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Pronto, formatei a BOSTA desse computador

Postado em 20 November 2011 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

Como todo filho de técnico em informática, eu cresci rodeado de computadores. Ter mais computadores do que gente foi uma constante em praticamente todas as casas em que morei na vida.

(Nesta aqui, por exemplo, moramos eu e minha mulher, e CINCO computadores: 2 HTPCs plugados às TVs, o meu desktop principal, meu notebook e o laptop dela)

E logo cedo, quando eu ouvia meu pai berrando revoltadíssimo contra seu computador, com um tom de voz que indicava completo desespero e quase chorando de tanta frustração até, aprendi algo importante sobre computadores: eles trazem mais problemas que resolvem.

Eu odeio iniciar frases com o clichezíssimo “como vocês sabem”, então vou apenas apresentar o fato sem presumir que ele é de conhecimento prévio de vocês: no ano de 2009, comprei um computador desktop.

O relato da compra do computador é uma maravilhosa história de masoquismo; provavelmente foi o maior suplício que eu passei na vida. Mas como dizia Chiquinho Scarpa — eu juro que não sei quem é esse cara, mas o nome me pintou na cabeça agora do nada –, no fim tudo dá certo.

Mas, como todo computador Windows, este aqui tem um problema de bomba relógio de auto-destruição. Aliás, não, pára: a culpa não é inteiramente do OS. Eu fiz muita merda nesse computador também, jogar a culpa inteiramente num software inanimado é filhadaputice e falta de responsabilidade pessoal.

Após 2 anos de instalar porcaria, desinstalar porcaria (às vezes na correria e do jeito “errado”), esbarrar o dedão na precária tomada do gabinete e desligar o computador do nada, e p nunca reiniciar o computador como ele vive me implorando, a máquina estava uma desgraça.

Você conhece olhar pra essa janela sem esboçar descaso?

Tu aí que é usuário de Windows deve conhecer bem os sintomas de um OS totalmente aidético e necessitando de uma morte piedosa. Manja quando desligar o computador é uma tarefa que demora pra caralho, o pobre Windows fechando mil processos que você nem lembra de ter instalado? Ou quando o sistema já boota com janelas de erro relacionadas a sabe-se lá o que? Ou quando BSODs já não são mais nenhuma surpresa; invés disso você as recebe com uma estranha resignação.

Uma BSOD capturada em seu habitat natural

Caralho, fazia tempo que não dava uma dessas, né?” você pensa consigo mesmo, paradoxalmente vendo isso como sinal de que o computador tá “melhorando”. Tal qual marido acostumado a tomar chifre, você interpreta as decepções como parte da experiência. “Tem que aceitar do jeito que é, né?

Pra entornar o caldo de vez, na semana passada peguei um desses ransomware que finge ser um antivirus e desabilita seu PC inteiro até você mandar dinheiro pros caras. Sou como os Estados Unidos: gordo e não negocio com terroristas. Portanto, pedi socorro aos diversos de desocupados que me seguem no tuíter.

A galera deu mil dicas (ComboFix, HijackThis e diversos outros programas de diagnósticos extremamente técnicos e sinistros que, na verdade, me davam mais medo que o próprio vírus), mas no final das contas a única solução foi dar aquela restauração do Windows pra alguns dias antes de ter sido infectado.

Naquele dia tentando me livrar do “vírus” (os broderes hackeristas insistem que isso tecnicamente não é um vírus, tem algo a ver com a programação HTML do software), um conselho foi dado repetidas vezes, e ignorado o mesmo número de vezes: “formata essa desgraça logo aí”.

Alguns mais espirituosos deram esse conselho no formato da piada informática mais satisfatória que existe, vou ensinar a vocês. Ouvi-a pela primeira vez acho que em 2000 ou 2001, e ri pra caralho (apesar de ser a versão micreira do “pavê ou pacomê”, tamanha é a infâmia deste chiste). É assim:

Seu amigo relata, tristonho, problemas com seu computador pessoal. Você alega confiante que há forma (bastante simples até) de resolver a situação. O colega se apruma todo, com um brilho especial nos olhos, aguardando ansiosamente a solução divina que você está preste a oferecer. Ele confia no seu tato tecnológico; é justamente por isso que ele contou sobre o problema com o computador — ele tinha justamente a esperança que você pudesse oferecer uma solução.

Vi muito isso aí no meu curso” diga enfático. A mentira é importante para firmar sua imagem de expert com formação acadêmica. Continue com “isso aí tá parecendo problema de junta.”

Seu colega é um pobre coitado que não sabe a diferença entre um bit e um cabo VGA; em sua mente primitiva e quase indígena, “junta” é um jargão extremamente tecnológico. Ele perguntará, à guisa de maiores explicações, “problema de junta?“.

Pronto. A instalação da piada está completa, basta roda-la — diga, com total malícia,

“ISSO, PROBLEMA DE JUNTA. JUNTA TUDO E JOGA FORA”

Uma filha da putagem clássica. Mas voltando à história:

Dei o restore pra me livrar do vírus e deu de boa, mas aí o Windows começou a chilicar epicamente. Se eu abria o Windows Explorer, demorava uns 2 minutos pro conteúdo da janela aparecer. O iTunes demorava literalmente 20 minutos pra abrir. Editar o conteúdo de pastas (deletar ou renomear um arquivo, por exemplo) exigia um F5 pra exibir resultados.

A essa altura eu imaginava que o registro do Windows tava parecendo uma sopa de letrinhas. Dando razão aos amigos que recomendaram a formatação, sentei o dedo nesta porra.

Tive medo que a migração do iTunes — o passo mais crucial de uma formatação — acabaria dando errado, mas tudo rodou macio. Durante o processo de formatação, no entanto, eu fiquei pensativo. “Será que este é o momento de admitir que não dá mais e finalmente me render de vez à Apple?

E passei o resto do dia pensando nisso. Eu já sou meio que fanboy bichinha da empresa faz algum tempo, ao ponto de que revelar que sou usuário de Windows chega a ser desconcertante a alguns dos meus seguidores. Não estaria na hora de um iMac?

E decidi: se o processo de formatação desse qualquer problema, por mínimo que fosse, eu iria jogar esta porra deste computador da varanda (desde que me mudei pra um apartamento morro de vontade de usar a gravidade como agente de extravasação de fúria tecnológica, mas ainda não tive a oportunidade), marchar até a porra da Apple Store e comprar um iMac logo duma vez.

Feliz ou infelizmente, a formatação rodou macia. Tive que rebolar pra instalar drivers do adaptador wifi USB (que até hoje era plug and play, mas hoje resolveu ser plug and pau), mas no final aqui estou eu com o computador “novinho em folha”, pronto pra mais abusos de um usuário desleixado.

 

E não podia faltar o wallpaper clássico que uso em todos os meus aparelhos

Por enquanto o computador tá uma delícia. Aplicativos abrem imediatamente, em vez de uma semana depois; nenhuma janela de erro apareceu (ainda) pra perturbar minha paz, e agora posso dormir tranquilo sabendo que o tal vírus lá REALMENTE foi-se de vez — pois, tal qual naquela piada do cara que, ao indagado pela mulher recém-fornicada sobre qual nome desejariam dar ao seu filho, dá dois nós na camisinha e joga na descarga, este vírus seria um verdadeiro MACGYVER se escapasse de uma formatação.

Ah, xeu aproveitar que já tou atualizando essa merda de site pra avisar que minha última prova de admissão pro meu curso é segunda feira. Voltarei a ter algum tempo livre e aí HBD e meu canal do youtube voltarão com a força da ereção de Odin, o Deus Pai.

Por enquanto lê os históricos ou algo assim, sei lá.

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Categorias: Vida maldita

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. maaicol says:

    Izzy vicê trablha em que?e queria saber se é uma melhor qualidade de vida morar no canada?

  2. depois de ler o teu querido relato fiquei com pena de você cara.

    ah uns dois anos mudei para o ubuntu linux, melhores dois anos da minha vida.

    se fosse você mudava no ato.