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Sobre ter um nome incomum

Postado em 3 December 2012 Escrito por Izzy Nobre 77 Comentários

Algum gênio de marketing apresentou  à Coca Cola a brilhante idéia de colocar centenas (milhares?) de nomes diferentes nas latinhas da Coca Cola Zero. O resultado disso é que essa nossa internet, já célebre por ter transformado egolatria numa forma de arte, substituiu sua obsessão atual por cupcakes com essas latinhas “personalizadas” aí. O tuíter, facebook, instagram e variados estão abarrotados de fotos das latinhas com nomes.

Se tem gente vendendo, é porque tem alguém comprando.

Nem preciso procurar, mas eu sei que não existe uma latinha com meu nome. Aliás, essas latinhas me lembram que meu nome jamais consta em nenhum tipo de produto personalizado com nomes. Me identifico com o Bart neste trecho de Simpsons:

Quando eu cursava as séries mais inocentes do ensino primário, a brincadeira favorita dos meus colegas era associar meu nome com sua relação mais notável; um termo que (assim como muitas outras coisas no Brasil) a galera conhecia por cortesia do Jornal Nacional ou do Fantástico, mas não sabiam realmente do que se tratava: “Palestina”.

Sim, da quarta série em diante eu era conhecido como “Palestina” entre os amigos mais espirituosos (leia-se “filho da puta”. O termo “espirituoso” sempre pode ser substituído por “filho da puta”, confira aí se duvida).

E em colégios evangélicos, onde estudei boa parte da minha vida, o referente cultural mais próximo era “Israelita”, como os hebreus são às vezes chamados na Bíblia. Esse me incomodava particularmente, já que havia a leve insinuação de feminilidade — “Israelita” soa um pouco como uma versão feminina do meu nome.

Mas talvez fosse um pouco melhor que os Paulos Césares da época, fadados à alcunha de PC Farias — novamente, algo que a pivetada ouvia na TV mas não tinha a menor idéia do que se tratava. Às vezes no exerício dessa substituição de nomenclatura, a pivetada nem escolhia um termo negativo (o que “PC Farias” era, mas não sabíamos); a graça estava simplesmente em substituir o nome da pessoa por algo relacionado mesmo.

Como falei: ensino primário era uma época mais inocente. No intuito de sacanear alguém, a gente se satisfazia com pouco.

As regras mudaram no ensino médio, no entanto. A puberdade trouxe a malícia, e a terminação em “EL” abria a possibilidade de rimas extremamente maldosas. Deixo as brincadeiras da turma a cargo da sua imaginação, embora eu imagino que os Rafaéis e Samuéis saibam bem qual era a rima.

Bom, poderia ser pior. Não sei como, mas poderia.

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comments

Categorias: Vida maldita

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

77 Comentários \o/

  1. Como poderia ser pior? simples meu amigo…
    pergunte pra qualquer Raul ou Paola quais eram as riminhas que eles estavam acostumados a ouvir ;D
    Rafael, Samuel e Israel serão fichinhas…

  2. Filipe Lima says:

    “Israel, meti no c* que tirei mel”
    Já fiz muito com os caras que tem “Deus” no nome (Rafael, Gabriel, Emanuel, etc…”

  3. Israel-tua-mãe-tá-no-bordel? Foi o que eu consegui imaginar…

  4. alpha says:

    eu tinha um nome mó escroto. troquei!

  5. Walter says:

    Israel que da o anel

  6. Além de sofrer com o Pastel de quem termina em EL, eu sofri com o “Gabriel Pensador”.
    Até professor da faculdade fez essa brincadeira. É muito tiozão do pavê, mas acontece.

  7. Tais says:

    Meu nome é comum, todo mundo conhece…Mas eu nunca achei nenhuma dessas coisas relacionadas a nomes com Tais, ainda mais sem H.
    Curiosamente, as pessoas me chamam de Irdes.

  8. Gabriel says:

    E aí, Israel, meu pau no seu anel! Haha!

  9. Lucky says:

    Israel cara de pastel, porque sou muito inocente nessa vida de Lucifre.

  10. Ivo says:

    Desenvolvo um sistema para cartórios de registro civil brasileiros. Não fazem ideia da quantidade de nomes estranhos (e feios) que o pessoal coloca.

    Israel é um nome razoável, Izzy. Fica com esse mimimi porque não gosta das rimas? Vou te dizer como poderia ser pior:
    Abedenego
    Abiatan
    Abnize Ketilley (mulher)
    Ackson
    Acsa (mulher)
    Ahi
    Ava Gina (esse foi homenagem à Ava Gardner e Gina Lollobrigida)
    Vou parar de listar mulheres, pra não ficar muito grande, mas Ava Gina ganha em todos os quesitos, rs)
    Ayã
    Azaf
    Azemar
    Azenate
    Azimaveti
    Bacon
    Baldonedo
    Claudiwellington
    .
    .
    .
    poderia ficar aqui o dia inteiro listando, mas vou parar pq tenho que trabalhar.

    • Bruno Guedes says:

      Imagine a cena.

      Uma pessoa entra num cartório, pra registrar sua filha. Tabelião pergunta o nome, esta pessoa diz, sem nenhum inflexão de sorriso sequer, “Ava Gina”. Provavelmente repetindo e soletrando depois.

      Calcule, se for capaz, a surpresa e constrangimento de um funcionário que lembrará por toda sua vida que um dia teve que registrar uma pessoa com esse nome. É um fardo que eu jamais desejaria mesmo ao meu pior inimigo.

    • Synnx says:

      BACON? Mano, esse levou a idolatria por porcos longe mesmo… o.O

  11. Bruno Guedes says:

    Eu sou muito inocente mesmo, o pior que me veio na cabeça foi “cara de pastel” 😛

    Enfim, por outro lado você não tem que se apresentar com sobrenome porque obviamente vai ter outro sujeito com o mesmo nome que você a pelo menos 100 metros de distância. Ema ema ema…

  12. Murdock says:

    Realmente, a relação com Palestina fica excelente, ainda mais hoje que todo mundo é “politizado” e odeia os EUA e seus aliados. “Quanto mais Israel melhor” seria visto por essa galera como um claro desafio da indústria americana aos palestinos, incitando o aumento do território israelense em detrimento das crianças árabes.

    Vai vendo…

    PS: Meu nome também termina com EL e fui aporrinhado com a música do Ed Motta, “Manuel”.

  13. Teo Resstel says:

    Tinha a música do Ed Motta que era adaptada para todos os “ELS”. “Israeeell…. Foi pro céééuuu…. Comer pastel….”

  14. Ilton Alberto Junior says:

    Sei como é ter esses nomes incomuns. Não lembro do povo zoando meu nome, mas o sobrenome zoaram até cansar.

  15. João says:

    Cara, sério, quem paga $10 por uma latinha vazia? pqp, é muito fácil fazer dinheiro

  16. Mateus Herculano says:

    Uma vez vi a história dum cara que se chamava Enis.
    O apelido dele era Aralho.

  17. Jeziel says:

    Meu nome só me incomodava quando era bem novinho. Depois passei a gostar de ser o único com esse nome (e com essa grafia) nas escolas todas.

  18. Luis Souza says:

    Pense em cada Nicolau desse Brasil…

  19. Heinrich Solidade says:

    Meu nome é Heinrich. Segundo meus pais, é a versão alemã de Henrique, mas, descobri mais tarde que o correto (pronúncia) é algo como Rain’rixi, ou seja, já fui chamado de tudo quanto é nome.

  20. Gabriella says:

    Pelo fato do meu sobrenome ser leite meus apelidos sempre foram leitosa, leitão, lerdoia, etc. Mas graças a novela agora é sempre, sempre gabriela( ou always, depende da pessoa)

  21. Gabriel Silva says:

    Bem, Izzy, meu nome termina com “EL” também, então passamos pelos mesmos problemas…

    O engraçado é que meu nome, “Gabriel”, é bem comum e até hoje nunca vi uma latinha da Coca Zero sequer que continha meu nome, apenas “Gabi”. :S

  22. Hahaha. Eu já sofri muito por ter nome (e sobrenome) estranho.
    Mas a melhor história é, sem dúvida, a que aconteceu no meu primeiro semestre da faculdade:
    Cerca de um mês depois do início das aulas, chegou a época das provas de início de período. E, claro, sempre tem aquela matéria que é a mais difícil (o professor dessa matéria era alvo de tantas lendas urbanas que diziam que uma vez a sala dele pegou fogo enquanto ele dava aula e, quando foram avisá-lo, a reação dele foi: “tudo bem, assim que terminar a aula eu vou pra lá”). Enfim.
    Ao entrar na sala, tomei a reação rotineira e instintiva que me foi moldada durante todo o ensino médio e boa parte do ensino fundamental: me dirigi ao fundo da sala, já procurando as cadeiras coladas à parede -- veja bem, não que eu pretendesse colar (na verdade, acredite ou não, me formei na faculdade sem nunca ter colado na vida), mas eu simplesmente gostava de ficar no fundo da sala (ou, mais provavelmente, estava programado de forma quase pavloviana, já que ficar na frente é um saco).
    No momento em que girei meu corpo para ir ao fundo da sala, esse professor (que, dizia outra lenda, era um robô programado para ignorar emoções humanas) pôs a mão no meu ombro e disse: “não, Transilvânia, você vai sentar aqui na frente”. Isso na presença de cerca de cinquenta colegas.
    Aos incultos, meu nome (que é “Vlad” mesmo, sem ser apelido de nada) costuma remeter ao famoso Vlad Tepes Drácula (aquele mesmo). Daí “Transilvânia”.
    Obviamente, essa demonstração de humor por parte do ser humano mais parecido com o Spock que o meu curso conhecia viralizou.
    A partir do dia seguinte, todos os alunos do meu curso me chamavam de “Transilvânia” -- incluindo a funcionária da secretaria, que perguntou “Ah, você é o famoso ‘Transilvânia’?” quando fui pegar minha carteira de estudante.
    Por sorte, a memória coletiva é de curto prazo, então esse apelido só durou até o final daquele semestre -- menos para esse professor, que continuou me chamando assim até o final da faculdade.

  23. Israel Mielli says:

    Não sei com vc xará mas depois do dia 11 de Setembro tenho a impressão de q conseguiram piorar as piadinhas …

  24. sese says:

    “israel cabeça de pastel” é o que eu consegui pensar de pior. Era com isso que voce se incomodava no colegial????

  25. Hércules says:

    Por favor, gente. Olha o meu nome.

  26. Andre Oliveira says:

    Pergunte a qualquer André que teve sua vida escolar na época daquela música do Molejão (sim, vcs sabem qual é) e ele te dirá que piadinha com Israel não é nada demais.

  27. Diomasters says:

    Ahaha! Entendo como é ter um nome bem fora do padrão. Minha mãe decidiu me amaldiçoar com o nome de “Diógenes”. Bom, já da pra saber que eu não vou encontra-lo escrito em uma latinha de Coca por aí,né? xD

    O meu maior problema em relação ao meu nome nem é a zueira, nunca rolou tanto.Mas sim a dificulade que as pessoas tem de pronunciá-lo! =/

    Em todo caso, entendo como se sente Izzy! 😀

  28. Grasiani says:

    Reclamando de barriga vazia. Meu nome é Grasiani (sou homem). Meu sobrenome italiano é Da Ré. O sobrenome (lendo como daré, dar-a-ré), fica fácil escrotizar. Até hoje, todos os atendentes por telefone (banco, telefone, pizzaria, etc.) TODOS, me chamam de A Grasiani. Isso quando acertam a grafia do nome, porque mesmo com o nome escrito na frente deles, me chamam de Graziano, Grasssiane, ou outra coisa pior. Acredite quando digo que Israel tem bem pouco de incomum.

  29. Estevão Bicalho says:

    “Nem preciso procurar, mas eu sei que não existe uma latinha com meu nome.”
    É ai que você se engana…
    http://ecbicalho.tk/CCZh01

    Se até os Hilanilson tem seus nomes nas garrafinhas da Coca Zero, porque você não.

  30. cristiano says:

    Não reclame, tenho um amigo japa cujo sobrenome é Sugavara. Não tem nem que fazer trocadilho …
    Sobre nomes bíblicos, eu estudei com um que se chamava Dídimo (ou Tomé, segundo a Bíblia).

  31. Carlos says:

    Acredito que muitos sofram com apelidos, o que pode juntar com o fisico da pessoas, tenho um colega que, pelo corpo avantajado, teve o sobrenome Godoi, trocado por Gordoi. Em relação a nomes o que mais me marcou com boas risadas foi o ocorrido com um colega, considerado nerd até que um dia conseguiu uma namorada, e isso espalhou como dengue, e na sala todos insistiram que ele dissesse o nome dela. Até que finalmente confessou: Êndria. E no mesmo momento um colega do lado começou a cantar: Êndria na minha casa/ Êndria na minha vida/ Mexe com minha estrutura…

  32. Ana says:

    Como eu tenho uma combinação de dois nomes comuns (Ana e Júlia), até o final do primário só ouvia gracinha com essas rimas tontas com “Ana”, que até eu já fiz um dia.

    Mas nem precisa dizer o que aconteceu quando Los Hermanos estourou na mídia, claro. E eu queria que tivesse sido algo restrito à minha vida escolar, mas ATÉ HOJE, trocentos anos depois, as pessoas ainda fazem a inconveniência da cantarolada. Acho até estranho quando me apresento pra alguém pela primeira vez e não escuto de volta “oh Anna Juliaaaa”.

  33. Letenço says:

    O meu pai não contente com esse belo nome, para e pensa:
    Pq não agraciar meu filho e passar o legado para ele?
    Acho q no mundo todo só tem eu e meu pai com esse nome,
    Já procurei muito e nunca encontrei!

  34. Guilherme Almeida Pascon says:

    Nunca tive problema com o meu nome e o mais pesado apelido que dá pra pôr em alguém com sobrenome “Pascon” é “Páscoa”.

    Enfim, pouco bullying sofrido, mais bullying cometido.

  35. Diones Reis says:

    A minha sorte do meu nome ser incomum, é que quando faziam uma tirada deste tipo, ficava tao forçado que nao tinha graça. 🙂

  36. Leon says:

    comigo é sempre normal me chamarem de leão, rugir ou cantarem aquela música do caetano veloso

    • Letícia Sartori. says:

      eu tenho uma amiga que o sobrenome é Leão, o colegial inteiro a coitada aguentou um professor de biologia rugindo na hora da chamada, os outros professores chamando ela de rainha, e etc. E o mais legal foi o professor de biologia chamando a coitada de rainha da selva e leoazinha em TODAS as aulas rs

  37. Xot says:

    Meu último sobrenome é Pironi. Imaginem vcs, meus caros, quantos apelidos relacionados à piroca ja não recebi…

    Ainda em tempo Izzy: da uma olhada no subreddit /r/justiceporn , uma fonte inesgotável para seus posts de HORA DA JUSTIÇA

  38. Valdecir says:

    No mês em que foi lançado essa lata, se seu nome não estivesse na lata, era só entrar no facebook da coca e deixar seu nome. Eles iriam incluir mais 50 nomes.

  39. Aloander Oliveira says:

    Olhe meu nome! As piadinhas de telefone sempre me perseguiram cara. Mas tem a vantagem de todos meus cadastros serem faceis de fazer 🙂

  40. Said says:

    Eu sofri bastante na época da escola…

  41. Claudecir says:

    Me chamo Claudecir do Nascimento Dantas.
    Alguem aí ainda vai reclamar?
    Na infância eu nem ligava,mas minha adolescência foi um inferno.
    Nem lembro quantas vezes eu “mudei“ de nome pra me apresentar pra uma mina…
    O bom é que sempre levei com bom humor. Se o cara ficar com raiva,aí que a molecada pega no pé mesmo.

  42. Mia says:

    Meu nome é grafado como Samantha, mas infelizmente nessas lojinhas de produtos personalizados costumo encontrar a grafia incorreta que costumaram adotar em português > “Samanta”. Sempre sofri.
    As piadinhas no meu tempo eram associados a “maldição de Samantha”, filme do Wes Craven.

  43. Newton says:

    Newton. No problem…
    No máximo Dimi(?) Neutron e Newton Paiva (colegio, faculdade, sla o que de BH)

  44. Melhem Saad says:

    Sempre tinha/tem alguém pra me chamar de Merlin..
    Pior época da escola era quando passava a fada bela na globo..

  45. Jéssica says:

    Cara, conheço uma pá de gente com nome bizarro: sobrenome do meu pai, só pra começar, é “Leitão”; o nome do marido da minha madrinha é “Euteurides Júnior”; e a minha mãe fez magistério, nada menos que com uma “Maria BUCETILDES”. D:

  46. Elis says:

    Posso colocar o nome da minha filha de Emanuelly. Pois fiquei sabendo q nao poderia colocar nomes terminados com lly.

  47. Eliaquim says:

    Eu achava impossível ver o meu nome numa latinha até que eu vi ele numa garrafa de 1L
    http://migre.me/dDsb0 <-Eis a prova

  48. Nuckz says:

    Desde criança sou obrigado a ouvir a mesma piadinha manjada e escrota, da qual pra não parecer antipático dou uma risadinha amarela. Meu nome é Tarciso Sampson, e as piadas de lei são: “É o Tarcisio Meira!” ou “Tu é do desenho animado Os Simpsons né safado?? Pensa que não sei!”

  49. Ana Carolina says:

    Cara, apesar de um nome lindíssimo desses, eu não escapo das paiadinhas. Eu quase sempre ao me apresentar escuto um “Ah, a cantora? canta uma aí”. No que eu respondo “Nossa, eu não me canso dessa piada!”

  50. Nathalie says:

    Gente, não existe rima para meu nome, fico feliz por isso HUEHUEHUE.

    Curiosamente já me chamaram de Oklahoma, Pão, Cútis e outras coisas que eu nunca entendi.