fenômeno, mas o que importa mesmo é o resultado.
Vamos fazer um breve exercício mental pra entender o fenômeno.
Meninas, vocês já brincaram com uma mangueira. Lembra o que acontecia quando você bloqueava o fluxo da água com o polegar? Então, dependendo do diâmetro da abertura que seu dedo permitia, o jato de água se tornava completamente errático e imprevisível, não é?
A mesma coisa acontece com a gente. Eu sou míope, e muito raramente lembro de pôr os óculos antes de ir ao banheiro. Por causa disso, a baixa definição produzia pelas minhas retinas não me permite perceber que a, digamos, “configuração” do meu membro está bagunçada. Minha piroca executou uma operação ilegal e a limpeza do banheiro será finalizada.
O que acontece é que o jato de mijo, assim como o fluxo de água da mangueira do exemplo acima, se torna totalmente imprevisível. Outro dia mesmo por causa desse problema que afeta todos os homens não-circuncidados, eu mijei a cortina da banheira, a parede adjacente, meus pés, a lata de lixo e os rolos de papel higiênico sobressalentes que ficam convenientemente ao lado da pia.
A solução pra esse problema é levantar o assento da privada, permitindo um alvo mais largo e reduzindo as áreas mijadas não-intencionalmente às bordas de cerâmica da privada. E, como o assento da privada só é necessário pra homens em metade das vezes que vamos ao banheiro, ao contrário das meninas que são mortalmente dependentes do dispositivo, nós temos o costume de deixar o assento lavantado após executarmos nossas tarefas.
Aí que entra a parte que eu não entendo. Mulheres odeiam encontrar o assento levantado e isso todos sabemos. O que eu não sabia até morar com a minha patroa é o MOTIVO de tamanho desgosto. Acho que eu demorei a descobrir porque antes esse era o tipo de fato que eu apenas aceitava sem muita indagação, só recentemente fui exigir uma explicação.
Segundo a namorada, deixar o assento da privada levantado oferece um problema não de conveniência, mas de segurança. Eu sempre achei que as meninas tinham apenas preguiça de levantar o assento, ou talvez nojo de ter que manipular um objeto que potencialmente foi ensopado em urina masculina momentos antes (o que é burrice, afinal o assento está levantado justamente para protege-lo disso). O problema, segundo minha mulher, é mais sério.
De acordo com ela - e com outras garotas que interpelei após ouvir a explicação pra conferir sua veracidade - o problema é que as meninas às vezes vão sentar na privada na esperança de encontrar o assento, e na sua ausência caem de periquita na gélida e potencialmente pútrida água do sanitário.
Eu fiquei simplesmente estupefato quando ela me apresentou essa explicação. Então quer dizer que a familiar reclamação feminina sobre o assento da privada não é por preguiça, e sim por burrice mesmo? Como é que você levanta da cama, se dirige até o banheiro, e se posiciona pra sentar na privada sem jamais abrir os olhos e notar que o assento está em posição vertical tal qual bandejas de aeroplanos, que devem ser recolhidas para a decolagem e aterrissagem?
Eu perguntei pra namorada se ela vai até o banheiro de olhos fechados, tateando as paredes até achar o caminho. Perguntei se a posse de dois cromossomos X dotou-as de ecolocalização que permite navegação independente da visão, e pressionei o ponto da minha teoria, elaborando que tal ecolocalização as deveria alertar sobre a posição do assento.
E ela, naturalmente, não soube me dar uma explicação convincente.
Meninas, é sério que vocês correm o risco de serem levadas na descarga se a gente esquece o assento levantado? Rola mesmo isso de cair de bunda na água, potencialmente se entalando no vaso sanitário e ter que recorrer à indignidade de berrar por socorro?
Estou aberto a uma explicação alternativa. Deixem algum comentário que elucide essa questão.





Kra post muito instrutivo realmente ampliou horizontes pq tem varias coisas q saum tabus e um foi batido *palmas*
Na maioria das vezes fecho com a tampa, pq acho mais “bonito” “higiênico”, etc. Impede que alguma coisa caia ali dentro.
Mas não é sempre, uma vez ou outra eu esqueço ou nem faço. Se elas dizem que não tem como se auto-programar pra verificar se o assento esta abaixado na hora do aperto/sono(coisa que eu consigo fazer), não podem reclamar se mijarmos no assento nessa hora tb.
Só mijo sentado quando estou com vontade de cagar. Mas, seja como for, para usar a descarga depois e evitar a fedentina, eu abaixo a tampa da privada, mesmo.
[...] POR QUE CARALHOS MIJADOS elas reclamam tanto por causa disso? O KID, que é um gamer de respeito, já explorou a questão anteriormente, mas ela continua sem resposta. Eu acho que é só um comportamento default de encheção de saco [...]